Diretamente de SP, essa desgraça sonora atende pelo nome de SEM CULTURA e faz do powerviolence uma espécie de terapia de choque para uma sociedade que já nasceu com o cérebro em estado terminal.
Entre o sludge, o caos e a violência sonora, os caras chegam para transformar o silêncio dos conformados em matéria-prima para o próximo colapso.
E o nome? Aaaaah, o nome é uma piada pronta, dessas que merecem ser impressas em papel barato, copiadas até perder a tinta e distribuídas na porta de algum show clandestino.
SEM CULTURA? Com certeza sem a cultura de obedecer, de abaixar a cabeça e de engolir toda a merda servida diariamente como se fosse banquete.
Sem a cultura da hipocrisia.
Sem a cultura do sorriso amarelo diante da exploração.
Sem a cultura de chamar de normal um mundo completamente disfuncional.
Porque, convenhamos, cultura mesmo é o caralho quando ela vira propriedade de uma elite que escolhe quem pode falar, quem merece ser ouvido e quem deve permanecer no esgoto.
Aqui, a cultura não vem em embalagem de luxo, não tem patrocínio de banco e muito menos precisa da bênção de algum engravatado com complexo de Deus.
É SEM CULTURA para quem confunde silêncio com paz, obediência com educação e ignorância com tradição.
E se o mundo já está de cabeça para baixo, SEM CULTURA parece disposta a arrancar o último parafuso que ainda sustenta essa estrutura podre.
Isso não é música para massagear ego de playboy alternativo.
É som para fazer tremer o reboco, ranger os dentes e lembrar que nem toda expressão artística nasceu para decorar parede de apartamento.
E tem algo deliciosamente irônico nisso tudo: enquanto uma sociedade inteira se esforça para parecer civilizada, tem uma banda chamada SEM CULTURA provando que, às vezes, meia dúzia de acordes violentos diz muito mais sobre a realidade do que toneladas de discursos polidos.
No fim das contas, talvez o problema nunca tenha sido a falta de cultura.
Talvez seja o excesso de gente que se considera culta demais para perceber a própria barbárie.
#powerviolence #brasil #diy #sp
#semcultura