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Bookstagram | Ana Bernal
👩🏻‍💻 Leio, reflito e compartilho
📚 📷 Fotos e textos autorais
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📚 Frequento a Bienal desde criança, quando ia nas excursões com a escola. Com o tempo, virou tradição. Sempre me programo pra ir, curiosa pra ver as novidades, visitar as editoras e, claro, voltar pra casa com alguns livros.

Esta edição teve um diferencial: foi a maior da história. Foram 87 mil m², 269 expositores e 760 mil visitantes.

Mas é também nesse ponto que começa a minha crítica: evento cheio é ótimo. Superlotação, não! São coisas diferentes. E, infelizmente, em alguns momentos, a experiência passou desse limite. Corredores muito cheios, filas, dificuldade de circulação e uma sensação de que a estrutura não acompanhou o tamanho do público.

Também tive problemas com o transfer oferecido pelo evento. No primeiro dia, fiquei cerca de 50 minutos dentro do ônibus (fora os 45 de espera) até conseguir chegar ao evento. Sei que não foi algo isolado, pois vi diversos relatos de longas esperas, inclusive de quem desistiu e foi a pé.

Senti falta de mais sinalização e orientação desde a chegada. E uma situação que me marcou pessoalmente foi presenciar um funcionário da limpeza questionando pessoas que tentavam usar o banheiro PCD sobre o motivo de precisarem daquele espaço. Esse tipo de abordagem mostra como o despreparo do staff também pode causar uma experiência péssima.

Ainda assim, eu dei uma segunda chance, já que cheguei muito tarde no primeiro dia. Voltei no dia seguinte e consegui aproveitar muito mais. Saí de lá com alguns livros e experiências melhores, especialmente com o atendimento dos livreiros.

Minha intenção não é fazer um desserviço à Bienal ou dizer que nada prestou. Pelo contrário. Eu continuo incentivando as pessoas a irem. Isso é importante demais para o nosso mercado, para as editoras, para os autores e, principalmente, para os leitores.

Mas justamente por gostar tanto desse evento e frequentá-lo há tantos anos, também devo olhar pra ele com senso crítico. E, como alguém com especialização em Administração e Organização de Eventos, é impossível desligar completamente esse olhar.

Foi uma edição com altos e baixos. Fiquei frustrada com algumas coisas, mas também saí de lá com livros que queria muito e algumas boas memórias pra guardar. taken in Distrito Anhembi by @be.thereader
9
a month ago
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Benedict e Sophie foram o casal que mais me agradou em Bridgerton até aqui. Os dois soaram naturais juntos e, pra mim, a relação foi muito mais agradável de acompanhar.

Isso não significa que Benedict seja exatamente um “perfeito cavalheiro”. O título original, An Offer From a Gentleman, fica até mais adequado ao personagem. No geral, ele não chegou a me irritar, mas não gostei da insistência para que Sophie aceitasse ser sua amante. Esperava que ele lutasse pelo amor dela de uma maneira mais decente. Também me incomodou a reação dele ao descobrir quem ela realmente era. Eu esperava um momento mais sensível e romântico, mas encontrei uma mágoa exagerada.

Sophie, por outro lado, foi uma personagem que me agradou bastante. Sensata na maior parte do tempo e coerente com a vida que teve, ela fez jus à própria história.

A estrutura de Cinderela também não me surpreendeu. Gosto de algumas releituras desse conto, mas aqui a referência da luva pareceu se perder um pouco. Em compensação, a descoberta da verdadeira identidade de Sophie me pegou de surpresa: Benedict a reconhece por uma venda, em uma situação completamente despretensiosa. Foi um detalhe simples, mas muito marcante pra mim.

E existe uma divisão muito clara na minha experiência com esse livro. As primeiras 150 páginas foram cansativas e pouco interessantes. Levei semanas pra conseguir avançar. Já as últimas 150 li praticamente de uma vez. A partir do encontro entre Sophie e Violet, mãe do protagonista, tudo ficou muito mais envolvente.

Mesmo assim, terminei com a sensação de que faltou alguma coisa. Não houve nenhum elemento que realmente me encantasse.

Lady Whistledown continua sendo uma das melhores partes da série pra mim. E o pequeno spoiler deixado no final, sobre a possibilidade de ela parar de escrever pra viver a própria vida, já me deixou curiosa pra descobrir o que vem pela frente.

Mais um Bridgerton lido. E seguimos.

🎭 Um perfeito cavalheiro
✒ Julia Quinn
📄 Arqueiro | 2014 | 304 p. taken in São Paulo, Brazil by @be.thereader
3
a month ago
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Anthony e Kate funcionaram muito melhor para mim do que Daphne e Simon (primeiro livro). O amor dos dois me pareceu mais verdadeiro, construído aos poucos, a partir da convivência, dos conflitos e de uma conexão que vai ficando cada vez mais evidente. Continuo não sendo fã da dinâmica de enemies to lovers, mas, entre ela e o fake dating, fico com a primeira.

A narrativa também me prendeu mais. O ritmo é ótimo e eu terminava vários capítulos com aquela curiosidade genuína de descobrir o que aconteceria depois. E Lady Whistledown continua sendo um dos meus elementos favoritos da série. As fofocas continuam deliciosamente inconvenientes.

Mas Anthony conseguiu me irritar bastante. Esse grande dilema de “não posso me apaixonar pela minha esposa” ocupou uma parte considerável da história e, para mim, ficou cansativo e até um pouco tosco. Entendo o que está por trás da decisão dele, mas achei que muita energia foi gasta só com esse conflito.

Também achei conveniente demais a situação em que Anthony e Kate são flagrados juntos e acabam obrigados a se casar. O recurso funciona para movimentar a trama, mas a forma como acontece não me convenceu muito.

Depois da leitura, assisti à segunda temporada na Netflix e aconteceu algo que eu não esperava: gostei MUITO mais do livro do que da série.

A adaptação, para mim, prejudicou bastante a história, principalmente pela relação entre Kate e Edwina, colocando em destaque uma disputa e atrito entre as duas. No livro, as irmãs se apoiam, são próximas e existe muito carinho entre elas. A série cria um conflito que muda isso completamente.

Também terminei esse livro pensando novamente na comparação com Jane Austen. Ainda acho justo esperar mais crítica social de uma autora que é constantemente colocada nesse lugar. E continuo achando que os Bridgertons passam longe disso.

Mas, entre os dois primeiros livros, este aqui funcionou muito melhor para mim. Não porque tenha se tornado o romance de época que eu estava esperando encontrar, mas porque aqui eu consegui acreditar um pouco mais nesse amor.

🎩 O Visconde que Me Amava
✒ Julia Quinn
📄 Arqueiro | 2013 | 304 p. taken in São Paulo, Brazil by @be.thereader
1
a month ago
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Comecei esse livro sabendo que não seria o tipo de romance que eu costumo gostar. Ainda assim, queria entender por que os Bridgertons conquistaram tanta gente.

A leitura foi melhor do que eu esperava em alguns aspectos. O ritmo é ótimo, a narrativa me deixou curiosa e algumas passagens foram gostosas de acompanhar. Mas também encontrei problemas que me impediram de gostar da história.

O que mais me divertiu foram os folhetos da Lady Whistledown. Em vários momentos, parecia uma espécie de Gossip Girl versão duque e duquesa: fofocas, intrigas, romances e uma sociedade inteira acompanhando a vida alheia. Essa dinâmica é uma das coisas mais interessantes e fiquei curiosa para ver como seria explorada.

O romance entre Daphne e Simon funcionou razoavelmente. A dinâmica de fake dating não é minha praia e não me envolvi tanto com o casal. Simon, principalmente, conseguiu me irritar em alguns momentos com seu comportamento mimado. Também fiquei incomodada com a maneira como a gagueira dele é trabalhada. É uma característica importante para a construção do personagem e para a relação dele com o pai, mas senti que poderia ter sido desenvolvida com mais cuidado.

E existe uma cena que, para mim, é impossível ignorar: Daphne se aproveita do estado de embriaguez de Simon e força uma situação sexual com o objetivo de engravidar. É uma cena tratada de maneira extremamente problemática e que mudou minha percepção sobre a personagem e o relacionamento dos dois.

Depois de terminar o livro, assisti à primeira temporada na Netflix e gostei muito mais da adaptação. A série amplia o universo, desenvolve melhor outros personagens e, para mim, entrega uma história muito mais rica.

Parte da minha frustração também veio de uma expectativa errada. Eu já tinha ouvido Julia Quinn ser chamada de uma “Jane Austen contemporânea” e esperava encontrar algo mais próximo da crítica social presente nos romances de Austen. Mas não foi nada disso. Aqui é tudo despretensioso: um romance de época leve, cheio de bailes, fofocas e conflitos amorosos.

Não foi uma leitura ruim, mas também passou longe do romance que imaginava encontrar.

💎 O Duque e eu
✒ Julia Quinn
📄 Arqueiro | 2013 | 288 p. taken in São Paulo, Brazil by @be.thereader
3
2 months ago
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Eu confesso que Bridgerton não estava exatamente na minha lista de prioridades. Mas aí minha amiga Cacau e a sua mãe, Rita, decidiram comemorar seus aniversários juntas com esse tema. 

A ideia começou só com uma brincadeira inspirada na série, nem elas esperavam que evoluiria como aconteceu. A festa acabou se tornando em algo muito além daquele sonho, e os nossos diamantes da temporada fizeram história 💎

Já que eu ia entrar nessa ambientação, achei melhor fazer direito. Comecei a ler os livros e a assistir à série e, um tempo depois, lá estava eu em um palacete, de vestido, luvas, leque e máscara, pronta pra noite tão esperada.

A festa estava linda 🥹 a decoração, os detalhes, os trajes dos convidados, a música… tudo ajudava a criar aquele clima que o convite prometia. E ainda teve concurso de figurino. Fiquei em segundo lugar na categoria feminina, graças ao leque que eu mesma fiz com muito empenho (confesso) ♡

Cacau e Rita, obrigada por todo o carinho e por uma noite tão especial. Que esse novo ciclo seja lindo para vocês!

E agora, depois de ler os primeiros livros e assistir ao começo da série, ainda tenho coisas pra dizer sobre Bridgerton, mas isso fica para os próximos posts. Me acompanhem 📚

#bethereader #bridgerton #bookstagrambrasil #romancedeépoca #juliaquinn taken in Palacete Rosa by @be.thereader
10
2 months ago
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Eu tinha um último lugar pra conhecer antes de voltar de Buenos Aires: a Librería de Ávila, considerada a mais antiga da cidade.

Eu já sabia que ela tinha uma história enorme, mas entrar ali foi diferente de simplesmente visitar mais uma livraria. O que me chamou atenção primeiro foi o tamanho do acervo. Livros por todos os lados, em um espaço que preserva uma história que começou muito antes de Buenos Aires ser a cidade que conhecemos hoje.

Naquele mesmo endereço, em 1785, funcionava La Botica, onde já eram vendidos livros. Décadas depois, o espaço passou a ser conhecido como Librería del Colegio, por sua proximidade com o então Colegio Real de San Carlos, que mais tarde daria lugar ao Colegio Nacional de Buenos Aires. Por ali também passaram gerações de leitores e intelectuais, e o espaço foi ponto de encontro para discussões literárias e culturais.

O prédio que está ali hoje é de 1926, mas a livraria continua funcionando naquele mesmo endereço. E foi isso que mais me marcou: eu sabia que estava entrando na livraria mais antiga de Buenos Aires, mas, estando ali, comecei a pensar em tudo o que aquele lugar precisou atravessar para continuar existindo. Mudanças na cidade, gerações de leitores, transformações no comércio e até períodos em que a própria continuidade da livraria esteve ameaçada.

E ela continua funcionando. Com seus livros, seu subsolo e as bancas que ocupam a calçada em frente.

Vida longa às livrarias que continuam contando histórias 📚 taken in Librería de Ávila by @be.thereader
7
2 months ago
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O El Ateneo já era um dos lugares que eu mais queria conhecer. Depois dessa experiência, virou uma das minhas lembranças preferidas de Buenos Aires 🤍

#elateneograndsplendid #buenosaires #viagemliterária #literatura #bookstagrambrasil taken in El Ateneo Grand Splendid by @be.thereader
9
2 months ago
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"E se não for tudo aquilo que eu imaginei?" era a pergunta que eu tinha medo de encarar antes de chegar no El Ateneo Grand Splendid 📚

Muito antes de comprar as passagens pra Buenos Aires, eu já observava fotos da livraria e, aos pouquinhos, aquele lugar foi entrando pra minha lista de sonhos.

Quando surgiu a oportunidade de viajar pra lá, ele virou prioridade absoluta no roteiro.

A realidade superou a expectativa ✨️

Claro que entrar em uma livraria instalada em um antigo teatro já seria uma experiência inesquecível por si só. Mas resolvi conhecer também a 'Experiencia Grand Splendid', um percurso guiado que conta a história do edifício desde a época em que ele funcionava como teatro e cinema. Foi aí que tudo mudou.

Em certo momento, entrei em uma sala imersiva. Enquanto a história daquele lugar era narrada ao som de tango, comecei a perceber quantas vidas aquele prédio já tinha vivido. Descobri detalhes que eu jamais teria conhecido apenas caminhando pelos corredores da livraria. Entendi que aquele teto, aqueles camarotes, aquele palco e cada espaço preservado carregavam muito mais do que beleza arquitetônica.

E, sem perceber, comecei a chorar.

Foi a mistura de muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo.

A emoção de finalmente estar em um lugar que eu sonhei conhecer durante tantos anos, a sensação de estar diante de um espaço que continua contando histórias, mesmo depois de tantas transformações, e, talvez acima de tudo, a gratidão por viver um momento que, durante muito tempo, pareceu distante da minha realidade.

Depois da experiência, fui até o café, sentei estrategicamente pra admirar a cúpula e liguei pra minha mãe por vídeo. Só queria dividir aquele momento com ela, mostrar que aquele sonho, que por tanto tempo existiu apenas na minha imaginação, agora era real.

Naquele dia, aconteceu o encontro de três Anas:

A profissional formada em Turismo, que aprendeu a importância de preservar o patrimônio e construir experiências memoráveis.

A especialista em Eventos, que reconhece o cuidado por trás de cada detalhe de uma boa narrativa.

E a estudante de Letras, que encontrou em uma livraria uma das experiências culturais mais bonitas que já viveu ❣️ taken in El Ateneo Grand Splendid by @be.thereader
14
2 months ago
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Antes de viajar, eu já tinha lido que Buenos Aires é a cidade com o maior número de livrarias por habitante do mundo.

São cerca de 25 para cada 100 mil moradores (ou uma para cada 4 mil pessoas).

Confesso que subestimei completamente esse dado. Achei impressionante, mas não imaginei que ele faria tanta diferença.

Chegando lá, entendi que não se trata apenas da quantidade. É a experiência de encontrar uma livraria a cada poucas quadras. Acabar entrando em um sebo sem querer. Descobrir pequenos espaços literários dentro de museus. Ver bancas de livros fazendo parte da paisagem. Perceber que os livros ocupam um espaço muito natural na vida urbana.

Ao longo da viagem, fui entrando por esses lugares que apareciam pelo caminho, de forma despretensiosa, na maioria das vezes.

E foi assim que me apaixonei por Buenos Aires. Mal posso esperar pra voltar ❣️🇦🇷📚

Algumas das livrarias e sebos que aparecem nas fotos são:

📚 Obel Libros
📚 Librería del Subsuelo
📚 Las Mil y Una Hojas
📚 Aluvión Libros
📚 Librería Wi Po (Mercado de San Telmo)
📚 Bancas de livros usados da Feria de San Telmo
📚 Livraria da Fundación Proa
📚 Librería El Ateneo (unidade da Av. Santa Fe)
📚 Vitrine da Librería de Ávila taken in Buenos Aires, Argentina by @be.thereader
16
2 months ago
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Meu primeiro contato com Borges foi... estranho. Terminei a leitura sem conseguir decidir se gostei ou não. A única certeza é que preciso ler mais de um dos mais importantes autores argentinos antes de formar uma opinião.

Faz um tempo que eu queria ler Borges, mas o empurrão definitivo veio enquanto eu organizava minha viagem pra Buenos Aires. Percebi que não tinha nenhum autor argentino na estante e resolvi mudar isso antes do embarque.

Em História Universal da Infâmia, encontramos narrativas bem curtas que reconstroem a trajetória de personagens marcados pela criminalidade, pela fraude ou por algum tipo de notoriedade. São figuras que, por diferentes caminhos, fazem jus ao título do livro.

Desde o início, Borges deixa claro que essas histórias dialogam com biografias, relatos históricos e outras obras literárias, transformando esse material em novas narrativas.

Outra coisa que me chamou atenção foi a diversidade de universos que Borges reúne em um livro tão curto. Cada conto parece abrir uma porta para um lugar diferente: o Velho Oeste de Billy the Kid, o Mississippi de Mark Twain, o Japão feudal, a antiga Pérsia, o mundo da pirataria e as gangues de Nova York. Em menos de cem páginas, a sensação é a de viajar por épocas, culturas e personagens completamente distintos, sempre unidos pelo fio da infâmia. Essa variedade faz com que o livro pareça muito maior do que realmente é.

O interessante é que eu não classificaria essa obra como uma leitura difícil. Pelo contrário: o vocabulário é simples e a escrita é bastante objetiva. Mesmo assim, várias vezes terminei um parágrafo com a sensação de que alguma coisa tinha escapado. É um estranhamento difícil de explicar, mas que acabou fazendo parte da experiência.

Não foi uma leitura que me conquistou de imediato, mas despertou curiosidade suficiente para eu querer continuar lendo Borges.

Se você já leu alguma obra dele, quero saber: como foi sua experiência? E, principalmente, qual livro você recomenda para continuar essa jornada?

🇦🇷 História Universal da Infâmia	
✒ Jorge Luis Borges
📄 Companhia das Letras | 2012 | 96 p. taken in Buenos Aires by @be.thereader
8
3 months ago
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Disseram que Primeiras Estórias era o melhor caminho para conhecer Guimarães Rosa antes de encarar Grande Sertão: Veredas, mas terminei a leitura convencida de que ainda não estou pronta para dar esse próximo passo.

Ambientados no sertão mineiro, os 21 contos transitam por temas como infância, morte, fé, curiosidade, magia e as travessias da vida. Muitos dos protagonistas são crianças, pessoas consideradas loucas ou personagens que fogem das convenções sociais. O problema, pra mim, foi justamente a forma como tudo isso se mistura. A fronteira entre realidade e fantasia é tão tênue que, em muitos momentos, me senti perdida. Foi uma leitura arrastada, confusa e, infelizmente, pouco envolvente.

Ainda assim, seria injusto dizer que a experiência não deixou marcas. Descobrir que ele era um profundo estudioso de diferentes idiomas ajudou a compreender de onde vem tanta inventividade na sua escrita. Os neologismos, resultado desse trabalho minucioso e inventivo com a língua, foram o aspecto que mais me encantou durante a leitura. 

Foi justamente em 'O Espelho', conto que ocupa o centro exato da obra, que encontrei uma ideia que se instalou em mim. Não por acaso, ele divide os 21 contos em duas metades, quase como um reflexo de si mesmo. Ali aparece a expressão "olhar não-vendo", que descreve um exercício de enxergar para além do óbvio. Quando fechei o livro, percebi que aquela expressão também descrevia a minha experiência como leitora.

Sei da importância de 'Primeiras Estórias' para a literatura brasileira e não tenho dúvidas de que voltarei a este livro no futuro. Algumas obras exigem maturidade do leitor, e a minha ainda não foi suficiente para atravessar essas páginas da maneira como elas pedem. Espero que, numa próxima leitura, eu consiga deixar de apenas "olhar não-vendo" e finalmente enxergar tudo o que Guimarães Rosa colocou diante de mim.

🌄 Primeiras Estórias
✒ João Guimarães Rosa
📄 Nova Fronteira | 2001 | 236 p. taken in São Paulo, Brazil by @be.thereader
11
4 months ago
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Quem nunca ouviu falar de 'Marcelo, Marmelo, Martelo'? 🥲

O clássico que acaba de completar 50 anos é apenas uma das mais de 200 obras publicadas por Ruth Rocha. Fiquei muito feliz ao saber que essa foi a escolhida para a 73ª Ocupação Itaú Cultural, que celebra a vida e a obra de uma das escritoras mais importantes da literatura infantojuvenil brasileira.

A exposição reúne fotografias, manuscritos, documentos e livros que ajudam a contar a história dessa autora que, aos 95 anos, continua ocupando um lugar especial na memória de diferentes gerações de leitores. Logo na entrada, um painel apresenta Ruth como alguém fluente em "criancês" e relembra que ela ficou conhecida como a "menina que virou biblioteca", além de destacar temas presentes em sua obra, como liberdade, ciência, descoberta, imaginação e os muitos sentimentos que fazem parte da infância.

O que mais me chamou atenção foi perceber o carinho da curadoria em criar uma experiência verdadeiramente voltada para o público infantil. Em vez de apenas apresentar a trajetória da escritora, a mostra convida as crianças a interagir com as histórias. Há cabines para ouvir contos narrados pela própria Ruth Rocha, espaços para inventar palavras, objetos táteis, brincadeiras e diversas atividades que estimulam a curiosidade e a criatividade.

Fui uma criança bastante questionadora, com dificuldade em aceitar explicações prontas e também costumava me perguntar por que as coisas tinham certos nomes, o que tornou ainda mais divertido o contato com Marcelo, personagem que questiona justamente a lógica das palavras. Na exposição, alguns objetos são chamados por outros nomes, uma referência interessante a essa brincadeira linguística.

Outro destaque é a seleção de livros que fizeram parte da biblioteca pessoal da autora, incluindo exemplares autografados por nomes como Clarice Lispector, Lygia Bojunga e Hilda Hilst, por exemplo.

Acho que o maior mérito da exposição é nos lembrar que a literatura infantil não fala apenas com as crianças, mas também com os adultos que elas se tornaram.

👧 Ocupação Ruth Rocha
📍 Itaú Cultural: Av. Paulista, 149 – Bela Vista – São Paulo
🗓 Até 02 de agosto de 2026 taken in Itaú Cultural by @be.thereader
12
4 months ago
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