Livro:: O Príncipe
Nicolau Maquiavel, 1513
Numa época em que os tratados eruditos eram escritos em latim, Maquiavel optou por escrever O Príncipe em florentino, numa narrativa clara, sem grandes artifícios retóricos, assente em exemplos históricos e no seu vasto conhecimento dos meandros do poder.
Li algures que o motivo pelo qual, passados 500 anos ainda lemos O Príncipe, é porque este se baseia na natureza humana, tal como Hamlet ou Macbeth, de Shakespeare.
Maquiavel escreve-o em 1513 e dirige este “espelho de príncipe” a Lorenzo II de Medici com esperança que este lhe permita voltar a ter um papel na chancelaria florentina de onde se encontrava afastado, após 14 anos ao serviço do governo, onde trabalhou próximo do temível César Bórgia (o provável modelo para a escrita desta obra).
Num nomento de enorme instabilidade política em Itália (na altura, muito fragmentada, ainda longe de ser estado unificado), o propósito seria traçar o perfil do príncipe e dos mecanismos de governação eficazes, por forma a que este, rodeado de conselheiros sábios (onde Maquiavel insinua pertencer), possa libertar Florença e Itália do domínio de estados estrangeiros e dos mercenários.
De resto, é conhecida a relevância desta obra, a forma como influencia o pensamento político até hoje, inaugurando uma nova filosofia “realista” de pensar e analisar o poder, separando a política da moral, em prol da eficácia governativa.
Maquiavel mostra-nos o poder a funcionar como o vê, sem hipocrisia.
Qualquer texto pode ser apropriado de acordo com os interesses subjacentes e este foi livro de cabeceira de muitos ditadores, ganhou má fama e virou adjetivo (maquiavélico) apesar de em nenhum momento Maquiavel escrever a célebre frase: os fins justificam os meios.
Há passagens bastante incómodas e revoltantes mas ao mesmo tempo é um privilégio ter acesso a um livro que explica os mecanismos do poder com a “verdade evidente e não com a imaginada.”
Maquiavel percebeu a natureza humana e como esta se comporta na conquista e manutenção do poder.
E pouco mudou em 500 anos…
Livro em leitura conjunta, iniciativa da
@mar.deliteratura ❤️
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