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um homem com uma dor é muito mais elegante

no cerrado, abril marca mês de transição, último mês das chuvas, dando lugar para o início da seca. todo ano é a mesma história. o ipê, o flamboyant, a flor do pequi, o chuveirinho e a caliandra saem de cena, se recolhem e dão espaço para o vazio, como se o sofrer fosse a última obra. mas logo chega setembro, com recomeços, dando a sensação de que nunca antes essas flores foram tão coloridas e bonitas.
pode ser sim que a dor seja elegante, mas só o é quando encarada, quando vista como identidade. é assim na obra da vida, achar o que restou e o que sobra nesse ciclo que se repete, mas nunca da mesma forma.
deixo Leminski de lado pra dar lugar a Ney. o que me importa é não estar vencido. deixo a elegância da dor pra seca do ano passado. by @crnserra
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3 months ago
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Pesquisar é dar um cadinho de si. Quando nos abrimos para investigar algo, seja a realidade que um país inserido na periferia do sistema vive, seja as respostas que uma conjuntura veloz nos impõe, seja nas investigações da vida pessoal e nos sentidos subjetivos, a gente dá um pedaço de nós mesmos nessa busca. Saber ser aluno é assim, se deixar morrer sempre, para poder viver mais. Nossa poetisa Cora Coralina já disse que, para saber ser feliz, é preciso saber aprender o que se ensina. E nessas andanças que a pesquisa da vida me levou, Goiás é um presente especial. Tive a honra de conhecer muitos doadores. Doadores porque são pessoas especiais que amam e vivem a vida doando sempre o que aprenderam, por isso não se cansam de ensinar e de serem alunos. Eu quero mais é andar com esses, para poder dar meus cadinhos da vida, sem me apequenar. Obrigada, meus amigos. Que a gente possa ter muitos mais dias assim, cheios de poesia e trocas. by @crnserra
5
4 months ago
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Todo mundo tem seu melhor amigo. Coube a mim o meu ser meu parceiro de vida, construção de vida. Esperando sua volta, paçoca! by @crnserra
28
10 months ago
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Quando a rebeldia saiu de moda?

Vivemos tempos duros: o avanço da extrema direita, do conservadorismo, da desigualdade. Mas não é só isso. Vivemos também tempos achatados. Faz anos que não conheço o tédio. E, sem tédio, parece que perdemos a profundidade. O quadrado virou apenas um quadrado. Ninguém tem tempo de perceber que, na verdade, é um cubo.

Não é questão de saber para onde ir. Antes disso, seria bom entender onde é que estamos. Mas a irreverência perdeu terreno para o medo: medo de errar, de ser cancelado, de sair do roteiro. O mundo parece ter menos lados, menos frestas, menos curvas, quando, na verdade, sempre teve mais do que conseguimos ver.

Talvez este texto não sirva para nada, a não ser registrar que a rebeldia saiu de moda. Num tempo de verdades prontas e opiniões embaladas a vácuo, ser rebelde virou quase uma gafe. Especialmente se você é mulher, e cada palavra sua vem com lupa e sentença.

Pois bem. É hora de sair da trend. N-I-N-G-U-É-M com algum senso de humor segue trends. A rebeldia segue. Mesmo fora de moda. by @crnserra
6
a year ago
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 by @crnserra
4
a year ago
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veredas

“No meio do cerrado, ah, no meio do cerrado, para a gente dividir de la ir, por uma ou por outra, se via uma encruzilhada.” by @crnserra
2
a year ago
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Domingos são feitos de preguiça para muita gente, mas não para Bernardo. Era fim do dia e minha cunhada viu sua bolsa romper inesperadamente, um mês antes do esperado. 
Bernardo nasceu prematuro, mas com 2,606kg. Veio com pressa, jeito de menino custoso que tem vontade de viver, ansioso pra brincar. Vi ali nascer não só um bebê, mas uma família linda, que amo e admiro. Viviane e Artur renasceram junto, e nós, ao lado, também. Seja bem vindo, Bernardo. Nosso menino que nasceu e vai crescer debaixo das estrelas do Cruzeiro do Sul, como já escreveu Galeano. Viver tudo isso faz a gente também querer brincar pra sempre. 

“Eu nasci e cresci debaixo das estrelas do Cruzeiro do Sul. Aonde quer que eu vá, elas me perseguem. Debaixo do Cruzeiro do Sul, cruz de fulgores, vou vivendo as estações de meu destino.
Não tenho nenhum deus. Se tivesse, pediria a ele que não me deixe chegar a morte: ainda não. Falta muito o que andar. Existem luas para as quais ainda não lati e sois nos quais ainda não me incendiei. Ainda não mergulhei em todos os mares deste mundo, que dizem que são sete, nem em todos os rios do Paraíso, que dizem que são quatro.
Em Montevidéu, existe um menino que explica: — Eu não quero morrer nunca, porque quero brincar sempre.” by @crnserra
8
a year ago
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uns dias gostosos com Tatálo by @crnserra
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2 years ago
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4 irmãos. by @crnserra
4
2 years ago
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um apanhado de saudades by @crnserra
4
2 years ago
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 by @crnserra
4
3 years ago
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Pano de guardar confetes é onde se guarda as recordações. 
Francisco, enquanto adoçava seu café às 4 da manhã, decidiu que iria guardar o que tinha vivido até ali e não abriria mais o pano. Não tinha confete, o que tinha era arroz que sobrou da janta. Foi por isso que decidiu ir embora, para poder um dia, guardar a vida por inteiro e não só as sobras.
Mas a vida é a arte das recordações, das que foram, das que estão e das que virão. Não somem e nem se podem evitar. E Francisco fugia, mesmo sabendo que não se foge do que já é. Não queria testemunhar novamente o que já havia visto, pois não podia aceitar a impermanência de tudo. E eu queria que ele ficasse, para continuar vendo nele o que já foi, o que é e o que será. Mas ele foi mesmo assim. O pano de guardar confetes ficou comigo.

Trechos de “O livro que escrevo”. by @crnserra
4
3 years ago
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