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💭 | o silêncio da madrugada sempre mostra o quanto seus pensamentos podem ser barulhentos
✏ | por @lipelamounier
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Ha uns dias assustei com um alerta no meu celular. Era uma mensagem da Uber indicando que um amigo havia compartilhado o trajeto da sua viagem comigo. Como não é um costume, logo enviei uma mensagem para confirmar se estava tudo bem. Na ocasião ele nem sabia como e o porque tinha feito aquilo. Rimos juntos e passou. 

Aquilo se repetiu algumas vezes, já que ele não sabia como retirar a função, e sempre acabava sendo razão pra algumas risadas, brincadeiras e diversão. Mas o fato era que: eu era seu contato de emergência na plataforma.

A reincidência daquela situação me levou, então, a uma reflexão que eu compartilho aqui. 

Quantas vezes você já fez uma viagem, conheceu um lugar novo, viveu uma experiência diferente e quis, naquele exato momento, compartilhar com alguém tudo aquilo que estava sentindo e/ou presenciando? Seu contato de emergência! 

Aquela cena hilária de filme de comédia em casa sozinho, que você se depara gargalhando e de repente, com o celular na mão, grava um áudio e compartilha daquele momento, certo que a outra pessoa vai estar On line do outro lado e, mesmo não sabendo 1% do enredo, irá responder de volta com o mesmo entusiasmo. Seu contato de emergência!

Quando tudo extrapola, e você percebe que não precisa dar conta de tudo sozinho, e o choro grita no meio da madrugada e você sabe muito bem a quem recorrer. Seu contato de emergência!

Aquela comida tão bem feita num domingo ou num dia qualquer, que você fica com dó de saborea-la sozinho. Então a passa mão no telefone e em alguns minutos chega um vinho acompanhado de uma ótima Cia à mesa. Seu contato de emergência!

As vezes pode ser aquele braço que você fez de travesseiro numa noite, sem nenhuma segunda intenção. Apenas precisava de um conforto e segurança pra velar seu sono. Seu contato de emergência!

A verdade é que seu contato de emergencia não se trata de uma pessoa que um dia você vai se cansar, se encher ou esquecer, ou até mesmo querer fora da sua vida. Seu contato de emergencia, na verdade é o seu contrato de segurança.

(Continua nos comentários!) by @devaneiosnasmadrugadas
44
9 months ago
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“Quando tudo extrapola, e você percebe que não precisa dar conta de tudo sozinho, e o choro grita no meio da madrugada e você sabe muito bem a quem recorrer. Seu contato de emergencia!”
(Trecho: Contato de emergencia - @lipelamounier ) by @devaneiosnasmadrugadas
2
9 months ago
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Aos 5, em um acidente de carro, as primeiras cicatrizes: testa e couro cabeludo.
Aos 7, o supercílio depois de bater com o rosto na carteira da escola.
Com 8, outra na cabeça, ao tropeçar numa mochila e bater na quina de uma parede, de novo dentro da sala de aula.
Depois vieram as do queixo, ao cair na piscina do vizinho; da coxa direita, com o ferro de passar roupa; do pé ao pisar em uma garrafa derretida; abaixo do joelho, ao topar em um banco de cimento ... e muitas outras. 

Essas, mesmo sendo muitas, se curaram com facilidade após alguns pontos, pomadas e cuidados básicos. Difíceis mesmo foram aquelas que não se veem, mas doem muito mais e duram por muito mais tempo. Aquelas do tipo que não cessam com um relaxante muscular ou uma dipirona. Aquelas que não podem ser nominadas, expostas, a não ser em algumas sessões com ambientes seguros, longe dos olhos e ouvidos julgadores. 

As primeiras são fáceis de esconder com uma boa maquiagem, alguns cosméticos, ou mesmo alguma intervenção cirúrgica. Já as outras seguem silenciosas em longos processos de cura e cicatrização. São mais profundas e, às vezes, perduram por toda uma vida. 

Independente se físicas ou psicológicas, aprendemos desde cedo que cicatrizes não são bem-vindas. São feias, desconstroem e devem ser escondidas. Mas esqueceram de nos contar algo essencial: elas carregam um arsenal de histórias.

O acidente de carro me lembra, até hoje, de como descobrimos que sou imune a anestesia. Minha mãe precisou subir em cima de mim pra que o médico conseguisse dar os pontos. No retorno ao médico pra retirada dos pontos, eu quase precisei de uma nova intervenção ao cair da maca. Lembrança que minha mãe conta se divertindo até hoje.

A cicatriz do queixo me faz lembrar das tardes de verão lavando a piscina do vizinho, toda a criançada junta, e depois esperando ansiosamente a piscina encher durante a noite pra que pudéssemos brincar no dia seguinte. 

(Continua nos comentários) by @devaneiosnasmadrugadas
9
a year ago
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Já tive oportunidade de passar a virada do ano na areia de Copacabana, uma experiência incrível por sinal. Já em outro ano tive o prazer de assistir ao mesmo espetáculo de fogos, porém de outro ponto de vista: dentro de um barco, junto de bons e poucos amigos, tendo Copacabana à nossa frente e seu 1 milhão de expectadores com seus flashs somando ao espetáculo de luzes no céu.

A ocasião me fez pensar e perceber, então, na dualidade e contradição daquela cena: o quão o mar pode ser solitário e a areia um lugar repleto de um misto de sensações.
Enquanto os fogos queimavam e iluminavam o céu, no barco muitos se abraçavam, beijavam, faziam seus votos uns aos outros e seus desejos mentais para o ano que se iniciava. Já eu, procurava algo em que poderia firmar meus pensamentos e sentia algo me fazer falta. Meu coração pulava de alegria pela oportunidade maravilhosa de mais uma vez poder assistir àquele espetáculo, porém me faltava o sentimento, a comoção, a emoção pelo momento. Foi então que eu percebi a frieza que o mar me repassava, e comecei a me lembrar de como havia sido minha experiência de viver aqueles mesmo momentos com os pés na areia. Fiquei me recordando da variedade de comportamentos que havia presenciado e de como o ser humano é múltiplo em suas crenças e formas de expressar suas emoções.

Quando tive a oportunidade de passar o réveillon na areia de Copacabana, me lembro bem que os fogos, em sua infinita beleza, não foi o que mais me chamou a atenção, mas sim a forma que cada um ali demonstrava sua individualidade. Uns pulavam as famosas “7 ondinhas”, outros entregavam suas oferendas a Iemanjá, alguns acendiam velas a seus orixás e haviam ainda aqueles que oravam e rezavam com seus terços em mãos. Mas uma coisa todos tinham em comum: o agradecimento pelas bênçãos alcançadas no ano que terminava e seus pedidos para o novo ano. Alguns em família, outros entre amigos ou mesmo sozinhos, porém todos, individualmente, compartilhavam da inteligência daquele que dividiu o tempo em anos, fazendo com que cada um tivesse regularmente a possibilidade de novos recomeços. 
… ⬇️ by @devaneiosnasmadrugadas
15
2 years ago
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Spoiler do texto de amanhã: 

• Sobre a areia, o mar e um desejo de ano novo •

“(…) todos, individualmente, compartilhavam da inteligência daquele que dividiu o tempo em anos, fazendo com que cada um tivesse regularmente a possibilidade de novos recomeços.”

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Gostou?
Curta e compartilhe! Esse texto pode fazer sentido pra mais alguém!
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#frases #pensamentos #devaneios #madrugada #life #reveillon #vida #night #goodnight #2025 #anonovo #thinkpositive by @devaneiosnasmadrugadas
6
2 years ago
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Esse texto poderia, sem dúvida, ser sobre o amor. E talvez seja. Mas, acima de tudo, ele é sobre cuidado, respeito e a importância de se construir e guardar boas memórias. 

Minha avó paterna, enquanto ainda viva, mantinha seus jardins impecáveis, sempre com uma ou mais roseiras cheias de botões desabrochando, independente da época. Tinham ali plantas de diferente tipos, estilos e tamanhos, que ornavam muito bem entre si, em torno de um grande coqueiro. 

Já relatei anteriormente sobre a força imponente que ela representava. Ver aquela mulher tão forte, cuidando de flores tão delicadas, era contraditório e maravilhoso. 

Suas preferidas? As rosas! 
E Saint-Exupéry não estava errado. Por tanto gosto e cuidado, me lembro de suas roseiras sempre muito floridas e fartas. 

Flores nem sempre são muito “gratas”, principalmente as rosas. Possuem uma vida muito curta. Aparecem, crescem, desabrocham, murcham e secam com muita rapidez. Exigem constante poda, arrancar os matos que crescem ao seu redor, adubo e água na medida certa. 

Talvez elas representem bem nossas memórias. Por vezes é preciso podar algumas, esquecer, eliminar algo aqui, deixar outras de lado, pra que aquelas que realmente valem a pena possam crescer, se desabrochar e florescer. 

Certo dia, a principal flor daquele jardim se foi. Em meio a tantos sentimentos, dores, saudades, eu tenho uma memória muito forte daquele dia: meu avô, em toda sua dor, após se despedir de sua amada que o acompanhou por mais de 50 anos juntos, estava sentado ao chão, junto do jardim em frente à casa, trabalhando bem sozinho e silencioso. 

(…) by @devaneiosnasmadrugadas
28
2 years ago
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Recentemente participei de uma ação no trabalho onde discutíamos as oportunidades que surgem em meio às crises (um ótimo tema pra outro texto, em breve!). Durante as várias trocas entre os profissionais, um relato em particular me marcou.

A história era de uma colega que, ainda muito insegura ao volante, fruto de sua recente conquista da habilitação, travou em uma grande ladeira. Não conseguia mais tirar o carro do lugar. Mesmo sabendo exatamente o que era preciso fazer, ela não alcançava o sucesso.

Alguém que passava por ali, ao ver sua dificuldade e nervosismo, se ofereceu muito gentilmente a ajudar. Ela, muito segura e sabendo de suas capacidades e do que foi treinada pra fazer, respirou fundo e respondeu: “Muito obrigado, mas se alguém pode fazer, por que não eu?!”

E assim, num misto de coragem e determinação, fôlego e suspiro, ela conseguiu arrancar o carro e seguir em direção ao seu destino. 

Aquele breve e significativo relato veio como um verdadeiro “tapinha no ombro”, daqueles que nos fazem refletir: “E ai?! Quantos mais passarão e não você?!”

O peso do tapinha no ombro tem me perseguido desde então. 

É reconfortante saber que podemos contar com as pessoas ao nosso redor quando as coisas ficam difíceis. Às vezes, precisamos daquela ajuda pra abrir o pote de azeitona ou mesmo trocar um pneu. E é importante mostrar pras pessoas ao nosso redor que elas podem ser E se sentirem úteis para nós. Faz parte da construção das relações e dos ambientes de segurança que necessitamos pra viver. A autossuficiência não precisa ser uma constante em nossa existência. 

Mas também é preciso refletir e nos atentar sobre a existência de 2 forças que nos incomodam: a comparação e a dúvida. E, se o incômodo é movedor do sujeito, então essas duas forças, somadas, se tornam um motor poderoso de propulsão, gerando mudança e autoconfiança. 

Quem nunca tomou uma decisão depois de alguém duvidar que você era capaz?
E quem nunca olhou pra outra pessoa e se perguntou: por que ele e não eu? (Valha os pés na bunda que enchem as academias por aí! Rsrs…)

(…) by @devaneiosnasmadrugadas
22
2 years ago
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Um trecho do texto de logo mais:

“Talvez a síndrome do impostor esteja embaçando nossa visão diante das possibilidades de sucesso, enquanto nosso foco se fixa nas dificuldades das “ladeiras” da vida, nos travando no meio do caminho.“
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#devaneios #madrugada #pensamentos #insight #textos #historias #sucesso by @devaneiosnasmadrugadas
0
2 years ago
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A gente se esforça. Luta. Corre atrás. Corta um dobrado. Faz de tudo pra chegar, nem que seja só um pouco mais perto, dos nossos sonhos e objetivos.

A gente acorda ás 6h. Às 5h. Talvez até às 4h. E volta só às 20h, 21h, às vezes 23h.

Trabalha. Estuda. Da conta das contas, da casa, dos filhos. 

Arruma o cabelo, pinta o rosto, força um sorriso.

Enfrenta ônibus, trem, metrô, trânsito, o chefe chato. 

Chega tarde. Acorda cedo. Repete tudo de novo, dia após dia. No outro mês. Semestre. Ano. 

Corre. Treina. Faz Crossfit, dança, ioga. 

A gente se cobra ser 100%.
Estar presente 100%.
Ser 100% amigo, marido, esposa.

Quer escrever um livro, plantar uma árvore, dar o grito da independência às margens do Ipiranga, salvar o mundo! 

Mas, de repente, para. Olha. Observa.
E percebe que tudo continua igual.

O dia não foi produtivo.
A alimentação não foi saudável.
O treino não rendeu.
O trabalho tá acumulado.
O sono não foi o bastante. Nem o fim de semana. Nem a dieta!

Então a gente se magoa.
Frustra. 
Deprime.
Cria ansiedade, manias, TOCs.

É Rivotril pra dormir e Venvanse pra encarar o dia. 

A gente só se esquece que, às vezes, basta ser o melhor que se pode ser hoje. 

Levantar da cama. Preparar um bom café. Se espreguiçar. Descansar. Pode ser o melhor pra hoje! 

Talvez hoje a casa não fique tão limpa e arrumada.
Ou a caixa de entrada não esvazie por completo.
Os prazos não sejam entregues.
As vezes o treino vai ser meia boca.
O almoço? Não vai dar pra ser um risoto. Vai um arroz com ovo mesmo. 

Os resultados, nem sempre precisam ser perfeitos. 

Mas a gente quer ser completo pro outro. 
Quer ser um profissional que domina todos os assuntos e sistemas. 
A mulher que dá conta do trabalho, da casa, do mercado, dos filhos e marido. 
Quer a rede social mais agitada, o corpo mais malhado, o rosto mais quadrado, a boca mais carnuda, o sorriso mais branco e alinhado. 

Mas no fim, o que EU realmente quero pra hoje? 

Aceitar ser insuficiente. 
Só por um instante. 
Só por hoje. E tá tudo bem! 

E amanhã? 

Amanhã a gente tenta tudo outra vez! by @devaneiosnasmadrugadas
16
2 years ago
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“O compartilhar da vida com alguém nunca é simples. São dois estilos diferentes, duas formas de ver o mundo, com comportamentos, aprendizados e jeitos de ser muitas vezes desalinhados. Pra um, o papel higiênico deve estar virado pro lado de fora. Pro outro, é melhor que esteja pra dentro. Se esses detalhes não forem alinhados, se tornará um constante incômodo. E quando pequenos incômodos se acumulam e não são resolvidos – ou são mal resolvidos – o copo transborda.”
 
Essa foi uma conversa que tive com uma tia certa vez, ainda adolescente. Talvez não tenha sido com todas essas palavras, ou tão bem formulado. Talvez ao longo do tempo a maturidade me fez transformar essa memória em algo mais robusto e significativo.
 
Fato é que hoje, essa metáfora criada por minha tia há tantos anos, faz total sentido. Se não entendermos a força dos pequenos incômodos e não aprendermos a verbalizá-los, resolvê-los ou até mesmo aceitá-los, não há relação que sobreviva.
 
O compartilhar da vida requer a compreensão que existe sempre outro lado, outras experiências, aprendizados, outras histórias. Ambientes diferentes criam pessoas diferentes, que reagem de maneiras diferentes diante de uma mesma situação.
 
Recentemente, conversando com uma amiga, ela expressou um dos (importantes) incômodos em seu relacionamento: o parceiro não coloca os copos lavados no escorredor, mas os apoia diretamente na pedra da pia. Então regularmente ela passa pela cozinha após ele lavar a louça, coloca os copos no escorredor e reclama com ele mais uma vez. Pra ela, “não é possível que ele não aprenda!”.
 
Eu, que até então me segurava para servir como o bom ouvinte compreensivo que era necessário pro momento, não consegui deixar de intervir: “Mas tá errado? Os copos não secam do mesmo jeito? Ou será que estamos falando de uma necessidade tão grande de controlar tudo, que você acaba querendo impor o seu jeito de fazer as coisas, mesmo que o jeito dele culmine no mesmo resultado?”.

(…) ⬇️ by @devaneiosnasmadrugadas
35
2 years ago
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Spoiler do próximo texto que vem por aí: 

“Talvez não estejamos desfrutando do melhor das nossas relações apenas porque acreditamos que ‘melhor seria se estivesse tudo do meu jeito’.” 
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#devaneiosdamadrugada #textos #conteudo #spoiler #frases #pensamentos #devaneios by @devaneiosnasmadrugadas
0
2 years ago
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A insistência no amor parece perder espaço pro discurso do empoderamento, da força da solitude, da autossuficiência e da liberdade.

Uma coisa eu tenho que reconhecer: a construção do empoderamento foi tão forte nos últimos tempos, que as pessoas ultrapassaram os limites e construíram barreiras ao redor, tão seguras de si que assumiram posições rígidas, que beiram o egoísmo, esquecendo que a gente só se constrói a partir do olhar do outro. 

A gente não insiste no amor, a gente descarta. 

Tão preocupados com o meio ambiente, aprendemos a reciclar, e aplicamos o método até no amor. 

Compramos e escolhemos amores somente daqueles que já vem descritos em suas embalagens: reciclado E reciclável! 

A insistência na construção de relações e conexões um pouco mais profundas se tornaram ameaças ao “eu individual”. E vivemos então um eterno comportamento de esquiva, como num fogo cruzado que você precisa chegar ao outro lado à salvo da iminência de sequer pensar em precisar do outro. “Sou suficiente pra mim!”

Insistir no amor parece uma tentativa fracassada de remar contra a maré da estratégia de liberdade atual. E então navegamos em direção ao desapego, do afastamento, da solidão mascarada de solitude. E então desfrutamos e gozamos com a superficialidade. 

Maquiados de autocuidado e proteção, esquecemos que se abrir ao outro também é se cuidar. Mostrar-se vulnerável também pode ser estratégia de aproximação, de conquista. Esquecemos que ao esconder os defeitos, perdemos a beleza contida na cicatriz. 

(…) by @devaneiosnasmadrugadas
17
2 years ago
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