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Crítica: Homem com H

Se selecionar um recorte biográfico já é uma tarefa complexa, condensar inúmeros momentos da vida de um artista em um longa-metragem constitui um desafio ainda mais difícil. 

Esmir Filho, na direção e no roteiro de Homem com H, acerta ao escolher recortes biográficos que evidenciam o crescimento artístico de Ney Matogrosso e a permanência de sua força através dos anos. 

É precisamente nesse ponto que a direção de Esmir Filho se destaca.

Essas escolhas retratam os marcos da carreira de Ney Matogrosso entrelaçados à sua vida pessoal. Da infância ao estrelato, o filme evidencia o desejo constante do artista de expressar sua verdadeira identidade por meio da arte. 

E tudo isso funciona lindamente graças à presença apoteótica de Jesuíta Barbosa. 

Distante da mera caricatura, o ator alcança um equilíbrio raro ao evocar a própria essência de Ney Matogrosso em tela. 

Com um olhar magnético, expressividade corporal única e uma entrega visceral, Jesuíta Barbosa traduz na tela o mesmo poder hipnótico que Ney Matogrosso sempre exerceu na vida real. 

Mesmo que de forma breve, o ator percorre esses anos da vida de Ney e os eterniza em nossa memória. 

Ainda assim, Esmir Filho reserva um tempo de tela generoso a Cazuza. 

Para além de uma reparação histórica por parte do cinema, o longa joga luz sobre a intensidade do amor que unia os dois. 

Em suma, Homem com H consolida-se como um dos grandes filmes biográficos do cinema nacional. 

Para além de narrar os feitos de Ney Matogrosso, a obra funciona como um verdadeiro tributo à riqueza e à importância histórica da música brasileira.

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#netflix #neymatogrosso #jesuitabarbosa #cinemabrasileiro #critica by @entrefilmes_
3
a month ago
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A diretora reinventa a Noiva de Frankenstein em uma obra caótica e delirante, que se revela apaixonante e visceralmente gótica. 

Com o foco na protagonista e o luxo de recriar o clássico monstro Frankenstein, A Noiva! é um deleite para os amantes do cinema e se destaca pela potência de sua identidade autoral. 

Para o seu segundo longa-metragem na direção, Maggie Gyllenhaal escalou um elenco de peso. Além de trazer os familiares Jake Gyllenhaal e Peter Sarsgaard, a diretora confiou o casal protagonista à talentosa Jessie Buckley e ao aclamado Christian Bale. 

Imerso no caos criativo trazido por Maggie Gyllenhaal, A Noiva! transita com naturalidade entre gêneros cinematográficos, enquanto escancara em seu roteiro a essência e a força da perspectiva feminina proposta para o projeto. 

Embora falte aprofundamento, a diretora projeta em tela tudo o que lhe vem à mente. Assim, o filme espelha o caos narrativo, a confusão e os delírios que emanam da própria protagonista. 

Diante disso, Jessie Buckley se consolida como uma verdadeira força da natureza. Entre falas desconexas, trejeitos atípicos e gritos que flertam com o horror, a atriz transforma sua performance em um clamor vivo, ao mesmo tempo em que eleva a "arte" de sua protagonista ao status de ícone pop. 

Ao lado de Buckley, Christian Bale entrega um Frankenstein memorável. Com um visual que remete ao monstro clássico, o ator ilustra a decadência física e mental do personagem com originalidade. Bale equilibra loucura e fragilidade de forma magnética, traduzindo a solidão do monstro em uma impressionante entrega corporal. 

A Noiva! é um projeto que se propõe a dizer muito, espelhando a sua própria protagonista. Ou seja, o roteiro de Gyllenhaal ganha vida na tela de forma desenfreada, caótica e visceral, mimetizando perfeitamente o estado de espírito de sua figura central.

Essa mistura de romance, thriller e comédia consolida-se como mais um belo acerto na carreira da diretora. Executado exatamente sob a sua visão, o longa vai além do mero entretenimento: torna-se um manifesto artístico potente, cujo frescor e coragem deveriam servir de inspiração para os rumos do cinema contemporâneo. by @entrefilmes_
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a month ago
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Crítica | Homem-Aranha: Um Novo Dia

Organizar pensamentos sobre esta obra exigiu tempo e gerou contradições. 

Cessei a caça aos furos e defeitos nos filmes há tempos. Continuo atento à técnica, mas busco compreender o filme a partir de sua própria promessa e, acima de todo o resto, do eco emocional que ele deixa em mim. 

E aí que entra esse novo filme do Homem-Aranha!

Bem, o quarto filme solo do herói se destaca pelo alto nível técnico, sendo o que mais me impressionou nesse aspecto. 

Com ótimas ideias visuais nas cenas de combate, Destin Daniel Cretton conduz uma narrativa que transita perfeitamente entre o drama e o humor. O elenco, por sua vez, exibe uma química marcante que borra as fronteiras entre ficção e realidade.

Antes de mais nada, conheço bem todo o imbróglio que envolve a participação do Homem-Aranha no Universo Cinematográfico da Marvel (Disney) e os filmes solo do herói na Sony. 

Mas, vamos lá!

O filme proporciona uma experiência como em um parque de diversões, conduzindo o espectador por uma sequência de momentos intensos junto aos heróis.

Eu acho curioso ver esse Homem-Aranha sempre dependendo de outros heróis nos filmes. Até entendo que isso ajuda a ligar as histórias e atrair mais público.

Contudo, os filmes de Sam Raimi, por exemplo, mostram que o herói funciona muito bem sozinho em seu próprio universo. Vejo essas mesmas qualidades em Tom Holland. Por isso, é um desperdício não explorar por completo os vilões, a cidade e o mundo particular dessa versão do herói.

Outro ponto, X-Men no filme do Homem-Aranha!

Não recebi bem a ideia de descartar um vilão do Aranha para colocar no lugar uma “vilã” que virá a ser importante no Universo Mutante.

O trabalho de Sadie Sink é excelente, e ela certamente será uma ótima Jean Grey nos projetos dos X-Men. Ainda assim, prefiro ver novos rostos dando vida a personagens icônicos que realmente façam parte do universo do Homem-Aranha.

No mais, além de equilibrar bem ação, diversão e o drama de seus protagonistas, Um Novo Dia dá o pontapé inicial no universo mutante da Marvel. Ainda deixa Peter Parker como o estopim para um dos maiores conflitos enfrentados pelos X-Men.

#tomholland #Zendaya by @entrefilmes_
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2 months ago
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Crítica: A Odisseia

A adaptação dos épicos de Homero consolidou-se como o alicerce da literatura ocidental, estabelecendo as bases para as narrativas heroicas que tanto amamos.

#Christophernolan reimagina o clássico épico em sua A #Odisseia. O resultado é o seu projeto mais ambicioso e desafiador já levado aos cinemas.

Bem, filmado integralmente em IMAX 70mm, Nolan soube usar essa grandiosidade técnica para promover o longa com maestria.

É uma obra que reverbera na mente e no corpo do espectador, consolidando-se como o maior trabalho do diretor. 

Como de costume, Nolan faz tudo em seu filme ser épico. Seja nas criaturas mitológicas e jornada de seu protagonista, o diretor prioriza por locações reais, animatrônicos e maquiagem como forma de usufruir da fotografia vinda do IMAX, garantindo tudo o mais verossímil e avassalador a cada frame. 

Sendo o padrão em projetos do Nolan, a produção conta com Matt Damon, além de nomes como Anne Hathaway, Tom Holland, #Zendaya, Robert Pattinson e Charlize Theron.

Por se tratar de um filme extremamente caro e de difícil execução, Nolan usou seu prestígio para reunir um elenco estelar. Essa estratégia não apenas garantiu atores experientes em cena, mas também aguçou a curiosidade do público em vê-los dar vida a grandes figuras da mitologia grega. 

A adaptação acerta em manter a estrutura não linear do material original. Os momentos mais marcantes da jornada de Odisseu estão presentes, e as cenas de batalha são tão poderosas e intensas que é impossível piscar os olhos. 

Nolan traz uma faceta de horror inédita em sua filmografia. A montagem e o enquadramento tornam essas sequências perturbadoras, gerando um desconforto físico e imediato, magistralmente amplificado pela magnitude da trilha sonora de Ludwig Göransson.

No mais, A Odisseia se destaca como um dos projetos mais brilhantes de Nolan. É, sem dúvida, o maior épico já feito para ser sentido na tela grande. 

Logo, mais do que ressignificar a ida — ou melhor, reforçar a grandiosidade de se assistir a um filme na telona —, o diretor transforma a experiência em uma obra épica. Afinal, é exatamente essa catarse que buscamos vivenciar ao sair de uma sala de cinema. by @entrefilmes_
2
2 months ago
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Crítica: Supergirl

Fica a reflexão: 

Por que produções que desafiam o status quo, como histórias de imigrantes que peitam bilionários e personagens que desmantelam redes de exploração, frequentemente enfrentam tantas críticas? 

Será que o incômodo é pela execução da obra ou está na mensagem social?

Bem, sobre isso a resposta todos nós já sabemos. 

O segundo projeto do novo universo da DC finalmente chegou. E desde o seu pontapé inicial, #Supergirl teve que lidar com uma enxurrada de críticas e ataques, desde a escolha da personagem em si até a aparência de Milly Alcock na pele de Kara Zor-El. 

E mais do que o filme em si, o que realmente me marcou foi ver pessoas ao meu lado se divertindo tanto quanto eu, me lembrando do verdadeiro propósito do cinema de aventura e, principalmente, das histórias de super-heróis: Despertar emoções.

A verdadeira força da Supergirl está no contraste entre ela e Clark. Enquanto um assimilou os valores da Terra, Kara carrega o trauma de ter visto Krypton morrer.

 "Ele vê o bem em todos. Eu vejo a verdade". 

E escalar #Millyalcock para dar vida a uma personagem tão vulnerável, que busca desesperadamente por um propósito e, acima de tudo, por um lugar para chamar de lar, foi um acerto gigantesco.

O cerne da história é a sua jornada contra tudo e todos para salvar o único elo que lhe restou com seu lar: Krypto. 

No fim das contas, existe motivação mais humana e verdadeira do que lutar por aquilo que nos faz sentir em casa?

Em síntese, a evolução da personagem é bem estruturada, utilizando flashbacks que expõem de forma clara tanto a sua dor quanto a sua revolta contra o mundo. 

“Krypton não morreu em um dia. Os deuses não são tão legais.” 

Mesmo que o vilão seja extremamente fraco, o longa compensa com ótimas cenas de ação. O #Lobo, vivido por #Jasonmomoa, adiciona uma dose de diversão à trama, enquanto Ruthye acompanha Kara, atuando como uma guia para lembrá-la de sua verdadeira essência.

"Apenas seja boa." 

Supergirl vale e muito a ida ao cinema. É um prato cheio para quem prefere se divertir com a jornada da heroína, em vez de apenas embarcar nas críticas vazias de quem não sabe mais como aproveitar um filme. by @entrefilmes_
3
3 months ago
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Crítica: Toy Story 5

Mais do que uma simples aventura, Toy Story 5 usa o universo dos brinquedos para tocar em uma ferida moderna: o impacto da tecnologia na infância.

A franquia dá um passo importante ao debater o papel da tecnologia na infância, mostrando como o entretenimento digital afeta a socialização e o desenvolvimento emocional das crianças na atualidade. 

Desde o lançamento de Toy Story 4, muitos espectadores e críticos argumentam que a franquia deveria ter tido seu ciclo concluído de forma definitiva no terceiro filme. Mas não devemos ser tão saudosistas em relação aos filmes, afinal, não cabe a nós decidir quando uma franquia chega ao fim. 

Sendo assim, um filme não é feito para atender a apenas uma pessoa, mas a um público amplo. Ele acolhe tanto os fãs que acompanham a franquia quanto os novatos que estão descobrindo esse universo pela primeira vez.

E é isso que o #toystory faz de melhor em todo esse tempo: evolui com a gente.

Pelo material de divulgação de Toy Story 5, o temor dos brinquedos diante da tecnologia já era esperado. No entanto, o filme vai muito além de uma simples disputa, a produção surpreende ao aprofundar o impacto emocional e social que as telas exercem nas crianças hoje.

A narrativa aborda como essa nova forma de “brincar” impacta diretamente a imaginação infantil e a maneira como as crianças compartilham suas experiências entre si. 

Ao abordar o contexto social contemporâneo, #ToyStory5 redefine o papel dos brinquedos. Mais do que objetos, eles são instrumentos vitais para o desenvolvimento da imaginação e a construção de vínculos afetivos na infância, mostrando sua importância em um mundo cada vez mais dominado pelas telas. 

Ainda assim, a narrativa utiliza Jessie como o principal fio condutor para explorar a preocupação dos bonecos. 

O espírito aventureiro de Jessie é o grande motor do filme. Como protagonista, ela comanda a emoção e a diversão da história, muito bem acompanhada por Woody, Buzz e outros personagens tão carismáticos.

Divertindo e emocionando, Toy Story 5 traz uma proposta inteligente, atualizando com maestria a importância dessa franquia na vida de diferentes gerações.

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#disney #pixar by @entrefilmes_
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3 months ago
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Crítica: Dia D

Quando lembro da minha infância, costumo viajar de volta aos momentos emocionantes que vivi no cinema e na TV de casa.

E muito mais do que despertar o meu fascínio pelo cinema, Steven Spielberg me deu o melhor refúgio da realidade: a magia de suas aventuras. 

Neste retorno ao gênero que o consagrou, Spielberg nos presenteia com uma ficção científica que, mais do que explorar o desconhecido, funciona como um lembrete vívido da sua maestria no cinema. 

Dia D carrega em seu cerne a assinatura visual inconfundível de Spielberg. Através de movimentos de câmera fluidos, enquadramentos arrojados e rostos marcados pelo medo e pela surpresa, o diretor não se limita a reciclar o passado. Ele traz a nostalgia à tona, provando sua maestria em criar experiências magnéticas pensadas exclusivamente para a tela grande. 

E é aí que se encontra a beleza desse projeto!

O grande acerto de #diad é a construção do mistério e a forma como a trama revela seus elementos narrativos em doses homeopáticas, mantendo o público envolvido do início ao fim.

A trilha sonora de John Williams desempenha um papel especial. Por meio de arranjos precisos, o maestro enriquece a narrativa e nos envolve de tal forma que não apenas recordamos os clássicos dos anos 80 e 90, mas nos sentimos parte da própria história. 

O roteiro articula a trama em torno de temas como religião e mídia televisiva, sugerindo uma eventual escalada para proporções globais.

Apesar de superficiais, essas passagens nos mostram a magnitude do impacto que seria testemunhar algo totalmente alheio ao nosso cotidiano.

Em relação ao elenco, #joshoconnor compensa a falta de background de seu personagem com uma fisicalidade e expressividade brilhantes. 

Paralelamente, #emilyblunt divide o protagonismo com maestria, destacando-se intensamente toda vez que sua personagem desafia o óbvio. 

Em Dia D, Steven Spielberg entrega mais um projeto grandioso. 

Embora a narrativa sofra com alguns deslizes e conveniências de roteiro, o longa compensa essas falhas com o talento inegável do diretor. 

O resultado é uma trama envolvente, feita sob medida para ser apreciada na grandiosidade do cinema.

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#stevenspielberg by @entrefilmes_
2
3 months ago
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Filme: Um Cabra Bom de Bola

Disponível no catálogo da HBO Max, Um Cabra Bom de Bola consolida a boa fase da Sony Pictures, Após o grande sucesso de produções como Homem-Aranha no Aranhaverso e Guerreiras do K-pop. 

Produzida pelo astro da NBA Stephen Curry, Um Cabra Bom de Bola é um espelho do início da trajetória do atleta. 

A animação vai além das habilidades em quadra e aborda a forte desconfiança que Curry superou no início da carreira, provando que tamanho não define talento.

Bem, Um Cabra Bom de Bola, joga no seguro quanto ao seu desenvolvimento narrativo, trazendo a clássica trajetória do herói improvável. 

Embora a narrativa conduza a um desfecho previsível, a obra se revela inspiradora para os pequenos que cultivam grandes sonhos. Trata-se de uma experiência que diverte e deslumbra visualmente a cada cena.

Dito isso, com uma qualidade visual absurda, Um Cabra Bom de Bola não mede esforços em cada traço dedicado ao longa. 

Com uma direção de arte que brilha nos pequenos detalhes e na composição da atmosfera do protagonista, o filme se consolida como uma experiência visualmente marcante e cativante. Soube explorar seu universo lúdico, entregando uma experiência divertida e encantadora. 

Além disso, o trabalho de dublagem é esplêndido. A excelente adaptação do título, aliada ao uso de nomes, sotaques e gírias regionais, gera uma forte proximidade com o público brasileiro, despertando um carinho ainda maior pelo protagonista.

Com seu belíssimo estilo visual e personagens marcantes, cada um com sua própria personalidade, Um Cabra Bom de Bola entrega uma história acolhedora para as crianças e uma diversão extra para os adultos, conquistando até os amantes do basquete com entretenimento do começo ao fim.

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#goat #stephcurry #sonypictures #animação #filme by @entrefilmes_
1
5 months ago
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Crítica: Dias Perfeitos 

Será que vivemos o mesmo dia todos os dias? 

Uma pergunta que comecei a me fazer após assistir Dias Perfeitos de Wim Wenders.

Em Dias Perfeitos, Hirayama transforma a repetição em arte. Mesmo repetindo os mesmos horários e tarefas, ele vive o presente com tamanha atenção que transforma o cotidiano em uma experiência única e renovada diariamente.

Este retrato impacta ao evidenciar que, enquanto o tempo insiste na repetição do dia, a vida ao redor se transforma incessantemente.

Ou seja, Hirayama percorre o mesmo caminho diariamente, mas ao decidir não reviver o passado nem ânsia pelo futuro, ele transforma o agora em um momento único. 

Ao fazer do presente seu único horizonte, ele descobre a beleza oculta no cotidiano, transformando a rotina em uma oportunidade contínua de contemplação.

“Da próxima vez é da próxima vez. Agora é agora"

Outro aspecto notável na sua trajetória é a maneira como interage com o próximo, ou mais precisamente, a notável escassez dessa interação.

Inicialmente, a rotina de Hirayama sugere um desejo de isolamento e desconexão. Contudo, quando brechas se abrem para o contato humano, o mundo do personagem se expande.

Percebe-se, portanto, que sua solitude não é uma recusa ao outro, mas sim uma dificuldade de se conectar com um mundo apressado, que esqueceu como valorizar as pequenas coisas.

“O mundo é formado por muitos mundos. Alguns estão conectados, outros, não.”

Longe de ser um mero drama, Dias Perfeitos funciona como um manifesto sobre a valorização do agora.

Conectar-se com o mundo exige presença real. Significa estar por inteiro com quem amamos e, principalmente, em conexão com nós mesmos. 

Isso pode soar como utopia, eu sei. Mas, pensando bem, talvez seja uma das questões mais fáceis de resolvermos, não acham?

Mesmo tendo sido lançado em 2023, tenho o desejo genuíno de que Dias Perfeitos chegue ao maior número de pessoas possível. O longa está no catálogo da Netflix e tenho certeza de que esse projeto pode mudar sua vida, assim como mudou a minha.

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#perfectdays #wimwenders #netflix #critica by @entrefilmes_
4
6 months ago
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Crítica: O Drama

Em 2026 teremos três projetos em que Zendaya e Robert Pattinson vão estrelar juntos. 

Diferente dos demais, ambos protagonizam O Drama, uma comédia que chamo de “humor de desconforto”, que escancara um horror corriqueiro na sociedade americana e também o nosso modo de vida moldado pela performance e validação das bolhas virtuais.

A partir disso, deixo uma pergunta: 

O passado abominável de alguém é capaz de anular o amor que você sente agora?

O longa de Kristoffer Borgli, O Drama, reflete sobre essa temática ao mesmo tempo em que questiona a rapidez dos julgamentos alheios, ignorando as circunstâncias que levam um indivíduo a cogitar tal atitude.

O filme remete ao nosso comportamento virtual: a rapidez com que fofocas e dúvidas se tornam opiniões contundentes sobre fatos que desconhecemos.

E é aí que Zendaya e Robert Pattinson brilham!

Enquanto Emma (Zendaya) encara o possível acontecimento sem remorsos, convicta dos motivos que a levaram a agir. Em contrapartida, Charlie (Pattinson) desmorona com a revelação, sem conseguir disfarçar o pânico que o domina.

Ao lado de uma fotografia observacional de Arseni Khachaturan e, uma montagem que brinca com o real e o imaginário, O drama orquestra um cenário caótico, onde os personagens se perdem no labirinto de suas próprias convicções.

E isso é de suma competência no roteiro, visto que mesmo não escolhendo nenhum lado, o texto evidencia o cerne de toda a discussão: A hipocrisia coletiva. 

No mais, O Drama aposta na comédia do desconforto, propondo um material excelente para discussão e também para seu elenco brilhar do começo ao fim.

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#zendaya #robertpattinson #thedrama #odrama #filme by @entrefilmes_
1
6 months ago
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Crítica: Close

Houve um período que me afastei do cinema, especialmente de produções não comerciais. 

De forma inesperada, um filme me trouxe uma pessoa que, por sua vez, me indicou outro longa que definitivamente irei carregar na memória por muito tempo. 

Ao abrir mão de diálogos expositivos e atuações exageradas, Close prioriza a essência do cinema: o ato de sentir.

Bem, dirigido por Lukas Dhont e escrito em parceria com Angelo Tijssens, Close estabelece em seu pôster o que realmente importa nesse projeto: o olhar de uma criança. 

Logo nas primeiras cenas observamos duas crianças brincarem, imaginando que estão sendo perseguidas por outras pessoas. Em seguida, vemos elas correndo por um plantação e, logo depois, temos elas deitadas ao ar livre com a mãe de um deles. 

Léo e Rémi, apenas sentem o que os cerca e absorvem da forma mais mágica possível, esses momentos que eles compartilham juntos.

E o que ousaria arruinar algo tão belo? Pois bem, o que também os cerca!

Ou seja, Close consegue o feito de trazer à tona o debate sobre a masculinidade, pressão social e, principalmente, a construção da própria imagem perante os outros. E mais do que ouvir, o filme nos faz ver e, acima de tudo, sentir.

Close utiliza a iluminação natural, cores vivas e enquadramentos precisos, como forma de forçar o corpo dos atores a falar, sem que precise dizer uma única palavra. E digo mais, a narrativa gera desconforto, pois as palavras não ditas recaem inteiramente sobre o espectador.

No mais, Close é um filme para se sentar, abrir os olhos e sentir. É um convite a apreciar o belo trabalho de Eden Dambrine e a refletir se nós estamos contribuindo para uma sociedade melhor, para que o drama central do filme não se torne mais realidade.

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#close #netflix #critica
#cinema #mubi by @entrefilmes_
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6 months ago
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Crítica: Devoradores de Estrelas

Baseado no livro de Andy Weir, #projecthailmary é o primeiro grande filme do ano, e a primeira aposta do Prime Video de se colocar nas salas de cinema do mundo todo. 

Dirigido pela dupla Phill Lord e Chris Miller e estrelado por #ryangosling o longa aborda a ficção científica dentro de uma aventura espacial encantadora do começo ao fim.

Bem, o encanto por esta proposta deve-se à forma como o projeto aborda a ficção científica. Diferente da tendência atual de buscar justificativas científicas complexas ou tons excessivamente sérios, esta obra trilha um caminho próprio.

Mesmo assim, Drew Goddard e Andy Weir não deixam a abordagem científica de lado, apenas decidem percorrer por um caminho de mais fácil entendimento, relacionado diretamente com a personalidade e dinâmica que veríamos com o decorrer do filme. 

E é aí que se encontra toda a magia desse projeto!

Pois, poucos atores conseguem dizer tanto fazendo tão pouco como Ryan Gosling. Sua atuação é um exercício de contenção, um uso sucinto de feições e trejeitos que cria personagens enigmáticos, intensos e irresistíveis. Ele desperta fascínio, tornando cada cena um estudo de presença.

E Grace é esse cara!

O filme apresenta também um dos alienígenas mais criativos e inimagináveis da ficção: Rocky. Longe de ser apenas um “animal de estimação”, essa pedra aranha possui uma personalidade marcante, tornando-se o companheiro ideal e essencial para as aventuras de Grace.

E como estamos falando de uma aventura espacial, Devoradores de Estrelas usa a trilha sonora esperançosa de Daniel Pemberton e a fotografia estupenda de Greig Fraser como forma de não só engrandecer os quadros que vimos em tela, mas para nos fazer sentir. 

O longa utiliza a montagem de forma inteligente ao qual proporciona contar o passado como forma de compreender o presente. O tom cômico é certeiro e contribui para nos fazer entender não só o caminho, mas o que esse filme pretende ser. 

Devoradores de Estrelas tem todos os elementos para consolidar-se como o filme Sci-fi de uma geração, além de te fazer lembrar do porque vale a pena sair de casa para ver um filme na tela grande. by @entrefilmes_
3
6 months ago
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