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pesquisador & comunicador
jornalismo | arte | antropologia
PPGAS/Museu Nacional – UFRJ
cultura, política e contemporaneidade
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📍Marajó taken in Soure, A Capital Do Marajó. by @leonascimento7
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2 years ago
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Convidamos a todos para uma conversa em torno da exposição “A noite dos clarões: ecos do surrealismo e outras cosmologias”, em cartaz na Flexa. A conversa vai acontecer no dia 18 de setembro (Hoje!), às 19h. O evento contará com a participação do antropólogo Leonardo Nascimento e da psicanalista Tania Rivera, e será mediada por Luisa Duarte, curadora da mostra e diretora artística da galeria.

Quarta-feira | 18.09 - 19h
Dias Ferreira, 214 - Leblon by @leonascimento7
15
2 years ago
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Em setembro de 2022, a artista e pesquisadora Glicéria Tupinambá estava em uma viagem de trabalho pela Europa. Glicéria e duas amigas indígenas, Francy Baniwa e Nelly Marubo, além de duas outras amigas, Luisa Elvira Belaunde e Cecilia McCallum, todas elas antropólogas, começaram o percurso por Londres, na Inglaterra. Lá, visitaram a reserva técnica do Museu Britânico para conhecer o acervo da instituição. À época, Glicéria postou a foto de um cocar feito de penas de arara e tucum. “Esse cocar é tupinambá. Está aqui no Museu Britânico”, escreveu na legenda. Elas fizeram ainda uma fala no Royal Anthropological Institute of Great Britain And Ireland (RAI), importante associação dedicada à promoção da antropologia, compartilhando experiências e defendendo a necessidade de escreverem a própria história, a partir de uma perspectiva indígena. Na sequência, deslocaram-se para St. Andrews, uma pequena cidade histórica da Escócia, localizada a cerca de 80 km de Edimburgo. Recebidas como lideranças climáticas para uma agenda de oficinas e palestras na Universidade de St. Andrews, mais antiga universidade da Escócia e uma das mais antigas do Reino Unido, elas se hospedaram todas juntas em uma casa em Edimburgo. Na distribuição de cômodos, Glicéria ficou com o escritório. Segundo me narrou a artista, além de meias e roupas de moletom, foram necessárias quatro camadas de cobertores para aguentar a temperatura local. A casa ficou ainda mais gelada em uma das noites, na véspera da visita que elas fariam ao Parlamento escocês. Ao apagarem as luzes para dormir, Glicéria sentiu uma energia estranha no  entorno, como uma névoa que subia as escadas da casa e, lentamente, entrava no escritório e atravessava as camadas de cobertores. “E eram quatro camadas, não apenas uma!”, lembra ela. Vencida a barreira dos cobertores, a névoa foi penetrando sua carne até chegar aos ossos, esfriando todo o corpo. “Parecia que eu estava num estado de febre, mas eu não estava doente. Na hora eu falei assim: isso é trabalho de morto!”

Quer saber como termina essa história? É só conferir o perfil da @celiatupinamba que eu escrevi pra edição de estreia do Suplemento Cultural O Mantiqueira. + taken in Serra do Padeiro by @leonascimento7
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10 months ago
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“Eu estava na escola e lia os clássicos que todo mundo lê, tinha lido alguns clássicos estrangeiros traduzidos para o português, filósofos… e aprendido a história da mitologia grega, da mitologia romana. Sabia o nome de todos os deuses do panteão grego, por exemplo. E ao mesmo tempo eu ouvia muito das minhas histórias, da minha mãe, do meu pai, dos meus tios. As histórias dos Baniwa, a história do rio Negro. Quando eu cheguei em São Gabriel da Cachoeira, haviam lançado uma coleção chamada ‘Narradores indígenas do rio Negro’ – e os desenhos que estavam nesse livro eram do Feliciano Lana. Foi a primeira vez que eu tive uma ideia visual do panteão indígena do rio Negro. E depois eu tive acesso ao ‘Antes o mundo não existia’, que também eram histórias com desenho do Feliciano. Mudou minha vida, com certeza. Foi a primeira vez que eu vi o rosto e a forma de todas as histórias antigas que a gente ouvia. Quando eu decidi dedicar a vida a ser artista de verdade, todo mundo me perguntava qual era minha inspiração ou artistas de que eu gostava. Eu falava do Feliciano Lana, do Gabriel Gentil… Faz pouco tempo eu fiquei pensando muito sobre o Feliciano e a importância dele para o nascimento de muitos artistas indígenas no rio Negro e no Amazonas, em quanto ele foi pioneiro na criação de uma estética, na criação de imagens históricas, na criação de um repertório visual narrativo rio-negrino e brasileiro. Para mim, ele segue sendo o que me deu condições de ser artista. Ele me deu a condição de entender que a história e os deuses baniwa e tukano, por exemplo, são tão importantes quanto os deuses Netuno, Afrodite e Zeus. E que a história narrativa e visual indígena rio-negrina é tão importante quanto qualquer outra narrativa visual de qualquer outro país ou de qualquer outra civilização.”(Denilson Baniwa, 2023)

🎨 Pinturas de Feliciano Lana
• Cobra-Canoa da Transformação
• Mito do Kamaueni e a origem do aracu-de-pau e outros peixes 
• Sem título 
• Mito do Diabo sem c* e a origem dos sarapós e ituins
• Mito de Diadoe e a origem do matapi e dos pirarucus e traíras taken in Rio Negro - Amazônia by @leonascimento7
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13 days ago
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Aquilo que mais me atraiu na antropologia foi a sensação de não entendimento. Até hoje eu não entendo, num sentido forte, muitos dos textos antropológicos que li repetidas vezes, porque neles o entendimento não se dá apenas de maneira “lógica”, mas também da disposição para um deslocamento profundo. Entender como grupos sociais organizam o mundo de formas radicalmente distintas exige esforço, porque culturas são sistemas em que as partes só podem ser compreendidas a partir das relações que estabelecem entre si. Por isso, algo que nos soa sem sentido pode ser perfeitamente coerente para outros grupos. Afinal, nem mesmo o que entendemos por “sentido” tem o mesmo sentido para todos. 

Talvez venha daí minha dificuldade com parte considerável das produções contemporâneas — acadêmicas, jornalísticas, artísticas e sobretudo com conteúdos para internet —, porque elas buscam uma identificação quase imediata. E a experiência antropológica mais transformadora costuma se dar ao contrário. Ela começa quando a gente percebe que não entendeu, e que talvez esteja usando as ferramentas inadequadas para entender. Porque, além de não saber a resposta, talvez a gente não saiba o que está sendo (ou deveria ser) perguntado. Quando a antropologia se deu conta disso, a própria disciplina precisou se transformar para continuar existindo.

Mas, se a experiência antropológica mais valiosa começa quando não entendemos, ou não sabemos exatamente o que estamos tentando entender, como produzir algo num ambiente que apenas recompensa quem faz os outros sentirem que entenderam imediatamente? Ao contrário da busca por identificação, mudar a forma como percebemos o mundo é um percurso lento e exige suportar períodos de desorientação. Ainda assim, não vejo outra forma de convivermos com diferenças tão significativas sem descobrir onde nossas próprias categorias deixam de funcionar. É um processo realmente desconfortável e, muitas vezes, nos confronta com a nossa própria insuficiência, mas talvez só assim o pensamento possa se mover.

[Na imagem: Denilson Baniwa, “O antropólogo moderno já nasceu antigo”, 2019] by @leonascimento7
18
2 months ago
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“O que falaram de nós? O que falamos por nós? Que imagens de nós?” Essas são questões presentes em uma das obras expostas em Retomada da imagem – Investigações indígenas no acervo fotográfico do MUPA, projeto de pesquisa, documentação e criação artística realizado pelo Museu Paranaense entre 2021 e 2022. Produzida com colagens de fotografias de pessoas indígenas, textos e desenhos em tinta acrílica sobre um fundo preto, a tela em questão é uma das mais emblemáticas do propósito da mostra, oriunda da vontade do Museu de revisar criticamente seu próprio acervo etnográfico. Para tanto, contou com a coordenação dos artistas Denilson Baniwa e Gustavo Caboco Wapichana.

Cada vez mais, os museus se transformam em espaços de articulação política para que grupos historicamente excluídos apresentem suas próprias narrativas. A Retomada da imagem se insere nesse contexto como uma experiência singular e, ao mesmo tempo, plural, em sintonia com a crescente presença de artistas indígenas e negros expondo seus trabalhos em importantes instituições culturais do país.

A meu ver, esse movimento aprofunda a problemática do lugar da antropologia (e da crítica cultural, de maneira mais ampla) no debate contemporâneo, especialmente neste momento em que não resta outra posição ética a não ser deixar “o palco indigenista para os próprios indígenas”, como argumenta o antropólogo Felipe Cruz, do povo Tuxá. No entanto, e aqui falo em meu próprio nome, não creio que a “saída do palco” seja equivalente a uma “saída de cena”, mas antes à emergência de novas formas de enunciação antropológica na arena política interétnica. Será preciso aceitar que, em determinados contextos, a disciplina já não ocupa o lugar de protagonista no palco da história.

E, no fundo, não é só a antropologia que vive esse deslocamento. Várias instituições construíram sua autoridade a partir da mediação da fala dos “outros”. Depois de projetos como a Retomada da imagem — sobre a qual estou escrevendo um artigo — algumas perguntas deixam de dizer respeito apenas aos povos indígenas e passam a nos interpelar diretamente: o que produzimos quando já não somos os únicos a narrar? O que falamos por nós? Que imagens de nós? by @leonascimento7
17
2 months ago
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me leva pra aparelhagem by @leonascimento7
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9 months ago
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[um antropólogo selecionando fotos do trabalho de campo] by @leonascimento7
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8 months ago
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você queria ser o grande herói das estradas by @leonascimento7
7
8 months ago
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navegar, conhecer suas besteiras by @leonascimento7
11
9 months ago
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Em uma cena aparentemente banal para os dias presentes, dois jovens rapazes, posicionados lado a lado, seguram seus respectivos dispositivos de registro: uma filmadora e um celular. É difícil, talvez impossível, precisar se eles capturam qualquer coisa sem grande relevância, como fazemos diariamente para alimentar nossos perfis nas redes sociais, ou se, ao contrário, aguardam um “instante decisivo”. Uma observação mais atenta, no entanto, poderá sugerir que o que está em jogo não é exatamente o que vemos, mas a arquitetura invisível do olhar que a imagem faz emergir. 

A cena não se entrega totalmente porque remete a algo que está fora dela: o campo das lutas pela autodefinição da imagem, a disputa sobre quem tem o direito de ver e de fazer ver. Se não conseguimos saber o que os jovens registram, talvez sejamos nós o “objeto” dessa captura. Assim, a posição de quem vê é convocada, implicada pela própria estrutura do quadro. Tornamo-nos o locus que a imagem supõe, mas não mostra. 

Se há algo, contudo, que retira a cena de seu possível enquadramento ordinário, esse algo diz respeito, sobretudo, aos atores nela envolvidos. Os rapazes em questão são, na verdade, dois jovens indígenas. E essa é uma inversão decisiva. Durante séculos, o olhar colonial fez do corpo indígena objeto de exame e classificação. Na pintura de Denilson Baniwa, a economia do olhar é reconfigurada: não mais o indígena como aquilo que é visto, mas como aquele que vê, que enquadra, filma, registra. 

A imagem marca o deslocamento de um regime epistêmico, o instante — decisivo — em que o sujeito indígena assume-se como produtor de visibilidades na arena política interétnica. Ao colocar a filmadora e o celular nas mãos desses jovens, reorganizando as posições do visível no Brasil contemporâneo, Denilson Baniwa e os demais realizadores indígenas nos devolvem o olhar, agora multiplicado pelas máquinas.

[Início de um texto em processo. Quando sair, divulgo aqui.]

🎨”Awá uyuká kisé, tá uyuká kurí aé kisé irü” (Quem com ferro fere, com ferro será ferido), Denilson Baniwa, 2018 by @leonascimento7
22
8 months ago
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amanhã tudo começa de novo by @leonascimento7
12
7 months ago
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