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Autor de Ponto a Ponto - Manual de Sobrevivência para Pais
Escrevo para quem quer continuar sendo pai enquanto o filho vira atleta.
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Eu nunca vi o meu pai conversar com um amigo sobre como ser pai.

Ele saía cedo de segunda a sábado. Voltava tarde, jantava e dormia. Era amoroso do jeito dele, que era um jeito de poucas palavras. Não faltou amor. Faltou espaço: quando eu nasci, a lei dava ao pai um dia de folga. Esse dia era pra ir ao cartório.

Hoje a gente lê, ouve, troca dúvida com um amigo sobre criar os filhos. Que privilégio.

Foi sobre isso a newsletter deste domingo.

Comenta NEWS que eu te mando a edição inteira no direct. Toda semana tem uma nova. by @oedermiranda
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3 days ago
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Todo clube tem um pai que só tá incentivando. Dá pra ouvir do estacionamento.

Marca aquele pai. Com carinho. by @oedermiranda
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5 days ago
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Eu não concordo com este estudo de 2015. Mas eles são cientistas e eu sou pai. Por isso eu também devo compartilhar:

12 anos, 20 horas de treino por semana. Tem atleta assim. Tem também uma régua da medicina do esporte que ajuda a olhar esse caso.

Num estudo com 1.190 atletas de 7 a 18 anos, quem treinava mais horas por semana do que a própria idade teve o dobro da chance de uma lesão séria por sobrecarga. Doze anos, doze horas. Somando tudo: quadra, físico, jogo, torneio, aula de outro esporte.

Antes que alguém ache que isso é recado contra Academia Americana de Pediatria diz que a régua ainda precisa ser confirmada. E no tênis, o estudo que acompanhou 301 juvenis por um ano encontrou que, no ombro, o que
acende o alerta não é a carga média, é a semana

Ou seja, quem treina muito pode treinar com mais

Comenta HORAS aqui embaixo que eu te mando A CONemana para colar na geladeira, o teste de segunda e sexta com o celular, o que fazer se ele já treina em período integral e a fonte de cada número.

Material patrocinado pela @evo2winoficial.

Fontes: Jayanthi e colegas, American Journal of Sports Medicine, 2015; Johansson e colegas, Sports Health, 2022; Brenner e colegas, Academia Americana de Pediatria, Pediat by @oedermiranda
22
6 days ago
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O filho que a gente pede hoje é uma mistura de monge budista com Steve Jobs. Quem disse foi o filósofo Luiz Felipe Pondé, falando de faculdade, sem dizer a palavra esporte uma única vez.

Monta a vaga e ela sai sozinha: calma de monge na final, visão de Steve Jobs aos 11 anos, nota 10, cama às 21h, perder sem chorar e ganhar sem se achar. Diferencial: agradecer o motorista.

Enquanto isso, o candidato só quer saber quem vai levar o salgadinho.

O Pondé foi coordenador de curso e recebeu pai com médico a tiracolo. Em casos raros, com advogado. Mas a melhor parte é a aluna que não queria ler Macbeth, a peça de Shakespeare sobre um homem que se destrói pra conseguir tudo o que quer, porque fazia mal a ela. A resposta dele: justamente porque te faz mal, meu querido.

Guarda essa resposta pra noite antes do próximo campeonato. Quando ele perguntar "pai, por que eu tenho que jogar se eu vou perder?", você já sabe: justamente por isso, meu querido. É onde o monge budista começa.

Manda pro amigo que está criando um monge budista com Steve Jobs dentro de casa.

A entrevista inteira, frase por frase, está na edição de domingo da newsletter Ponto a Ponto: paideatleta.com.br/newsletter by @oedermiranda
1
7 days ago
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Todo pai compara olhando pra cima. O número um da categoria 12, o moleque que já viaja pra torneio internacional, o que levantou o troféu no domingo.

Tem uma comparação que quase ninguém faz, e é a que muda o humor dentro de casa: compara com o moleque que começou junto com o seu filho e já saiu do esporte. Parou aos 13 e hoje não treina mais nada.

O seu continua lá. Com a saúde que ele tem, a disciplina que ele tem, as mãos calejadas de tanto bater bola. Isso não entra em ranking nenhum e é exatamente o que ele leva pra vida inteira.

Comenta aqui embaixo: o que o seu filho ganhou esse ano que não é troféu?

Trecho da minha conversa no Podcast Tenisbrasil. by @oedermiranda
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8 days ago
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Abel Ferreira disse numa coletiva a frase que eu mais repito pra pai de atleta: o jogador precisa ser avaliado pelo processo.

Vale pro Palmeiras e vale pro seu filho na categoria 14. A jornada é o que fica.

Manda pro técnico do seu filho.

Trecho da coletiva do Abel Ferreira, com crédito ao canal de origem. by @oedermiranda
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11 days ago
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Você viu ele comer o prato todo e achou que tinha resolvido. O problema não é o que ele come. É o que o treino passou a gastar a mais, sem que a cozinha acompanhasse no mesmo ritmo.

Chama déficit de energia, e tem nome técnico: REDs. O Comitê Olímpico Internacional criou o termo em 2014, revisou em 2018 e reescreveu em 2023 com mais de 170 estudos novos, mudando até a grafia. Não é teoria de internet.

É a condição que fica mais grave em quem ainda está crescendo, porque o corpo constrói até os 18 anos quase toda a massa óssea que vai carregar a vida inteira, e baixa energia nessa janela pode atrasar a puberdade e comprometer esse pico.

Foi descrita primeiro em mulher, décadas atrás. O consenso de 2023 confirmou o mesmo quadro no homem, com uma diferença: a literatura registra menor taxa de diagnóstico nele.

Num estudo com atletas adolescentes de esporte coletivo, quase 8 em cada 10 estavam abaixo do limiar de energia considerado seguro. Não precisa comer mal, nem estar magro, pra entrar nessa conta.

E tem a parte que não aparece em exame nenhum. Enquanto você soma os sinais, vírus atrás de vírus, queda no jogo, vontade de comer que sumiu depois do treino, ele já tirou a própria conclusão: pra ele, é tudo a mesma prova de que não é bom o suficiente.

Comenta SINAIS aqui embaixo que eu te mando no direct os oito sinais que dá pra notar sem exame nenhum, e o que fazer se marcar dois ou mais.

Fontes no último slide. Nada aqui substitui o médico do seu filho. by @oedermiranda
17
12 days ago
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Aos 49 anos, eu finalmente descobri o que eu quero ser quando crescer.

Comecei de um jeito despretensioso. Queria só contar uma parte da
minha história, com a expectativa de que chegasse a um ou outro
amigo próximo, e a pais que conviviam comigo. Virou um movimento, e
um propósito maior: contribuir com a jornada de tantos pais e mães
que estão aprendendo a ser melhores nisso.

Esse é o ponto.

Comenta COMPRAR que eu te mando o link. by @oedermiranda
5
15 days ago
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Ele cresceu seis centímetros nos últimos meses e começou a errar a bola que acertava dormindo. Em casa a conversa vira preguiça, falta de foco, treinador errado. Quase nunca vira crescimento, que é a explicação mais provável e a única que ninguém mede.

O estirão tem uma ordem que trabalha contra o jogo. O osso cresce primeiro, músculo e tendão vêm atrás, esticados. No futebol somem o sprint e o salto. No tênis o braço fica mais longo e muda o timing da bola de fundo e o ponto de contato do saque. Não é regressão técnica: é alavanca nova em músculo antigo.

E a força não chega junto. O pico de força vem de seis meses a um ano depois do pico de altura. Existe uma janela em que ele já é grande e ainda não é forte, e é nela que o calendário costuma pedir mais jogo.

Um estudo holandês acompanhou 170 meninos de academia por até três temporadas. Nos seis meses seguintes ao pico eles se machucaram 31% mais e, quando se machucaram, ficaram metade do tempo a mais fora. Outro, com 209 meninos de 12 e 13 anos, encontrou um em cada cinco com Osgood-Schlatter em seis meses. Dois fatores triplicaram o risco e os dois são treináveis: coxa encurtada e perda de flexibilidade de panturrilha.

Nada disso é motivo para tirar o menino do torneio. É motivo para baixar volume de impacto sem tirar a força, e para saber em que ponto da curva ele está. Isso se descobre com uma fita métrica na parede: mesma hora do dia, descalço, a cada três meses. Mais de quatro centímetros num trimestre e ele está no pico agora.

E tem a parte que não aparece em exame nenhum. Enquanto o pai procura explicação, o menino já achou a dele: que perdeu o talento. Ele quase nunca diz isso em voz alta, e é a frase que mais precisa ser desmentida antes do próximo treino.

Comenta ESTIRÃO aqui embaixo que eu te mando o MAPA DO ESTIRÃO: uma folha para imprimir e colar atrás da porta do quarto, com as quatro medições do ano, a régua da fase, quanto ele ainda deve crescer, o que muda no treino e as três perguntas para levar ao treinador.

Fontes no último slide. Nada aqui substitui o médico do seu filho.

#paideatleta #esportedebase #tenisjuvenil #futeboldebase #estirao #pontoaponto by @oedermiranda
384
20 days ago
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O placar ele já sabe de cor antes de sair da quadra. O que ele não sabe é o que eu vou olhar quando ele chegar no carro.

Eu olho o esforço, e o resto da tarde é sorvete, pão com manteiga e conversa boa. É o meu papel como pai, e é o que faz ele querer voltar no domingo seguinte.

Manda pra quem dirige de volta do torneio com você. by @oedermiranda
6
22 days ago
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É a pergunta que eu me faço toda semana. Se eu não dou, a avó dá. Se a avó não dá, o padrinho dá. E o não que ele mais precisa é o que ninguém quer dar.

Que bom que ele perdeu. Que bom que ele chorou. É ali que a gente cresce, ele e eu.

Responde aqui embaixo: quando foi a sua última vez?

Trecho da minha conversa no ABC TALK, de 27 de agosto. by @oedermiranda
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25 days ago
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Manarino joga a ATP com 28 libras de tensão na corda. Trinta num dia bom. O conselho que mais sai da porta da loja pro menino de 11 anos é cinquenta pra cima.

Isso está na masterclass 38 do Tênis 360 Graus, com o Jairo Garbi, e é a conversa mais prática que já passou por aqui sobre material. Ele começa derrubando a pergunta errada: não existe raquete boa. Existe a raquete que casa com a altura, o braço e a velocidade de swing de quem vai jogar. A mesma Blade está na prateleira em três pesos diferentes, e tem gente levando a de 270 gramas achando que levou a do amigo.

A parte que eu não esperava numa conversa sobre corda é a viagem. Ele saiu de São Paulo pra Miami com a mesma raquete e a mesma tensão que usava aqui. No terceiro dia, ele e todos os profissionais que jogavam com ele estavam com o braço pendurado. No ano seguinte foi com dez libras a menos, de 55 pra 45, e nunca mais mexeu. A bola muda com a altitude e com o calor, e quem paga a diferença é o braço.

Tem também o que inverte o senso comum: a vilã não é a raquete dura. É a de perfil fino, com rigidez baixa, que transmite a informação pro braço em vez de expulsar a bola.

E na masterclass 3, o Gringo cita um estudo em que 10% das lesões vêm de material inadequado e 90% de técnica incorreta. Aí ele completa com a parte que muda tudo: boa parte da técnica incorreta é causada pelo material inadequado. O menino não está errando o golpe. Ele está se defendendo da raquete.

Ninguém no circuito pergunta com quantas libras seu filho joga. O treinador olha o golpe, o torneio olha o placar, a loja olha o modelo. A raquete atravessa tudo isso na mão dele, quarenta vezes por ponto.

As cinco estão no carrossel, uma por slide: a tensão, a corda, o peso e o cabo, a rigidez, e o que fazer antes de viajar.

Comenta CORDA aqui embaixo que eu te mando no direct as sete perguntas pra levar ao encordoador.

As duas masterclasses estão completas no YouTube do @tennis360graus. Nada aqui substitui o médico do seu filho. by @oedermiranda
167
a month ago
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