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Jornalista e publicitário
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Três coisas deixavam Cristina doidona: maconha, o primeiro disco do Pink Floyd e o livro “O Mundo como Vontade e Representação”, aquele mesmo, do filósofo Arthur Schopenhauer.

Numa noite, Cristina ficou tão imersa naquelas páginas que, sem perceber, adormeceu.

Dormindo, ela mergulhou em sonhos insanos. Em um desses devaneios oníricos, a moça perambulava por um imenso jardim.

Em suas andanças, ela se deparou justamente com o Schopenhauer. O pensador estava espalhando sementes em um canteiro.

Cristina perguntou o que o velho filósofo estava fazendo.
- Não consegue ver que eu estou plantando as sementes da dúvida?

Cristina riu.
- Sério! Que ideia ridícula!

De repente, ela parou de rir.
- Ou será que não é assim tão ridícula?

Cristina abriu os olhos e despertou com essa dúvida atormentando a mente. Lá no fundo da sua consciência, a moça teve a impressão de que ouvia o riso debochado do filósofo. by @nanfernander
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3 months ago
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Era dia da Feira de Ciências. O pátio da escola estava repleto de projetos científicos. Estudantes e professores andavam entre maquetes e coisas que, aos olhos dos alunos, eram chamadas de invenções.

A Aninha, da quinta série B, exibia com orgulho uma represa em miniatura, explicando como funcionava o abastecimento de água.

O Luís, da sexta série C, mostrava um pequeno cata-vento, explicando o que era a energia eólica.

Já o Guilherme, da sexta série B, estava parado, de braços cruzados, ao lado de um imponente ciborgue.

Guilherme sofria bullying com frequência. Quando os caras da sexta série A viram ele parado, ao lado de um espalhafatoso robô de um metro e oitenta de altura, a vontade de zoar foi incontrolável.
- Olha lá, o Guigo gaguinho pensou que vai ganhar a nota máxima só porque construiu um boneco de lata. - Gritou Fabrício, um dos guris que sempre o humilhavam.
- Guigo gaguinho, isso aqui é uma feira de ciências, não um concurso para ver quem inventa a coisa mais inútil. - Falou outro desafeto em meio a gargalhadas.

Outros guris e gurias uniram forças para achincalhar o estudante e o grandalhão robô. O ciborgue, até então, permanecia imóvel como uma estátua.

Guilherme aguardou que os seus detratores se aproximassem um pouco mais do robô. Foi aí que, com um sorrisinho nos lábios, o guri pressionou um botão no seu smartphone.

Os olhos do robô emitiram uma luz azulada. Ele ergueu o braço esquerdo e disparou rajadas de energia para todos os lados.

Os desafetos do Guilherme correram para longe.

Um dos raios destruiu a represa da Aninha, outro tiro estraçalhou o cata-vento do Luís, já o disparo que atingiu Fabrício, fez o guri desaparecer.

Após a confusão, Guilherme foi conduzido para a sala da diretora.
- Muito bem, rapaz. Esse seu trambolho cibernético pulverizou um dos nossos alunos e…
- Não se preocupe, diretora Almeida, o Fabrício foi mandado para um universo paralelo. Daqui a quarenta e oito horas, para o azar da humanidade, aquele desgraçado vai aparecer de novo.

Fabrício retornou e o robô teve que ser destruído. Mas nem o zero na nota conseguiu entristecer Guilherme. by @nanfernander
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3 months ago
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Descanso após uma corrida by @nanfernander
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3 months ago
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Era noite. Eu andava sozinho pela rua. A maioria das luzes nos apartamentos dos prédios estavam apagadas e até os botecos mais fuleiros estavam de portas fechadas.

De repente vi um brilho intenso surgir bem ao meu lado. Foi como ver o sol nascer repentinamente perto de mim.
Caí sentado no asfalto sujo. 

Os meus olhos, que já não são tão saudáveis, se esforçavam para se manter abertos diante daquela luz.

- Isso é um tipo de portal? - Eu me perguntei sem saber se corria ou ficava admirando tamanho espetáculo.
Eis que de dentro do portal saiu um fusca amarelo. Foi como se um outro universo tivesse vomitado para o nosso lado o mais famoso produto da Volkswagen.

O veículo rodou até a esquina e foi parando aos poucos. O motorista saiu irritado do automóvel. A julgar pela expressão sisuda e pelo movimento dos lábios, o que ele pronunciava não eram palavras bonitas.
- Amigo, você mesmo aí sentado, descansando. Preciso da sua ajuda. - Ele falou após abrir o capô do fusca e reagir com uma careta para o que estava ali dentro.

Até cogitei argumentar que eu não entendia nada de carros, especialmente daqueles que atravessavam vórtices interdimensionais. Porém, curioso, me aproximei do fusca e do motorista, ainda com cautela.
- O motor morreu. - Ele disse olhando decepcionado para o interior do capô.

O que eu vi ali foi apenas um escuro pontilhado por luzinhas brilhantes. Era como se a noite estivesse morando ali dentro.
- É o seguinte, você tem que contar a maior mentira de todas. Só assim para esse carro funcionar. 

Eu disse para o motorista que esse tipo de coisa ele mesmo podia fazer.

O motorista argumentou que já contou os maiores absurdos possíveis.
- Amigo, agora é contigo. Você tem que me ajudar. Já me atrasei demais. - Ele disse olhando preocupado para uma ampulheta em um dos bolsos.

E ali mesmo destilei o meu repertório de absurdos. Eu disse que o céu era roxo, que a lua era de queijo, que o feminismo quer igualdade e que o Trump zelava pela paz mundial. Nada disso pareceu animar o fusca.

Continua nos comentários... by @nanfernander
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3 months ago
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