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Escritor, sempre na estrada.
Nuvem Ardente é um livro sobre pessoas a beira da própria erupção. Disponível aqui ↓
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Atlas de Nuvem Ardente

Revirando minhas coisas, tive vontade de compartilhar o arcabouço de imagens, filmes, livros, músicas e outras coisas que me ajudaram durante o processo de escrita do livro.

Venice Beach, circa 2016, onde comecei a escrever o conto Nigredo.

Songs of Innocence, de William Blake, que me ajudou no mergulho.

Meu apartamento em Venice, que retrato no primeiro conto do livro.

As viagens alucinantes dessa turma pelos desertos da Califórnia inspiraram Garganta Seca: Keith Richards, Anita Pallenberg e Gram Parsons, Indian Blanket, Joshua Tree National Park, CA, 1968.

El Topo, do gênio Jodorowsky, me ajudou a desliterizar as imagens que queria construir para o segundo conto do livro.

Sempre que pensava no personagem de Garganta Seca, vinha Dennis Hopper, nessa fase hippie dele, à cabeça.

Já em Famara, inspiração direta em Abraços Partidos, de Almodóvar, e na belíssima Penélope.

Saramago em Lanzarote, lugar que escolheu para encontrar o silêncio.

As Aventuras de Dylan é quase um épico sobre se encontrar. Na época, assisti em looping a Zabriskie Point. O link é com vocês.

María Sabina, xamã mexicana que me “pegou pela mão” e me ajudou a caminhar pelas histórias do livro.

Vulcões, vulcões e vulcões. Minha eterna obsessão e tema central de Nuvem Ardente.

As embarcações do Lago Titicaca, que me ajudaram a construir os visuais que queria para Profundos. by @marcusozi
8
2 months ago
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Nuvem Ardente é um livro sobre pessoas à beira da própria erupção.

Personagens que caminham sobre a tênue linha entre o colapso e a revelação. Atravessando desertos na Califórnia, caminhando pelas Ilhas Canárias, escalando vulcões no México ou vagando por cidades imaginárias.

Algumas dessas jornadas aconteceram.
Outras não.
Você decide.

Mas todas falam das mesmas forças que nos movem desde sempre: fé, solidão, redenção, morte e transformação.

São seis contos, uma coleção de historias sobre o momento que antecede a explosão, quando tudo ainda está em silêncio, mas algo já começou a queimar por dentro.

Disponível na Amazon (link na bio) e livrarias selecionadas. by @marcusozi
66
a year ago
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Bueno, vai virar livro, quase certo. Mas, antes que a fantasia engula a ficção, deixo registrado o que vi, vivi, senti nesses dez dias rasgando a Inglaterra num carro velho, atrás de um sonho antigo. 

Chuva, milhas e milhas, café ruim e os melhores parceiros que eu podia ter ao lado. Saio da estrada com uma certeza e nenhuma. Não há nada que não possamos fazer. Não há nada que precisemos fazer. Um circo itinerante. Um caixeiro viajante. Um arqueólogo de boas histórias. Um viajante faminto por adrenalina. Completamente apaixonados por um sonho. Viajo porque preciso, volto porque te amo. 

Não importa. O universo espremido no retrovisor. Nada atrás de mim, tudo à minha frente, como sempre é na estrada. E, no meio de tudo, um desejo, não só meu, mas nosso, dos que vieram antes e dos que ainda vão nascer.

Nossa @salustianobrasil começa aqui.
E a estrada segue adiante.

Cheers, mates. by @marcusozi
62
a year ago
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Demorou uma cacetada de tempo até eu entender que a bagunça da minha cabeça, na verdade, era a ordem do meu coração.

Demorou. Tentei arrumar a casa, pintar as paredes, organizar em caixas, nomear as coisas e, mesmo assim, o embaraçado seguia lá, pulando de gaveta em gaveta, se arrastando pelo chão amontoado de coisas, trocando de roupa a cada segundo e jogando as mudas sobre a poltrona do quarto.

As conexões siderais me enlouquecendo por minuto, querendo linkar Tom Waits com Tom Zé, Tom Zé com Romênia, Romênia com unicórnio, unicórnio com saxofone, saxofone com dia de sol, dia de sol com PUTS tenho que fazer exercício, exercício com foda se Tom Waits nunca subiu numa esteira.  A chuva torrencial de pensamentos intrusivos e planos mirabolantes que sabemos, AH, SABEMOS, não duram sequer um banho longo. As noites em claro, os dias dormidos, os textos nunca acabados, as cartas nunca enviadas, a mesa sempre bagunçada.

Toda essa turma de mãos dadas querendo martelar minha mente quando, na verdade, o que querem mesmo é provocar meus desejos.

Demorou, mas aprendi. Hoje, todos nós dançamos juntos. É daí que sai o que me faz andar. É daí que extraio o suco que irriga tudo e qualquer coisa que faço. É dessa bagunça que nascem as palavras que carimbo no papel.

Mas sigo administrando pequenas doses de antídoto para acalmar a corrente de bagunça que chega ao cérebro. Quando o bicho pega, não tem jeito. É estrada. O modo avião do ser humano. Uma reta, o asfalto zumbindo numa frequência meditativa, uma boa música e a janela emoldurando tudo aquilo que não podemos tocar naquele momento.

Chego a salivar só de escrever. Já já tem estradão de novo. Descansa, meu filho. by @marcusozi
27
a month ago
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Por muito tempo eu me obriguei a acreditar que a inspiração devia vir onde quisesse. Na beira da estrada, em postos de gasolina, num bar lotado, num café com mesas na calçada. Qualquer lugar onde ela aparecesse virava, por decreto, meu escritório.

Essa ideia funciona, claro, para pequenas faiscas. A tal da inspiracao vem como um cometa e nos toca captura-los. Antes dos outros. A tempo de guarda-la ainda viva, quente e brilhante para depois  trabalhar. 

Foi só na primeira casa em que morei com a Dora que senti falta de outra coisa. Um lugar fixo. Um lugar meu. um laboratório para onde levar meus cometas atrapados.

Lá eu abro, examino, corto em pedaços, disseco e tento entender do que são feitos. Não é onde tudo começa, é onde as coisas continuam.

Nem sempre é um terreno fértil para novas ideias. Mas é, sem dúvida, onde elas sobrevivem.

Às vezes, quando a casa dorme, o disco certo encaixa na vitrola, o café ainda está quente ou o whisky tintila no copo… pode ser que um cometa passe por ali. Mas aí, meu amigo, é puro acaso.

Enquanto isso, mantenho ele sempre organizado, mesmo que nao organizado, e sempre pronto, para receber de emergencia ou entao prematuramente os cometas que insistem em cair quando menos esperamos. by @marcusozi
23
6 months ago
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Bueno, existe uma velha história chinesa que volta para mim de tempos em tempos.

Ela é mais ou menos assim: Zhuangzi caminhava com um amigo sobre uma ponte do rio Hao quando viu alguns peixes nadando no rio e disse, com total tranquilidade, que aqueles peixes estavam felizes.

O amigo, muito sábio, perguntou: “Você não é um peixe. Como pode saber da alegria dos peixes?”

COMO PODE SABER DA ALEGRIA DOS PEIXES?

Que baita pergunta, que baita provocação. Ainda mais hoje em dia, nesse mundo atolado de belas imagens, imagens dos outros, fabricadas, pré-fabricadas, montadas, brilhantes imagens. Olhamos o mundo pelo prisma dos outros e decidimos qual realidade abarcar de acordo com as histórias que nos contamos sobre a história dos outros, me entende? 

Vemos as fotos, lemos os textos, podemos até sentir o cheiro. São todos felizes, todos completos, todos inteiros. Pobres inteiras metades. Em seguida invejamos, desejamos, nos prontificamos a ter tudo o que aquele outro tem, pelo simples fato de acreditarmos piamente, vendo o sorriso na foto, que são felizes. Os outros.

MAS COMO SABER DA ALEGRIA DOS PEIXES?

Bom, existe aquilo que aparece e existe aquilo que fica atrás da aparência.

Fenômeno e númeno.

A coisa vista e a coisa em si. O rosto e aquilo que o rosto esconde. O que sabemos e tudo o que não conseguimos saber sem inventar. 

Foi desse lugar que nasceu OAXACA, 1925.

Uma série de contos e cartas sobre dois amigos atravessando o México dos anos 20 em busca da resposta para a pergunta que nos atormenta há milênios: 

Como sabemos que alguém é feliz?

Ou melhor: como sabemos qualquer coisa sobre qualquer pessoa?

Acabei de postar a primeira parte no Substack. Link na bio. by @marcusozi
15
4 months ago
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Alguns trechos da entrevista que dei para a @sunshinerevista sobre meu livro Nuvem Ardente.

Nuvem Ardente é um livro sobre pessoas à beira da própria erupção. 

Personagens que caminham sobre a tênue linha entre o colapso e a revelação. Atravessando desertos na Califórnia, caminhando pelas Ilhas Canárias, escalando vulcões no México ou vagando por cidades imaginárias.

Algumas dessas histórias aconteceram.
Outras não.

Você decide.

Mas todas falam das mesmas forças que nos movem desde sempre: fé, solidão, redenção, morte e transformação.

Nuvem Ardente é uma coleção de contos sobre o momento que antecede a explosão, quando tudo ainda está em silêncio, mas algo já começou a queimar por dentro.

Disponível na Amazon (link na bio) e livrarias selecionadas. by @marcusozi
41
7 months ago
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Foi em 2018 que deixei oficialmente de lado o que parecia, aos poucos, se tornar uma carreira como fotógrafo. Digo parecia porque, no fundo, nunca cheguei a me tornar um de fato, mas, naquela época, era o que mais se aproximava de pagar meus boletos.

Minha relação com a fotografia talvez seja a mais antiga de todas. Desde pequeno tinha minhas câmeras. Desde pequeno carregava essa urgência de querer congelar alguns momentos para poder sorvê-los depois. Tudo o que era efêmero me afligia e me colocava em estado de êxtase. O sol batendo em um cânion, uma gota d’água pendendo de uma folha, uma teia de aranha bem construída, o pôr do sol ah, o pôr do sol esse hipinólogo secular…Era com a câmera que eu guardava cada pedaço do que via. Houve um tempo em que sair de casa sem uma câmera era como sair sem oxigênio.

Com o tempo, aprendi a acessar melhor minhas emoções, minhas memórias, minhas fantasias. E, aos poucos, a fotografia foi se tornando auxiliar, não mais rainha. Já não precisava delegar minhas emoções à luz, elas passaram a se revelar sozinhas dentro da cabeça.

Hoje respiro sem aparelhos. E o que restou desse enfisema da memória foi o papel e a caneta, claro. Hoje escrevo não pela aflição de não capturar o efêmero, mas pelo prazer de compartilhá-lo. E tem sido assim há alguns anos.

Mas, neste aniversário, Dora me presenteou com uma Kodak F9. Uma câmera simples, de poucas funções, bruta que designa qualquer pretensão estética ao acaso. E não é que me apaixonei de novo? Antonio também tem culpa. Sua curiosidade crescente pelos registros artísticos ajudou a reacender a chama. Hoje posso dizer que grande parte da minha escrita vem de rever minhas fotos: os lugares por onde andei, e como meus olhos funcionavam em determinada época. 

Não, vocês não verão fotos bem tiradas por aqui. Na verdade, nem mal tiradas. Vou seguir do jeitinho que o algoritmo pede: selfies e autobajulação. Be the game, eles dizem.

Mas, aproveitando o ostracismo de uma legenda longa, senti vontade de registrar esta pequena ode a um hábito que me formou. E segue formando, mesmo que em silêncio. by @marcusozi
20
6 months ago
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Por anos, anotei frases soltas em blocos de hotel, guardanapos, cadernos esquecidos no fundo da mochila.

Agora elas estão indo pro mundo, pra ver se elas respiram, ou queimam, ou voltam à vida. Notas da estrada, pensamentos empoeirados, cartas para ninguem e que nunca foram enviadas.

Parte aconteceu. Parte não. Você decide.

Vou soltando aos poucos, sem pressa. Que nem viagem boa. taken in On The Road by @marcusozi
8
2 years ago
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Todo livro é um estrada.

Não sei se dá pra dizer que Nuvem Ardente é um livro de viagem. Mas dá pra afirmar, sem hesitar, que sem as viagens ele não existiria.

Viajar (por dentro ou por fora, grandes rotas ou pequenos deslocamentos) sempre foi a maneira mais antiga que encontrei de me entender. Desde menino eu queria ir embora. Não sabia para onde, muito menos entendia o conceito de “viajar”, mas sentia que o mundo começava longe do lugar onde eu estava.

Como eu não podia sair, encontrei outro caminho: os livros. Eles foram minha primeira rota de fuga, minha primeira estrada possível. Por meio deles, descobri que o mundo era maior do que o que cabia ao meu redor.

Mais tarde, quando pude viajar de verdade, percebi que o impulso era o mesmo, só tinha mudado de forma. As estradas que percorri confirmaram o que os livros já tinham me mostrado: sair é uma maneira de se encontrar.

Para mim, o paralelo é claro: toda estrada é um livro. Tem o mesmo infinito, o mesmo portal, o mesmo convite para ir a um lugar que você ainda não conhece. A cada aventura, a cada amor, desafio, dor, perda ou celebração, uma estrada se estende. Um livro se abre.

Penso nisso sempre que vejo o asfalto cortando a paisagem: o solo comprimido para virar caminho é a mesma matéria-prima da palavra que se aperta para virar frase, página, história.

A estrada é apenas uma ponte entre um ponto e outro. Livros também. 

E para quem aceita o convite por inteiro, estradas e livros são isso: duas formas de partir. E duas formas de voltar diferente. by @marcusozi
5
a year ago
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Escrevi um livro.

Sobre vulcões, desertos, homens perdidos e tudo aquilo que vem antes da explosão.

Mas se engana quem acha que escrevi sentado, encarando uma página em branco. 

Esse livro foi escrito na estrada.

Entre os caminhos que percorri e os que ainda vou percorrer. Foi escrito pelas pessoas que conheci e pelas paisagens que não saem da minha cabeça. 

Nuvem Ardente está em pré-venda.

Prometo algumas verdades. Prometo algumas mentiras que eu queria que fossem verdades. Prometo boas historias, risadas desesperadas e viagens alucinantes. 

O link está na minha bio e agora o livro esta no mundo.

Obrigado! by @marcusozi
122
a year ago
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Percebi hoje que nunca falei literalmente sobre meu livro por aqui.

Venho postando um bocado sobre ele, eu sei. Mas nunca de forma literal. Talvez porque eu tenha certa dificuldade com tudo que é literal. Minha cabeça sempre funcionou mais por imagens, símbolos, sensações e paisagens do que por explicações objetivas. Acho que, no fundo, sempre preferi deixar que os contos falassem sozinhos. Mas talvez tenha chegado a hora.

Existe um velho conceito alquímico chamado nigredo. A obra em negro. A fase inicial da transformação. O momento em que a matéria precisa apodrecer antes de assumir outra forma. Jung associava esse estágio àquilo que São João da Cruz chamou de “a noite escura da alma”: períodos em que a vida perde sentido, as estruturas internas desabam e tudo parece suspenso entre a morte e o renascimento.

Antes de um homem mudar, alguma versão dele precisa desaparecer. Vulcões também funcionam dessa forma: por fora, silêncio. Por dentro, pressão, calor e movimento.

Então aqui vai:  A NUVEM ARDENTE é um dos sinais que um vulcão dá antes da erupção. Uma profecia de destruição. Ou de renascimento.

Em “Nigredo”, um homem tenta tomar controle da própria vida sem perceber que esqueceu do corpo, da terra e da matéria.

Em “Garganta Seca”, talvez o mesmo homem atravesse um deserto em busca de um copo d’água enquanto abandona fantasias antigas pelo caminho.

Em “Famara”, escrevi sobre aquilo que nos consome por inteiro: amor, fé, obsessão ou qualquer outro nome que se queira dar ao fogo.

Em “Dylan”, uma ode ao velho arquétipo do herói, aquele que já deveria estar morto há décadas, mas insiste em voltar para um último round.

Em “Nuvem Ardente”, a história de um vulcão. Ou talvez de dois.

E por fim, um desvio. “Profundos” é a primeira porta para o universo que venho escrevendo há anos. Um mapa ainda incompleto. Mas que ainda há de nascer. 

Hoje olho para esses contos e percebo que todos falam da mesma coisa:

O instante antes da explosão. O momento em que algo dentro de nós sabe que não pode continuar igual, mesmo sem ainda saber no que irá se transformar. by @marcusozi
26
5 months ago
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