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projeto audiovisual YARA GONÇALVES
#pcd Pessoa Com Deficiência Física
@arakatifilmes
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 by @carnedoolho
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a year ago
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YARA HITZ 2025
Y######Z

profissional multiartista multimídia 
multitudo 
atuo em empregos de todas áreas 

#soufoda
#soufodamemes taken in HITZ by @carnedoolho
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2 years ago
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 by @carnedoolho
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3 years ago
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Sarau que participarei, no Bexiga! 
Bora!
@tupinamba_ipa by @carnedoolho
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3 years ago
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Um dia desses, eu tentava lembrar quando foi a primeira vez que eu gostei romanticamente de alguém. 

Só conseguia me lembrar do início da adolescência, quando passei a fantasiar virar uma atleta de ginástica olímpica para que o garoto que eu gostava pudesse prestar atenção em mim (sim, os filmes de Hollywood estragaram a minha adolescência também!). 

É engraçado, porque as pessoas gostam da gente por motivos bem menos grandiosos, inclusive, provavelmente, pela soma de nossos pequenos "nadas". 

Só que toda vez que eu gosto de alguém, eu sei que estou gostando quando passo a fantasiar coisas bem estapafúrdias ou a querer mostrar tudo de mais potente que gostaria de ser capaz de realizar.

É claro, como não sou mais adolescente, essas minhas fantasias são atravessadas por uma voz de sensatez que me sacode para o lugar de adulta. Voz essa que me recorda do dia em que a pessoa amada me olhava apaixonada, mesmo descabelada e monotemática reclamando de tudo, desde a inflação do país ou até a máquina de lavar quebrada. 

Ainda sim, o amor parece se revelar em mim ao momento em que seleciono um observador para minhas fantasias em compartilhar as coisas mais bonitas que um dia eu gostaria de realizar. E isso me parece um pequeno segredo de alguma forma. 

Pensava ali, durante a noite, o quão bonito seria conseguir desconectar isso da necessidade de me apaixonar por alguém. 

Ao mesmo tempo, aquela voz interior que sempre debate comigo internamente se opôs a estruturar um desejo sem rosto. 

Criar um ideal de amor sem um objeto amado, um amor sem corpo, um amor desumano, que quer apagar a dependência da existência de um outro ser humano para compartilhar sua potência de beleza me pareceu covarde. 

Como uma boa escritora, duas vozes é pouco, uma terceira voz entrou na conversa…rsrs!

Um grito lá do fundo de mim fez questão de me lembrar todas as realizações genuínas que consegui produzir fruto de desilusões amorosas

Há algo também muito forte em transformar em narrativa os nossos lutos amorosos. Esses "quase amores" não são sempre abortos. São também sementes de uma  "eu" que se imaginou na "mais linda e generosa versão de mim e que eu jamais sabia que gostaria de by @carnedoolho
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3 years ago
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@multitudegaleria by @carnedoolho
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3 years ago
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O que mais neste momento poderia eu senão lembrar?
Lembrar o que passou. Lembrar o que ficou. O que poderia ter sido. Dos tantos abortos afetivos. De uma pedra jogada n'água. E o pedido que afundou com a pedra. 
Lembrança da mão que lançou seu sonho e acertou nada. 
Água no olho vira palavra 
do que poderia ter sido e se espraiou. 
O amor virou sal atrás dos olhos: e arde como uma pedrada no olho. Mas uma mão venceu o medo da pedrada. Em nome de um novo desejo. 
E era a minha mão também. by @carnedoolho
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4 years ago
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Era como em meus sonhos: eu entrava em um lago de água limpa. E, de um momento para outro, as águas ficavam sujas. Eu escolhi entrar naquela água tão gostosa… Mas ela ficou escura e suja no meio do meu sonho.

Estava tudo tão bom… não consigo parar de pensar. Estava tudo tão limpo… 

Eu escolhi entrar lá porque, meu Deus? Se estava tudo tão bom?

Porque as águas ficaram sujas de um momento para outro? Porque eu não consegui pedir para parar antes de me tocar? Tudo em volta agora é água suja. Meu corpo. As lembranças de todas as minhas escolhas erradas.

Repetidamente eu relembro: estava tudo tão bem, tão correto… Porque aceitei aquele convite aquele dia? Eu nem precisava conhecer mais nada. Era óbvio o perigo. 

Agora escorre uma água suja do meio das minhas pernas. E as águas sujas estão invadindo o chuveiro da minha casa, minhas lembranças da adolescência, minha confiança no trabalho, meus amores pretéritos e futuros.

Escrevo para não me afogar. by @carnedoolho
7
4 years ago
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A casa que eu cresci tinha um quintal.

A casa que eu cresci tinha uma vó.

E, como geralmente é, a casa que eu cresci 
e que tem quintal e vó, 
tem o cheiro de algo muito bom 

que eu achava que não voltaria.

Ontem eu conheci uma casa que tinha um quintal muito parecido com o quintal da casa que eu cresci. 

E então aconteceu...

O quintal cheirava tão bem...

*para minha avó Maria de Lourdes Gonçalves. by @carnedoolho
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4 years ago
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Lula recebe a faixa presidencial taken in Brazil by @carnedoolho
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4 years ago
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Essa é uma das fotos de uma série que fiz em um dia que eu queria ter um outro corpo.
Foi a primeira vez que eu me fotografei sem roupa. Eu queria me ver de fora e tentar com isso "me acostumar" com meu corpo, essa entidade "estranha". 
Eu escolhi a foto sem roupa para não esconder minha deficiência. 
Infelizmente o algoritmo dessa rede social vai sexualizar as demais fotos, mas essa foto específica era para ver meu ombro de lado. 
A luz eu fiz com um tecido verde em cima de uma luminária.  A luz branca do banheiro me lembrava um corpo em hospital e hospitais são os locais que eu quero bem longe da imagem do meu corpo. 

Descrição
Mulher branca de lado, cabelos úmidos se observando em direção a câmera dentro do box de um banheiro escuro iluminado de verde. by @carnedoolho
10
4 years ago
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O Tempo e o erro

Perguntei ao Tempo:

Tempo! Tempo!  Quanto Tempo é preciso para meu sonho realizar?

E saí correndo atrás de mim

sem tempo 

para dormir

sem tempo

para escutar.

Lenta. 

Um adjetivo que me acompanha desde a infância. Eu ando mais devagar mesmo. 

Mas, como eu aprendia rápido a obedecer quando era criança, a lentidão era compensada. 

Hoje em dia, eu aprendo devagar também. 

A experiência de não ser mais a pessoa de pensamento ágil tem sido

Violência. 

Aprender devagar é o oposto do sistema. 

O sistema de vida que temos na produção de conhecimento atualmente é o da velocidade e da exatidão. 

Aprenda muito e aprenda rápido. 

Ah, e também não erre. 

A lentidão e o erro são nossos pecados. E o resultado é uma legião de pessoas intolerantes às duas características mais humanas que temos: a contemplação do erro como criação e o exercício do ócio como resultado da solidariedade em se dividir as tarefas de sobrevivência. 

Lá atrás, se um humano caçava para dois, sobra tempo e energia para ambos. 

Mas vivemos a sociedade da ansiedade. A ansiedade pelo que vivo dela parece ser a obsessão em tentar controlar o tempo por meio de simulações do futuro. 

Um modo que encontramos para tentar realizar as tarefas que somos obrigados e também os nossos desejos 

A ansiedade me parece ser a louca tentativa de tentar enfiar as nossas necessidades nos intervalos da nossa exploração laboral. 

Como a gente passa a viver em cenários, a gente não tem tempo de errar. E nem de lidar com o erro alheio. 

Ser lenta e erratica tem sido muito violento.

É terrível ter de cobrir minha lentidão com empenho do meu tempo de descanso e ócio.

É terrível lidar com as pessoas impacientes diante do meu tempo e modo de aprendizado. 

Mas ser lenta e errática, ainda que a contragosto, tem sido talvez a minha experiência mais subversiva. by @carnedoolho
1
4 years ago
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