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Photo by Geison Flávio on September 11, 2026. May be an image of book, poster and text that says 'JOGOS MARCADOS NO CORPO DE DEUS JORGE VERLINDO ใ'.
Photo by Geison Flávio on September 11, 2026. May be an image of poster, book and text that says 'Jorge Verlindo é escritor, criado em Brasíliac radicado cm São Paulo. Publica cronicas rônicas ensaios sobre arte - mento no Substack em suas redes S0- SO- ciais, Interessado por Psicologia, Filosofia ヒ Teatro, busca entrelaçar essas áreas na construção de suas histórias. lagos maria- dos corpo de Deus (Editora Cachalote, 2025) seu primciro romance. Conheça mais em: www.jorgeverlindo.com.br.'.
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Posted On: September 11th 2026, 08:08 am
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“Há dores das quais podemos passar uma vida inteira sem falar. Há fios tão impossivelmente dolorosos que em geral não se vê (...)”.

“A dor não tem cara. Nossos espaços públicos, edifícios e regulamentações, aduanas foram todos construídos em cima da negação da dor. Fomos negando e colocando na esteira da modernidade todo tipo de utilidades.”

Esses são alguns trechos ditos pelo narrador do livro Jogos Marcados do Corpo de Deus, de Jorge Verlindo. Eu acabei de finalizar a leitura dele e, já que estamos falando de Deus, eu o agradeceria por essa obra linda e tão importante!

Essas primeiras páginas eu li ainda na espera pela consulta no dentista e, de imediato, fui pego pela escrita de Jorge, mas ainda sem saber pra onde ele me levaria, sabe? Existia aqui um mistério que foi muito gostoso de descobrir.

Na orelha do livro, é feita a pergunta: “o que fazemos é fruto de nossas escolhas ou somos peças de jogos invisíveis?”. É a partir desse questionamento que o narrador, que é um observador que está construindo os personagens ao mesmo tempo em que eles chegam pra nós, nos apresenta Roberto, Esther, Maria e Matheus. Pessoas completamente diferentes e imersas nas próprias questões, mas que, em algum momento, têm suas histórias entrelaçadas como num grande musical. A capa e as diversas intervenções que dizem respeito à musicalidade têm a ver com o interesse do autor também pelo tema.

No novo livro de Carla Madeira, a autora nos traz um termo que me chama muito a atenção e que eu, na minha ignorância, acredito ser o causador de todas as dores, fios, questionamentos e reações dos personagens de Jorge. Engrama — traço permanente deixado no tecido nervoso por um estímulo marcante. Diz respeito não apenas a um acontecimento memorável, mas a uma experiência capaz de alterar para sempre a matéria sentiente.
Comments (12)
memorialdeumleitor a month ago

memorialdeumleitor

Ainda não conhecia. Que bom saber que te tocou tanto! 👏🏻

jorge.verlindo a month ago
odisseia.de.si a month ago

odisseia.de.si

Mais uma ótima resenha! Já está na minha lista

leio_sem_moderacao a month ago

leio_sem_moderacao

Que resenha incrível. Não conhecia, mas irei acrescentar em minha lista.

ler_paraexistir a month ago

ler_paraexistir

Mais um livro que estou curiosíssima . Pela sua experiência percebo que será bem especial 👏👏

alquimico__ a month ago

alquimico__

Esse livro ainda reverbera aqui. Adorei saber que você leu e gostou ❤️

flaviogeison a month ago

flaviogeison

Sei que sou prolixo demais, porém, precisei trazer esse conceito, pois não conseguia não pensar nele enquanto lia os personagens de Jorge. Acredito que são esses engramas que levam cada uma dessas pessoas ao estado atual delas, como acontece com Roberto, um homem casado, pai, que tem uma vida monótona no escritório, mas completamente marcada por uma dor, uma falta, um certo silêncio que, só ao conhecer Esther, também Bárbara, ele consegue organizar. Ele é o personagem que eu mais amei e me identifiquei. Não sou ninguém pra dizer se uma obra é boa ou ruim, mas, com certeza, essa estreia de Jorge no romance é uma das coisas mais impactantes que li. É material dos bons para ser levado na terapia. É como se cada personagem tivesse um pouco de cada um de nós e aí dá pra entender melhor essa engrenagem que nos traz a esse momento triste de guerra, crise institucional, política e econômica, mas também com vida acontecendo, que só nos pede uma coisa: viver. Belíssimo livro! Imensamente grato por ter sido presenteado pelo próprio autor com a obra e, com certeza, serei discípulo dele daqui em diante.

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