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já que sou
o jeito é ser
crio no @cajuidesign
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Diogo me desenhou de girassol 
🌻 by @oimaricaa
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5 years ago
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um dos muitos livros que me formaram como eleitora e me ajudaram a compreender de que lado político e partidário eu escolho estar. mas minha formação política não cabe apenas nos livros. faz parte da minha conduta civilizatória aquilo que aprendi escutando milton nascimento, caetano veloso, marisa monte, criolo, emicida, elza soares, maria bethânia e, sim, bad bunny. faz parte também o meu filme favorito, o auto da compadecida, e a delicadeza imensa das miudezas de manoel de barros. fazem parte das minhas escolhas a arquitetura, mas, sobretudo, o urbanismo, porque foi olhando para as cidades que aprendi que o espaço nunca é neutro. fazem parte os lugares onde já pisei, as pessoas que encontrei, os amigos que fiz, as conversas que me atravessaram e os mundos que pude conhecer para além do meu. política é também a maneira como conduzimos a vida, como ocupamos o espaço, como enxergamos o outro e decidimos conviver com aquilo que é diferente de nós. queira ou não, há política no modo como existimos no mundo. então, que possamos enxergá-lo por muitos ângulos, atravessar nossas próprias certezas e, de preferência, levantar os olhos desta tela de vez em quando. o mundo é muito maior do que aquilo que o algoritmo nos permite ver. LULA ⭐️ by @oimaricaa
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17 days ago
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tia Magali, estarei sempre na primeira fila para te assistir e te aplaudir. 🤍 by @oimaricaa
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18 days ago
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se eu fosse graduada em psicologia, faria uma pesquisa sobre o fenômeno “maria vai com as outras” na estética facial e corporal brasileira. separaria minhas análises por gênero, raça e classe, porque até a maneira como perseguimos a beleza é atravessada pelo lugar que ocupamos no mundo. estudaria a história da estética e as diferentes construções do belo ao longo do tempo, tentando entender em que momento um rosto deixa de ser apenas um rosto e passa a ser também um objeto submetido às tendências de sua época.

entrevistaria uma dentista enquanto ela aplica botox e, depois, uma médica enquanto faz um preenchimento, para entender de onde nasce a demanda, como ela chega ao consultório e quanto existe de desejo individual naquilo que chamamos de escolha. a pesquisa teria, evidentemente, um capítulo inteiro dedicado às redes sociais e à maneira como elas fabricam, aceleram e normalizam o fenômeno “maria vai com as outras”.

acompanharia uma mulher antes, durante e depois de um procedimento estético e anotaria tudo: expectativa, medo, satisfação, arrependimento, autoestima, estranhamento, elogios recebidos e a relação dela com o próprio espelho. o procedimento que eu mais estudaria seria o preenchimento labial, por razões absolutamente pessoais e nada científicas: acho horrível. justamente por isso, investigaria a distância entre os grupos que olham para aquilo e pensam “deus me livre” e os grupos que gastam uma fortuna para fazer igual.

por fim, tentaria prever quais procedimentos entrarão na moda daqui a alguns anos, quais partes do corpo ainda serão transformadas em problema e qual público será convencido de que precisa corrigi-las. tudo isso com revisão bibliográfica, entrevistas, trabalho de campo, análise de discurso, para finalmente poder afirmar, com rigor metodológico e respaldo científico, aquilo que hoje só posso dizer como leiga:

TÁ TODO MUNDO DOIDO DA CABEÇA. by @oimaricaa
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20 days ago
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2026 e eu recebi uma carta. não era conta da tim, não era santinho de político, nem o cartão da caixa que pedi semana passada. era uma carta. uma pessoa sentou em algum lugar, pegou um papel e escreveu à mão para mim. uma carta. não era impressão de documento, não tinha inteligência artificial, não tinha fonte escolhida, botão de apagar nem corretor ortográfico. carta mesmo: punho, tinta, letra cursiva escapando das linhas, o tempo de uma pessoa demorando-se em outra. cartinha mesmo. papel, dobra, envelope e caneta bic azul. 🩵 by @oimaricaa
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a month ago
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Clarice Cabral Vila Nova by @oimaricaa
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a month ago
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Eu acho chique que meu pai é de Diamantina/MG taken in Diamantina, Minas Gerais by @oimaricaa
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a month ago
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eu não conheci meu avô. quando já era gente que pensa, dona aura já era viúva e vivia o seu matriarcado. uma mulher forte, de boca solta e palavra franca, dessas que não fazem concessões à mentira. dizia as suas verdades, muitas vezes ásperas, mas eram verdades que o mundo ao redor precisava ouvir.

ajudou todos os filhos a terem estudo e teto. ainda me pergunto, e pergunto a eles, como ela conseguiu. permanece um mistério. dona aura tinha qualquer coisa de alquimia: multiplicava o sustento, o abrigo, o pouco que houvesse. fazia caber gente onde parecia não haver espaço.

e foi abrigo para muito além dos filhos. colocava debaixo das suas asas os netos, os vizinhos, os amigos dos amigos e quem mais atravessasse o seu portão, que, desde que me lembro, era verde. talvez uma casa seja também isso: não apenas paredes, mas a disposição de deixar a porta aberta para o mundo.

eu tive a sorte de morar dezoito anos com dona aura. de ter o quintal dela como meu primeiro território de liberdade. as árvores que ela plantou foram o cenário das minhas primeiras aventuras, e talvez tenham sido também as primeiras testemunhas da mulher que eu viria a ser.

vó, eu te conheci pela força, pela justiça, pela capacidade quase prodigiosa de orquestrar uma família cujo número de netos ninguém consegue contar. havia em você uma espécie de arquitetura do cuidado: cada filho, cada neto, cada pessoa que chegasse encontrava um lugar, mesmo que esse lugar precisasse ser inventado.

vó foi o meu primeiro livro sobre o matriarcado. minha primeira leitura sobre uma mulher à frente de todos. antes que eu soubesse nomear o que era uma mulher como centro de uma família, eu já tinha visto isso acontecer diante dos meus olhos.

dona aura era esse centro. não um centro imóvel, mas desses que sustentam o movimento de tudo ao redor. uma mulher que fez do próprio corpo casa, do quintal território e da vida uma espécie de ciência doméstica, transmitida sem manual, sem teoria, apenas pelo exercício cotidiano de cuidar.

eu tive dezoito anos de matriarcado dentro de casa. e isso, agora eu sei, foi uma forma muito particular de educação. by @oimaricaa
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a month ago
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uma margarida voltou a ser semente.

deixou para trás um jardim inteiro: rosas, cravos, outras margaridas, copos-de-leite, uma rosa amarela e aquela flor que dorme à noite e chama as abelhas, cujo nome já não me lembro.

deixou também um alpendre vestido de orquídeas, samambaias e chifres-de-veado.

no quintal, nos deu pé de tudo. uma horta com couve-gigante, dois pés de jabuticaba, um pé de algodão e folhas de cura. um quintal/remédio, em que a terra parece conhecer, antes de nós, aquilo que nos falta.

agora, a margarida voltou à terra.

e talvez seja esse o destino mais bonito de quem passou a vida semeando: voltar ao lugar de onde tudo começa.

sua herança não é somente o jardim que deixou, mas o ensinamento silencioso da delicadeza e da força, essa força que não faz alarde, que não se anuncia, mas que durante noventa e tantos anos foi capaz de manter um jardim inteiro vivo.

há uma espécie de sabedoria em cuidar daquilo que é frágil sabendo que tudo, um dia, perece.

ela sabia.

sabia que flor não se possui: cultiva-se.
que a terra não se domina: escuta-se.
que a vida não se conserva: acompanha-se.

e talvez por isso tenha deixado tantas coisas crescendo.

para que a sua ausência não fosse apenas ausência.

para que ainda houvesse flores.
para que ainda houvesse sombra.
para que ainda houvesse fruta.
para que ainda houvesse remédio.
para que, em algum canto do quintal, a vida continuasse dizendo o seu nome.

a margarida agora é semente de terra.

e talvez, de lá, entenda tudo aquilo que nós, ainda vivos, demoramos tanto para compreender:

que viver é também preparar a própria volta ao chão.

e que algumas pessoas, quando morrem, não desaparecem.

florescem em amarelo by @oimaricaa
9
a month ago
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lu é a personificação do significado mais puro da palavra humildade. egoísmo? nunca nem viu. é mulher que não arreda, teme, mas não se curva. alegria simples e expansiva. lu preenche qualquer espaço vazio. a única amiga de corinto que respeita corinto, não porque fecha os olhos para o seu patriarcado violento e machismo, mas por abrir os seus braços às suas raízes. ela é a chuva que lança a areia do saara sobre os automóveis de roma. ela é a sereia que dança, a destemida iara, água e folha da amazônia. ela é a sombra da voz da matriarca da roma negra. você não a pega, você nem chega a ver. teu som cega, careta. by @oimaricaa
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2 months ago
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eu amo o ccbb. o de bh, o de são paulo e o do rio, que é uma das coisas mais lindas.

amo também ter os olhos parecidos com os do diogo. parece que enxergamos os mesmos signos e significantes, como se algumas coisas do mundo chegassem até nós pela mesma fresta.

é tão bom ir a uma exposição e entender tudo, mas talvez seja ainda melhor ir e descobrir tudo. permitir que uma obra nos desorganize um pouco por dentro. e, para isso, é preciso estar aberto.

nesse sentido, somos um casal aberto. não sei explicar direito o que sinto taken in CCBB Belo Horizonte by @oimaricaa
1
2 months ago
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uma coisa que estou aprendendo com a depressão é a prestar bastante atenção às coisas que fazem ser quem eu sou, e que ainda acrescentam pequenas faíscas para que eu possa desviar o olhar da sombra e enxergar o que existe ao lado.

ganhei uma gatinha que agora é uma razão para voltar e, junto com ela, a responsabilidade de pensar para além de mim. eu não tenho conseguido ler romances com começo, meio e fim. então me penduro nas descobertas do mundo de Clarice, que são textos soltos. não têm começo, meio nem fim, e isso me dá o alívio da incontinuidade. Clarice coube na minha paralisia e, ainda assim, desbancou o mundo diante de mim.

não existe um jeito certo de ler. existe o que se faz com aquilo que se consegue no momento.

a música também tem sido um ombro. Maria Bethânia declamando um poema me dá frio na barriga. às vezes sinto que vou escutar Bethânia e sair por aí, rodando eu e a depressão, como duas amigas que finalmente se entendem.

esse fim de semana, tive a certeza de que a arte é remédio. meu humor antes e depois de uma exposição de arte uruguaia me comprovou aquilo que minha mãe já dizia: eu preciso me esforçar para ver o mundo.

mas não qualquer mundo.

quero ver arte. quero ver um quintal e uma xícara de café. quero reparar nas coisas pequenas que, por algum motivo, ainda conseguem acender alguma coisa aqui dentro.

não digo isso para colocar o foco na minha depressão. digo porque, com ela ou sem ela, é preciso conhecer e dar espaço àquilo que cria, como disse lá em cima, faíscas por dentro.

descobri também que a escrita, sobretudo a escrevivência, seja aqui ou no meu diário, me oferece um lugar seguro para ser vulnerável e, portanto, para ser humana.

e, quando a gente se percebe humana, percebe também que é um ser tentante. 

e, agora, se me perguntarem o que eu sou, direi: sou um ser tentante.

quero que você também encontre seus fogos de artifício. e eu indico a arte para acendê-los.

a vida é maior do que eu e os meus problemas.

sou pequena. um grão de areia. um nada.

e ainda bem. by @oimaricaa
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2 months ago
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