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um mel misturado com dendê.
artista visual e escritora
📚”Vista pro Mar” pela @editoraurutau
fotógrafa profissional em @lisguedesfoto
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o dia que o mar virou gota.

// nossa amiga em comum (chique) @fefefvn deu meu livro de presente de aniversário (chique demais) pra Conceição Evaristo em plena Flup (podre de chique)

alegrias que nem ousei sonhar by @lisguedex
23
a year ago
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antes de me dar um nome minha mãe me levou no ventre pra uma greve. a barriga já era grande de maneira que ganhou fama entre os manifestantes. a grávida grevista. considero essa a história mais relevante de minha chegada ao mundo. uma manifestante por direitos trabalhistas imensamente grávida de mim. temos a respeito desse momento um elo profundo e uma cumplicidade comedida, confessadas em dedicatórias, cartas e escritos. a segunda história que considero interessante é que fui nomeada pelo médico obstetra de meu parto. Lis. ele quem escolheu. curto, bonito e com um acento que não uso: Lís. 

nasci neta de um Zé da Silva e por isso já nasci sabida que na vida existem aqueles que tem corpo e aqueles que tem nome. ter corpo vem antes de ter nome. ou ter nome vem antes que ter corpo. mas a ordem pra nós é esta: 
ter corpo aprender a ter voz e só depois ter nome.

uma mulher grávida de mim numa greve por direitos trabalhistas é uma imagem que sempre me fez acreditar mais naqueles que tem corpo. 

antes de tudo: corpo de trabalhar de parir de reivindicar corpo de educar de criar de carregar corpo de queimar de sol de suar de padecer corpo de protestar de falar de ocupar corpo de incomodar. políticas são todas as coisas que atravessam o corpo. a fome o saneamento o descanso o descaso o medo a ameaça a falta de sono o desamparo a saúde a raça o alvo o gênero a dissidência a sentença a maternidade a infância. 

todos esses corpos que incomodam os que só tem nome.

a imagem da votação da 6x1 ontem com a cadeira do Flávio Bolsonaro vazia me fez lembrar disso. 
o primeiro emprego dele ter sido funcionário-fantasma também me faz lembrar disso. 
o corpo da Dilma abusado na ditadura militar me faz lembrar disso.
o dedo a menos na mão de um torneiro mecânico me faz lembrar disso.
as ruas cheias de trabalhadores me fazem lembrar disso.

eles tem sobrenome.
mas a gente que sente a política no corpo 
vota em mais um Silva. 

@lulaoficial !

—

nas fotos, pra quem chegou nesse perfil depois, 
imagens dos protestos durante o des-governo Bolsonaro. 
no período eu era midiativista pelo @cwbresiste 

Seguimos. by @lisguedex
11
15 hours ago
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08 de setembro
14h às 15h
eu, @camilaanllelini e @viladafofoca_ 
no stand @escrevagarota 
na Bienal Internacional do Livro de SP
🧵🪡

—
aquela célebre frase da @belareis : 
“faça terapia e não deite pra sua mãe.”

em outras palavras: 
faça terapia e se separe de algum modo de sua mãe . 
(um bom caminho pra ambas se enxergarem pessoas, não se assuste, costuma ter efeitos de aproximação.) by @lisguedex
15
2 months ago
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Vamos ali?? (fofocar na Bienal do livro de São Paulo!!)
 
No dia 8 de setembro estaremos na Bienal conversando sobre esse trabalhão que a gente faz a vida inteira: se separar da nossa mãe e da imagem interna que a gente construiu dela.
Porque só assim elas podem ser alguém. E a gente também.

Coloca na agenda pra não esquecer: 
📌 08/09 (terça), 14h às 15h
📍 Bienal Internacional do Livro de São Paulo - estande G80, do “Escreva, Garota!”/ @escrevagarota 

Tá todo mundo convidado! 

(ingressos no site da @bienaldolivrosp ) by @lisguedex
11
2 months ago
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021,
meu brilho volta taken in Rio de Janeiro, Rio de Janeiro by @lisguedex
7
2 months ago
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compilado tardio da Flip, pra dizer que:
para realizar coisas grandiosas é preciso enxergá-las grandiosas. 
fazê-las grandes em cada gesto. 
agir de acordo com o tamanho que desejamos dar. 

para realizar coisas grandiosas: agir com grandeza. grandiosidade. generosidade. gentileza. e toda coisa boa que combine com essas palavras. 

grandiosidade não é lugar: há quem leve a derrota pro topo. 

respeitar o passo e o chão. celebrar quem vai junto, honrar quem foi antes, retribuir quem motiva a continuar indo. e ir indo. fazer do trabalho um valor externo: alcançar com ele o que pode ser alcançado. fazer da fé um valor interno: caminho não se faz só com o que o olho pode ver. confiar na porta aberta na porta fechada e na escolha de cada encruzilhada. resignar e esperançar em justa medida.

para realizar coisas grandiosas sendo mãe, importante: abandonar a ilusão de preencher tudo. permitir a falta, o espaço, a lacuna. ceder ao filho generoso espaço de distância. ceder espaço do colo pra retornar o realizar das mãos. se permitir ser vista tentando, realizando, sendo gente. presentea-lo com a chance de aprender a ser gente. gente é feita essencialmente de faltar e de querer. pra realizar sendo mãe, importante: abraçar o perrengue. contar com apoio. com amor.

para realizar coisas, todas: reconhecer que elas são grandiosas. saber o custo de cada passo. pagar o preço sem resmungo. desfrutar. ir de desejo inteiro. 
acreditar ser possível. 
fazer (só o que for) possível. 

pra voltar desejando mais. taken in Flip - Festa de Livros Internacional de Parati by @lisguedex
6
2 months ago
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c e l e b r a r by @lisguedex
10
2 months ago
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a primeira foto de idade nova pra me lembrar que essa é a cara dos meus 31. 

trinta e um. 
cerca de 10 anos atrás comecei a descobrir uma coisa que levo a sério demais: temos poder narrativo sobre nossa própria história. 
o que me aconteceu importa. 
como eu conto, importa mais. 

dessa maneira fiz de minhas fraquezas um grande poder: escolho contar minha história a partir de minha coragem. 

gosto desse trinta + 1 que me aponta que já fazem mais de dez anos que a coragem me entranhou o corpo. precisei dela, e da mão de muitos amigos, para buscar espaço seguro pra viver. uma kitnet com sossego, trabalho incansável e a descoberta que a
paz é uma conta que vale qualquer sacrifício. 

poucos anos depois, com coragem aumentada, pus minha vida em duas malas e uma mochila de costas. ri esses dias relembrando com minha irmã “peguei o ônibus pra viver em outro estado sem família pra me deixar na rodoviária, sem aceno de tchau, sem tapinha nas costas”. e ela complementou “e chegou em outra cidade sem família pra receber”. essa é outra, irmã de coragem similar, aprendemos juntas a rir e a admirar nosso percurso sempre tão grandioso. uma grandiosidade que quase esconde o preço. alto. custoso. 

com coragem me instalei. fiz amigos. trabalhei. dei minha cara a tapa. cumpri minha palavra e aprendi a fazer escolhas melhores até tornar minha vida uma vida melhor pra mim. com coragem me desloquei de um terreno emocional árido e aprendi a tratar bem minhas sementes. a dar fruto. com coragem me permiti topar a maternidade e me encarnar na palavra mãe, essa que sempre foi grande ferida. com coragem tenho sido mãe amorosa. com coragem construí uma família que não apenas acena pra  mim torcendo pela minha ida, mas que vai junto comigo celebrar meus passos. 

encontrei muita sorte no caminho. 
e sinto que convenci a sorte a andar comigo. ela não me larga. nem eu largo ela. meu Júpiter só é exaltado domiciliado abundante ou seja lá o que for que os céus apontam porque vê em mim coragem de sustenta-lo. 

meu caminho há de continuar abençoado. abundante. frutífero. me prometi isso. que a espiritualidade continue me auxiliando a cumprir.

31 anos corajosamente sortuda! 🍀 by @lisguedex
26
2 months ago
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todos esses registros falam uma mesma coisa: pai é palavra que mora entre um horizonte e uma fronteira. 

você é o primeiro a pegar Jorge de meu colo e com isso dizer: veja bem, o mundo é agora outra coisa. 
com esse ato devolve meu corpo e dá a nós dois liberdade. alívio. 

é sua função em ação que nos expande. ganhamos poder de realização, espaço, paisagem. acho engraçada a dualidade: esse horizonte só se abre quando você se faz fronteira.
pai é veto na simbiose filho-mãe. castração. separação.

se comigo Jorge precisava do corpo. 
agora- assim-separado pede de ti a língua. é com palavra que o horizonte desmedido que você cede não é perigo. o mundo que você apresenta também nomeia. bicho bike planta lago pato céu chuva estrada camping viagem salto bola pulo aventura patinete. e as duas mais importantes, talvez: sim e não. é tua boca que mostra e ensina como se experimenta o mundo. “aqui pode correr. aqui não pode gritar. só vai até ali. agora não é hora.” 

e quanto escrevo esse texto, te escuto dali da sala preservar minha privacidade de uma ida ao banheiro “agora você não vai lá. a mamãe está ocupada”. não fosse isso nos engoliríamos, filho e mãe, destinados a fundição. 

função pai. qualquer coisa entre fronteira e horizonte. busco agora outra palavra.

…

salvação. 
♥️

Te amo infinitos, @felipefuba_ 
Sorte a do Jorge ter o mundo apresentado por você.
Te amo te amo te amo te amo. Sou apaixonada por você. by @lisguedex
9
2 months ago
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Enviei esse vídeo para @lisguedex e ela respondeu com “fui transportada para a alegria que senti no dia”. 

Esse encontro foi um respiro, há um tempo que não falava sobre o meu livro Educar em público e tinha me esquecido como é gostoso poder elaborar para além do que está escrito, esse dia ressignificou algumas coisas para mim, obrigada pelo convite @livrariatarrafa e obrigada pela generosa mediação, minha amiga querida @joicerosa. 

Quem ainda não conhece meu livro, faço um convite que o leia.
E quem ainda não conhece o Vista para o mar também te convido a mergulhar no puerpério! 

Obrigada a todos que vibram com meu trabalho, o reconhecimento de vocês é muito importante ❤️

Um agradecimento especial a equipe @capptura.co pela sensibilidade de editar esse reels com essas falas tão potentes! taken in Livraria Tarrafa by @lisguedex
27
2 months ago
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“Vista pro Mar” é o título do mês de agosto 
do Clube do Livro @maelevaoutra, 
da @editoraurutau !

Não podia ser mais especial: um dia após meu aniversário! Então já separa uma taça de vinho e um espaço na agenda na próxima segunda, vamos celebrar juntas!

O clube é on-line, perfeito pra ajustar na rotina e nos reunir dos mais diversos cantos. Quem quiser o link: só me pedir!

Eu não vejo a hora de destrinchar essa obra junto com vocês que fazem ela acontecer como texto vivo.

a mediação será de @padaursa 
e pra estender a dobradinha da última sexta, @araquelpetersen é minha convidada.

Não precisa ter lido o livro: mas se quiser pode! by @lisguedex
6
2 months ago
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Na última sexta na @livrariatarrafa, durante a mediação @joicerosa citou Adélia, ao fazer uma pergunta pra Raquel. 

Aquela frase máxima “Mulher é desdobrável”, que me arrepia inteira. Coloquei na terceira foto pra não guardar só pra gente. Na hora pensei: eis aqui um grande ponto comum em nossa escrita. E não somente em nossa escrita: um ponto comum em nosso modo de construir um caminho no mundo. A dobra, o desdobrar, o encurvar, esmiuçar, investigar, elaborar, a insistência em costurar uma história própria até dar a ela outro destino.

Deste ponto de inquietude se desdobram nossos caminhos. 
O esperançar da educação, da infância, de futuros, de uma parentalidade possível e coerente na escrita de @araquelpetersen . 
A reconexão com algo do feminino adoecido e adormecido enquanto se nasce mãe,  alguma dignidade no corpo curvo, vulnerável e poderoso de uma puérpera na minha.

“Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina. 
Inauguro linhagens, fundo reinos - dor não é amargura.”

Dor, individual ou coletiva, é possibilidade.
De desdobramento. De desbravamento.

Uma honra participar a convite da Tarrafa dessa mesa ao lado de @araquelpetersen , essa mulher incrível que carrega bandeira (e finca bandeira por onde passa) e tenho o prazer de chamar de amiga. 

Obrigada pela presença de todos, em breve trazemos mais desse encontro por aqui. 
Ele merece reverberar, foi incrível! by @lisguedex
11
2 months ago
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