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escritora & revisora
amante de botecos & boas conversas
mestranda em Literatura e Crítica Literária pela @puc_sp
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"Tenho uma prima, que na verdade é uma irmã, uma espécie de irmã mais velha, muito mais irmã que prima, que é minha confidente, minha amiga, que sabe tudo sobre mim, coisas que às vezes nem eu mesma sei, coisas que eu finjo não saber, coisas que eu descubro quando converso com ela... Ela é engraçada, mas também é brava; me apoia sem me iludir; briga comigo, com doçura, mas briga mesmo, porque ela sabe sentir o amargor muito antes de mim... É minha prima mais velha, apenas quatro anos, e às vezes a gente se chama de prima, outras de mana, mesmo de amiga... Sim, sempre fomos assim, talvez na adolescência um pouco menos, porque quatro anos de diferença na adolescência é complicado, mas não demorou pra virarmos o que somos hoje... Eu já nem sei mais se um dia foi diferente do que é hoje, porque já faz tanto tempo [...]". E seguiria. Te garanto que essas palavras já passearam por aí muitas vezes, em situações diferentes e para pessoas diversas, porque falar da minha vida é também falar sobre você. Afinal, eu não sei o que é a vida sem você – tive a sorte de brotar num mundo em que a Iaiá primeira já havia florido. Experimentei, anos atrás, a sua ausência, e talvez só não tenha enlouquecido porque você foi teimosa e floriu novamente. Não lembro muita coisa desse tempo, na verdade – lembro apenas de falar sozinha, te imaginando na minha frente, com uma estranha certeza de que você me ouvia. Talvez ouvisse mesmo, e isso só nós sabemos. Porque nós somos assim: não cansamos nunca de falar e de ouvir. Há sempre algo novo a se dizer, mesmo que tanto já saibamos sobre nós, ainda que todos os assuntos já tenham sido incansavelmente revisitados. Nos agarramos a qualquer circunstância, qualquer miudeza cotidiana, para retomar a conversa que nunca tem fim: do luto ao riso, da dor ao prazer, do choro à gargalhada. Tudo, absolutamente tudo, é melhor se há você.
Há trinta anos nossa família transbordou de vida, amor, esperança: a primeira bisneta, neta, sobrinha. A primeira filha do primeiro neto. O frutinho de um amor tão lindo. Uma mulher tão linda, tão viva, tão madura. Nossa Iaiá, Mayarinha, Mah. Minha irmã. 
Feliz aniversário. Te amo, te amo, te amo. by @natfernande.s
7
4 months ago
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quem sou?
um pássaro enamorado,
uma palavra revirada,
um dia que anuncia maio:
onde está?
a busca pelo acaso,
o silêncio do ocaso,
uma vírgula, um verso, um vaso
cadê?
eu, o outro, os outros,
Manoel de Barros
histórias sem enredo
gritar a vida em segredo
eu, quem sou?
sou ainda tenra idade;
há muito a se saber
da pretensa verdade

abril findou mais uma vez;
cá estou, aos vinte e seis by @natfernande.s
11
5 months ago
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naturalmente, amo crianças. a pureza, a alegria, a brincadeira, o desapego, a esperança. mas esse carinha aí, Rafael, que hoje completa onze anos, sempre me encantou de uma forma muito particular. desde muito pequeno, suas observações, perguntas, conclusões me causavam uma espécie de encantamento, uma curiosidade louca de ouvi-lo cada vez mais. uma sensibilidade alheia a ele próprio, que, se a mim chegava na iminência de uma lágrima, a ele era propriamente o estado de ser. nem mesmo nossas brincadeiras eram triviais: rascunhávamos manuais de jogos na máquina de datilografia, inventávamos brincadeiras com a concretude das palavras, nos refugiávamos em cabanas para ouvir o cantar dos pássaros. alguns fragmentos da infância dele, quando em minha companhia, que teciam como que uma nova infância para mim, quando na companhia dele. Rafael me fez e faz recuperar aquela sensibilidade que por ser tão nossa às vezes esquecemos que está ali, pronta, à espera.
feliz aniversário, primo. 
da sua Nathi, Nath, Nothelia ❤️ by @natfernande.s
4
7 months ago
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setembro chegou pra me curar mais uma vez ❤️✨️ by @natfernande.s
6
a year ago
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A vida. A distância a que a vida submete aqueles que, vívidos, vivem-na por inteiro. A impressão que só um beijo, fugaz pela sua natureza de coisa rara que se recebe, permite-nos ter. A elucidação do que não se percebe, não se interroga, não se aprofunda, não se adivinha. Recebe-se. Como um presente de um homem que passa, arranhando um inglês estrangeiro, para depois emendar no tu que apenas os de terra caiçara enunciam. A vida, a distância de uma poltrona na sala de cinema, a impressão de um beijo de criatura que devora, a elucidação dos que chegam à porta de entrada. Receber é uma das dádivas de se estar aqui. Presentear é amar um tanto mais a si mesmo e finalmente deixar ser o que se é.
Voltar ao começo de tudo: da vida, da morte, do que nunca e sempre existiu. Pulsar nos dedos, no peito, na cabeça, na nudez. Um baixo que sussurra na entrelinha da melodia, um pandeiro que entra desavisado, uma voz rouca. Pulsões, várias, infinitas. Acrescidas do dom de ouvir com a pele e deixar os cheiros se misturarem como fluxos irremediáveis. Fluxo de vida, mais bonita que outrora, menos tranquila que sempre. Vida vivida com vividez, sem correr muito, sem esperar em filas demoradas. Vida pacata dos dias menos pulsantes, vida atribulada dos dias menos felizes. Vida breve, vida louca, do poeta. by @natfernande.s
18
a year ago
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abri meu coração,
abri garrafas de vinho,
abri portas de quartos,
abri mundos desconhecidos,
abri meus braços,
abri minhas lembranças,
abri sonhos inusitados,
abri caminhos em cordas bambas.

abril, meu mês preferido, reluziu como nunca antes havia acontecido. by @natfernande.s
8
a year ago
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literatura, linguística, textos, gramáticas, palestras, editoras, olhar com olhos banhados em poesia – tem sido essa a minha forma de levar a vida. talvez um reencontro com o que eu sempre soube que me aprazia acima de todas as outras coisas, talvez a descoberta que se tem quando caminhamos sempre pelas mesmas alamedas e tão de repente encontramos um novo azulejo por detrás dos galhos, folhas e frutos, e não porque eles o escondiam, mas pelo tão simples motivo de não se desejar olhar um pouco mais. by @natfernande.s
4
a year ago
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Precisa-se de começos, porque precisa-se de fins. Nos fins entendo quem sou, após uma longa trajetória de desentendimentos. Sou igual a mim quando tudo termina, tão alheia a outra que era nos intervalos entre começos e fins. Só percebo depois de algum tempo do cessar de tudo; natural. Nos fins gosto mais do mar, do céu, das rochas e das baratas que passeiam sobre as rochas. Lembro que num dos primeiros fins falei das estrelas, dos desenhos que fazem as nuvens, das montanhas que se escondem atrás das nuvens. 
Acabei de ver um peixe perder a vida. Depois de tantas experiências de quase-morte, finalmente deixou de viver. Ele parecia até feliz, como uma libertação. Sua boquinha, puxando o ar que só encontraria no oceano, parecia sufocar de tanto prazer. O homem, seminu, pegou-o gentilmente com as mãos de unhas pretas, como se quisesse privá-lo do desencarne. Mas seu ato final foi certeiro: despejou-o na sacola plástica, que não tinha nada além de ar e outros irmãos mortos. Se o peixinho pudesse, comemoraria. Eu comemoro por ele. 

[...] by @natfernande.s
0
2 years ago
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dentre os incontáveis adjetivos que eu teria para descrever esses últimos dias, opto pela transgressão da classe gramatical: amor. não, não foi amável, amoroso, amado. foi a essência, a primitividade, a origem de todas as outras coisas que podemos chamar de boas ou belas. 

foi uma estranha loucura
com amendoeiras pela rua 
e quereres no coração. taken in São Paulo, Brazil by @natfernande.s
7
2 years ago
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 by @natfernande.s
12
2 years ago
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Em julho desse ano, libertei os colibris que há tanto permaneciam como meus fiéis escudeiros. Libertos, encararam o perigo de que pode dispor a liberdade. 
Em outubro, surgiu em meu horizonte a possibilidade de acompanhá-los em sua liberdade. E, frente ao meu reflexo, eu disse sim. Sim. E é você quem vai comigo. Eu, que sou também o verde-mar, o violeta, o marrom. Eu, que sou as histórias da juventude da minha tia. Eu, que sou o conto feito aos catorze anos de idade para uma aula de Gramática. Eu, que sou as páginas em papel seda folheadas durante as aulas de Literatura. Eu, que sou esse excesso de vozes, de faltas, de sentidos, de desejos, de. 
Participar da FLIP como autora, como leitora, como professora, como mulher, como Nathália, como filha da Christiane, como, enfim, alguém que procura e que sempre procurará isso - isso o quê? - foi muito bonito. 
Ano que vem tem mais. ❤️ taken in Paraty, Rio de Janeiro, Brazil by @natfernande.s
10
3 years ago
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a felicidade e paz de quem estava prestes a ver Jorge Ben Jor e Gilberto Gil ❤️✨️ taken in Ibirapuera Park by @natfernande.s
7
3 years ago
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