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textos breves por @brendamenine
voluntariado. viagens, histórias, amores [e flores] do cotidiano. {deixa o afeto te afetar}.
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oito meses, hoje, do meu serenar. oito meses que eu respiro você. e oito meses que eu não reconheço quem sou.

dia difícil pra nós duas. mais para mim, é verdade. dia 1 de adaptação na creche.

desculpa, filha. eu ainda não sei ser mãe.

eu te amo tanto, mas tanto, que meu primeiro impulso é evitar qualquer falta. mas hoje eu precisava te esperar do lado de fora. sem entrar. sem aparecer. sem evitar que você sentisse.

levei um livro: solitária. 

uma nova fase para mim também. o primeiro dos 12 que chegaram aqui em casa pra um clube. doze livros escritos por mulheres. uma pilha inteira na minha frente. um ano de leituras.

o que será de nós daqui a um ano?

li 63 páginas.

foi o tempo que você levou para sentir minha falta. em minutos? bem mais do que a maioria das crianças leva. e isso é um alívio. você brincou e existiu por um tempo sem precisar saber onde eu estava.

até precisar.

quando entrei, você me viu e abriu um sorriso maior que o sol.

eu queria morar naquele segundo para sempre.

você veio para mim. era fome. eu já sabia que era. e enquanto te amamentava pensei que talvez meu corpo vá saber algumas coisas antes de mim por muito tempo ainda.

por isso o clube do livro. incentivada pelo seu pai a começar algo só meu.

talvez por isso justamente hoje eu tenha começado. 

porque enquanto você começava a descobrir um mundo que não sou eu, eu abria a primeira página de alguma coisa que era só minha.

não quero voltar a ser quem eu era antes de você. mas também não quero que você cresça achando que, para te amar desse tamanho, eu precise deixar de existir.

quero que você me veja lendo. trabalhando. tomando café quente. querendo coisas. pensando em voz alta com outras mulheres.

quero que você aprenda comigo que amar alguém não exige desaparecer.

hoje foram 63 páginas.

ainda faltam 11 livros. e meio.

voltamos pra casa juntas.

começamos hoje um novo jeito de existir.
você um pouco mais no mundo.
eu tentando voltar, devagarinho, para mim.

e nós duas ainda juntas.

te amo. by @bre.vidades
4
a month ago
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ela acordou da soneca com o barulho de um passarinho. abriu os olhos, me encontrou, sorriu aliviada e voltou a dormir.

e eu me senti mãe.

mais do que parir, amamentar e todo o resto. nada me faz mais mãe do que esse olhar que me procura para ter certeza de que está tudo bem.

tinham avisado desse amor. mas ninguém explica. eu amo cada cílio, cada dobrinha, cada descoberta. eu me apaixono pela vida dela todos os dias.

às vezes, quando ela dorme no meu colo, eu rezo baixinho no ouvido as palavras mais bonitas que aprendi.

que seja livre. leve. forte. corajosa.

que seja exatamente quem quiser ser, do jeito que quiser ser.

de tudo o que eu não posso deixar de prometer, prometo isso: vou fazer o possível para que ela nunca precise ser menor pra caber no mundo.

eu ainda não consigo respirar direito longe de você.

obrigada pela paciência com a mãe. eu estou aprendendo. tentando acertar. errando, voltando, tentando de novo.

e, quando o mundo fizer barulho demais, fecha os olhos.

nem que seja só em pensamento.

eu espero que você ainda me encontre.

e que eu siga sendo o lugar onde o seu coração suspira aliviado antes de voltar a descansar.

pra sempre. sua mãe. ♡ by @bre.vidades
5
3 months ago
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caminhando pelas ruas de Belo Horizonte com a serena a tiracolo,
uma senhora que nunca vimos antes para, sorri, nos abençoa
e deseja boa vida.

eu recebo.
de peito aberto, como quem entende que certos encontros não se explicam — só atravessam.

eu não sou a mãe perfeita.
esqueço uma coisa ou outra na sua mochila.
deixo pra cortar sua unha amanhã — ou depois.
compro roupa no tamanho errado.

não sei te dar uma rotina perfeita.
não sei te prometer constância, horários milimetricamente cumpridos, dias sempre iguais.

mas posso te garantir uma vida interessante.
lugares novos sempre que possível.
sabores que ficam na memória.
cheiros que contam histórias.
uma cultura popular viva, pulsando, cheia de cor.
uma manhã de sol atravessando a pele.

posso te mostrar o mundo — ainda que aos poucos, ainda que do jeito que dá.

e o que eu quero em troca?
nada. absolutamente nada.

porque amor de mãe e filha não é dívida.
é dádiva, como disse Gregório. 

e a sua existência,
por si só,
já é a serenidade
no meio da minha tormenta. by @bre.vidades
2
6 months ago
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você segura meu amuleto com força,
como quem já entende o valor das coisas invisíveis.

dorme no meu colo
como se fosse, de fato,
o lugar mais seguro do mundo.

e talvez seja.

eu já sei diferenciar teu choro,
cada um deles com um idioma próprio
que só nós duas falamos.

eu queria morar no teu sorriso.
ficar ali, suspensa,
onde tudo parece leve e inteiro.

passamos a semana cantando liniker juntas —
e você ama o refrão de caju,
como se reconhecesse nele alguma coisa antiga,
alguma memória que ainda nem viveu.

você adormeceu na madrugada
quando encostei minha testa na sua —
como se esse gesto simples fosse
um tipo secreto de superpoder de mãe.

o bruce tentou tirar sua meia,
como quem também quer participar
desse pequeno universo que agora gira ao seu redor.

várias roupas já não te servem mais.
o tempo passa no tecido antes mesmo de passar em mim.

são mais de 60 dias vivendo a tal da livre demanda —
e eu já nem sei mais onde termino
e onde você começa.

não é possível
que ainda não inventaram uma forma de guardar cheiro.

teu cabelo já não é tão escuro,
e eu assisto, em silêncio,
as pequenas mudanças que te inventam todos os dias.

eu amo cada pedaço teu.
até os que ainda estão por vir. by @bre.vidades
3
7 months ago
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não se distraia, mãe.

nem por um segundo.

olha bem pra mim, como quem quer guardar um segredo.
tenta decorar cada pequeno detalhe —
o jeito que meu vestido dobra nas pernas,
minhas mãos que nunca param quietas,
meus olhos apertando quando o sol chega.

não se distraia.

escuta o som do meu acordar.
o sorriso que vem antes mesmo de eu abrir os olhos.
repara no meu corpo pequeno se espreguiçando depois da soneca,
como quem acabou de chegar ao mundo outra vez.

não perde o banho de água morna.
não perde meu cabelo penteado de ladinho.
não perde esse cheiro que só eu tenho agora.

não se distraia, mãe.

não é que passe rápido.
é que essa versão de mim
só existe por um instante.

e eu quero que você lembre. by @bre.vidades
5
7 months ago
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não quero me despedir de janeiro.
não quero desapegar desses dias.
como pode caber tanta felicidade dentro da gente?

queria recortar cada detalhe do tempo
e guardar entre páginas.
te mostrar tudo o que pensamos pra te esperar:
os detalhes, as escolhas,
as flores bordadas.

já começo a esquecer quem te deu cada presente.
já confundo os dias da semana.
é verdade que existe uma neblina —
mas sempre há um sol bonito
pra nos dar bom dia.

eu escrevo pra lembrar:
que você ama banho,
de banheira e de chuveiro.
às vezes coloco camomila na água.
você é um bebê tranquilo,
aprendeu a mamar com facilidade,
dorme bem à noite.
só não gosta da parte de trocar de roupa.
eu também não gosto.
você sente calor
e eu demorei pra entender isso.
você sorri enquanto dorme.

você mudou desde o dia 15.
hoje, acho que sua boca
já é igual à do seu pai.

você é doce, Serena. ♡
e eu estou completamente apaixonada por você.

é o nosso primeiro fim de janeiro juntas.
e eu estou pronta
pra viver todos os próximos. by @bre.vidades
4
9 months ago
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tenho dado conta das madrugadas.
dos banhos, das fraldas, das unhas minúsculas.
tinha medo de ficar sozinha com você.
e tenho dado conta disso também.

você facilita muito, é verdade.
fazer jus ao seu nome é uma bênção.

desde que você nasceu,
terminei mais um livro.
assisti a alguns filmes com seu pai.
não falhamos nenhum colírio do Bruce.

a vida vai se ajeitando.
e eu vou dando conta.

você dormiu no meu colo
e eu poderia lavar a louça.
mas não consigo sair desse universo:
dessa calmaria,
dessa paz.

não tenho dado conta de várias coisas.
a ideia de que você está crescendo é apavorante.
não quero pensar.
não dou conta dos dias passando tão rápido.
logo seu pai volta a trabalhar
e seremos só nós duas.
não dou conta.

você ainda não produz lágrimas.
vou aprendendo a aproveitar cada tempo.
as marcas no meu braço ainda dizem
que o parto é recente.
é loucura ficar triste
com um hematoma que começa a desaparecer?
tenho medo de esquecer.
daqueles segundos.
do que eu senti.
de você pequena.

esse é meu novo normal:
um dar conta sem dar conta.
fazendo de conta que eu estava pronta.

mas ficando.
amando.
aprendendo você.
um dia de cada vez. 🌙✨ by @bre.vidades
8
9 months ago
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te esperei com flores espalhadas pela casa. algumas só abriram agora, uma semana depois da tua chegada — como se também precisassem de tempo para entender o milagre. nunca imaginei dizer isso, mas a última semana foi a mais feliz da minha vida. minha maior aventura tem nome e sobrenome, cabe no meu colo e carrega o cheiro de leite.

o universo inteiro resolveu morar em você. eu não sabia que era possível me apaixonar desse jeito, nem que encantamento pudesse ter essa força. não é só amor. é algo além de qualquer palavra conhecida. é o ponto mais alto da minha existência. tudo ao redor ficou menor, quase irrelevante. só isso importa. eu queria suspender o tempo e ficar aqui para sempre — nós duas, como flor recém-desabrochada, ainda aprendendo a ser mundo.

eu li sobre esse amor, ouvi histórias, imaginei cenas. eu te amava na barriga, mas nada se compara ao agora. queria guardar este instante num vidrinho, abrir de vez em quando e respirar fundo. eu escolhi ser tua mãe. e, sem dúvida alguma, foi a escolha mais bonita da minha vida. by @bre.vidades
6
9 months ago
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foi ouvindo aquela música que a gente, enfim, aceitou que tinha se apaixonado.

foi ouvindo aquela música, encostados no balcão da cozinha, que nossos olhos entregaram o óbvio.
uma constelação de fatores — coincidências, desvios e escolhas — nos levou até aquela fronteira.

eu lembro com nitidez dele me chamando pra sentar numa pista de skate e olhar a lua, como dois adolescentes. lembro do incêndio no peito quando ele segurou minha mão pela primeira vez, naquela orla.

lembro da gente dançando forró em qualquer canto, e do melhor banho de chuva da minha vida.
dividir o sorvete, a tapioca, a rede.

carregava certezas demais no peito. ingênua.
eu não previa nada disso.

acreditei naquela despedida no aeroporto {era o beijo do nunca mais} e, de algum jeito estranho, aquilo até me parecia suficiente.

ele prometeu que não seria a última vez. eu não acreditei.

teve um ano novo despretensioso. um molho pesto quase perfeito.
tantas memórias.

eu via alguém entrando pela sala, mas não era ninguém. ele sentia meu cheiro a quilômetros de distância.

não dá pra fugir da gente.
não dá pra correr do destino.
ele sempre encontra um jeito de esperar na próxima esquina.

e quando nossos olhos se cruzaram de verdade, naquele dia, nós soubemos.

eu viveria cada segundo outra vez.
e outra.

mesmo tendo bebido até a última gota de vinho, rodado até a última dança...

eu viveria tudo, exatamente como foi.

só pra ter esse registro. só pra olhar essa foto. só pra ver serena em nós. by @bre.vidades
6
10 months ago
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parece que metade do meu LinkedIn está indo pra COP.
e eu fico feliz a cada post que leio sobre alguém que está iniciando a viagem pro norte.

quem me conhece sabe que meu lugar no mundo é a Amazônia.
em janeiro eu já fazia planos pra estar lá.
muita coisa acontece quando a gente sonha.
e eu confesso que preciso lidar pessoalmente com essa frustração.

completo logo mais 30 semanas de gestação,
e Serena me pede pra ir desacelerando.

e tudo bem não estar em todos os lugares.
dessa vez, fico por aqui, acompanhando de longe quem leva a Amazônia no peito — como eu.

talvez essa seja a "minha COP" mais íntima: olhar pra dentro,
desacelerar e repensar o que é impacto, cuidado e futuro.

Serena já me ensina que transformar o mundo também passa por saber pausar.
 cuidar do planeta também começa dentro de casa —
e, por aqui, o maior projeto de amor da minha vida está a caminho.

eu queria estar lá.
mas não há nada que eu queira mais agora
do que estar em mim. 💚 by @bre.vidades
1
a year ago
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dia das crianças tem sorvete. sabores novos. te levo pra conhecer o mar. mergulhar comigo. a cada dia me torno mais mãe. teu pai nos faz experimentar todos os sucos que existem, mas insiste que cajá é o melhor do mundo. nossa música tocou no bar do lado. acabei de ouvir um "você é o amor da minha vida'. fico feliz que você possa ouvir também. 

te sinto mexer o dia inteiro. não consigo mais me virar na cama. nenhuma roupa me serve. mil dúvidas sobre como você vai ser. teu pai torce pra eu precisar lidar com uma mini-brenda. eu torço que você seja livre, leve e Serena. 

"tem criança em casa?", a moça perguntou. tem aqui dentro, respondi.

que parte bonita poder te carregar comigo o tempo todo. dividir meu dia com a minha criança. 

eu ensaio o tempo todo respostas pra perguntas que nem sei se virão. mas eu tô pronta, pequena. eu virei mãe. e a culpa é toda do teu pai. ♡ by @bre.vidades
4
a year ago
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SERENA 🌿✨

Serena é fruto de um amor que nasceu na fronteira mais ao norte do Brasil.
Sua história já começa atravessada pela Amazônia.

Nas minhas andanças, conheci o projeto @letrasqflutuam (que agora virou Instituto), e mantém viva a arte dos abridores de letras — artistas que transformam pedaços de barco em memória, cor e poesia.

Foi assim que conheci o seu Simão, de Breves, no Pará.

Ele pintou o nome da minha pequena numa sobra de madeira que já navegou rios e igarapés pela Amazônia. 

Agora, esse pedaço de barco viaja até Porto Alegre para ser pendurado na porta do quarto dela. 

Serena ganha vida com letras que flutuam. Ganhou uma arte ribeirinha, brasileira, do Norte. Exclusiva. Simbólica. Feita por um abridor de letras real. Artesão, pintor, artista. 

E eu ganhei a alegria de ver sua história começar assim: com raízes, cultura e afeto que atravessam distâncias e fronteiras.

Talvez essa seja uma das coisas que eu mais gosto da maternidade: a oportunidade de contar meu recorte de mundo, compartilhar meus símbolos... 

E certamente, Serena ouvirá as minhas melhores histórias antes de dormir. Muitas delas, amazônicas. ♡ 

✨ Que tua vida seja feito rio, minha filha. taken in Breves-Pará by @bre.vidades
7
a year ago
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