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Relato de uma vítima do escalpelamento

Quando me perguntam: "O que é o escalpelamento?", automaticamente me vem à tona toda a minha vida.  As imagens a seguir revelam apenas as marcas deixadas externamente, mas a dor é bem mais profunda!

A minha primeira viagem foi para Manaus - AM. O motivo? Tive o meu couro cabeludo brutalmente arrancado pelo motor do barco. Naquele tempo eu só tinha 9 anos, era uma criança, que, infelizmente, teve a vida marcada para sempre. 

Lá, começava uma série de tratamentos que se estenderiam até os dias atuais. E dói muito!  O corpo sofre, em minhas coxas carrego marcas de lutas, pois, como parte do tratamento chamado enxerto, tive que ter a pele da coxa retirada para ser implantada na cabeça. 

Morando em Porto Velho, capital do estado de Rondônia, em 2015, novamente passei por várias etapas do enxerto. Meu último no estado, foi em 2017. 

Em 2019, a minha vida começou a mudar quando conheci a ONG ORVAN do estado do Pará, por meio dela conheci a assistente social, Luzia Matos e a psicóloga Jureuda Duarte do Espaço Acolher, e toda equipe maravilhosa, lugar onde tive um excelente atendimento, e o considero como minha segunda casa. Além disso também conheci vítimas, que assim como eu, tiveram seus cabelos arrancados a força. E eu nunca havia visto nenhuma em toda minha vida, onde tive a oportunidade de trocas de conhecimentos e interações com elas. Cresci como pessoa e como mulher, aprendi que não preciso ter vergonha das minhas cicatrizes!

Por meio deles, conheci também a Santa Casa de Misericórdia do Pará, onde fui excelentemente bem atendida por todos, pela equipe médica do Christiano Martins, pela psicóloga Ana Carolina Lins, e por toda a equipe esplêndida composta por profissionais de qualidade. 

Hoje na Santa Casa de Misericórdia do Pará, encontro-me novamente, agora com 49 anos, fazendo os tratamentos. E este é um relato de uma vítima deste acidente tão violento, tão doloroso, tão marcante nas vidas de suas vítimas, que em sua maioria são mulheres. Os motores das embarcações precisam está com as proteções, pois são perigosos, e seguem maltratando a vida inteira de um ser humano! 

Texto redigido por Felipe Nascimento. by @katiavalerio13
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Olá, pessoal! Me chamo Kátia Valério, sou indígena da etnia Apurinã, meu nome na língua é Kamasaru, tenho 49 anos e nasci na cidade de Lábrea, no Amazonas, mas moro em Porto Velho - Rondônia. 

Sou vítima do escalpelamento, um acidente muito violento que arranca o coro cabeludo.

A maioria das vítimas são meninas e mulheres, que possuem cabelos cumpridos, e ao entrarem dentro do barco ou canoa, o motor sem a proteção acaba arracando o coro cabeludo. 

Na época do meu acidente eu tinha 9 nove anos. E isso aconteceu há 40 anos,  quando eu viajava junto com minha família no rio Purus.

Gostaria de ressaltar que ainda hoje, em 2023, os casos de escalpelamentos não diminuíram. O tempo de prevenção é além do dia 28 de agosto, mas sim todos os dias do ano. 

Um acidente é um acontecimento inesperado! E neste caso, com tantos acidentes que já ocorreram e que, infelizmente, seguem ocorrendo, todos os dias, vemos mulheres chegando na casa de apoio à mulheres vítimas de escalpelamento, em Belém do Pará, já é hora de colocarmos um fim em algo que pode ser evitado! 

Ainda há pouca visibilidade! by @katiavalerio13
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Su feliz by @katiavalerio13
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5 years ago
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Meu  nome é Kátia, com nove anos de idade sofri um acidade chamado de: escalpelamento. Atualmente tenho 47 anos,  na minha juventude sofri muito, pois não  me aceitava do jeito que eu era. Porém, depois de adulta e quando conheci outras mulheres vítimas de escalpelamento em Belém - Pará, eu me aceitei como  sou. Então , pra vocês que brigam por cabelos , saibam que , nós  mulheres vítimas do escalpelamento que não  temos cabelo, somos felizes e se aceitamos como somos , então pra vocês que têm  cabelos , aceite-se-os como são, pois à  beleza e o nosso carater não  se concentram em nossos cabelos, mas "sim", dentro do nosso interno ( dentro de cada ser humano). by @katiavalerio13
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