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Livro infantil vencedor do Selo João Ubaldo Ribeiro, ano II
Autora: Carla Pinto Bittencourt
@carlapb1
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Com a licença de todas as pessoas que Itaparica me deu e que eu amo, inventei uma história misturada com a minha para contar para as crianças sobre este sentimento. O resultado é um livrinho que será sempre meu xodó. Vou falar sobre essa experiência no contexto do Dia Nacional do Livro Infantil, a convite da Fundação Gregório de Matos, realizadora do Selo João Ubaldo Ribeiro.

Estarei com as autoras de outras edições na categoria infantil. Não posso mais dizer que tenho medo de live. Tenho ainda frio na barriga, mas que alegria conversar sobre infâncias, literaturas, Itaparica e tudo o mais. Venham, gente. by @ka.no.ni
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5 years ago
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Passei o aniversário de Salvador em Itaparica, aprendendo com quem sabe a fazer moqueca de chumbinho. Obrigada, Jay, melhor professora! by @ka.no.ni
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6 years ago
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Quando a @vemprafelica me convidou para estar com eles pela segunda vez, eu achei que novamente iria mediar conversa de autores, jornalista que sou. A primeira experiência foi incrível, quando estive com Mabel Velloso e Regina Luz e falamos sobre educação, literatura e a poética das infâncias. 

Mas, olhem que massa. Desta vez, estou como autora convidada! Ao lado de Luciana Comin, que tem esse trabalho belíssimo de teatro para crianças, e com mediação de Laili Florez, essa lindeza de palhaça, pesquisadora e mãe.

Vamos conversar sobre temas tabus na infância e sobre como a arte pode ser este instrumento que traz para elas liberdade, consciência, prazer e tantas descobertas.

Agradeço imensamente a Breno Fernandes por ter pensado este espaço e me feito o convite e a Fernando Oberlander e Marzia, pela confiança! by @ka.no.ni
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6 years ago
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Kanoni estava desconfiada de que a água da bica poderia ser a culpada pelo seu tamanho. “E se ficar menina for o mesmo que continuar pequena?”, pensou. Mas, contrariando o falatório, a cada aniversário ela crescia um bocadinho. Pedia ao pai para ir riscando na porta o lugar que marcasse a sua extremidade mais extrema, a pontinha da cabeça, o último fio de cabelo. O pai de Kanoni, que se chamava Daudi, rabiscava os anéis de Saturno e naves espaciais no lugar correspondente ao tamanho da menina.
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- Estou colocando você da altura do universo, minha filha – explicava Daudi, dono de um nome que significava “amado”.
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Aqueles seus desenhos na porta, que começaram do tamanho do próprio lápis, já estavam chegando perto dos galhos do araçazeiro de bisa Kabisa.

Para ter certeza do seu tamanho, Kanoni ia para o quintal. Primeiro, pedia a bênção ao iroco, árvore que dava uma sombra imensa e era neta muuuuito distante da primeira árvore plantada na Terra. Tata tinha trazido a semente em sua viagem de Zanzibar para Itaparica. Kabisa contou que uma parte da ilha tinha tantos irocos que passou a se chamar Gameleira, o outro nome dessa mesma árvore. O Tempo, ela ensinou, quando resolveu se tornar uma criatura viva, tinha assumido aquela forma.

O pé de araçá ficava ao lado. by @ka.no.ni
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6 years ago
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Minha querida !
Pondo ordem um pouco nos livros sobre minha mesa
ontem, imagine o que fui encontrar?! 

KA NO NI !

LI de ponta a ponta,
como num suspiro
de Alegria! 
PRE CI O SO...
Que pena que levei tanto tempo para conhecer toda Beleza e as promessas do
SER 
HUMANO AINDA
NOVO... como você tão lindamente escreve!
O MUNDO NOVO está à nossa porta, esperando apenas que a gente se dê  as mãos e comece a Cantar:
ABRA A RODA,
tin dô lê lê...
Agradeço de todo Coração.
Com muito carinho por você e pelo 
Menino Joaquim.
Tudo de bom!
Escreva mais! 
Fiquem com Deus!
Abracíssimo, 
lydia.
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A primeira vez em que fui na casa de Lydia Hortélio, ela se atrasou e eu enganei a minha editora, dizendo que iria logo-logo. Bem, na Bahia o tempo é sempre um aliado. De modos que eu passei a tarde brincando com os netos de Lydia, que não chegou antes que eu aceitasse que era hora de voltar.

Estive lá novamente, quando ela lançou "O Presépio do Menino Deus" e, por fim, mais duas vezes, em ocasião de sua palestra "A Criança Nova, A Criança Eterna", parceria da escola Gira Girou com a Jornada de Dança da Bahia.

Naquele dia, ganhei um saquinho dourado com cinco pedrinhas, que eu jogo, mas mantenho no altar das infâncias. Nossa última entrevista teve idas e vindas, mas enfim, nos acertamos em um ponto que considero a minha própria criança se encontrando com a dela para brincar. E pronto.

Nesse mesmo dia, eu também me enchi de coragem e deixei com ela um exemplar de Kanoni. O tempo passou. Fiquei quietinha. Mantivemos o contato, falando sobre o mundo. Até que um dia, ela me escreveu isso.

Foi em maio deste 2020, ocasião em que eu quarentava na quarentena. Partilho agora isso aqui, com um orgulho imenso de ter tocado o coração de uma mestra, que segue educando o meu sobre a revolução que nos falta. <3
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📷 A foto é de Lydia, que documentou as crianças brincando na Bahia, nos anos 1980. by @ka.no.ni
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6 years ago
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É de Freud a frase: "O destino é um desejo que se cumpre". Já estava tudo lá. Janeiro, mês da independência de Itaparica e aniversário de João Ubaldo. Com a biblioteca da ilha em reforma, fomos até a Casa de Cultura e Ética, e tivemos a acolhida de seu fundador, o arquiteto e professor Pasqualino Magnavita. 

Depois do lançamento (sobre o qual ainda postarei aqui), fomos convidados por ele para a inauguração de uma parte do mosaico que está construindo na arena do Solar. O espaço terá vários planetas, sendo o primeiro de todos, o planeta Ubaldo. 

Naquele finalzinho de janeiro sequer sonhávamos o que estaria por vir. Mas gosto também de pensar que está no meu destino - e, portanto, na concretização do meu desejo- refazer o meu caminho a partir desse universo sideral itaparicano.

Olhando com calma depois de quase um ano todo pandêmico, rever essas imagens me traz esperança. Eu acredito na ciência e no humano. Na literatura e em todas as artes. Nas infâncias e nos velhos. by @ka.no.ni
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6 years ago
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Kanoni fazia bonecos com as carcaças de pinaúnas e decorava esses pequenos seres pontiagudos com cabelos mágicos de sargaço. Ela adorava o campo de futebol que ficava no meio da praia do forte, aquela que metade do dia estava cheia de mar e, na outra metade, vazia. A depender da hora, as traves do gol podiam estar quase totalmente debaixo d'água e a partida se transformava em uma aventura submarina. Em vez de correr, ela mergulhava por cidades erguidas no fundo do mar. by @ka.no.ni
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6 years ago
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Em uma redação, esse post talvez fosse zerado por fuga ao tema. Mas, coração de mãe faz essas conexões mesmo, ver meu menino em Itaparica, fazendo (sem saber!) esse mimetismo de amor com Simba, que é danado igual.

Duas crianças.

E eu fico assim, misturando tudo, pensando que seria lindo se Joaquim e Kanoni pudessem brincar juntos. Vou começar a contar a história para ele. by @ka.no.ni
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6 years ago
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Joaquim descobrindo João Ubaldo. Contei a ele que se tratava de alguém que sabia fazer mágica com as palavras. Ele me disse como se é só uma estátua? Expliquei a simbologia, mas acho que ele só entendeu mesmo quando viu o muro atrás do busto. Olha ali, filho, os livros que ele escreveu. 

Maravilhado, meu menino suspirou: uau, todos esses? E eu já estava sorrindo, dando a minha missão por cumprida, quando ele retrucou: mas mamãe! Isso não são livros, são desenhos na parede! 🎈

Vivam as crianças brasileiras! taken in Itaparica, Bahia by @ka.no.ni
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6 years ago
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No Dia do Livro, compartilho a Chapeuzinho Amarelo. Porque amo Chico e Ziraldo, mas também porque esse foi um dos livros que li com Cecília, menina de cinco anos para quem telefonei de vídeo essa semana depois de ter recebido áudios nos quais ela agradecia a avó por ter ganhado Kanoni de presente.

Foi tão bonito o nosso encontro, onde também apareceu a irmãzinha dela, Elis, de seis meses. Que especial é conhecer uma criança que primeiro conheceu a minha história inventada! E que linda, Cecília, mostrando o quarto, os brinquedos, cantando com um passarinho na mão, lembrando de Pequeno Pássaro! Espero que possamos nos ver mais vezes, para a leitura de muitos outros livros. by @ka.no.ni
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6 years ago
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E teve este lançamento tão bonito, feito de forma independente pelos autores do Selo João Ubaldo (Ano II), na biblioteca do Goethe Institut. Cheguei antes de todo mundo e fiquei no pátio, o coração querendo sair pela boca de tanta alegria. Entrei na biblioteca por último e acabei escolhendo uma mesa lá no fundão, onde só depois percebi que era ao lado da seção infantil, com bichinho de pelúcia e tudo. by @ka.no.ni
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7 years ago
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Enquanto vários meninos e meninas morriam de medo de dormir sozinhos, de olhar debaixo da cama e dentro do guarda-roupa ou de ficar no escuro, Kanoni era amiga do Tutu-Marambá, o bicho-papão brasileiro. Os dois se encontraram pela primeira vez quando ele apareceu no telhado da casa, atraído por uma música de ninar que a mãe dela gostava de cantar.

Fahari, a mãe de Kanoni, era exatamente como o seu nome dizia: esplendorosa. Ou seja, alguém que tocava a imensidão. Você consegue imaginar uma mãe assim, tão cheia de grandeza? Era justamente a mãe de Pequeno Pássaro. Fahari ia para todo canto com a filha amarrada no corpo, em um pano lilás, feito de algodão. Só tirava o pano para embalar o sono da menina. A mãe não se importava de serem vistas pelo monstro, as duas deitadas na rede. Espantava o bicho-papão com este acalanto: Tutu-Marambá / sai de cima do telhado / e deixe mtoto/dormir sossegado.  Mtoto, antes que você pergunte, é criança, em suaíli.

O Tutu respeitava aquele pedido quase como uma ordem. Eu disse quase porque, de vez em quando, ele aparecia para ensinar alguns encantamentos a Pequeno Pássaro. Em troca, pedia para entrar no quintal, onde passava horas estudando a vida das galinhas. Achava que tinha muito o que aprender com toda aquela simplicidade, principalmente a parte de botar ovos. Os ovos, ele ensinava a Kanoni, eram "o mistério de todas as existências".
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🎨 Esta ilustração é da revista da Fapespe. A edição de Kanoni deixou a imagem do Tutu no mistério, assim como tantas outras. Mas eu pedi para crianças que desenhassem essa assombração que é tão ícone da minha infância. Em breve, posto aqui. by @ka.no.ni
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7 years ago
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