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📕 “O Mito de Israel. O Ocidente, a Política, a Morte” (2025) @sistemasolar_documenta 📻 “O Movimento das Coisas” @antena1rtp 🗞️ @jornalpunkto
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No dia em que se assinala a memória da Nakba aqui ficam alguns excertos da entrevista ao podcast da @cnnportugal “Fúria Épica” do jornalista Tiago Palma, com quem tive a oportunidade de conversar a semana passada no contexto do livro O Mito de Israel. O Ocidente, a Política, a Morte - publicado pela @sistemasolar_documenta 

O Mito de Israel procura inscrever o sionismo numa dupla história: do nacionalismo, do fascismo e do nazismo (toda essa ficção mítica de uma comunidade-povo sobre-humanizada que encontra no Estado o veículo da sua realização messiânica), mas também do colonialismo e do imperialismo ocidental, do seu racismo e da sua política de morte e de extermínio. Auschwitz e Gaza são partes inseparáveis de uma mesma história, de uma catástrofe sem fim, propriamente ocidental.

Israel nunca foi a resposta contra o anti-semitismo europeu, ele foi a resposta do anti-semitismo europeu, a solução capaz de expulsar os judeus da Europa: sintoma da incapacidade absoluta das democracias europeias em acolherem na sua comunidade política (supostamente universal e abstracta) o corpo-“outro” e estranho do judeu.

O sionismo não é, portanto, a negação dessa lógica étnico-nacionalista europeia, mas a continuação absoluta dessa catástrofe, a exportação desse “mal” para fora da Europa. Por isso, Israel é, profundamente judeófobo; a negação mesma do judaísmo na sua experiência histórica e religiosa. O judaísmo foi aquilo que Israel teve de se apropriar para se realizar enquanto nação: a nacionalização do judaísmo, o fim do próprio judaísmo.

E, no entanto, ao apropriar-se da figura do Outro, que definiu o lugar do judeu na Europa, o israelense não cai apenas na mais perversa das operações que é a instrumentalização do sofrimento histórico do judeu, mas utiliza esse estatuto para dissimular e legitimar o genocídio de um povo que o israelismo recusa reconhecer enquanto tal e que por isso “tem” de ser expulso ou exterminado: o palestiniano. 

A Nakba não foi apenas um episódio da história, mas o início de um processo de limpeza étnica que continua hoje em curso, desde 1948, há 78 anos. É um genocídio que ocorre na longa duração do tempo histórico. by @plbismarck
123
5 months ago
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No dia mundial do livro: O Mito de Israel. O Ocidente, a Política, a Morte.

@sistemasolar_documenta

• O Mito de Israel não é apenas um livro sobre Israel, sobre o modo como este falsificou a história para legitimar a fabricação de um Estado etno-religioso supremacista judaico e para legitimar um genocídio do povo palestiniano que ocorre há quase 80 anos. É um livro sobre o Ocidente: sobre o seu colonialismo, sobre o seu imperialismo, sobre o seu profundo racismo, sobre as figuras conceptuais que este inventou — civilização, progresso, universalidade, humanismo — capazes de dissimularem o exercício permanente da sua violência, da sua política de Morte. Auschwitz e Gaza estão próximos, demasiado próximos: filhos da mesma história colonial e do mesmo horror imperial.

E, por isso, é preciso dizê-lo: o sionismo é um fascismo.

Israel é a sobreposição catastrófica de toda esta herança imperialista e colonialista do Ocidente, mas é também o fiel depositário do fascismo, de uma política, propriamente ocidental, que mergulhou nas profundezas e na força identificadora e extática do mito não apenas para inventar a ficção de um Estado-Nação e de um povo sobre-humanizado, mas para fazer desse Estado-Nação um dispositivo escatológico e salvífico desse povo, continuamente alimentado pela força catastrófica da realização de si mesmo como mito.

Se o nazismo fez da raça, o ariano, o seu mito, o sionismo ou, antes, o israelismo, fez do judaísmo o seu mito de Estado: nacionalizou a própria religião, nacionalizou o judaísmo, ao reivindicar o fim do exílio e o regresso a uma terra prometida que, na verdade, nunca foi para o judaísmo um lugar geográfico nem terreno, mas alegórico e espiritual.

Quando a política seculariza o messianismo só há apenas um destino: a catástrofe. Foi essa a lição do nazismo. É essa a lição que hoje o israelismo nos traz, uma vez mais. by @plbismarck
26
6 months ago
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• Horror à democracia • Pedro Levi Bismarck 

[link para o artigo completo no perfil ou nas histórias]

• A violenta carga policial que a polícia exerceu ontem, pela madrugada, não foi contra os manifestantes; foi contra a própria Constituição da República, foi contra os fundamentos do regime democrático. Estas pessoas não foram apenas despejadas, uma e outra vez, do seu direito à habitação, foram despejadas, ontem mesmo, da sua própria condição política democrática. Elas e nós, diga-se. Ora, o que tudo isto demonstra é, na verdade, a extrema falta de cultura democrática das nossas instituições, o desprezo absoluto, que é também o medo, o horror, perante aqueles que decidem levar avante o exercício radical da sua condição política e democrática. Quase poderíamos dizer que a democracia tolera tudo, menos a própria democracia. A democracia tem horror à democracia • by @plbismarck
22
3 days ago
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#OMovimentoDasCoisas desta semana debruça-se sobre o 7 de Outubro em Israel. Pedro Levi Bismarck, Joana Bértholo e David Erlich divergem sobre a questão Isarel-Palestina três anos depois do massacre. 

Ainda neste episódio, espantam-se com o interesse dos nativos digitais na observação de aves. 

🎧 Escute o episódio completo nas plataformas habituais ou no site da RTP Antena 1. by @plbismarck
98
5 days ago
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Em 1937, Rudi Weissenstein captou esta fotografia no moshav (comunidade agrícola) de Beit Yosef, fundado nesse mesmo ano, em plena Revolta Árabe.

O colono, sionista, pega na sua arma para se certificar que a arma está devidamente limpa e pronta a ser usada.

E, no entanto, o que vemos, no instante mesmo em que a fotografia é captada, é o gesto de alguém que aponta subitamente uma arma para si próprio e que parece permanecer absorto diante do abismo sem fim do seu próprio gesto, da sua violência e do seu poder e, por fim, diante do abismo da sua própria morte. 

Não há melhor imagem capaz de encerrar em si o paradoxo e a catástrofe de que Israel é hoje o nome.

«Se olhares demasiado tempo para o abismo, o abismo também olha para ti»

— Nietzsche

….

In 1937, Rudi Weissenstein took this photograph at the *moshav* (agricultural community) of Beit Yosef, founded that same year—right in the midst of the Arab Revolt.

The settler—a Zionist—is likely handling his weapon to ensure it is properly cleaned and ready for use.

And yet, what we see at the very moment the photograph is taken is the gesture of someone suddenly pointing a gun at himself, appearing transfixed by the bottomless abyss of his own action, his violence, and his power—and, ultimately, by the abyss of his own death.

There is no better image to encapsulate the paradox and the catastrophe for which "Israel" is the name today.

"If you gaze long into an abyss, the abyss also gazes into you."

— Nietzsche by @plbismarck
3
11 days ago
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Esta semana em O Movimento das Coisas: um criminoso de guerra, formalmente acusado pelo TPI, discursa na Assembleia-geral da ONU e acusa aqueles que não o quiseram ouvir de “cobardia moral”. Falamos obviamente de Netanyahu. 

Algumas notas, neste excerto, sobre a crise da ONU como crise de representação e auto-representação do Ocidente.

O Movimento das Coisas é um programa semanal da @antena1rtp com Joana Bértholo, David Erlich e Pedro Levi Bismarck e moderado por Mariana Oliveira. Todas as terças às 19h e disponível em podcast. by @plbismarck
12
18 days ago
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#OMovimentoDasCoisas analisa, esta semana, a última Assembleia Geral da ONU liderada por António Guterres e comenta a entrada em vigor da (suposta) lei das burcas.

🎧 Escute o episódio, já disponível nas plataformas habituais ou no site da RTP Antena 1. by @plbismarck
15
19 days ago
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N' O Movimento das Coisas desta semana: O problema da habitação, tecnostalgia no coração.

O Movimento alarma-se com a dificuldade em ter casa em Portugal e divaga sobre a tendência para recuperar nostalgicamente tecnologias ultrapassadas.

Com Joana Bértholo, David Erlich e Pedro Levi Bismarck, moderação de Mariana Oliveira. Disponível no site da RTP Antena 1 e nas plataformas habituais. by @plbismarck
2
22 days ago
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O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) ganhou as eleições no Estado da Alta-Saxónia com 44% dos votos. A maior votação deste partido, até agora, numa eleição estadual na Alemanha. Há dois anos, a Afd tinha já vencido as eleições no Estado da Turíngia, com 33% dos votos. Mas, nos últimos meses, a Afd passou para a frente nas sondagens nacionais, com quase 28%. 

A extrema-direita tem vindo progressivamente a trilhar o seu caminho, sobretudo desde a crise económica de 2008, embora na Alemanha o trigger tenha sido a crise inflacionista provocado pelo fim do gás russo e a crise na indústria automóvel alemã. Mas em pano de fundo temos outros dois factores: o lento desmantelamento do Estado social e os desequilíbrios que a reunificação da Alemanha nunca resolveu. 

No vídeo, um excerto da minha intervenção no programa O Movimento das Coisas na @antena1rtp.

O movimento das coisas está de regresso depois das férias à @antena1rtp. E a abrir: Ceuta ou a política como guerra civil. Aqui fica um excerto!

O Movimento das Coisas é um programa semanal da @antena1rtp com Joana Bértholo, David Erlich e Pedro Levi Bismarck e moderado por Mariana Oliveira. Todas as terças às 19h e disponível em podcast. by @plbismarck
1
a month ago
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O Movimento analisa a vitória da extrema-direita em eleições regionais na Alemanha e discute a saída (e o regresso) de Salvador Sobral ao Spotify.

🎧 Novo episódio de "O Movimento das Coisas", disponível em Apple Podcasts, no Spotify e em antena1.rtp.pt

#afd #alemanha #políticaalemã #salvadorsobral by @plbismarck
26
a month ago
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O movimento das coisas está de regresso depois das férias à @antena1rtp. E a abrir: Ceuta ou a política como guerra civil. Aqui fica um excerto!

O Movimento das Coisas é um programa semanal da @antena1rtp com Joana Bértholo, David Erlich e Pedro Levi Bismarck e moderado por Mariana Oliveira. Todas as terças às 19h e disponível em podcast. by @plbismarck
2
a month ago
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#OMovimentoDasCoisas regressa de férias para comentar a crise migratória em Ceuta e a digitalização destrutiva de livros físicos para treinar inteligência artificial.

Escute o novo episódio, com moderação de Mariana Oliveira, já disponível nas plataformas habituais ou em antena1.rtp.pt by @plbismarck
4
a month ago
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