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No Dia Nacional do Escritor, perguntamos a estilistas, designers, artistas e jornalistas que são nossos parceiros quais são as obras de autores nordestinos que recomendam – tanto de nomes mais contemporâneos lidos recentemente, quanto clássicos que consideram fundamentais na vida de um leitor, não importa onde viva ou onde nasceu.

Sem surpresa, aparecem nomes em alta como a cearense @socorroacioli e o baiano @itamaravieirajr, autores de best-sellers como “Cabeça de Santo” e “Torto Arado”, obras que, não à toa, serão temas de escolas de samba no Carnaval do Rio no próximo ano: “Torto Arado” na Unidos de Vila Isabel e “Cabeça de Santo” na Unidos da Tijuca.
“Nunca gostei de Carnaval, mas agora estou imersa do mundo das escolas de samba, já fui duas vezes ao barracão, é uma experiência inesquecível ver meus personagens tomarem forma na avenida”, disse Acioli em palestra na Flip, na última quinta.

Autores mais jovens que são apostas das editoras também apareceram na nossa lista, caso da cearense @camidimalta, pupila de Socorro Acioli que vem dando o que falar com seu recém-lançado “Cor de Defunto”; e do paraibano @christianoaguiar, autor do elogiadíssimo “Gótico Nordestino” (2022).

A ficção domina as indicações, mas também aparecem obras analíticas que se debruçam sobre temas como a formação do Nordeste, estereótipos propositadamente perpetrados sobre ser nordestino e um mergulho imperdível na história do cangaço.

Longe de serem “regionalistas”, essas obras ajudam a entender como e por que o Nordeste se tornou sinônimo de cultura e história do Brasil, apesar de ter se mantido à margem do desenvolvimento econômico, numa trama muito bem orquestrada desde a política do Café com Leite, na República Velha (1898-1930)

Basta observar a trajetória dos principais escritores nordestinos para perceber que a classificação de regional jamais foi suficiente para abarcar a dimensão de suas obras. De Ariano Suassuna à Jorge Amado – e tantos outros transformaram o território em linguagem universal – a literatura nordestina vem demonstrando que escrever sobre o sertão, o litoral ou as capitais é, sobretudo, refletir sobre identidade, memória, desigualdade, afeto e condição humana by @nordestesse_
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7 hours ago
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Natal vai se tornar a capital da moda no Nordeste nos dias 27 e 28 de julho com a realização do Ginga Moda RN, projeto que combina desfiles, palestras, showroom para marcas que fazem atacado e uma loja colaborativa com 10 marcas artesanais e autorais do RN.
 
Realizado pelo @sebraern, @senaimodarn, @sedecrn e governo federal, o @gingamodarn deve atrair 1.000 pessoas nos dias de evento, entre compradores, estudantes de moda, estilistas e artesãos do RN, jornalistas e formadores de opinião.
 
“O Ginga Moda RN representa mais um passo na estratégia do Sebrae-RN de fortalecer a moda potiguar como um setor competitivo, inovador e preparado para conquistar novos mercados. Nossa missão é apoiar os pequenos negócios para que ampliem sua competitividade, agreguem valor às suas marcas e levem a criatividade e identidade da moda potiguar para todo o Brasil e para o mercado internacional”, afirma João Hélio Cavalcanti, diretor-técnico do Sebrae-RN.
 
Entre os desfiles, um dos destaques no dia 27 é a coleção Poti Fios e Linhas, que reúne criações de 17 artesãs de crochê de Acari e da região do Seridó, numa parceria entre @institutoriachuelo, Sebra-RN e Catarina Mina.

As marcas do RN, incluindo as participantes do Natal Pensando Moda, com mentoria de @isabelacapeto, apresentam coleções inspiradas na identidade do nosso estado, valorizando o artesanato e os saberes potiguares. Uma celebração da criatividade e da moda com identidade.
 
Já no dia 28, o destaque é a apresentação da coleção Revoada, criada por 15 homens provados de liberdade da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, dentro do Projeto Tecendo Liberdades, do Senai Moda em parceria com a @seapgovrn. A coleção foi inspirada na obra A Conferência dos Pássaros, do poeta persa Farid ud-Din Attar, que reflete sobre liberdade, identidade e transformação.
 
“O Ginga Moda RN fortalece a moda potiguar, conectando criatividade, indústria, inovação e mercado. É uma oportunidade de valorizar nossos talentos, estimular a competitividade das empresas e mostrar que o Rio Grande do Norte tem identidade, capacidade produtiva e muito potencial para crescer no cenário da moda”, finaliza Amora Cavalcanti, diretora do Senai Moda. by @nordestesse_
23
a day ago
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Dos debates que fazem parte do universo digital, recentemente um comentário sobre o desfile da grife francesa #Dior tomou conta da pauta da moda. É que, na recente apresentação de #AltaCostura, o designer Jonathan Anderson trouxe uma espécie de “fuxico couture” para a passarela.

A técnica é ancestral, característica também muito forte no Nordeste do Brasil e presente em países como Estados Unidos e Inglaterra, onde recebe outros nomes, mas chega ao mesmo resultado final: aproveitar tecidos e criar formas arredondadas, semelhantes a flores.

A comparação e a lembrança afetiva são inevitáveis, mas o que jamais podemos fazer é diminuir o nosso trabalho em detrimento de um vislumbre internacional ou de uma suposta chancela de qualidade. É porque o fuxico da Dior é mais neutro, clean ou algo do tipo?

Outro ponto é o uso, de maneira pejorativa, da expressão “feirinhas populares”, justamente espaços que movimentam a economia dessas artesãs, levam renda para suas famílias e garantem independência financeira.

Aqui no Brasil, marcas como @patu____________ , @marinabitu e @foz_____ provam que nós conseguimos elevar o fuxico a potência máxima há muito tempo, de diversas formas e jeitos. 

Que tal, em vez de comparar, aprendermos a aplaudir ambos os trabalhos? Assim, fortalecemos uma indústria como um todo e aprendemos, além de ensinar, a ter mais carinho pelas nossas mãos que fazem. taken in São Paulo by @nordestesse_
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2 days ago
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Apresentado no último sábado na @fenearte, o desfile Deu no Couro, dirigido por Nestor Madenes, propõe uma reflexão sobre o legado dos seleiros de Pernambuco a partir do entendimento do couro para além de sua dimensão utilitária ou patrimonial, articulando artesanato, moda, performance, música e pesquisa de materiais, atualizando assim o imaginário sertanejo sem romper com suas raízes.
No desfile o couro é cultura que conecta memória, território e futuro, com referências da caatinga, Missa do Vaqueiro, do Movimento Armorial, do Carnaval de Olinda, da moda regenerativa, tecnologias sociais e novos biomateriais.

A apresentação parte da hipótese de que couro é tecnologia em permanente transformação – não busca reconstruir tradição; mas mostrar capacidade de produzir futuro.
É o caso do couro de tilápia de Mestra Fafá Belém, de Petrolândia, que transforma resíduos da piscicultura em artesania, tecnologia social, geração de renda feminina e preservação de saberes.
Na mesma direção, Marlu Fonseca apresenta novos couros sustentáveis feitos de materiais como o cacto, revolucionando a criação de bolsas sem romper com o universo simbólico do couro. Essas experiências dialogam diretamente com o design regenerativo da Trama Afetiva, que desfila peças em náilon reaproveitado.
No desfile o couro deixa de ser apenas uma matéria-prima para ser linguagem que articula sustentabilidade, memória e inovação. A imersão realizada na Feira de Caruaru e em Cachoeirinha, terra do couro, aproxima a moda de práticas curatoriais contemporâneas, nas quais a pesquisa possui tanta importância quanto o resultado estético.
Chapéus e ferragens foram incorporados não como elementos cenográficos, mas como documentos vivos de uma cultura em permanente circulação. O desfile aproxima o streetwear das vestimentas sertanejas, o design autoral do artesanato, a moda regenerativa da cultura popular.
Assim é a trajetória de Madenes. Seu trabalho tem uma convivência contínua com o sertão, a música popular, os artesãos e a cultura rural. Para ele, a moda não observa o território; nasce dele. 

“Não se trata de vestir uma imagem da caatinga,mas de deixar que a própria ensine outras maneiras de vestir”. by @nordestesse_
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2 days ago
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A vida é cheia de paradoxos e um dos mais interessantes da contemporaneidade é justamente como as redes sociais, que já foram acusadas de ameaçar a literatura, vêm servindo para aumentar o número de consumidores de livros, com milhares de clubes de leitura virtuais e influencers que são verdadeiras celebridades como Pedro Pacífico, o @bookster, que tem mais de 1 milhão de seguidores no Instagram.

Nos últimos anos, o Brasil registrou um aumento de 3 milhões de novos consumidores de livros, impulsionado sobretudo pelo público jovem de 18 a 34 anos e pelo forte engajamento em redes sociais, caso do fenômeno BooolTok, comunidade do TikTok dedicada à literatura.

Em todo o país, estima-se que haja mais de 2 milhões de clubes de leitura, a maior parte deles virtuais. Mas fora da esfera digital o fenômeno também é real: já são mais de 400 feiras feiras ou bienais do livro, muitas delas em cidades do interior.

De todas as feiras, a que reúne mais gente e autores estrelados, é a Festa Literária Internacional de Paraty. A 24ª edição da Flip começa hoje e será a maior da história, com recorde de casas parcerias e, como chamou a Folha de S. Paulo, um “ritmo louco” de mesas simultâneas. 

Serão quase mil eventos em 5 dias de festival. Para você ter uma ideia do crescimento da Flip, neste ano haverá 46 casas parceiras onde acontecem oficinas, lançamentos e mesas-redondas, contra 35 em 2025 e 29 no ano anterior. 

Com curadoria de Rita Palmeira, a Flip deste ano homenageia a poeta paulista Orides Fontela (1940-1998), com debates focados em deslocamento e identidade. Justamente por conta da escolha desses temas, surpreende que haja tão poucos autores nordestinos participando de uma programação tão ampla. 

Grandes nomes como o baiano Itamar Vieira Jr., o pernambucano Marcelino Freire e a cearense Socorro Acioli estão lá, mas o número de escritores nordestinos comparados com sudestinos e sulistas é ínfimo. 

O fato é ainda mais lamentável porque a curadora afirmou que seu objetivo nesta edição era “trazer gente de lugares distantes”, já que muitas vezes o debate literário se refere sempre aos mesmos países. Ótima iniciativa, faltou apenas olhar para o nosso próprio país. by @nordestesse_
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3 days ago
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A 170km de Recife, Toritama é uma cidade no agreste pernambucano batizada de “capital do jeans” por abrigar um dos maiores polos de produção de denim do país. Com aproximadamente 44 mil habitantes, o município responde por 20% da produção nacional, com 3.000 fábricas, de todos os tamanhos, que confeccionam cerca de 60 milhões de peças por ano.

O jeans que sai de Toritama abastece milhares de lojas populares espalhadas por todo o país, do mercado infantil ao plus size, mas são poucas as marcas autorais ou que ofereçam inovações no uso do denim. É essa lacuna que a Kamalle, marca criada em 2024 por Rike Ferreira, 30 anos, e Thiago Fernandes, 27, quer preencher.

Os dois foram criados em famílias que trabalhavam com confecção de denim, e era natural que seguissem os mesmos passos já que em Toritama o jeans atravessa a economia, a cultura e o cotidiano da população. Antes de criarem a Kamalle, lançaram o Ateliê TR Modelagens, especializado no desenvolvimento de peças em denim para marcas atacadistas de todo o Brasil.

“Em Toritama praticamente todo mundo cresce inserido nesse universo, carregando conhecimentos que passam de geração em geração. Conosco não foi diferente. Passamos por todas as etapas da cadeia produtiva e sabíamos do potencial criativo de cada uma delas”, diz Rike Ferreira.

O casal, que se conheceu, literalmente, na fila do pão, percebeu que juntos poderiam ir além do domínio da técnica. Ambos sentiam uma inquietação criativa que ultrapassava os limites da indústria tradicional. Foi essa angústia-desejo que deu origem à (@kamallebrand), marca que transforma o jeans em suporte para experimentações e construções autorais.

Com a expertise em modelagem, acabamentos e estrutura do tecido, Rike e Thiago exploram volumes esculturais, bordados, geometrias e técnicas artesanais para revelar novas possibilidades do denim.

Produzidas em pequenas quantidades, as coleções desconstroem a imagem utilitária do jeans, aproximando-o de uma linguagem mais autoral. As peças podem ser adquiridas pelo site da marca e, em São Paulo, também estão disponíveis na @casadebrigida, na Vila Madalena. by @nordestesse_
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4 days ago
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Há sempre uma nova forma de olhar para o Nordeste quando se abandonam os estereótipos e se escolhe observar suas camadas mais profundas. É justamente esse movimento que entrelaça a obra da artista paraibana Rafael Chavez, cuja produção transforma memórias familiares, arqueologia, cerâmica e a paisagem da caatinga em telas e esculturas contemporâneas, que impressionam pela paleta de cores singular, bem longe da imagem morta e triste que muita gente faz do semiárido.
 
A caatinga para Rafael é vibrante, dinâmica, com seus ciclos de seca e rejenaração depois da chuva. Nascida e criada em Santa Luzia, cidade no interior paraibano de pouco mais de 16 mil habitantes que compõe a região do Vale do Sabugi, Rafael viveu até os 16 anos dentro de uma escola onde sua mãe trabalhava como pedagoga.

Vinda de uma família com tradição em barro, foi este material o primeiro a atravessar sua vida. Seu bisavô sustentou a família produzindo telhas que cobriam as casas do interior da Paraíba até perder a visão gradual devido ao não uso de EPIS, aliado à temperatura do forno.

Mas para além da relação com o barro, a influência da caatinga e do Vale do Sabugi – região com maior concentração de sítios arqueológicos do país –, moldaram sua percepção de mundo. Também ajudaram a formar seu repertório as caminhadas pela mata, a observação das formações rochosas, das estrelas, das plantas resistentes e dos ciclos da seca.
Transformando suas memórias em linguagem artística autoral e o cotidiano sertanejo em fonte de inspiração, Rafael rompe clichês para apresentar uma caatinga complexa, ancestral e – surpresa para muitos – profundamente contemporânea.

Aos 29 anos, com 12 de carreira, Rafael participou da Bienal de Cerâmica de Jingdezhen, na China, uma das mais importantes na área. Está em acervos públicos importantes, como o do MAR (Museu de Arte do Rio) e foi selecionada para o 39º Panorama das Artes Brasileiras, importantíssimo raio-X da cena contemporânea, que acontece a partir de 12 de setembro no MAM-SP.

Rafael também é pop: suas esculturas foram parar no cenário dos clipes de “Equilibrivm”, o novo álbum de Anitta, focado na espiritualidade e cultura popular brasileiras. Bravo! by @nordestesse_
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5 days ago
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O escritor, poeta e artista paraibano Ariano Suassuna (1927-2014) passou boa parte da vida adulta defendendo que somente com a valorização da cultura popular o Brasil poderia consolidar sua potência criativa universalmente. Seu Movimento Armorial propunha que enxergássemos o artesanato, a música regional e folguedos populares da mesma maneira que olhamos para a “cultura erudita”.
Esse entendimento é fundamental para entender como as coleções apresentadas ontem em Araruna (PB) pelas marcas pessoenses Carnavália e Morada são importantes para mostrar como a moda autoral nordestina ganha força quando constrói pontes criativa com saberes manuais tradicionais, em vez de recorrer a referências internacionais dominantes.
Conhecida por coleções que articulam referências da cultura brasileira, técnicas artesanais e experimentação de materiais para construir peças que transitam entre celebração e uso cotidiano, a @shopcarnavalia se uniu às macramistas da @macrauna para criar “Trama Delírio”, coleção inspirada na obra do pernambucano Tunga (1952-2016) na qual o macramê ganha novos contornos por meio de experimentações têxteis contemporâneas. 
Já a @morada__ trouxe o jeans e modelagem esporte chique para rejuvenescer, tornar mais versátil e contemporâneo o tradicional labirinto executado pelas artesãs do Quilombo Pedra d’Água, em Ingá. Tradicionalmente associado à delicadeza e ao universo feminino, esse bordado ganha nova leitura ao aparecer em construções mais estruturadas, urbanas e provocativas. 
As duas coleções provam que as manualidades tradicionais do Brasil não precisam da validação estrangeira para serem reconhecidos como inovação ou luxo. Precisam, sim, que deixemos de enxergá-las como manifestações regionais ou simplórias e passemos a compreendê-las como o que temos mais único e valioso. 
Os desfiles são o resultado da 1ª edição na Paraíba do @maosdamoda, projeto idealizado pela @nordestesse_ com patrocínio da @riachuelo e apoio da Secretaria de Cultura da Paraíba, através do ICMS Cultural. Seu objetivo é fortalecer os saberes manuais tradicionais do Nordeste e tornar mais competitiva a moda autoral da região, através do intercâmbio entre estilistas e artesãos. by @nordestesse_
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7 days ago
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Alô! Esta é a última chamada da #Nordestesse na @fenearte. Se você nos acompanha por aqui, deve ter visto a nossa curadoria com o que há de melhor na 26ª edição da maior feira de arte popular e artesanato da América Latina. Além disso, nossa equipe participou de painéis de debate sobre moda e manualidades, cobriu os desfiles e fez um giro cultural pelo Recife.

Este fim de semana é a última oportunidade para aproveitar a feira. Uma das melhores programações é conhecer a Alameda dos Mestres, espaço gratuito da Fenearte que reúne saberes em categorias que passam pelas obras populares, sustentáveis e sacras. Uma ótima oportunidade para mergulhar nos universos dos mestres e de suas gerações. Quem conduz esse papo e explica tudo é o @lucioomena, diretor de conteúdo da Fenearte. Não perca!

Fenearte: Centro de Convenções de Pernambuco, das 10h às 22h, até amanhã, 19/07. by @nordestesse_
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7 days ago
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Desde muito cedo, o alagoano Dely Teodoro, 35 anos, mostrou um interesse enorme em explorar tudo o que pudesse construir com as próprias mãos. Entre desenhos, experimentações com diferentes materiais e a criação de objetos funcionais ou não, brotava a semente do que, décadas depois, desabrochou na DLyvar, marca que transformaria fios de aço, pedras naturais e miçangas em verdadeiras esculturas vestíveis.
Durante a formação em Design de Moda pela Escola Técnica de Artes da UFAL, Dely foi desenvolvendo a ideia de que a indumentária poderia ultrapassar os limites da costura tradicional. Em vez de linhas e tecidos, passou a utilizar fios de aço para sustentar pedras, contas de madeira, sementes e fibras naturais, num mix ousado de elementos orgânicos que consolidou sua linguagem estética antes mesmo da DLyvar nascer oficialmente, em 2021, resultado do seu trabalho de conclusão de curso.
As formas da natureza, sua principal inspiração, dialogam com referências da escultura, da arquitetura, da arte popular brasileira, de objetos antigos e de técnicas artesanais tradicionais. O resultado são peças que desafiam as fronteiras entre moda, design e arte contemporânea.
Ao longo dos seus 5 anos de vida, a DLyvar conquistou artistas como Pabllo Vittar, Gaby Amarantos, Elba Ramalho, Marina Sena, Jade Picon, Mariana Goldfarb e Cíntia Dicker — tanto Mariana quanto Cíntia usaram suas peças para ensaios da Grande Rio e Salgueiro, respectivamente, no último Carnaval.
No entanto, o reconhecimento se consolidou mesmo quando Anitta incorporou três criações do alagoano ao universo visual do álbum Equilibrium, utilizando as peças nos clipes de “Choka Choka” e “Bemba”.
Dely só produz sob medida e as peças são todas únicas – podendo levar de 1 mês até 1 ano para ficar pronta – um busto em quartzo chegou a passar um ano sendo moldado. “Como não faço croquis nem sigo rigidamente nenhum estudo prévio, prefiro que a matéria-prima revele seus próprios caminhos. E isso leva tempo”, finaliza. by @nordestesse_
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8 days ago
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Para o pernambucano Shivo Araújo, só é possível ser artista revisitando a própria infância. Aos 8 anos, muito antes de descobrir a cerâmica, já inventava brinquedos com as próprias mãos: construía carrinhos de madeira, patinetes de rolimã e pipas.
 
Na adolescência, passou a escrever poemas e, entre 2000 e 2010, assinou as camisetas do Ispeín Pá Barbía (espelhinho para barbear”), bloco carnavalesco de Olinda conduzido pela tradicional banda de pífanos João do Pife.
 
Nascido em Caruaru e morando há 19 anos no Alto do Moura — um dos mais importantes polos da cerâmica figurativa brasileira —, Shivo encontrou seu caminho artístico quase por acaso. Em 2007, durante uma visita ao ateliê do artesão Tico, recebeu um pedaço de barro do anfitrião que o desafiou a criar o que viesse à cabeça. Nascia assim sua primeira escultura, uma figura surrealista que definiria os rumos de sua produção futura.
 
Hoje com 47 anos, Shivo começou a trabalhar com barro perto dos 30, mas recorre às memórias de infância, sobretudo as ligadas à cultura pernambucana, para criar esculturas que transitam entre o fantástico e o popular. Personagens como a La Ursa, Paulo Freire e figuras inspiradas no Movimento Armorial surgem reinterpretados por meio de texturas, distorções e composições que desafiam o olhar e renovam símbolos profundamente enraizados na cultura do estado.
 
Um bom exemplo do toque surrealista é sua mais recente criação, a “La Ursa de Sete Cabeças”, premiada na categoria cerâmica no prestigiado Salão de Arte Popular Ana Holanda na @fenearte – a peça fica exposta até domingo, quando se encerra a 26ª edição da maior feira de arte popular da América Latina.
 
Mais assustadora que de costume e com cabeças espalhadas por todo o corpo, a La Ursa de Shivo se destaca entre as centenas de La Ursas espalhadas pela Fenearte (de madeira, barro, papel machê), justamente por sair do retrato fiel e reconstruir com toques surrealistas uma das mais icônicas figuras do Carnaval pernambucano.
 
A obra de Shivo é também prova de que a cerâmica do estado continua encontrando novos caminhos para dialogar com a arte contemporânea, sem jamais romper com as raízes. by @nordestesse_
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9 days ago
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Como uma marca de moda pode inovar no uso de técnicas artesanais ancestrais sem ameaçar sua identidade e ligação com o território onde está inserida? Foi esse o desafio que a designer Lu Azevedo, diretora criativa da marca paraibana @morada__, lançou para si mesmo na coleção que desenvolveu em parceria com as labirinteiras do Quilombo Pedra D’Água, em Ingá.
 
Batizada de “Gira, a coleção é o resultado de 7 meses de trabalho conjunto e faz parte do @maosdamoda, projeto idealizado pela @nordestesse_ em parceria com a @riachuelo, com apoio da Secretaria de Cultura da Paraíba, através do ICMS Cultural. O objetivo do Mãos da Moda é fortalecer os saberes manuais tradicionais do Brasil e tornar mais competitiva a moda autoral nordestina, através do intercâmbio entre estilistas e artesãos das áreas têxteis.
 
Na próxima sexta, a coleção será mostrada pela primeira vez aos paraibanos, em um desfile ao ar livre, tendo como cenário a impressionante Pedra da Boca, em Araruna, a 165 km de João Pessoa, no Curimataú paraibano. Também será desfilada a coleção feita pela marca @shopcarnavalia em conjunto com a Aramê, associação de macramistas de Araruna, segunda dupla selecionada pela 1ª edição do Mãos da Moda na Paraíba.
 
Há seis anos, desde que foi criada, a Morada vem pesquisando o bordado labirinto do agreste paraibano. “Gira” nasce desses anos de pesquisa, mas aponta para outro lugar: mais urbano, mais ousado, sem abrir mão da identidade do labirinto paraibano. Localizado na zona rural de Ingá, o Quilombo Pedra D’Água reúne 20 mulheres que preservam o bordado labirinto em território quilombola.
 
“Gira” parte do tradicional em direção ao contemporâneo, acompanhando a mudança do posicionamento social da mulher através do bordado: do labirinto perfeito, delicado e floral para um labirinto com fios mais grossos e acabamentos aparentes.
 
A coleção tem como base jeans, rami e linho. O bordado labirinto ora aparece em detalhes nas mangas, ora é protagonista, em vestidos completamente bordados. Crochê e miçangas também compõem a coleção, mostrando a capacidade técnica da Morada em diversificar as artesanias sem tirar o foco do labirinto. by @nordestesse_
17
10 days ago
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