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A arte é a autoexpressão lutando para ser absoluta.
Direito UERJ
Salgueirense
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Que o bem sempre seja rio próspero em mim.

Nossa senhora, te invocar, por si só, denota a familiaridade que temos. 

A vida inteira a senhora esteve altruísta, imponente e firme no reflexo do meu curioso olhar em cada detalhe que a veste. 

A vida inteira observei outras senhoras se despirem de seus mantos para repousar sobre o seu, enquanto eu, cardume, observava. 

E, com inúmeros rios desembocando bençãos em mim, cresci, entendi que muitas senhoras procuram em ti, uma nossa senhora parecida em si, pois, enxergam em ti, a si. 

Salve Nossa Senhora de Aparecida! 

Salve minha vó e minha mãezinha que me ensinaram a buscar a si, em teu manto sagrado! 

Salve o ouro!

Ora yê yê ô! by @joax_ribeirx
5
6 days ago
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Resenha - 013

jovemCARLOS - Luccas Carlos, 2022.

Versátil, vocal, carioca e romântico, assim ecoa o 5º álbum do completo multiartista Luccas Carlos.
Entenda! Tudo o que Luccas Carlos produz, poucos anos depois, se torna o padrão mínimo a ser cumprido no R&B, vide suas inúmeras composições que ilustram com maestria como é portar no coldre o dom de descrever aquilo que uma legião sente, a exemplo de “Incomum”, “Sem filtro”, “Músicas de Amor Nunca Mais”...

Posto isso, “jovemCARLOS” carrega a rara qualidade de funcionar tanto no streaming quanto ao vivo, fato que se desenrola pela energia de performer e potente voz do Sir Luccas Carlos, algo que afirmo com base no que experienciei na monumental apresentação de julho de 2022 no Circo Voador.

Voltando ao álbum, neste percurso de 32 minutos, a 1ª metade do trajeto de jovemCARLOS é energeticamente intensa, sendo sucedida por um fim quase acústico, o que não é um demérito, haja vista que ilustra de forma mais clara a escrita delicada e apaixonada do artista.

Por fim, entendo “jovemCARLOS” como o romântico álbum no qual o eu lírico tenta a todo momento conquistar, de forma multifacetada, seja pelo flow leve ou por letras claras e coerentes, a atenção e o amor de alguém cujos encantos ele visivelmente já possui. Isso deixa tudo ultrarromântico, como mel numa relação de pares doces que flertam com a arte de já se possuir. 

Minhas preferidas são: “Opção”, “jovem carlos” e, óbvio, “incomum”.

Caminhos!

#cronicasdojoaozinho by @joax_ribeirx
5
a month ago
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Jorge’s dump by @joax_ribeirx
15
a month ago
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August dump by @joax_ribeirx
7
2 months ago
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Resenha - 012

ABAIXO DO RADAR - Febem, 2024.

Brindando à ascensão social de um jovem atravessado por todos os estímulos dolorosos que o capitalismo pode regurgitar em um indivíduo, Febem rima por 25 minutos a trajetória de um sujeito bem-sucedido numa selva de pedra em que tudo se mostra como predador: o sucesso, a própria mente, o sistema e a indústria. ABAIXO DO RADAR é um álbum de rap à frente de seu tempo ao narrar espiritualidade, cicatrizes e as fragilidades de um artista completamente ciente do que é e do que quer comunicar para os seus.

Caro leitor, devo confessar que estes sons ecoam de forma precisa em minha mente ao facilmente conseguir me colocar nas situações declamadas por Febem. Eu ainda sou um jovem procurando o meu lugar e experienciando este mundão ambíguo. Quem nunca foi o sujeito que vive a vida tentando ser algo, construir algo, prosperar em algo, se salvar de algo? Este sujeito sou eu, um irmão, o próprio Febem? Isso deixarei a critério de cada interpretação.

O ponto alto deste álbum, em minha visão, é como Febem consegue utilizar a gradação para construir diversas cenas com sucessivos clímax, a fim de narrar aquilo que quer transmitir de modo sagaz, direto, ácido e tempestivo. Assim é o acima da média “Abaixo do Radar”. Como exemplo, ressaltaria como suprasumo deste álbum “Abaixo do radar”, “Super Hip-Hop” e a transição de “O dobro ou nada” para “Mais um dia”.

Por fim, a quem possa interessar, ABAIXO DO RADAR é um bom 8,5/10, pois, a meu entender e somente baseado nisso, sinto que a ausência de instrumentos mais orgânicos deixa neste elixir de vivências a sensação de “quero mais”. Agora, realmente caminhando para o fim desta resenha, agradeço ao Febem e ao CESRV por criarem um manual sobre o qual posso me debruçar nos momentos difíceis em que quase acredito que meus esforços não gerarão frutos. Eles geram, ecoam e voam como refrigério a todos que precisam abaixo do radar. Aqui jaz um fracassado.

Caminhos! by @joax_ribeirx
7
2 months ago
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🌴🥥 by @joax_ribeirx
12
2 months ago
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Resenha - 011

Tatalondirá (O Canto do Caboclo no quilombo Caxias) - @granderio, 2020.

O luxuoso ritual de invocação de um dos maiores responsáveis pela disseminação do Candomblé Angola no país, este, um neo-Brasil ultraconservador e cristão. 

O início da década de 2020 trouxe consigo a herança brilhante deixada pela segunda metade da década de 2010 no que se refere a enredos que prestigiam temas importantes sobre a cultura, religião e vivência afro-brasileira. Com isso, no enredo do fatídico ano de 2020, a tricolor da Baixada Fluminense trouxe para a passarela mais famosa do mundo a vida de João Alves de Torres Filho, mais conhecido como Joãozinho da Gomeia. Lindo foi vivenciar esse evento e saber que este enredo vice-campeão teve a coragem de retratar um homem negro, candomblecista e nordestino num país que se engasgava politicamente nas duras ações de um genocida. Este é o poder do “Rei do Candomblé”. 

O samba, por si só, demonstra o desbunde apoteótico de uma escola com uma fome absoluta de títulos, embebida de muito dinheiro a ser investido em qualquer setor. Letra fácil de ser cantada, refrão chiclete e afirmações que parafraseiam ditados amplamente conhecidos; logo, este sambão me remete aos sambas antológicos do Salgueiro e da Beija-Flor dos anos 90 pela sua forma certeira de ilustrar cenários ao ser cantado. 

Por fim, 10/10 para tudo o que envolve este samba, com ênfase à interpretação afiada de @evandromalandro por criar um coro em prol da liberdade religiosa. 

“Eu respeito o seu amém, você respeita o meu axé” 

Caminhos! by @joax_ribeirx
6
2 months ago
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Resenha - 010

XTRANHO - @matue, 2025.

“Fumando um verde azedo, parece wasabi”

O trap sem compromisso social como combustível para a proliferação de discursos de ódio entre adolescentes, assim nasce “XTRANHO”, um fracasso pré-anunciado com uma falsa roupagem alternativa, visando se salvar da vaia. É válido ressaltar o sentimento de futura salvação que permeou minha experiência ao ouvir o álbum até a fatídica hora do fim, encerrando de vez qualquer remota vontade de escutá-lo novamente.

Escrever esta resenha me fez ter o desprazer de revisitar um artista gigante, numericamente falando, apenas, regurgitando o privilégio de poder ser extremamente medíocre e repetitivo em sua arte. Ao ouvir o álbum objeto desta crítica, esperava algo superior a “Máquina do Tempo” e “333”, mas fui surpreendido com elementos totalmente estranhos, fora de contexto e fúteis, vide o fim de “Rei Tuê”, “NANANANA”, “Facas e Machados” e “Alterado”. No fim, “XTRANHO” é vergonhosamente infantilizado e dolorosamente revestido de um som já feito por Matuê em seus dois primeiros álbuns, a exemplo de “Ícone Fashion”, “AutoBanh” e “Backstage”.

Em resumo, tudo o que deveria ser ácido, estranho, autêntico e divergente só se prestou a ser caricato, sob o delírio de um artista dantes inovador que parece desejar a elaboração de algo tão pífio ao ponto de não valer o esforço de compará-lo com nenhum outro projeto. “XTRANHO” não é disruptivo, só é ruim, e somente isso.

Com isso, Matuê se mostra descompromissado com o seu público ao usar a sua potente voz para dar corpo a um trap que ainda objetifica mulheres na mesma classe de carros, joias e dr4gas. Isso é triste demais. Por fim, haja vista a necessidade de numerar os melhores, 0/10 para o assustador “XTRANHO”.

Caminhos! by @joax_ribeirx
22
2 months ago
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Resenha - 009⭐️

Taurus, Vol.2 - @duquesa, 2024.

De antemão, minha opinião acerca deste álbum pouco importa, haja vista que todos os álbuns de Duquesa,  repito: T O D O S,  são maiores que qualquer crítica, seja ela negativa ou positiva, como exponho a seguir.
Rios ácidos contra a mesmice do rap em gotas, em versos milimetricamente construídos em prol do novo testamento do gênero (Atenção: isso é uma mensagem da resenha sucessora). São 32 minutos de mensagem potente: isso é o Volume 2 do projeto Taurus. Chegando com o pé na porta, Duquesa dá o primeiro tom do álbum em uma batida bruta e consciente, embebida de uma feroz realidade vivenciada por um certo corpo (escute o álbum para entender de qual corpo digo).

A obra em retrato é um banquete musical completo, com entrada, hits, colaborações alinhadas à proposta, excelentes versos, métricas afiadas e “Pose”, a sobremesa adequada para encerrar este precioso conjunto musical. Do rap ao Vogue, flertando em certos momentos com o R&B.

Um ponto interessante a ser ressaltado sob a ótica enviesada do meu gosto musical é que Duquesa, em seus projetos, escancara o quão injusta é a indústria fonográfica e quem a consome. Isso fica evidente ao nos depararmos com números absurdos de artistas masculinos do rap nacional à luz de muitos projetos pífios,  vide algumas torturas sonoras produzidas pelos maiores números da cena (não vou citar explicitamente porque seria muito xtranho e de pequeno amor da minha parte).

 O nível de Duquesa se mostra em elevação exponencial, a este licor consciente, encaminho-me ao fim concedendo-lhe 10/10. Duquesa sabe o que faz e o que quer. Simplesmente a maior!

Caminhos! by @joax_ribeirx
9
3 months ago
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Resenha - 008⭐️

EQUILIBRIVM II - Anitta, 2026.

Religioso, uma volta para o lar chamado Brasil, rendas sobre um corpo de fé, mesa posta de hits frutuosos, plantas no quintal, uma vela acesa para a proteção daquilo que parteja o Brasil, a pluralidade. Isso transpira em “EQUILIBRIVM II”, o sonoramente bem desenvolvido, amplo, brasileiríssimo, corajoso e “aníttico”, novo álbum da Patroa de Honório Gurgel que vem à luz.

Anos atrás, li de um fã da Anitta a suspeita de que ela aguardava apenas se “consolidar na indústria” para lançar projetos realmente relevantes. Achei completamente equivocado. Aliás, o “produto” Anitta já é consolidado há muitos anos; arrisco dizer que desde o seu álbum de estreia (Anitta, 2013). Com isso, em “EQUILIBRIVM II”, podemos ver tudo o que décadas de dedicação ao modo Anitta fizeram com a ARTISTA CONSOLIDADA desde o berço.

Haja vista o crescimento do neopentecostalismo político, com letras afiadas, batidas urbanas e múltiplas da cultura afro-brasileira, nomes de peso, muito bom gosto e olhos atentos, esta obra musical nasce como uma das mais importantes da nossa cultura,  a exemplo de Clube da Esquina, Cartola II, Sobrevivendo no Inferno e tantos outros ao modo Buarque de ser.

Com 17 músicas e um pouco mais de 10 participações (um show à parte), esta obra confessa, ao longo de 50 minutos, o gozo da riqueza musical existente na cultura brasileira. Nada aqui almeja regurgitar sons gringos descartáveis, nada é comercialmente pretensioso, tudo apenas é vivo, atento, profundo e verdadeiro. 

Caminhando para o fim desta resenha, este é o melhor álbum da Anitta. Não há como compará-lo com nenhum outro dela ou até mesmo de outro artista. Para quem possa se interessar: 10/10 para a deusa Larissa Machado.

Caminhos! by @joax_ribeirx
7
3 months ago
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Resenha - 007

EQUILIBRIVM - @anitta, 2026.

“EQUILIBRIVM” é um manifesto sonoro daquilo que um artista pode fazer ao embeber-se da sua cultura de forma observadora e compartilhada. Dando o tom do álbum na primeira estrofe, Anitta parece largar as mãos de projetos descartáveis e desgastantes (ora sonoramente, ora a si própria). 

Fato é, este álbum é o produto da soma de todos os seus catetos, seus feats. Digo isto, pois, em diversos momentos desta obra, é nítido que as colaborações fogem da mera colaboração e se tornam parte inteira, integralizadora para existência de coerência lírica/sonora ( vide “Mandinga”, “Bemba”, “Nanâ” e “Ternura”). 

O álbum se torna atemporal por celebrar a cultura afro-brasileira de forma rica, plural e pouca esteriotipada, em “Nanã”, por exemplo, Anitta, Rincon Sapiência, e KING celebram a energia de Nanã trazendo inúmeros gêneros musicais como o rap, funk e house, todos estes criados por artistas negros. Simplesmente G E N I A L! 

Para mim, ao lado de “Desgraça”, “Vai dar Caô” e “Ternura”, “Nanã” figura como um dos pontos fortes do álbum por serem mensagens sonoras autênticas, as quais não desejam flertar com o mercado fonográfico que, ao meu ver, suga a autenticidade para causar uma explosão de dopamina em cortes de poucos segundos. 

Continuando, “EQUILIBRIVM” se mostra como aquilo que Anitta observava de longe do mainstream e sempre admirou. Neste viés, aduzo o amargo ponto fraco do álbum que são alguns versos da cantora, frágeis em muitos momentos, em paralelo aos de seus colaboradores, o que satura na estrada sonora de “Deus Existe” a “Pinterest”.

Por fim, sob a fragilidade da minha opinião, este álbum é um bom 8/10, pois, ao meu entender, com início em “FUNK GENERATION”, Anitta está na estrada de entregar obras relevantes para o seu público, buscando sentido a tudo que construiu até aqui. Ansioso para seu sucessor prometido para o próximo dia 23. 

Caminhos! by @joax_ribeirx
7
3 months ago
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Resenha - 006

Bembé - @beijafloroficial, 2026.

Alô Sapucaí! Alô maravilhosa e soberana!

A tal avenida carecia de desfiles arrebatadores. Estava fria. Tumultuosamente silenciosa. P a c a t a, e, de repente: as cortinas outrora fechadas se abrem, troféu no porta-malas, todos focados nela, a Soberana de Nilópolis em romaria. 3, 2, 1… e tudo começou a girar naquela segunda-feira, 16. Tal qual uma Aláfia, a Beija-Flor varreu aquela avenida com a certeza de que estava completamente próspera, saudável, quente, longeva e úmida. Nitidamente era o desfile da inteligência negra periférica contemporânea em resgate das suas tradições ancestrais. UAU!

Sambas-enredo costumam ser muito reféns do tempo e do público; diferente de qualquer outro gênero musical, o samba precisa ACONTECER para o desfile ser. Conseguem compreender? E isso a Beija-Flor soube trabalhar muito bem na avenida com o segundo samba mais aclamado da safra de 2026, ficando atrás apenas da Tuiuti. O samba foi o comburente desta queima. Em homenagem à celebração realizada na cidade do Recôncavo Baiano há 137 anos, esta canção da Beija-Flor tem o poder de nos remeter ao verdadeiro sentido do 13 de maio, longe daquelas estórias heróicas de uma tal heroína compassiva com nome de Vila.

O Bembé da Beija-Flor traz à tona o orgulho que tenho em fazer parte de uma legião de macumbeiros, neste xirê em celebração aos orixás, que servem como acalento em tantos cenários. Lembro-me de observar a mudança de astral na avenida. As pessoas em pé faziam minipassos de dança em alusão às Yabás. Estava posta ali novamente a euforia do povo do samba. Literalmente a dança na alma que evoca a Baixada de Todos os Santos tal qual as Áfricas que a Bahia canta; todos cantavam Bembé com orgulho, foi lindo demais.
Logo, esta grande gira, para quem possa interessar, merece, a meu ver, um bom 8/10. Os versos em repetição, mesmo que bem escritos, cansam ao longo dos 80 minutos, dando o encargo ao refrão de trazer o público de volta. Por fim, queria pontuar a performance bem-sucedida de Nino e Jéssica. Em muitos momentos a conexão dos dois era tanta que ficava nítida a perfeição da junção da voz destes dois ícones do carnaval.
Caminhos! by @joax_ribeirx
6
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