Instagram story viewer> @cronaago> Posts
63
followers
6
following
Escritor: @luccamagro
Atividade.
POSTS STORIES REELS TAGGED
Download All
Uma transformação.

Eu sou um grão de sal
Aprisionado em um jarro de outros tantos
Sinto que isso me faz mal
Mas não me deixo depender de qualquer sentimento, afinal
Eu posso muito bem um dia sair para me misturar
Apesar de viver de saudades…
Já fui mar.

[Releia a vida em ciclo
você pode entender
somos vivos e isso é lindo
para todos eu não sei
mas para mim pode ser]

Eu sou uma gota de agua 
Escorrendo por uma janela 
Vejo esperança em quem acompanha meu movimento 
Olhares confusos procurando beleza no simples
Sinto que preparei minha jornada para esse momento, então preciso desempenhar 
Mas, me sinto infeliz por não saber como estou indo
Estou tentando formar um desenho em cada curva
Enfim, não posso esconder minha saudade
Já fui chuva.

[Muito além do que minha alma sente
eu sei, não vou voltar
meu coração já aprendeu a amar
mas não posso me considerar contente
porque como parte da transformação
eu já fui presente
e hoje só me resta a emoção de lembrar]

“Deixo esse caminho por nós dois
Descansei meu coração perto demais
Fiz desse destino seu lugar
E agora… é tempo de isso tudo se acabar”.

Cronaago.

Inspirado em: Salinas - Versos Que Compomos na Estrada.

Arte: Marine Solitude - Anton Melbye. by @cronaago
0
4 months ago
Download
Uma escolha.

Cronaago. by @cronaago
0
4 months ago
Download
Um prédio.

Eu-destino, que sorte
Era uma construção feita de mármore frágil 
Fisicamente desconexo com a morte, mas era fácil se queixar
Um arranha-céu no conceito, mas que gostava de chorar
Derramava entulho pelo redor e machucava quem tentava passar
Tinha habito de reclamar por um norte
Mas nenhuma conquista para se orgulhar
Nenhuma grande marca para se tornar 
Era só um edifício vazio
Que tinha medo de nunca se preencher 

Um recorte-tempo, quando passar, quem ficará?
E uma estrutura fantástica também pode desmoronar 
Não significa repartir-se, desmanchar
Mas se tornar esquecida pela paisagem-lugar 
Até um dia, não ser mais destino e sim surpresa
“Isso sempre esteve aqui?” - em lembrança-conversa

Profissionais podem ir e vir para se sentar
E você pode acreditar que isso é o suficiente 
Mas lembre-se que a passagem é sobre manter até largar
E, de repente, tudo que era tudo se torna memorial do que foi presente
O que um dia ficou acima, hoje é chão
O que um dia foi nome, cumpre a ilusão

Não se desespere, contudo 
Propósito é chuva e um dia vai se molhar
Os dias de seca mostram o quão rachados podemos nos tornar
Como arranha-céus abandonados, quando o vento passar -
Quem ficará? 

Cronaago.

Arte: Architectural Fantasy with Figures - Girolamo Mengozzi Colonna. by @cronaago
0
4 months ago
Download
Uma conversa.

“Descanse no meu colo criança
Eu sei o que se passa na sua cabeça
Viemos do chão e esbarramos no muro
O que será de nós sem porto seguro?”

Olá, você do cabelo loiro tigela
O que vai fazer nesta tarde?
Eu fiquei sabendo que sua mente não te deu trégua
Me diz, onde arde?
Seu coração é honesto, ele aponta para a ferida 
Faz você levar o braço na dor, tentando corrigir 
Mas… tudo bem esperar um pouco, agora
Você é a cura que vai te fazer sorrir

Você é sempre bem-vindo na minha casa, quando quiser aparecer
Me conte sobre suas aventuras até o anoitecer 
Auriflama parecia grande demais, não é? 
Você não é responsável pelo seu tio adoecer
É uma lastima, claro, ninguém gosta de perder
Mas essa frustração vai criar rusgas duradouras que vão te deixar louco 
São nas vestes do caos que você vai encontrar seu pouco
Mas você é muito.

“Você é impiedoso e implacável 
Mas, se lembra do cheiro da mata molhada?
Se lembra da cachoeira que você limpou sua alma?
Se lembra da lareira que fizeram para contar sua história?”

Terrível, você escutará
Mas os dias de neve irão passar
Sim, você é um menino assustado
Apenas uma criança que não sabe brincar 
Mas a vida é sobre quantas vezes podemos nos perdoar 
Seguir, cuidar e nos responsabilizar 

“Um dia o escuro vai se tornar prisma
Reluzindo a luz de todas as cores 
Você pode acreditar que isso é ser otimista
Mas isso, caro eu, são nossos próprios amores

E nós vamos amar
A eles, a tudo”.

Até lá,
Vamos procurar?

“Até lá,
Vamos nos amar”.

Cronaago.

Arte: Gabrielle and Jean - Auguste Renoir. by @cronaago
0
5 months ago
Download
Um anzol.

Cronaago. by @cronaago
0
5 months ago
Download
Uma tempestade.

“Nós ficamos acordados até tarde
Contar estrelas é uma forma de arte
Ver no cosmos uma justificativa é alento para o que arde
O que você esconde da noite que tanto te parte?

E eu ouvi me gritarem:

SEU ROSTO SUA BOCA SUA BOCHECHA
SEU NARIZ SUA HISTÓRIA SUA JORNADA
SUA SEU SUA SEU”

Tempestade, como um fogo vazio
Me sinto uma casca, sem acreditar que um dia me senti diferente disso
Caí em relva, machuquei o verde orvalho 
Gratuitamente, surgi em meio a neblina
Brilhei, ensurdeci e me transformei 
Quem estava lá para ver meu transtorno?

“Nós fomos ao campo
Eu vi o azul escuro cósmico brilhando 
Sorrisos como pulsantes estelares se encontrando 
Dia de céu limpo no inverno é frio
Muito, muito frio

E eu ouvi me chamarem:

VOCÊ É A SUA AÇÃO E NÃO SUA BUSCA
VOCÊ SE MOVE DE ACORDO COM O QUE VOCÊ PROVOCA
VOCÊ, É, SEU, SUA”

Tempestade, como ímpeto vazio
Me sinto ignição sem motor
Será que a jornada é sobre não ter direção?
Trafegar rente ao abismo novamente a cada reflexo de dor
Ou só aceitar que viver é isso
Ser, antes de querer, batalhando para se tornar.

Portanto, tudo é “se”?

Cronaago. 

Arte: Storm in the Mountains - Frederic Edwin Church. by @cronaago
0
5 months ago
Download
Um devaneio.

Dois dedos, buracos negros, em forma de tinta
E a cada palavra dita, recita um nome
O ímpeto ardente em se transformar
A cobiça atissada da paz almejada 
Poderia dizer, mas não fazer
E a cada ritmo, é constante:
A carne, o toque, o instante
Uma narrativa desenhada no corpo

Mil noites de luz, com a brisa da natureza
E o que tiraram dessa cruz, o templo da incerteza
Minha madona é do campo, seu templo é beleza

Há certa magia negra por cada passagem, os dedos escorregando por um corpo miragem
Surrealmente exposto, crú
E por cada palavra, a vontade de ser absoluta anseava o tormento
Se cortejava, pelo menos por um momento

Devota noturna, latente como a estrela
Faz de si a delicadeza
Tem o desenho do desejo em essência
E o alvo do peito, em sorriso, que me quebrou a cabeça.

“Me ilustra em devaneio
Sua forma de conduzir é hipnótica 
Sua boca me traduz em códigos o que eu interpreto como semiótica 
Seus olhos me despertam medo, terror pelo que pode ser a proposta

Artesã do abstrato, me veja flutuar até você enquanto você me controla
Jogue com meu desejo, enquanto você me devora”.

Cronaago.

Art: Saint Catherine of Alexandria - Caravaggio by @cronaago
0
a year ago
Download
Uma Esmeralda.

Cronaago. by @cronaago
0
a year ago
Download
Uma chuva.

“Veja a cor íris atravessar a neblina revelada pela chuva
A cabeça se deita na grama, o orvalho cura
Eu tenho você na minha mente curva
Dilato o músculo diante da minha procura
Cai como respingos de loucura”

O chão seco do cerrado descasca o solo
Pele em pele, desfaz o que deveria ser morada
Proíbe a colheita, se torna intrínseco, cultura da pobre sociedade ali montada 
Que já se espera um fim mórbido
São 3 meses de estresse hídrico, onde está a agua?
São 3 dias para perder a esperança, onde está a divina guarda?
Olhar para o céu é pedir socorro com as pálpebras 
E a fé de que um dia o solo rachado vai se tornar soja

“Todas as coisas ocorrem por um motivo
O reflexo ficou côncavo no momento em que eu permiti isso
A realidade é uma anomalia e eu sou o risco
A jornada é sobre acreditar que o próximo passo vai ser melhor que o anterior
Um dia, vamos todos mergulhar no orgulho de ser um perdedor
Um dia, vamos todos mergulhar no soturno para enxergar no amanhecer um novo calor”

Todas as coisas que ali perderam, se tornaram cinzas 
As rachaduras são como veias, pulsando em direções definitivas
Emoções são como um homem chorando pela morte de seu irmão, implorando pela chuva
Sentimentos são como um filho chorando de sede para sua mãe, implorando pela chuva
Existir é como uma comunidade árida, com holofote da estrela, implorando pela chuva

Enquanto o real é inalterado
O sol queima até o escalpo
Eu sinto falta da chuva porque estou descalço
E o firmamento queima minha sola
Queima meu orgulho
Queima minha história 

Volte água,
Eu imploro.

Cronaago.

Art: The Gluttons - Jan van der Straet by @cronaago
0
a year ago
Download
Uma matéria.

“TEM uma oração escrita com meu nome
tem UMA oração escrita com meu nome
tem uma ORAÇÃO escrita com meu nome”

Eu sou material 
Me deslizo em fricções até me tornar combustão 
Fagulha disposta a virar espetáculo 
Um gatilho no profundo espaço 
Exposição em vácuo 
Quantos segundos até me tornar parte de algo?
No encaixe da existência, me veja
Sou como um bloco de aço, entenda
Derreto em mim enquanto me assistem de uma bancada de madeira
Como é curioso enxergar o que nos tornamos enquanto o calor do sol queima nossas cabeças 
Duvidar de ser humano deixou de ser uma brincadeira e passou a ser uma certeza
A obviedade de enxergar que cansamos de tornar a vida o que ela é por natureza

ENTROPIA

“tem uma oração ESCRITA com meu nome”
“tem uma oração escrita COM meu nome”
“tem uma oração escrita com MEU nome”

Eu sou matéria escura
Posso me transformar em qualquer coisa
No linear das cidades de neon, sou como uma múmia 
Carrego os segredos do meu passado enquanto me transporto para o futuro 
Sou como um sigilo a ser tratado como oculto
Mentiras que não foram ditas enquanto estava escuro 
Meu túmulo são dos incapazes em redigir do que fui chamado
Porque essa é a verdade entre os desencarnados 
Uma vez, sob olhares, sussurros.

ENTROPIA

A libertação vem em forma de antagonista.

“TEM UMA ORAÇÃO ESCRITA COM MEU…”

Cronaago.

Art: Witches at their Incantations - Salvator Rosa by @cronaago
0
a year ago
Download
Uma luz.

Cronaago. by @cronaago
0
a year ago
Download
Uma terapia.

“Eu não acredito que consigo voar para fora da Terra
Atingir velocidade máxima e atravessar a atmosfera” 

Há algo escondido nos ombros que carrega o senso de urgência
Por que, Deus, por que fez sofrer?
Há algo em subterfúgio nos escombros que enterra a necessidade de decência 
Por que, Deus, por que fez sangrar?
Há algo nas entranhas prestes a morrer, mas apenas o são consegue enxergar
Na escuridão dos órgãos, o som é de indigestão 
Está por entre passagens do intestino a necessidade 
Que transita entre a mente e rasga o pulmão 

Senhor, tramita em mim o pensamento do perigo
Sou tão pecador quanto aquele que se acolhe após um sorriso
Aquele que esconde a adaga para se debater no golpe do mesmismo
A rotina é uma draga foda de engolir
Amarga os músculos enquanto faz da sua mente um mártir 

Senhor, como escolher qualidade no bem, se o mal me liberta?
Se o teu desejo é a penitencia, a moralidade dos dias não seria a sua grande sentença?
Presos em uma gravidade capaz de trucidar 
E uma realidade crua como um morador de rua degolado ao apogeu do luar

Não me considero católico, não me considero 
No cunho cultural me fizeram anti-estóico, muito para me importar 
Por que então param suas vidas para olhar o gesso e adorar?
Antes de “significado” o prefixo “signo” indica o que deveria significar 
Então é lógico que eu vou me referir à estatua por ela ser, não o que deveria referenciar

Falta literalidade no consciente popular 

Isso é tudo medo
Medo do meu pai não conseguir andar
Medo da minha mãe desistir de tentar
Medo da minha vó de repente desencarnar 
Medo dos meus tios resolverem brigar
Medo dos meus amigos decidirem me largar
Medo da minha arrogância me tomar
Medo da minha ignorância avançar 
Medo do meu vício ganhar
Medo da minha criatividade acabar
Medo do escuro me alcançar 

E por mais que pareça absurdo

Medo do dia que Deus se apresentar
Porque antes de ser fé, éramos imagem
E a semelhança que compartilhamos é aquela que nos incita a (se) matar.

Cronaago.

Art: Jacopo Tintoretto - The Deposition of Christ by @cronaago
0
a year ago
Download
×

Download all media on this page

Photos Videos
back to up