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[das coisas idas] taken in Sicilia, Palermo, Italia by @andrepiaui
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3 days ago
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_____o thiago e. fez esse prefácio para rita hayworth foi a paris e outras histórias (ou, talvez, pedaços). veja que tenho amigos que escrevem supimpamente e podem te convencer de que vale a pena ler o que escrevo. 

rita foi lançado em dois mil e vinte, em quinze de março, na deliciosa papirus (da querida eulália teixeira), em teresina. uma semana depois o rita passou a ser um livro trancafiado por conta da pandemia, como nós. o percurso dele então é tão estranho quanto aqueles tempos. mas gosto do rita.

a partir dele pensei que quem sabe faça uma trilogia brincando com nomes de pessoas icônicas. este ano publiquei ho chi minh. quem sabe o próximo pode ser muhammad ali, ou luiz inácio, ou tomás carlovich, ou marília pera. pode ser que seja uma péssima ideia. mas gosto desse jogo. por que essa pessoa está no livro? é ela ou é um delírio ou é um chiste ou é admiração ou é o quê? aviso que não sei. eis o princípio da incerteza. 

já ando às voltas com outros escritos, que não têm nada a ver com nomes icônicos. penso que será [o livro]. mas antes ainda farei algo com fotografia, é [palermo]. tenho ainda uma tese a fazer, [hiperestética]. e outras coisas, por que a gente faz tantas coisas ao mesmo tempo? penso que [o livro] sai aí em uns quatro anos. tanto pode acontecer em quatro anos que pode ser que nem saia. se não me importo com foco nem em minhas fotos, imagina fazer planos tão longínquos.

mas o rita está aí. você pode comprar o objeto físico livro/rita, é só me chamar. mas você pode também pedir o pdf. envio com prazer, não precisa comprar. ando às voltas nesse debate comigo mesmo, por que vender livros? o que é livro? o que são direitos autorais? a quem pertence o escrito? o que é obra? é só passar o email ou o que seja, e o pdf chega.

ontem me perguntaram se a pessoa nasce artista. penso haver uma pergunta anterior: o que é arte? e penso ainda em uma pergunta “mais anterior”, o que interessa se algo é ou não arte? em verdade, who cares? 

gosto mesmo é que rita viaje. sempre vou com ela. by @andrepiaui
1
7 days ago
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[sobre o tempo] taken in Palermo, Sicilia by @andrepiaui
1
9 days ago
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_____a vida é isso. estamos aqui, e um dia já não estaremos. nessun dorma.

○●○● by @andrepiaui
1
13 days ago
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____ esse é o prefácio que o amado amigo Manoel Ricardo de Lima fez para meu ho chi minh. cito Manu aqui com alguma frequência, mas nem de longe é na frequência com que penso nele, revisito seus textos, escuto suas falas e aprendo sobre a vida, sobre o sonho, sobre o coração, sobre o ódio necessário e o amor pelo delírio e pelo que não é, mas deveria.

outro dia disse que falo cada vez menos, escuto cada vez mais e ensurdeço quando me dá ganas. tendo a pensar que isso é meu processo de desamadurecimento, tão fundamental no envelhecer. desamadurecer para viver. 

não sei se foi picasso, artista enorme e humano duvidoso, que respondeu a um homem que disse que ele pintava como uma crianca, em crítica, "levei cinquenta anos para conseguir", se não foi, que seja.

também teria sido lee ufan, genial sul coreano, que disse não gostar de entrevistas porque, se soubesse dizer sobre sua arte melhor do que pinta, não pintaria, mas falaria. 

talvez eu tenha inventado essas duas falas, isso não importa, se não foi dito está falado agora. 

o que importa é viver, desamadurecer, delirar, sonhar, comer tortilhas de chocolate e gritar gol. cada gol gritado vale mais que um título, entenda. e importa amar e ser amado, e ter amizades que lhe abracem sem a necessidade de palavras. 

sempre fui azarado, mas a sorte me sorri todos os dias. às vezes, retribuo.

leia meu ho chi minh. 

○●○● by @andrepiaui
8
23 days ago
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____ [álbum de família]

•• (de 2019) by @andrepiaui
1
a month ago
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_____na casa de vó june havia um papagaio, do qual não lembro o nome. esse papagaio foi ensinado por vó june a gritar “gol do tostão”, e assim todos os dias tostão fazia três, quatro, cinco gols, o maior artilheiro de todos os tempos em nossa casa. 

vó june deitava no sofá, colocava uma almofadinha para descansar a cabeça e, sob a almofada, um rádio de pilha: escutava todos os jogos do cruzeiro. às vezes parecia dormir, mas ao ser chamada dizia quanto estava o jogo e o último lance - “fulano chutou pra fora” ou “joãozinho se machucou”, coisas assim. vó june também escutava os jogos do rival - mas não deitada com o rádio debaixo da almofada. quando o atlético sofria gol, ela dava uma risada e falava em mineirês quase aristocrático: “beeeeeem feeeeeeito”. 

houve um tempo em que nos dias de cruzeiro e atlético na casa de vó june apareciam bandeiras azuis e brancas gigantes, meu tio henrique - o mico - ia ao mineirão e suas bandeiras participavam de desfiles pelo anel superior - antes das malditas arenas. setenta mil, oitenta mil, cem mil pessoas. 

o primeiro presente de rafaela (bisneta de june-vó) foi uma roupinha do cruzeiro, antes mesmo de nascer. o primeiro presente de june-vó para june-bisneta foi um bonezinho do cruzeiro, imortalizado em uma foto linda de june-bisneta com seus cinco ou seis meses sorridente de boné azul e branco.

o amado amigo manoel ricardo de lima diz que gosto mesmo é de futebol. acho que sim. cresci e fiquei adolescente indo ao mineirão - menos do que gostaria - e abraçado a uma bola. aos seis ou sete anos já aprendi com vânia, então jovem adolescente, mulher negra, que a vida das mulheres é luta permanente, inclusive no futebol, que à época proibia mulheres em campo: vânia jogava e era gênia da bola, chegou a jogar no time do recreativo em meio aos homens, era confusão sempre.

(continua nos comentários) by @andrepiaui
13
a month ago
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_____das coisas que me tiram o sono, uma é saber que filhas, filhas de minhas filhas, amigos e amigas das filhas de minhas filhas nunca saberão de coisas cotidianas alçadas à condição de mitos e lendas que pululam todos os dias na história dos nossos, dos meus - e também dos vossos.

benjamin há um século nos esfregava nas fuças a morte do narrador. ninguém mais senta ao redor de uma fogueira, ou de uma mesa, ou de uma pessoa velha e felizmente não tão “lúcida” - no sentido que os patéticos arautos da objetividade chamam “lúcido” - para ouvir o que se tem a contar. quem se dispõe a ouvir sobre o gol impossível que fiz numa tarde de tempestade, ou que a mãe quando criança era levada para visitar a delegacia e conhecer os presos como lição moral de onde se vai parar quando se é uma pessoa malvada? quem haverá de saber que a avó sonhava com carne e nesse dia morria uma pessoa, que o avô projetava pirâmides no sertão, que a bisavó teceu um tapete de cédulas de dez reais ou da moeda da época, pouco importa, porque o bisavô sonhava em ter tanto dinheiro que, ao acordar, pisaria displicentemente sobre sua fortuna? 

remédios, a bela, subiu aos céus por entre lençois de linho, e é por muito uma obviedade que é um fato real, é assim que histórias se perpetuam para o bem ou para o mal, conta-se uma história e a lenda surge, conta-se uma história e a vida segue mais rica e generosa, e somos todos filhas e filhos e netas e netos e bisnetas e bisnetos de alguém muitíssimo real e mágico.

meu pai, uma vez, atolado sozinho ao anoitecer em uma estrada de terra do interior de goiás, ouviu um rugido de onça, e de tanto medo tirou, no braço, sua brasília verde-diarréia-de-papagaio do atoleiro, apenas segurou no para-choque traseiro e levantou o carro, e a onça passou a noite com fome, pelo menos essa noite. eis uma verdade que só eu sei e é inconteste, e se filhas e filhas de filhas e amigas e amigos não sentarem para me ouvir e seguirem enfiadas nas telas e enredadas nas pressas e solidões de sempre, como contarão num tempo à frente que não era uma brasília e, sim, um caminhão cheio de abóboras?

(segue nos comentários) by @andrepiaui
48
a month ago
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____dança-se para muitas coisas, 
especialmente para nada.
dança-se como se vive: 
sem sentido, sem objetivo, 
sem destino. talvez o dançar 
seja o que sobra 
quando a vida saca suas armas 
e nos mete uma bala 
no peito

••• by @andrepiaui
1
a month ago
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__paris
livro de 2019 (fotografia), 54 p.

brincando de bresson. por lá, é andrész. hollande e hidalgo têm foto minha.

sei lá, tem horas que nem eu mesmo sei o que já fiz. quem sabe algo fique, depois de mim.

a vida é a vida acontecendo. allez.
_____

o texto é de @djmnlmanoelsoares
a tradução da filhotildes @rafa_elfa 
o leiaute foi com @italolimamarketing

••• taken in Paris, France by @andrepiaui
2
a month ago
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___há nesse momento uma guerra em algum ponto ou vários do planeta. três da manhã, o vizinho toma chá sozinho, escuto seu silêncio. a lua sob uma nuvem arroxeada, talvez faça sol logo mais. dois cães fazem amor ou trepam ou vivem ou morrem no meio da rua, que ninguém os interrompa.

o caminhão do lixo recolhe no bairro os restos dos sonhos de ontem. o céu (re)começa a queimar. 

todos os dias são diferentes, mas não muito.

••• by @andrepiaui
2
a month ago
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em 1936 borges contou à mãe, leonor, ter vendido trinta e sete exemplares de “historia de la eternidad”. como tudo em borges é ironia - ou não -, não sabemos se era lamento ou alegria. mas leonor (em quem me reconheço tanto, tantas vezes) teria respondido “increíble! estás empezando a ser un hombre famoso, georgie”. borges dizia também querer encontrar cada pessoa para agradecer e se desculpar pelo livro, isso seria melhor que ter vendido dois mil livros, porque dois mil não é nada, é um número, uma abstração, algo que a imaginação não poderia apreender, mas trinta e sete teriam rosto, família, casa, vida.

não sei quantos livros vendi, mas também queria conhecer cada pessoa que cometeu o disparate de comprar um livro meu. agradeceria, daria um abraço e ficaria em silêncio, talvez tomasse um café e passasse a mão na cabeça de seu gato ou cão - se não fosse bravo e se não houvesse biscoitos para comer depois, aprendi com minha avó luzia, que amava animais mas tinha algo de fóbico quanto a comer com eles por perto. o silêncio seria fundamental, inclusive porque tudo que tenho a dizer na vida está nos meus livros, e estará em outros, se é que existirão outros, e qualquer coisa que falasse estaria além do razoável.

meu avô walter ficou em silêncio por uns seis meses. pendurou ao pescoço uma cadernetinha e escrevia ao invés de falar. invejo muito essa atitude dele, seis meses se comunicando por notinhas e pela música, e isso, claro, lhe trouxe problemas, mas certamente lhe rendeu mais alegrias. até que precisou falar ou seria demitido, imagine, um pianista que fala com patrões e com o público através de bilhetinhos. o mundo é ingrato.

se pudesse, só leria e escreveria. gosto de escutar, de ler e escrever, falar me incomoda um pouco. na terapia aprendi que isso tem nome, algumas letrinhas. gosto de conversar mesmo, mesmo, com três ou quatro pessoas, mas a vida me obriga a mais. são as convenções sociais, quem vive sem elas. mas o que preciso dizer de verdade está nos livros e textos e talvez aqui, nas imagens, mas nem sempre.

(segue nos comentários) by @andrepiaui
21
2 months ago
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