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Nem juíza, nem pastora,
contadora de histórias.
•com poesia e borogodó
•casamentos e outros rituais
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Domingo a minha criança fez 8 anos. Luiza um a mais só do que a “escritos e ritos”. Lembro de ainda estar amamentando quando a caçula veio ao mundo. Cria também. 

Veio no avançar desse mesmo mês, com a cerimônia da minha irmã, jogando em casa. No quintal de casa, com a família inteira de testemunha. 

Trabalhava escrevendo em revista à época, e tinha uma agência. Um bocado de inocência no olhar pra essa profissão a qual me entreguei com cara, coragem e coração. 

Eis-me aqui agora.
Altares, amores, gentes e histórias depois. Leitura, estudo, encontros…

Sem muitas certezas ainda, mas com uma vontade imensa de seguir experimentando, brincando com a palavra. Disso de levá-la a sério, 
mas não tanto.

Percebi que, conforme a gente se desenvolve, a vida nos devolve à infância. Mais maduro é quem se permite mais livre, quem peita os próprios desejos, o próprio jeito. 

Outro dia, Lulu disse que teve uma atitude infantil e logo depois emendou: mas sou criança. É esse o meu “querer” para as minhas duas meninas. 

Sê! Sejam! Sem “mas”. 
Sem mais 💛

comigo
marca: @daicavalcante 
captação e edição: @enbleer 
maquiagem: @biabritomakeup 
estudio: @ilumitstudio 
bolo: @brownie_chic by @escritoseritos
214
2 months ago
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Em 2026, eu celebro 7 anos celebrando. Meu primeiro setênio. Não sei direito o que isso quer dizer, mas dizem ser algo muito simbólico. Acredito.

Mal engatinhamos no mercado, recomendam que a gente crie uma fonte, aponte uma imagem, um conjunto de signos que nos represente. Uma identidade, coisa que para mim soa meio definitiva, feito aquelas listrinhas nos dedos que permanecem inalteradas por toda a vida.

Fiz isso. Era o que pedia o manual do início.
Logo delicado.
Verdinho claro,
folhagens,
rosa seco.

Não tinha certeza, tenho poucas até hoje, se usava o Lara Rovere ou o que chamam de nome fantasia. Decidi pela
fantasia. Pela cacofonia, um chamado à escrita moleca. Quase um trava-língua.
Três pratos de trigo para três tigres tristes.

escritos e ritos.

A palavra elevada a grau de brinquedo.
Uma marca que, enquanto amadurece, se infantiliza. Se infantiliza de propósito.
Que vê nesse criançamento o seu propósito.

Ainda não sei dar estrelinha, mas sigo gostando da palavra cambalhota. Também de pétala. Da palavra e da ideia em volta dela. Nenhuma crise com a efemeridade.

Vários pedaços ligados a um núcleo central, a celebracao do encontro e da passagem. Um desabrochar coletivo e contínuo. A gente, nasce, cresce, se desenvolve e devolve à infancia.

As marcas dela na minha marca.
No que deixo e no que levo. 
bem-me-quero, bem-me-quero, bem-me-quero. 

Mais livre, mais louca, mais lúdica, 
mais lúcida.

Mais colorida, 
com mais poesia e borogodó.
Mais vida.

marca desenvolvida pela amiga e parceirona de longa data @daicavalcante by @escritoseritos
62
2 months ago
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Sempre pergunto para os casais homoafetivos se eles desejam um tom político na cerimônia. Entenda por político algo muito além dos partidos e das pessoas que exercem a política oficialmente. 

O que comemos, consumimos, escolhemos, como vivemos, tudo é político. 

Recentemente, ouvi de um noivo que não precisava porque ele acreditava que já deveríamos estar na página seguinte, da naturalização. 

Demonstrar afeto em público, ocupar o mesmo altar, se tornar família, adotar um filho. Por que o exercício do amor ainda causa tanto espanto? 

Muitos falam sobre as crianças, em discursos deturpados (para dizer o mínimo). Já eu acredito plenamente que não há no mundo melhores professores para nos ensinar a naturalizar o natural, ver como sagrado o que os caretas insistem ser pecado. 

Minha filha tem só cinco anos. No quadro de cortiça do quarto onde eu trabalho tem fotos de duas mulheres vestidas de branco, de mãos dadas. No meu celular, além de Arianna e Raíssa, tem Ciro e Luciano, Fabiana e Luana, Raphael e Aurivan, Amanda e Carla, Pedro e Raul, Renata e Cecília. 

Certa vez, ela observou: são duas noivas, mamãe? “São sim, filha”, respondi. 

Luiza voltou a brincar de massinha, ler o livro que tinha em mãos, assistir à televisão. Confesso que não recordo, poderia ser qualquer uma dessas alternativas.

Não me fez nenhuma pergunta. Não me olhou assustada. Entendeu aquilo como “duas pessoas que se amam” e pronto. 

Lembrei da resposta de Luciano à mim na entrevista. Lamentei, lamento que ainda não tenhamos chegado nesse ponto. 

Estamos na mesma página de décadas atrás. Batendo na mesma tecla. Enquanto isso, a comunidade LGBTQIAPN+ ainda apanhando, morrendo, lutando por algo tão básico quanto o direito de amar e ser amado, de ter sua história reconhecida pelo Estado, que, lembremos, É LAICO. 

O Estado é laico
Os corpos são livres
E o amor, meus amores, é para quem quiser, se dispuser a amar, a transformar o substantivo masculino em verbo. Ação não tem gênero, sexo, cor, credo, religião. 

É o que é. O que faz, move, transforma.

É impossível parar o verbo. O verbo não retrocede. ✊🏻💛🌈 by @escritoseritos
117
3 years ago
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“Da adolescência até o altar, e do altar, para a vida inteira.” Rayssa e Álvaro na Taíba 🩶

directed by: @vhfilms____ by @escritoseritos
31
a day ago
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Para Luiza & Caio, no calor do Ceará. 🤍 by @escritoseritos
25
24 days ago
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essa cena, vivida na última sexta-feira, não saiu de mim. Dona Elzaria repetindo o movimento do casamento religioso, jogando o primeiro punhado de arroz no peito dos dois, de Ana Stela e de Igor. Também esparramaram suas bênçãos os demais avós e os pais. 

Normalmente, esse “toró” de amor [repare aqui minha manobra pra não repetir a palavra bênçãos, toc de jornalista/escritora rss] acontece ao fim da cerimônia. Optei por inverter a lógica e trazer esse momento logo no comecinho.

 
vídeo: @zalens.co by @escritoseritos
13
24 days ago
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Fragmentos - Bruna & Igor ✨ by @escritoseritos
99
a month ago
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Se conheceram na faculdade de Medicina. Ele chegando, ela um semestre na frente. Da calourada, marcou a pele pálida em contraste ao cabelo ruivo que, uow, não sabia se era efeito do vinho São Braz ou se de fato nunca tinha visto um tão bonito. As primeiras impressões anteriores às primeiras palavras, que se deram na disciplina de habilidades médicas, onde Tati era monitora. Fazer punção, lavar as mãos. Aprendizados básicos.

Tão básico quanto saber higienizar corretamente essa que também é uma ferramenta de trabalho, é entender o perigo da expressão no seu sentido figurado. Lavar as mãos para a assepsia, sim; lavar as mãos para a dor do outro - no sentido de se omitir, de desistir, de ser indiferente -, nunca. Para ser um bom médico é fundamental ter um bom coração. “Conhecer todas as teorias, dominar todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, ser apenas outra alma humana”. 

O começo empacou, falta de traquejo dele, tentativas dela de empurrá-lo para uma amiga e um gelo que só começa a ser quebrado no grupo de WhatsApp, com aquele GIF do Capitão América seguido de risadinhas e do comentário “olha aí, Tati, ele gosta das mesmas coisas que você”.

A coragem para chamar pra sair veio depois de assistir, sozinho em casa, ao filme Questão de Tempo. Era mesmo questão de tempo. Mais hora menos hora, saiu o primeiro encontro oficial, no cinema do RioMar, sob o pretexto de conferir a atuação do ator que havia sido anunciado como o novo homem-aranha. 

Assistiram a um filme horrível sobre náufragos perdidos no mar e dividiram uma pizza brotinho na Domino’s. Para ela, ótimo; para o apetite dele, insuficiente. Não tapou nem o buraco do dente. Depois de deixá-la, sobrou para o drive-thru do McDonald’s. 

O beijo veio depois, num terceiro encontro, no meio da pista do Órbita. My place, a canção do disco do coldplay com uma lua na capa, tocando, Alexandre coloca a mão na nuca dela e, pronto, está feito. Está feito. O beijo. Um corpo girando em torno do outro, como um planeta ao redor do sol. Ao pôr do sol, o ano também se pondo, o que tinham ganhou nome. Um corpo girando em torno do outro, dois universos se encontrando numa dança. Rock japonês, mangá, revista em quadri by @escritoseritos
3
a month ago
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Dos apelidos aleatórios, porque ninguém mais no mundo conhece o Xandect como a Tati. Li num livro que os pais e namorados talvez gostem tanto de fazer isso por acharem aquela pessoa tão rara, tão inédita que merece um nome nunca antes pronunciado, um nome só pra ela. Só pra ele.

Pro amor, essa coisinha maluca que nos reúne aqui, neste tempo e espaço, mas que faz parte de uma teia imensa, que começa muito antes. Com a mulher que, em 1985, bancou seu desejo de ir ao show do Queen, mesmo após ouvir: “se você for, tá acabado. Não sou mais seu namorado”. Foi e voltou por cima da carne seca, com ele, o rabinho entre as pernas, pedindo para reatar. A mesma que, viúva, tomou conta de três filhos, a caçula de colo ainda, deu de comer, de estudar, de amar. Tomou grandes e pequenas decisões, algumas que, mesmo sem saber, transformaram para sempre o curso de suas existências.

“Se a medicina cura, a arte idem. Não é que, a partir dela, a gente se liberte da mazela da alma, mas, como disse Denise Fraga, se você tem aquele conto da Clarice Lispector que você leu, se você tem aquela música do Chico Buarque... você continua chorando, mas se puder cantar a música do Chico enquanto sofre - ou se recorre ao filme O Rei Leão, com o Simba aprendendo a lidar com a dor do luto, a enxergar o Mufasa naquela natureza vasta diante de si, em tudo -, você encontra consolo na fraternidade e, de alguma maneira, embeleza o seu sofrimento. A arte serve para livrar a gente da mediocridade dos dias, recuperar o fascínio pela vida.” 

Alexandre lembra de, já marmanjo, sair da reexibição de E.T no cinema e fazer uma ligação. “Mãe, obrigado, viu? Gosto do que gosto e sou o que sou pelos filmes que a senhora me levava para ver”. Ela só queria te entreter, mal sabia que estava te formando.

A relação de Tati com a arte também vem de casa. Na primeira infância, as lembranças todas misturadas: as sessões de quimioterapia, para tratar o tumor descoberto graças ao cuidado da irmã, professora, amiga e, não tivessem perdido o timing, dupla no BBB 25, com o aconchego do pijama do snoopy e dos ensaios do pai, seu primeiro rockstar. A mãe que, numa viagem à São Paulo, ignorou o tédio das filhas e as arrastou by @escritoseritos
12
a month ago
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Encontrar alguém que fale as mesmas besteiras, que goste das mesmas besteiras. Que não veja nas diferenças barreiras. Que faça delas pretexto e convite. “Ó, esse aqui é o meu universo. Quero você nele”! 

Construir uma relação da qual se é parte e todo. Completo individualmente, completo em razão de outros afetos. Pai, mãe, padrasto, vô, vó, irmãs, uma carrada de primo, Lolinha, sobrinhos. Não fazer amizade nenhuma antes do casamento, o lembrete. Empecilho: fazer amigos até bebendo leite. Que dirá jogando vôlei. “A Tati é dona de um carisma que, sorriu, já era”.

 Celebrar uma parceria onde se tem com quem dividir a responsa, a bronca da vida adulta, as brincadeiras e o dia. Por isso, diferente. Por isso, dizer: “eu sou fã da gente”. Tão fã quanto do Jonas Brothers e do BTS.  Ou quase, vai! Quanto do filme Homem Aranha 2 e de revista em quadrinho. Rever a vida inteira, quadro a quadro.

Sair do primeiro encontro com aquela sensação de “vai ser, já é”. As peças todas se encaixando, como um lego gigante, como as ferramentas de um relógio que funcionam de maneira muito síncrona a cada instante em que estão juntos.

“As únicas pessoas felizes são as que atravessam o tempo entregues ao amor”. O amor, essa coisinha maluca de cabelo de fogo, ou do jeito nerd. Da comédia romântica boba, água com açúcar, que faz o canto da boca se repuxar num sorriso que se forma involuntariamente, faz doer a bochecha da gente. Dos espetáculos e das canções. Your song. Sua canção. Todas para você, desde então. All about you. 

“Ontem você me perguntou algo que pensei que você já sabia, então te disse com um sorriso: é tudo sobre você. Você sussurrou no meu ouvido que eu faço a sua vida valer a pena. Eu atenderia a todos os seus desejos se você me pedisse, mas se você me negar um dos seus beijos, não sei o que faria. Então me abrace forte e diga aquelas três palavras como costumava fazer, enquanto a gente dança nos azulejos da cozinha: tudo sobre você.”

Do buquê de flores depois que a cortina se fecha. Um dos momentos preferidos: assisti-la no palco e se sentir o Peter Parker vendo a Mary Jane no teatro. Sentir que ainda há esperança quando tudo vira de cabeça pra baixo. No meio da pande by @escritoseritos
9
a month ago
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Mais louco ainda, casal, é que aí é que está a beleza da história de vocês. Na imperfeição que não traz vergonha. Ao contrário. É exibida com orgulho, como a técnica japonesa de remendar com ouro cerâmicas quebradas. Kintusgi. 

A própria palavra imperfeito, aliás, vem de outra, em latim, que significa não acabado, não concluído. Algo imperfeito é algo que está vivo. Não se joga fora. No jogo. 

mais um trechinho a seguir >>

Ainda que diferentes, se escolheram. Ainda que largados, não se largavam. 

Lembra quando você passou no vestibular, lá no Guarujá, e ligou pro Denis, Raquel? Ele ficou feliz e ficou triste. Te encorajou. E, depois, quando você acabou indo para Mogi Guaçu, deu um jeito de ir também. Criou uma máquina mais rápida que a dúvida, mais súbita que a lágrima, viajou a toda força e, num instante de saudade e de dor, chegou pra dizer: “eu vim te ver”. 

Para que Raquel e Denis voltassem ao começo, sentissem na boca o frescor do primeiro beijo, muito embora seja esse aí, o de casados, também um primeiro, levei halls de melancia. 

🩷

@porestaseoutras

e esse visu? céu de brigadeiro, como @raquelvacarelli disse nos votos ☁️ by @escritoseritos
1
a month ago
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O dia de hoje como resposta à garota que olhava pra outra e perguntava: “miga, será que a gente vai casar”? Que cresceu entre o mar e a roça, catando concha, abraçando galinha, brincando de boneca, amarrando lençol no corpo para inventar moda. Que nem por um instante sequer ficou órfã de afeto, sempre um punhado de gente e memórias por perto.

 O “Boa noite, dorme com os anjinhos” que a filha de Heloísa pretende reproduzir quando tiver suas filhas, as mãos macias, cheirando a creme da Avon, luvas de silicone, a medicina por influência dela e graças a ele, o pai amoroso e presente, amigo, incentivador, protetor, a rocha, que nunca reclamou do colchão verde de tnt que você arrastava pro pé da cama. 

A Lucinha. A Maria, a Tereza e o Flávio. A vó Nana e o vô Dei. Até hoje casados, uma belezinha! Dançam juntos, se chamegam, bebem uma pinguinha... Adotaram o Denis como neto. Ela paparicando com quitutes, ele pintando o apartamento. A sogra, que se tornou também amiga, um desses afagos da vida que você, toda dengosa, quem sabe, ainda uma garotinha, Raquelzinha, tanto gosta de receber. “Talvez por não ter minha mãe, recebi essa colher de chá”. Um colherão, um caldeirão.

Partilhando o vestiário e o campo, a vida boa e a nem tanto, te enchendo de paz e segurança, segurando sua mão quer fosse no hospital ou passeando na rua, temos o guri do sítio, da horta, da bota e do canivetinho no bolso. O menino tímido transformado em homem expansivo, artista do palco e das panelas, que tem na alquimia dos temperos sua Disney. Ainda e sempre, ainda que seja outro, um garoto. Porque é isso que um homem e uma mulher, um homem e um homem, uma mulher e uma mulher, quando apaixonados, voltam a ser ao se encontrar. Mesmo com 13 bilhões de anos de existência, a idade do céu, com mais de uma década de relacionamento, adolescentes, se aprendendo. “É muito tempo, e a gente não aprendeu tudo ainda. Que louco!”. taken in Poços de Caldas - MG by @escritoseritos
10
a month ago
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