4 months agoMuito parecido com o meu processo. Eu busco mais a minha criança quando estou triste ou angustiado. Tento me reconectar por meio de uma música que lembre o passado, um vídeo antigo da seleção de 82 ou do Flamengo antigo, e, de uma forma mais geral, desde que o Flamengo voltou a ganhar e eu me reconectei com o futebol. Um dos planos que eu tinha quando criança era passar meus brinquedos para meus filhos, mas fui embora de Santos pouco antes de meu pai deixar a casa da minha infância. Não pude estar lá e pedir o saco onde estavam meus jogos de botão e meus hominhos (as "action figures" não existiam). E o saco e parte das minhas memórias foi "pro saco". Mas eu estou aqui e não deixo de ser aquela criança.
4 months agoHoje, às terças-feira, sentada diante da minha terapeuta, quando choro por alguma dor, alguma ausência ou algum medo, penso nela. É quase automático. Como quem busca uma testemunha antiga de si mesma. Eu passo tanto tempo procurando aquela menina como se ela tivesse ido embora, mas a verdade é que ela não foi. Ela sou eu. A mesma que hoje sente medo, mas continua caminhando. A mesma que já não tem a ingenuidade de antes, mas acumulou outras formas de força. A mesma que às vezes se perde e, ainda assim, encontra o caminho de volta. Talvez seja aprender a reconhecer, mesmo entre as dores da vida adulta, a criança corajosa que continua existindo dentro de nós, esperando apenas ser lembrada.
