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Festival Abya Yala Nagô 🌿🎥
Cinema Negro e Índigena ✊🏼✊🏽✊🏾✊🏿
1ª Edição ✨
De 30/05 a 01/06 🗓️
CCSP - Circuito SPCine 🍿
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🎬✨ O Festival Abya Yala Nagô agora está online!

Parte da programação de filmes exibida agora está disponível gratuitamente na UBUPLAY! 🌍📽️

Essa é a sua chance de mergulhar em histórias potentes, narrativas ancestrais e olhares diversos que celebram a força do cinema indígena e negro.

🗓️ Disponível só até o dia 8 de junho, então corre lá no https://www.ubuplay.com/ ou acesse direto pelo link na bio! taken in Brasil by @abyayalanago
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a year ago
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Crítica de Noah Mancini sobre o filme “Vacas Brancas Preguiçosas”, de Asaph Luccas, exibido na 1ª Edição do Festival Abya Yala Nagô fe Cinema Negro e Indígena.

Você está numa sala virtual, uma sala de aula, o áudio vaza, você está falando mal da vaca branca preguiçosa que divide a classe contigo.

A partir desse deslizamento, banal e brutal, nasce a espiral narrativa do filme. Uma jovem estudante negra, irônica, comete um deslize num ambiente online — e rapidamente se vê engolida por uma saga virtual para tentar escapar do cancelamento. A protagonista é pega pra cristo, e agora que Deus morreu e só reside na nuvem virtual, cada um escolhe seu mártir.

Com uma montagem frenética, o filme recria a lógica visual das redes: cortes rápidos, sobreposições, caixas de mensagem que pulam como vozes na cabeça, timelines em forma de fluxo de consciência. O dinamismo na montagem torna a linguagem fresca, de captação
momentânea, o riso fácil — mas nunca vazio. A leveza não impede o peso das questões que atravessam a trama: raça, poder, culpa, julgamento público e performatividade moral.

Os memes estão por toda parte. A estética memética não é um acessório: é a própria estrutura do pensamento da protagonista. Não apenas o filme fala sobre a internet — ele fala como a internet. E é justamente nesse território ambíguo entre ironia e exposição que os amigos entram em cena. Juntam-se para salvar a amiga, cada qual com seu método, sua loucura, sua persona de rede. Utilizam metodologias autorreferenciais, talvez arbitrárias — mas afinal, quem não é?

É nesse multiverso de realidade social e virtual que o filme se ancora. Lida com a ironia de situações corriqueiras que se tornam cruciais em ambientes digitais, onde um erro vira manchete, um comentário se transforma em hashtag, e a reputação é moeda volátil.

Durante a sessão, a identificação era geral: risos cúmplices, murmúrios de quem já viu, viveu ou viralizou. O público reconhece ali não apenas as referências, mas os mecanismos: os hiper estímulos cibernéticos que tornam tudo rápido, público e potencialmente destrutivo.

Continua nos comentários ⬇️ by @abyayalanago
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6 months ago
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Crítica de Noah Mancini sobre o filme “Minha câmera é minha flecha”, de Natalia Tupi, exibido na 1ª Edição do Festival Abya Yala Nagô de Cinema Negro e Indígena.

Richard Wera Mirim é comunicador Guarani Mbya da Terra Indígena Jaraguá, um território que resiste entre concreto e rodovia. Em seu filme, a câmera se transforma em flecha: uma ferramenta que mira com precisão a urgência de existir, de narrar, de permanecer. O audiovisual é seu arco — com ele, Richard registra o tempo, protege a memória e lança imagens como atos de luta.

Em Minha Câmera, Minha Flecha, o disparo não é alegoria: é gesto real. A fotografia não busca ornamento — ela afirma uma posição. Os planos são diretos, conscientes de sua função: registrar e, ao mesmo tempo, resistir. Nas cenas de protesto, o corpo da câmera pulsa junto aos corpos em luta. Ela caminha com os manifestantes, escuta seus cantos, acompanha os gritos, as bombas, treme com a tensão. Esses momentos — em que o povo do Jaraguá ocupa avenidas, segura faixas, enfrenta o esquecimento institucional — são capturados com um olhar que não se coloca de fora. Ao contrário: a lente aqui é extensão da presença indígena.

O preto da noite nas retomadas. O vermelho das faixas com palavras riscadas à mão. O cinza dos uniformes da polícia. A paleta do filme é a da aldeia, da própria luta, e sua força está em como a direção da fotografia reconhece isso e se curva à verdade do momento. Richard é sujeito da imagem.

O território do Jaraguá não está garantido — ele é ameaçado, contestado, reduzido. A imagem, então, se torna linha de frente. Cada fotografia é uma prova de existência, cada vídeo postado, um gesto de defesa. A câmera, ao virar flecha, devolve ao povo o poder de narrar-se, sem mediação colonizadora. A fotografia é a linguagem. A câmera, o dispositivo. Ou a flecha. O
disparo certeiro. by @abyayalanago
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6 months ago
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Crítica de Noa Mancini sobre o filme “FUJI”, de Kaue Andre, exibido na 1ª Edição do Festival Abya Yala Nagô de Cinema Negro e Indígena.

Henrique e Yasmin são jovens cineastas da periferia que alimentam o desejo de realizar seu próprio curta-metragem. Quando Yasmin consegue um trabalho na produção de um videoclipe, surge uma possibilidade concreta: em troca do serviço prestado, ela poderá utilizar os equipamentos da filmagem para seu próprio projeto. Assim, o que era sonho começa a tangenciar a realidade — ainda que em meio a negociações, tensões e limites muito explícitos.

O começo do filme vem em um storyboard fotográfico, fotodrama encenado, na introdução dos personagens como pretendidas pelos narradores da hipotética cena, elaboradores, protagonistas do filme. Há uma consciência formal aguda: a escolha pelo storyboard fotográfico não é apenas estilística, é já uma espécie de comentário. A encenação dessa camada inicial evidencia o jogo de forças em que corpos periféricos entram ao tentar narrar suas próprias histórias.

A metalinguagem que atravessa o filme não se esgota como recurso esperto, mas se transforma em uma ferramenta de fricção entre desejo e realidade. Ao seguirmos Henrique e Yasmin, acompanhamos também o constante descompasso entre o que se sonha filmar e o
que se consegue realizar. A imagem que se quer fazer e a imagem que se consegue capturar. E nessa fissura, entre a projeção e a limitação, nasce a pulsação do filme.

As cadeias extrativistas do audiovisual não são apenas citadas. A desigualdade técnica, a lógica dos favores, os silêncios incômodos, tudo comparece como matéria estética. E não por acaso, as contradições não se limitam ao campo narrativo. Elas invadem a própria tessitura do
filme, que ora flerta com a ironia, ora com a denúncia, ora com uma ternura inesperada. Há humor na precariedade, mas também uma melancolia funda diante das portas que se fecham. A amizade entre os protagonistas, além de alívio, é sustentação.

Continua nos comentários ⬇️ by @abyayalanago
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6 months ago
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Crítica de Noah Mancini sobre o filme “Erguida”, de Jhonnã Bao, exibido na 1ª Edição do Festival Abya Yala Nagô de Cinema Negro e Indígena.

“Erguida” acompanha a trajetória de uma jovem poeta da periferia de São Paulo que, após vivenciar uma crise, encontra força para reafirmar a própria voz. O cotidiano dessa família preta é perpassado por inúmeras agruras e vitórias. Todo dia é uma luta, mas toda conquista merece
ser compartilhada. Nem tudo são flores, na verdade, há muito menos flores.

A narrativa ficcional se dá pelas escolhas formais para contar a história. A irmã que passou em medicina para a universidade. Uma mãe preta solo criando duas filhas. E a personagem principal, uma garota trans enfrentando os corres diários. Vai comprar um vestido, as atendentes da loja não querem nem atendê-la, muito menos vender o vestido para ela. O bofinho que ela estava pegando não é capaz de assumi-la publicamente, muito menos comparecer numa comemoração familiar. Tudo está indo num dia daqueles, no pior dos mundos. Mas nem tudo é sobre isso.

O que está em jogo aqui não é apenas o registro de uma realidade — é a construção de uma forma, no gesto cinematográfico que se ergue a partir da vivência. A diretora, que também é intérprete e corpo em cena, dilui as fronteiras entre quem filma e quem vive. Ela constrói o
próprio conteúdo da obra: uma poética da resistência cotidiana. Ela dirige e representa, dá o nome.

A dramaturgia, mesmo enraizada no real, não abdica do lirismo. Cada ausência — do afeto romântico, do reconhecimento social — pesa tanto quanto cada presença: o abraço da irmã, o café preparado pela mãe, o olhar da personagem quando finalmente dá sua letra na roda de rap. E é nesse intervalo entre ausência e presença que o filme floresce.

O filme não entrega uma redenção, mas um enfrentamento. O expurgo final — de início um pouco tímido, sobretudo depois performático, carregado de pulsão — opera como catarse e denúncia. Uma presença que desafia o apagamento. E é aí que reside sua beleza mais profunda: na recusa de desaparecer, no deleite de se erguer. by @abyayalanago
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6 months ago
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Crítica de Noah Mancini sobre o filme “Engole o choro”, de Fabio Rodrigo, exibido em 2025 no Festival Abya Yala Nagô.

Era uma vez, na borda da cidade, um menino de 17 anos que roubou uma moto. Mas o que ele não sabia — e nunca lhe ensinaram — é que o caminho mais longo de todos não era fugir da polícia, e sim atravessar a si mesmo.

Crescer nas margens é como tentar dançar numa corda bamba: escolhas de sobrevivência são servidas frias, sem molho nem opções. Uma briga no bairro, uma cabeça não abaixada, uma moto sem licença. B.O na delegacia.

O filme, dirigido por Fábio Rodrigo é fruto de uma longa escuta sobre a masculinidade preta e periférica, plantada desde 2017. Da pesquisa ao roteiro, da memória ao gesto, tudo carrega o peso do que foi herdado e do que nunca se teve. O diretor — que também não conheceu o pai — também se pergunta muitas coisas.

Essas perguntas viram filme. Anderson (interpretado com contenção feroz por Oda Silva) carrega nas costas o drama de muitos, um menino forjado na urgência de virar homem, sem saber o que isso de fato significa. O pai (Renato Novaes), ausente por uma vida, reaparece só
quando a sirene já tocou. E mesmo assim, nem o tempo, nem a dor, conseguiram traduzir o afeto. Assuntos mal resolvidos, conflitos do passado ressurgem em mágoas. Jeitos e jeitos de se tentar resolver as linhas pregressas perdidas. Voltemos uma casa, ainda há pontas soltas. 

A caixa de 3:4 — a escolha estética da fotografia — é a lente onde tudo está apertado, rente. É o olhar de quem cresceu vendo pouco e sendo pouco visto.

No final, o pai tenta um gesto de reconciliação: um abraço. E Anderson permanece feito pedra. Sentimentos não externalizados, falta de diálogo. O afeto não encontra lugar fácil. Mas há rachadura. O calor do corpo do outro começa a desarmar o frio que cresceu como couraça. O elenco sustenta horrores o drama das incompreensões sentimentais. Cada olhar, cada hesitação, cada palavra engolida é carregada com o peso de gerações que foram ensinadas a não chorar. “Homem não chora, engole o choro”.

E então o filme se encerra como um suspiro preso que finalmente escapa. A história carrega o som abafado de quem um dia quis dizer: eu sinto. by @abyayalanago
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6 months ago
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Crítica escrita por Noah Mancini sobre o filme “Expresso Parador”, de JV Santos, exibido na 1ª Edição do Festival Abya Yala Nagô de Cinema Negro e Indígena.

Lidiane é atriz. Negra e está em movimento. Mais uma manhã no Rio de Janeiro, cidade-caleidoscópio que treme sob a onda torta do que chamam de sistema de transporte
público. Lidiane carrega no corpo os papéis do dia: um teste para novela, um bico de teatro infantil num shopping, a estreia de sua peça no outro extremo da cidade. E a cada novo destino do dia seguinte, um relógio que se despedaça no compasso do atraso.

Dentro do ônibus, Lidiane encontra Cyda Moreno: atriz consagrada, vivendo ela mesma, cruzando a cidade como qualquer outra trabalhadora. E esse encontro, entre duas mulheres negras, atrizes de tempos diferentes, aciona uma fenda na realidade: passado, presente e futuro começam a embaralhar seus roteiros. Quem sonha? Quem ainda pode?

O tempo não é igual para todos. E no caso da população preta e pobre, o tempo não apenas se perde, ele se rouba. Dias inteiros dentro de ônibus, horas de atraso que não são apenas inconvenientes, mas violências. No entanto, o filme não se entrega à desesperança. Entre uma
parada e outra há beleza. Você já pensou na vida dentro do ônibus? Já se pegou imaginando outro roteiro enquanto o trânsito estaciona?

O filme parte do humor e chega no absurdo: Lidiane, sempre atrasada, decide morar no ônibus. Literalmente. Sua nova residência é o próprio veículo que antes lhe negava o tempo. Com direito a laje, sofá, visitas e até entrevista para canal de entretenimento dentro do coletivo. Ao construir todo o filme dentro desse veículo em trânsito — e, às vezes, fazer dele algo que não é — Expresso Parador acontece quando o tempo da cidade não cabe no tempo dos sonhos. É sobre como o ônibus vira labirinto, vagão, sala de espera, palco, confessionário e casa, transformando esse espaço cotidiano, e tantas vezes invisível, em território de imaginação política e fabulação poética. Aqui o riso não anula a crítica, mas amplia: porque o transporte que antes a impedia de chegar se transforma agora em lugar de permanência — sem pressa, sem atraso. by @abyayalanago
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6 months ago
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Crítica de Noah Mancini sobre o filme “No Início do Mundo”, de Gabriel Marcos, exibido na 1ª Edição do Festival Abya Yala Nagô de Cinema Negro e Indígena.

Começa com um canto. Uma música dentro do ônibus, onde passageiros também cantam. A canção emerge como respiração. No Início do Mundo é um musical que nasce do coração da periferia. Por que não um musical aqui?

Vitor e Katlyn são dois jovens como tantos outros. Cresceram em ruas de concreto onde os sonhos custam caro, e a realidade, muitas vezes, impõe um preço antes do tempo. Se conhecem no ônibus, se tornam vizinhos, se estranham e depois se escutam, e isso, só isso, já
os aproxima. Dividem silêncios e batidas. Juntos, compõem uma música, num refúgio, inventário do afeto. No fundo, eles se perguntam se vivem no fim do mundo. E Katlyn responde: talvez seja aqui o começo.

Há uma mãe evangélica que controla, uma paixão secreta por outra menina, uma religiosidade que aprisiona ao mesmo tempo em que deseja salvar. O filme não nega a complexidade: a fé que acolhe é a mesma que oprime. A juventude retratada aqui amadurece cedo, conta moedas.
E mesmo assim, dança e sonha.

A estética do filme é híbrida: começa com energia videoclipesca, transita por cenas de realismo, chega no musical como quem retorna à origem. E no fim fica a sensação de que o cinema pode sim cantar do centro da margem. No Início do Mundo é essa curva, que morar
longe do centro não significa estar longe de si. Que cantar, quando tudo parece impossível e sem saída, ainda é um gesto de inconformidade - e afeto. by @abyayalanago
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6 months ago
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Crítica de Noah Mancini sobre o filme “Bença”, de Mano Cappu, exibido na 1ª Edição do Festival Abya Yala Nagô de Cinema Negro e Indígena. 

Um presídio. Três ou mais homens dividem a sobrevivência. Um rádio rouco solta Tim Maia pelas grades. Do lado de fora, o sol é o mesmo que lá dentro, mas os tempos são outros. Lá, o tempo é contado em esperas.

Hoje é dia de visita. E na cadeia, dia de visita é sagrado.

Antônio acorda com o peito inquieto. É dia de ver Vera. Mas ao atravessar o corredor em direção ao pátio seus passos pesam. De uma cela sai Rodrigo. Rodrigo, o filho. Rodrigo, o agora também preso. Pai e filho se reencontram. Rodrigo, que repete a história do pai — ou
será que a antecede?

Em outro canto, na espera, um bolo. Coberto com a bandeira do Brasil em glacê — essa imagem em festa torta. A pátria também prende e também canta. Lá fora, no portão, as avós chegam com as crianças. As mulheres equilibram sacolas, afetos e documentos. Carregam firme o ritual da espera, sabem que o encontro é breve e vale por semanas.

O reencontro de pai e filho, dentro dos muros, não tem catarse. Tem susto, constrangimento e o silêncio de momentos, mas de uma vida. O drama se tece na rotina invisível: no bolo repartido cuidadosamente, na fila formada, na visita autorizada, no abraço que não vem. by @abyayalanago
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6 months ago
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Crítica de Noah Mancini sobre o filme “Da sua, Maria”, de Magna Domingues, exibido na 1ª Edição do Festival Abya Yala Nagô de Cinema Negro.

Há dores que não têm nome. E entre elas, talvez a mais insuportável seja a de enterrar um futuro. Da Sua, Maria é um acalento. Não no sentido de suavizar o que não pode ser suavizado, mas no gesto cuidadoso de olhar de frente para a ausência. Uma carta de amor às
mães que vivem com saudades. Uma história ficcional mas que se ancora em milhares de histórias reais, todas marcadas pela mesma cicatriz.

O filme começa com esperança. Um casal preto, jovem, se prepara para receber o primeiro filho. Ela está grávida, há um brilho contido no olhar de ambos, como quem caminha no limite entre medo e alegria. A doula chega, os prepara, e juntos seguem para o hospital. O nascimento se aproxima, e com ele, o futuro parece tomar forma.

Mas o filme não se organiza por certezas. Num corte quase imperceptível, o tempo salta — e o bebê se foi. A dor agora habita os silêncios. Daí em diante, tudo é presença ausente. O corpo da mãe caminha, respira, sorri, mas carrega o peso invisível do que não se completou. Em
referência a Iemanjá, a vemos na praia, de camisola azul, entrando no mar, submersa. Quando retorna, deitada na areia, vislumbra uma família ao longe, de mãos dadas: reflexo do que poderia ter sido.

No mercado, a atendente pergunta: “Como está sua filha?” e a pergunta perfura. Há uma ternura cruel no desconhecimento alheio. Em outro momento, no parque, ela conversa com uma menina que também perdeu um irmão. A conversa é leve, quase brincadeira. E ainda
assim, ali se revela um pacto silencioso entre dois enlutados pequenos: a partilha da ausência.

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6 months ago
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🎬 Você tem um projeto de cinema na gaveta e acha que edital é um bicho de sete cabeças?

Chegou a hora de DESCOMPLICAR! ✨

Convidamos você para a ação formativa DESCOMPLICA CINE, um encontro online e gratuito para tirar todas as suas dúvidas sobre os principais editais de audiovisual!

Na atividade, vamos destrinchar os editais que podem impulsionar seu curta-metragem, como:
✅ VAI
✅ Editais SPCINE
✅ ProAC

O que você vai aprender:
🔸 Como interpretar o “juridiquês” dos editais.
🔸 Dicas práticas para formatar seu projeto.
🔸 Orientações para uma inscrição mais segura e competitiva.
🔸 Esclarecimento de regras e processos.

Não deixe que a burocracia seja uma barreira para a sua criatividade! Esta é a sua chance de aprender com quem tem estrada.

QUEM VAI CONDUZIR?
A formação será ministrada por Icá Iuori, produtore do Festival Abya Yala Nagô, membro da Madrugada Filmes, produtora de cinema com 6 anos de experiência e diversos projetos aprovados em editais públicos.

ANOTA NA AGENDA!
📅 Data: 09/10 (Quinta-feira)
⏰ Horário: 19h
📍 Local: Online via Google Meet
(O link de acesso será enviado por e-mail após a sua inscrição)

Link para inscrição na bio! ➡️

Não perca esta oportunidade de dar o próximo passo na sua carreira audiovisual. Contamos com a sua presença! by @abyayalanago
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a year ago
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🎬 SESSÃO EXTRA! 🎬

Festival Abya Yala Nagô
📅 04 de Outubro | 🕔 17h
📍 Circuito Spcine Tiradentes
( Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes - R. Inácio Monteiro, 6900 )

Entrada Gratuita! taken in Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes by @abyayalanago
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