Posted On: August 10th 2026, 11:27 am
Existe uma nostalgia muito particular em encerrar uma temporada. Talvez só quem vive o teatro por dentro entenda completamente. Foram dois meses de preparação, quase seis semanas de apresentações e, sem perceber, criamos uma rotina: chegar ao teatro, encontrar as mesmas pessoas, resolver o que precisa ser resolvido, acompanhar os últimos detalhes e, então, ver o público chegar. Nesta semana, Ibejis começa a se despedir, e eu já sinto saudade. Como produtor cultural, sei que os projetos têm ciclos e que encerrá-los também faz parte do nosso ofício. Mas saber disso não torna a despedida mais fácil.
Ibejis me deixa especialmente feliz porque é um espetáculo que transborda alegria, cor e infância. E tive o privilégio de dividir essa caminhada com artistas que fizeram desse trabalho um lugar muito bonito de estar. Flavio Souza, com sua criatividade, seu teatro de animação, seus cenários e figurinos cheios de vida; Adriana Ortiz e sua luz “cor de jujuba”, expressão que nunca mais saiu da minha cabeça e que, de algum jeito, me levou de volta à minha própria infância; Cátia Costa, com seu olhar de diretora, sua sensibilidade e uma tranquilidade que acolhe; Guilherme Miranda, com uma trilha sonora que envolve, brinca e ajuda a construir esse universo; Rodrigo Barizon, trazendo para a cena sua leveza e alegria; e Isabele Brum, com sua força, presença e delicadeza. Barizon e Isabele constroem juntos essa atmosfera onde parece que, por alguns instantes, o mundo pode ser mais colorido.
E há também a alegria dos reencontros e das parcerias que atravessam outros trabalhos: Eliano Lettieri, Josué Ribeiro, Leandro Virginio, Hud, Paty Lopes, Ione Ribeiro e tantos profissionais que fazem a engrenagem do teatro acontecer. Teatro nunca é feito sozinho. O que o público vê no palco é resultado de muitas mãos, muitas ideias, conversas, correrias, afetos, preocupações e uma quantidade enorme de gente acreditando na mesma coisa.
Agora entramos na última semana. E antes mesmo de terminar, a saudade já chegou. Saudade de ir para o teatro, de encontrar essa equipe, de receber o público e observar, de algum cantinho, aquele sonho acontecendo mais uma vez.