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guerreiro ninja, corsário do dente de ouro, pirata da perna de pau.
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essa falsa ideia que o mar
nos dá de que é a gente que entra 
nele.

✶ maraíza labanca taken in Taboquinha by @quasehelio
8
a year ago
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preciso que
me reconheçam
que me digam olá
e bom dia
mais que de espelhos
preciso dos outros
para saber
que eu sou eu.

✶ adília lopes taken in Taboquinha by @quasehelio
3
a year ago
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sou deste lugar
como as árvores
e as casas.

✶ adília lopes taken in Várzea Da Palma, Minas Gerais, Brazil by @quasehelio
2
a year ago
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é preciso ter cuidado
— se o desejo for muito. 

é preciso estar agasalhado
— se a brisa for forte.

é preciso usar asas
— se a febre aumentar.

✶ marize castro taken in Várzea Da Palma, Minas Gerais, Brazil by @quasehelio
0
a year ago
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liberdade é coisa feita sob medida:
a do outro nunca nos serve.

✶ liana ferraz taken in Taboquinha by @quasehelio
0
a year ago
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e depois há dias que o júbilo
é indescritível no meu peito
batem cem corações felizes. 
todos os cuidados pelo esgoto abaixo
e tu arrastado com eles.
o mundo está denovo aí.
nada mais a esperar
nada mais a temer
de ti. 

✶ ulla hahn taken in Várzea Da Palma, Minas Gerais, Brazil by @quasehelio
0
a year ago
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verdades do rio

peneire-me com sua voz
de um lado, prometo deixar
carcaças grávidas de ideias,
do outro, sementes
podres de ignorância.
depois, me jogue no rio
mais transitório que existir
em uma manhã de pálpebras entreabertas.
deixe fluir os pés fincado das minhas lembranças.
aí, com ternura, observe como a água
arrasta os galhos da minha perseverança.
corra para a outra margem
e veja a minha boia de sonhos e sua dança.
quando eu parar em alguma pedra safada,
com síndrome de julgamento,
sopre, sem pressa,
os calos dos meus pensamentos.
o que quero é simples.
caminhar de mãos dadas,
na varanda da vida,
em direção ao mar.

✶ carla andrade taken in Taboquinha by @quasehelio
0
a year ago
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uma vez, quando as mulheres eram templos, coisas selvagens e guardiãs do tempo — elas não eram amaldiçoadas pelo que carregavam, mas reverenciadas pelo que lembravam. elas sabiam como ficar quietas. cientes do nada e do tudo. ouviam o silêncio por trás do barulho. viviam na pausa entre pensamentos. e quando o mundo
esquecia,
elas lembravam as crianças; sorte não é algo que se espera — é algo que você é.

✶ @the_______place taken in Várzea Da Palma, Minas Gerais, Brazil by @quasehelio
2
a year ago
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no fundo de nós há uma infância, 
um natal feliz,
uma alegria analfabeta,
uma força infinita na fragilidade,
um primeiro amor,
a rotina da bondade,
o espanto em estado puro,
depois conhecemos o sofrimento,
não o nosso, o sofrimento do mundo,
e colocamos em causa a existência da infância,
a existência de deus.

✶ raquel serejo martins taken in Taboquinha by @quasehelio
2
a year ago
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foi um amor sem fim. namoraram, ficaram noivos. às tardes ele ia fielmente a casa dela. assentavam-se nas cadeiras de vime colocadas na calçada e conversavam. faziam planos para o futuro como fazem todos os noivos. enquanto isso ela bordava o enxoval. o tempo passou. a canastra do enxoval ficou cheia. e assim continuaram, fazendo planos para o futuro e cuidando do enxoval, até que ficaram velhinhos. aí deixaram de fazer planos para o futuro e passaram a confidenciar memórias do passado. nunca brigaram. nunca pensaram em se separar. foram felizes até que a morte os separou.

✶ rubem alves taken in Várzea Da Palma, Minas Gerais, Brazil by @quasehelio
5
a year ago
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se eu fosse um cão
podia pedir sem pudor a tua atenção, mas
como se não tivesse um coração dentro do peito,
dizem que sou uma senhora,
que devo dar-me ao respeito,
nada de rebolar na relva, correr à chuva,
obedecer ao cio, ladrar ao carteiro,
porém, 𝘭𝘦 𝘵𝘦𝘮𝘱𝘴 𝘴’𝘦𝘯 𝘷𝘢, 𝘮𝘢𝘥𝘢𝘮𝘦,
digo eu à senhora, 
como se soubesse bordar,
tocar piano e falar francês. 

✶ raquel serejo martins taken in Várzea Da Palma, Minas Gerais, Brazil by @quasehelio
0
a year ago
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não acuso. nem perdôo.
nada sei. de nada.
contemplo.

quando os homens apareceram
eu não estava presente.
eu não estava presente,
quando a terra se desprendeu do sol.
eu não estava presente,
quando o sol apareceu no céu.
e antes de haver o céu,
eu não estava presente.

como hei de acusar ou perdoar?
nada sei.
contemplo.

parece que às vezes me falam.
mas também não tenho certeza.
quem me deseja ouvir, nestas paragens
onde somos todos estrangeiros?
também não sei com segurança, muitas vezes, da oferta que vai comigo, 
e em que resulta,
pois o mundo é mágico!
tocou-se o lírio e apareceu um cavalo selvagem.
e um anel no dedo pode fazer desabar da lua um temporal.

já vês que me enterneço e me assusto,
entre as secretas maravilhas.
e não posso medir todos os ângulos do meu gesto.

noites e noites, estudei devotamente
nossos mitos, e sua geometria.

por mais que me procure, antes de tudo ser feito, eu era amor. só isso encontro.
caminho, navego, vôo,
— sempre amor.
rio desviado, seta exilada, onda soprada ao contrário,
— mas sempre o mesmo resultado: 
direção e êxtase.
à beira dos teus olhos,
por acaso detendo-me,
que acontecimentos serão produzidos
em mim e em ti?

não há resposta.
sabem-se os nascimentos 
quando já foram sofridos.

tão pouco somos, — e tanto causamos,
com tão longos ecos!
nossas viagens têm cargas ocultas, de desconhecidos vínculos.

entre o desejo do itinerário, 
uma lei que nos leva
age invisível e abriga 
mais que o itinerário e o desejo.

que te direi, se me interrogas?
as nuvens falam?
não. as nuvens tocam-se, passam, desmancham-se.
às vezes, pensa-se que demoram, parece que estão paradas
confundiram-se.

e até se julga que dentro delas andam estrelas e planetas.
oh, aparência. pode talvez andar um tonto pássaro perdido.
voz sem pouso, no tempo surdo.

não acuso nem perdôo.
que faremos, errantes entre as invenções dos deuses?

eu não estava presente, quando formaram a voz tão frágil dos pássaros.

quando as nuvens começaram a existir,
qual de nós estava presente?

✶ cecília meireles taken in Várzea Da Palma, Minas Gerais, Brazil by @quasehelio
2
a year ago
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