Você já percebeu o que fazemos quando sentimos que a autoestima está baixa?
Muita gente marca um horário no cabeleireiro.
Compra uma roupa nova.
Faz um procedimento estético.
Ou até uma cirurgia plástica.
Vai para a academia.
E não há absolutamente nada de errado com isso.
O problema é quando começamos a acreditar que a autoestima nasce no espelho.
Como se bastasse mudar aquilo que vemos por fora para nos sentirmos diferentes por dentro.
Mas a autoestima vai muito além da imagem que vemos refletida.
Ela começa a ser construída muito antes.
Nas primeiras experiências de cuidado.
Na forma como fomos olhados.
Acolhidos.
Desejados.
É isso que Freud chama de narcisismo primário.
É nessa experiência que começamos a construir um sentimento de valor sobre nós mesmos.
Ao longo da vida, porém, essa autoestima deixa de depender apenas dessa base inicial.
Ela passa a ser atravessada pela forma como nos relacionamos com os outros.
Pelo quanto nos sentimos reconhecidos.
Amados.
E também pela distância entre quem somos e quem acreditamos que deveríamos ser.
É justamente aí que tantas pessoas sofrem.
Porque passam a vida tentando alcançar uma versão ideal de si mesmas.
E, quando não conseguem, acreditam que o problema é falta de amor-próprio.
Quando, muitas vezes, existe um conflito muito mais profundo acontecendo.
Por isso, autoestima não é simplesmente gostar do que vê no espelho.
Ela também diz respeito à forma como você aprendeu a existir.
À maneira como aprendeu a olhar para si.
E à relação que construiu com o próprio desejo.
Algumas mudanças externas podem, sim, trazer uma sensação de bem-estar.
Mas observe como, muitas vezes, essa sensação desaparece depois de algum tempo.
Porque aquilo que vem de fora pode aliviar.
Mas dificilmente sustenta, sozinho, uma relação que precisa ser construída por dentro.
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