Posted On: July 29th 2021, 07:53 pm
alice pediu pra tirar uma foto minha. eu disse que sim, claro. sacou uma câmera analógica Olympus prata idêntica à que eu tinha quando moleque. falamos brevemente dos desacelerares após a hora de canto. tenho encontros preciosos nesse canto. gosto muito de estar aqui. em tempos de vôos virtuais e um mundo em um segundo, resisto no real e numa pessoa por hora. acho belo, simples e profundo. amo fazer o que faço. hoje cedo falei pra um aluno, que chegou meio sem graça me dizendo que fez umas aulas no YouTube, que acho difícil que me encontrem por lá. disse também que pode ser que eu morda minha língua em dez anos. mas acho que não. confesso que acho que não. estar aqui esperando quem escolhe vir até aqui me lembra um senhor que conheci na Argentina e que vendia mel. era um negócio simples. uma placa na entrada de sua casa escrita: mel, e ele lá dentro com um balde de mel a vender mel. prosamos por vinte minutos num portunhol que amo falar e saí com meu pote de mel. aqui é também assim. na porta não está escrito canto, mas poderia estar. é só bater, e entrar. estarei aqui pra gente prosear e cantar. e fim. bem vinda, Alice.