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Alô, amizades!

Vou compartilhar com vocês, em um workshop, parte do que venho pesquisando em meu mestrado sobre como a fotografia pode criar novos estilos, narrativas e maneiras de olhar a partir de um pensamento decolonial.

Para isso, vamos voltar um pouco no tempo e entender como a fotografia se relacionou com o colonialismo e como ela foi construindo, ao longo da sua história, esse lugar de documento, prova e evidência.

Vamos falar também sobre como essas ideias atravessaram a fotografia científica, a fotografia documental e o fotojornalismo — e como, hoje, a fotografia contemporânea vem questionando essas formas de representação e criando outras possibilidades artísticas para as imagens.

Serão três encontros para pensar fotografia, história, colonialismo e, principalmente, como podemos romper com alguns desses legados na nossa própria maneira de produzir imagens.

O workshop é aberto para quem fotografa, trabalha com imagens, estuda arte ou simplesmente tem curiosidade sobre o assunto. Não precisa ter conhecimento prévio.

📅 03, 10 e 17 de novembro
🕖 19h às 21h
💻 Online, via Zoom
🎥 As aulas ficarão gravadas por uma semana.

R$ 350 à vista
R$ 400 via PayPal

As inscrições estão abertas pelo link da bio:

https://www.guichrist.com/workshops/decolonial/

Espero vocês por lá e compartilhem com quem interessar. ❤️ by @guichrist
11
19 days ago
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🇧🇷 A cabeça é um vaso sagrado.

Do iorubá vêm duas palavras
que carregam um mundo de saber:

Igbá, vaso.
Ori, cabeça.

Um assenta o sagrado.
A outra, o destino.

No terreiro, os dois têm o mesmo trato:
reza, folha, água e canto.

Porque o sagrado afro-brasileiro não nasce pronto,
nem se firma de qualquer jeito.

É coisa que se planta,
se cuida, se alimenta
e se mantém viva.

Num país em que há séculos
mata corpos negros e periféricos
e tenta embolar nossos pensamentos,
cuidar de Ori é fundamento de vida fluindo.

É não deixar que a coloniedade, a branquitude e o racismo
tirem do rumo a receita que nos dá caminho.

Corpo forte,
Ori firme
e axé correndo.

*** o Igbá é cenográficofico ***

Parte do meu trabalho em andamento sobre as mitologias afro-brasileiras e o racismo religioso,
M'kumba.

::::

🇬🇧 The head is a sacred vessel.

In Yoruba, two words
carry a world of wisdom:

Igbá, a sacred vessel.
Ori, the head and one’s destiny.

One holds the sacred.
The other, the course of a life.

In Afro-Brazilian spiritual traditions,
both receive the same care:
prayer, leaves, water and song.

For the sacred is not born fully formed,
nor does it take root just any way.

It is planted,
tended, nourished
and kept alive.

In a country that, for centuries,
has killed Black and marginalized people
and tried to cloud their minds,
caring for Ori is a life-sustaining principle.

It means refusing to let colonialism,
white supremacy and racism
lead us away from what grounds us
and the paths that carry us forward.

An awakened body,
a steady Ori,
and life force still flowing.

Part of my ongoing work on Afro-Brazilian mythologies and religious racism, M'kumba. by @guichrist
7
a day ago
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🇧🇷 Cuidar de quem veio antes é cuidar de quem ainda vem.

Quem cruzou à força o Atlântico no porão aprendeu na pele:
ninguém vence a violência do mundo sozinho.

Quando o banzo baixava,
tinha palavra pra firmar o ori.
Quando o feitor batia,
tinha mão que levantava.
Quando a fuga era o jeito de seguir vivo,
tinha ombro que corria lado-a-lado.

Nas frestas da escravidão,
o cuidado virou fundamento.

Nos quilombos, nas irmandades e nos terreiros.
Lutava-se. Organizava-se. Cuidava-se.
E ainda faz.

Ensinamento antigo, lá das bandas de Oyó.

Quando Ọ̀ṣàálá precisou,
Ṣàngó não deu os ombros.

Botou o pai nas costas
e cruzou meio mundo pra levá-lo pra casa.

Zelar por quem veio antes
é cuidar das raízes
pra vida ter tronco firme
e quem ainda vem
encontrar vida florescendo.

Parte do meu trabalho em andamento sobre as mitologias afro-brasileiras e o racismo religioso, M'kumba.

::::

🇬🇧 To care for those who came before is to care for those still to come.

Those forced across the Atlantic in the holds of slave ships learned through suffering:
no one survives the struggle alone.

When grief sank deep,
there were words to steady the mind.
When the overseer struck,
there was a hand to lift you up.
When escape was the only way to stay alive,
there was a shoulder running by your side.

In the cracks of slavery,
care became a way of life.

In maroon communities, in mutual-aid brotherhoods, and in sacred communities.

They fought. They organized. They cared for one another.
And they still do.

An ancient teaching, from the lands of Ọ̀yọ́.

When Ọ̀ṣàálá was in need,
Ṣàngó did not turn away.

He carried his father on his back
and crossed half the world to bring him home.

To honor those who came before
is to tend our roots,
so life may grow a strong trunk
and those still to come
may find life in bloom.

Part of my ongoing work on Afro-Brazilian mythologies and religious racism, M'kumba. by @guichrist
3
2 days ago
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🇧🇷 Criança é mandinga de futuro melhor.

Nos terreiros, a festa da meninada é dupla.

No 27 de setembro,
Cosme e Damião fazem a festa.

Hoje, 12 de outubro,
o fuzuê é outro.

É dia de paparicar a criançada.
Agradecer a quem faz da brincadeira
um ofício danado de sério.

De retribuir o axé e o carinho
de quem chegou como presente no nosso dia a dia.

Porque mimo também é oferenda
é cuidar com encante de quem chega
sem amarrar os passos de quem cresce.

É dar fundamento pra cabeça,
deixar a imaginação correr solta
e ensinar o orí a gingar
nas rasteiras que o mundo dá.

Pra essa gente miúda
crescer inventando outras saídas
e fazer do amanhã um lugar melhor 
pros bacuris que ainda vêm por aí.

Parte do meu trabalho em andamento sobre as mitologias afro-brasileiras e o racismo religioso, M’kumba.

::::

🇬🇧 Children are a spell cast for a better tomorrow.

In Afro-Brazilian sacred houses,
the children have two celebrations.

On September 27,
Saints Cosmas and Damian have their day.

Today, October 12,
the mischief takes another turn.

It’s a day to spoil the little ones.

To honor those who make play
a craft they take mighty seriously.

To give back the love and joy
of those who came into our lives as gifts.

Because a small kindness can be an offering
is to care for the soul that arrives
without tying knots around the life still unfolding.

It is to give the mind its grounding,
let the imagination run wild,
and teach the inner self to dance
through the blows the world can deal.

So these little ones
can grow up finding new ways forward
and make tomorrow a better place
for the children yet to come.

Part of my ongoing project, M’kumba, exploring Afro-Brazilian mythologies and religious racism. by @guichrist
2
3 days ago
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🇧🇷 A mãe de todos os altares.

Num Brasil marcado pelas quizilas do colonialismo,
sincretismo também foi mandinga de liberdade.

Nossa Senhora Aparecida.
Dandalunda.
Oxun.

Nomes que se encontram
numa imagem só.

Uma mulher negra.
Da cor do povo que escolheu amadrinhar.

Porem, racismo e misoginia
não respeitam nem o sagrado.

Sua imagem, chutada ao vivo na TV por extremistas.
Seu nome, ao lado de Exu, associado ao diabo.
Seus templos, invadidos e depredados.

Mas nos terreiros e nas igrejas onde o amor é de verdade, tolerância é fundamento.

Por isso lembramos com carinho
quem amparou os nossos mais velhos
quando o chicote branco batia.
E faz do cuidado recebido até hoje
abrigo também para todos.

Parte do meu trabalho em andamento sobre as mitologias afro-brasileiras e o racismo religioso, M'kumba.

:::

🇬🇧 The Mother of Every Altar.

In a land scarred by colonial wounds,
blending faiths was also a way
to slip free of persecution.

Our Lady of Aparecida.
Dandalunda.
Oxun.

Names meeting
in one image.

A Black woman.
The color of the people
who chose her as their godmother.

Yet racism and misogyny
spare not even the sacred.

Her image, kicked on live television by extremists.
Her name, alongside Exu, linked to the devil.
Her sanctuaries, invaded and desecrated.

In Afro-Brazilian temples
and churches where love is more than words,
respect for other faiths is sacred ground.

We remember who sheltered our elders
when the white man's whip came down.
And turn the care we still receive
into shelter for all.

Part of my ongoing work on Afro-Brazilian mythologies and religious racism, M'kumba. by @guichrist
8
3 days ago
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🇧🇷 Justiça não é encher cadeia. Pelo contrário, é garantir liberdade.

Dizem os itans que Ṣàngó soube
que seus guardas fizeram besteira.
Se equivocaram e botaram Ọ̀ṣàálá na cadeia.

Quando soube da demanda,
Ṣàngó não fez corpo mole.
Cuspiu fogo.

Foi à prisão e desfez o agravo.
Lavou o velho.
Vestiu-lhe de branco.
E o carregou nos ombros por meio mundo,
de volta pra casa.

Porque justiça não é condenar.
É cuidar do povo.
É libertar da pobreza, da violência e da exclusão.
É devolver à vida o axé que a injustiça tirou.

Parte do meu trabalho em andamento sobre as mitologias afro-brasileiras e o racismo religioso, M'kumba.

::::

🇬🇧 Justice isn’t about filling prisons. On the contrary, it’s about setting people free.

The sacred stories tell of Ṣàngó,
the deity of thunder and justice, learning
that his guards had made a terrible mistake.
They had locked Ọ̀ṣàálá, the elder creator deity, away.

When Ṣàngó learned what had happened,
he would not stand by and do nothing.
He breathed fire.

Went to the prison and righted the wrong.
Washed the old man.
Dressed him in white.
And carried him across the land,
all the way home.

Because justice is not about punishment.
It is about caring for people.
Freeing people from poverty, violence, and exclusion.
It is about giving life back
the vital force that injustice took away.

Part of my ongoing work on Afro-Brazilian mythologies and religious racism, M'kumba. by @guichrist
0
4 days ago
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🇧🇷 Oxóssi ensina: o voto é a flecha certeira.

Mandinga de libertação. 
Feitiço de prosperidade.

Dizem os mais vividos que em tempos antigos Kétu viveu um aperreio.

Uma grande ave veio oprimir o povo,
a mando de forças estrangeiras.

Ọ̀tọ́kànṣoṣo, jovem caçador,
era bom de mira, mas tinha pouco recurso:
uma flecha só.

Pegou o pouco que tinha
e foi defender sua gente.

Firmou o pensamento.
Mirou. Atirou.
A ave caiu.
E o povo se libertou.

Depois desse feito, ganhou novo nome:
Ọ̀ṣọ́ọ̀sì, o caçador do povo.

Que a flecha certeira seja disparada nas urnas.
E que sigamos livres,
no axé de Ọ̀ṣọ́ọ̀sì.

Rei de Kétu.
Protetor do povo brasileiro.

Parte do meu trabalho em andamento sobre as mitologias afro-brasileiras e o racismo religioso, M’kumba.

:::

🇬🇧 Oxóssi teaches us: the vote is the surest arrow.

The elders tell of a time when Kétu was under threat.

A great bird came to oppress the people,
sent by foreign powers.
Ọ̀tọ́kànṣoṣo, a young hunter,
had a keen eye but little to his name:
just one arrow.

He took what little he had
and went to defend his people.

Steadied his mind.
Took aim. Let fly.
The bird fell.
And his people were free.

For this deed, he was given a new name:
Ọ̀ṣọ́ọ̀sì, the people’s hunter.

May the surest arrow fly at the ballot box.
May Brazil remain free,
with Ọ̀ṣọ́ọ̀sì’s axé.

King of Kétu.
Protector of the Brazilian people.

Part of my ongoing work on Afro-Brazilian mythologies and religious racism, M’kumba. by @guichrist
10
5 days ago
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🇧🇷 Gira, Xirê, Canjerê, Guma, Toré.
Rezos brasileiros que se fazem em roda.

No cruzo dos povos originários, bantos e iorubás,
o Brasil aprendeu a expressar sua fé em círculos.

Fico honrado com a minha presença no catálogo da exposição “Eu chorei Rios”, realizada pela @fgv.arte , com curadoria potente de Glicéria Tupinambá e Paulo Herkenhoff.

Ao lado de artistas indígenas que admiro e reverencio, 
chego com humildade de quem estar pra somar a luta.

Trago meus olhos Nagô de ver o mundo
e o encontro com meus amigos Akroá Gamella, e sua pajé Dona Maria Roxa.

Em sua casa de rezas, o alhumbre se fez em cruzilhada.
Ao ver nossos ancestrais juntos no altar, me emocionei.

Raízes que se encontram.
Tradições celebradas como irmãs.
Pois a gente reza e comemora em roda.
E nela também se organiza para lutar.

Obrigado, Glicéria, Paulo, meus amigos Akroá Gamella e Dona Maria Roxa, por me permitirem caminhar junto nessa roda-catálogo à arte indígena.

:::

🇬🇧 Across Brazil, prayers are shared in a circle.
From the meeting of Indigenous, Bantu and Yoruba peoples,
Brazil learned to express its faith in circles.

I celebrate being part of the exhibition’s catalogue of “I Wept Rivers” curated by Glicéria Tupinambá and Paulo Herkenhoff.

Among Indigenous artists whose work I deeply admire,
I arrive with humility.
I carry a Nagô way of seeing the world,
and the encounter with my friends, the Akroá Gamella people,
and their spiritual leader, Maria Roxa.

In her house of prayer,
our ancestors were there too,
present on her altar.

Roots that meet.
Traditions that live on.
Faiths that grow stronger.
Because we celebrate in circles
And within these circles,
we gather to keep fighting.

Thank you, Glicéria, Paulo, my Akroá Gamella friends, and Maria Roxa, for welcoming me into this circle and allowing me to stand alongside Indigenous art. by @guichrist
6
6 days ago
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🇧🇷 Fotografia é gira.
Corre miúda, mas corre o mundo.

M’kumba chegou em Jacarta.
Junto a amigos e colegas queridos de ofício, fizemos mandinga no @jipfest

Até esses dias ja são mais de 20 exposições internacionais.
Mas agora nossa roda volta pro Brasil.

Vamos cruzar cidades.
Encontrar irmãos.
Levar nossas mitologias, nossas resistências e, principalmente, o povo de terreiro pra ocupar lugares que também são seus por direito.

Primeiro São Paulo, no @festivalfotodoc , a partir de 10 de novembro.

Depois, em dezembro, Rio de Janeiro.
O lugar ainda é segredo.
Afinal, mistério também é fundamento.
E tem coisa que só se conta na hora certa.

O Xirê gira.
A estrada segue.
E a fotografia caminha junto.

Obrigado ao @jipfest e aos curadores @yoppy.pieter e @iamchelseachua pela acolhida e pelo cuidado com o trabalho.

Parte do meu trabalho em andamento sobre as mitologias afro-brasileiras e o racismo religioso, M’kumba.

:::

🇬🇧 Photography moves in circles.
Small steps can travel far.

M’kumba has arrived in Jakarta.
Together with dear friends and fellow artists, we brought our magic to @jipfest

More than 20 international exhibitions have joined this journey.

Now the work comes home to Brazil.
We will cross cities.
Meet our brothers and sisters.
Carry our myths, our resistance, and the voices of Afro-Brazilian religious communities into spaces that belong to them, too.

First São Paulo, at @fotodoc, from November 10.
Then Rio de Janeiro, in December.

The place is still a secret.
After all, mystery has its own power.
Some things are told only when the time is right.

The circle turns.
The road goes on.
And photography walks alongside it.

Thank you to @jipfest and curators @yoppy.pieter and @iamchelseachua for welcoming the work and caring for it so generously.

Part of my ongoing work on Afro-Brazilian mythologies and religious racism, M’kumba. by @guichrist
10
7 days ago
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🇧🇷 Ori forte é fundamento.

Os terreiros têm remédio pra limpar o corpo, a alma, o pensamento.

Tem ebó.
Tem amassi.
Tem bori.

Mas, para que a vida encontre rumo
e o aperreio seja passageiro,
é preciso cuidar da cabeça,
desembolar o pensamento,
e levar a sério o fundamento dos mais velhos pra não deixar a vida desandar:

Boas falas.
Bons pensamentos.
Boas ações.

Para a roda da vida voltar a girar.
O encanto retomar ao dia-a-dia.
E espantar a quizila que o mundo insiste em causar.

Foco, força e axé.

Parte do meu trabalho em andamento sobre as mitologias afro-brasileiras e o racismo religioso, M’kumba.

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🇬🇧 A strong mind is a foundation.
In the sacred communities, there are many ways to cleanse the body, the spirit, and the mind.

Herbal baths.
Ritual offerings.
Ceremonies of renewal.

But for life to find its way
and hardship to pass,
we must care for the mind,
untangle our thoughts.

Listen to the wisdom of those who came before us so the weight of the world does not bring us down.

Kind words.
Clear thoughts.
Good deeds.

So the wheel of life can turn again.
So wonder can return.
So we can push away the troubles the world keeps placing in our path.

Focus. Strength. Axé.

Part of my ongoing work on Afro-Brazilian mythologies and religious racism, M’kumba. by @guichrist
42
8 days ago
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🇧🇷 Fundanga pra espantar o mal.

Tem dia que a gente acorda pesado.

Aperreio no peito.
Urucubaca no caminho.
Ziquizira rondando.

Mas a macumba sabe lidar com isso.

Fundanga.
Mandinga de fundamento.

A pólvora acende.
Fumaça sobe.
Faísca risca.
Estouro espanta.

Despacha o cumburucu.
Bota egum pra correr.
Abre caminho.

E nos lembra ao explodir:
Energia ruim não faz morada aqui!

Parte do meu trabalho em andamento sobre as mitologias afro-brasileiras e o racismo religioso, M’kumba.

:::

🇬🇧 Fundanga to drive away whatever means us harm.

Some days we wake up heavy.

A weight in the chest.

Trouble in our path.
Bad energy circling.
But the afro-brazilian communities has a remedy.

Fundanga.
A spell rooted in ancestral knowledge.

Gunpowder catches fire.
Smoke rises.
A spark cuts through.
The blast drives it away.

Sends trouble packing.
Chases the restless dead away.
Clears the path.

And when it explodes, it reminds us:
Bad energy does not live here!

Part of my ongoing work on Afro-Brazilian mythologies and religious racism, M’kumba. by @guichrist
4
10 days ago
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13 é número de axé.
Número de quem sabe que votar é encruzilhada.

É escolha de caminho.
É onde desejo, necessidade e futuro se atravessam.
É quando todos se encontram para escolher o próprio rumo sem diferenças de classe, raça, gênero ou idade

Exu abre a conversa: sem troca, não há sociedade.
Ogum lembra: sem conhecimento, não se abre caminho.
Oxóssi reparte a fartura: comida guardada vira fome.
Obaluaiê mostra: não há saúde quando o povo adoece.
Ossain cultiva: sem natureza, a vida acaba.
Oxumarê colore o céu: pluralidade é felicidade.
Xangô não esquece: justiça é fundamento de igualdade.
Oxum derrama o amor: cuidar do outro é cuidar do mundo.
Logunedé veste beleza: encanto também necessário.
Iansã dança: liberdade não combina com opressão.
Obá finca o pé: força de mulher não se pede licença.
Nanã molda a vida: quem chegou antes merece amor.
Iemanjá materna: cuidar da cabeça é cuidar de todos.
Oxalá desacelera: sem paz, ninguém caminha soberano.

Por isso, nós, povo de terreiro, temos uma grande responsabilidade nessa eleição.

Porque há caminhos que se apresentam e divergem.

Um aponta para liberdade, tolerância, igualdade e para tudo aquilo que vivemos nos terreiros.

Outro acena para velhas porteiras, ataca nossa fé, prega o ódio e representa ideias que atacaram e subjugaram nossos ancestrais.

Nesse dia de hoje, estourem a fundanga, espantem os eguns do retrocesso e firmem o ponto com axé no 13. by @guichrist
40
11 days ago
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