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Escrita, poesia confessional/ existencial/urbana, rock, silêncio e ruído. Textos para quem ainda escuta o mundo.
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centro taken in Brazil - Sao Jose Dos Campos by @ruidoexistencial
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17 hours ago
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Gratidão a todos os Professores. ❤️🌻 taken in Brazil - Sao Jose Dos Campos by @ruidoexistencial
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2 days ago
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fragmento de 𝒊𝒏𝒗𝒆𝒏𝒕á𝒓𝒊𝒐 𝒅𝒆 𝒖𝒎𝒂 𝒄𝒊𝒅𝒂𝒅𝒆 𝒒𝒖𝒂𝒍𝒒𝒖𝒆𝒓 taken in Brazil - Sao Jose Dos Campos by @ruidoexistencial
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2 days ago
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𝒎𝒂𝒅𝒓𝒖𝒈𝒂𝒅𝒂 𝒆𝒎 𝒎𝒊𝒎

que me perdoem os que só aceitam 
alvoradas em flor,
porque há dias em que o meu jardim 
desperta cinza,
um cinza quase santo, desses que rezam baixinho
enquanto o mundo ainda dorme.

as madrugadas me vestem com roupas batidas,
tecidas por costuras de outros minutos -
há nelas o perfume de algo que já fui,
e o silêncio do que nunca deixei de ser.

não quero que a tristeza me isole,
mas às vezes meu coração relincha, indomável,
puxa as rédeas, rasga as margens da calma,
e me arrasta pelos campos frios da lembrança.

é quando escrevo.

e escrever é isso: um gesto de cavalo cansado,
galopando entre neblinas e saudades,
buscando no escuro o contorno de um abrigo.

não sou só inverno,
há primavera guardada no embornal da alma -
um botão de riso, tímido, quase escondido,
florescendo mesmo quando a lágrima insiste.

às vezes, sorrio e choro ao mesmo tempo,
como se o corpo fosse o palco de estações inteiras:
verão nas mãos, outono nos olhos,
e um coração que tenta traduzir o tempo em versos.

acho que é isso que tenho pra hoje:
um mapa de alegrias contidas,
alguma melancolia com cheiro de maresia,
e uma enxurrada de saudade
pra me guiar por este dia
que ainda não amanheceu.
 

 — 𝒋𝒐𝒇𝒇𝒓𝒆 𝒌

 [SJC, 12/10/25, 0:41] taken in Brazil - Sao Jose Dos Campos by @ruidoexistencial
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5 days ago
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da série 𝒆𝒖 𝒆 𝒐𝒖𝒕𝒓𝒐𝒔 𝒂𝒃𝒊𝒔𝒎𝒐𝒔 taken in Brazil - Sao Jose Dos Campos by @ruidoexistencial
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9 days ago
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𝒅𝒂𝒔 𝒄𝒐𝒊𝒔𝒂𝒔 𝒒𝒖𝒆 𝒏ã𝒐 𝒇𝒊𝒄𝒂𝒎 𝒆𝒎 𝑽𝒆𝒈𝒂𝒔

um dia fui a Las Vegas.
ou foi Las Vegas que passou por mim.
não lembro direito.
lembro das luzes
fazendo hora extra na madrugada,
dos cassinos mastigando gente,
dos sorrisos com prazo de validade
e de uma lua
parecendo ficha fora do jogo.
havia pecado em promoção.
eu quase comprei dois.
casei com um instante
num cartório de neon.
o padre tinha a minha cara
e nenhum documento.
disse sim para qualquer coisa,
apostei o resto
e o resto, anjo caído,
era tudo o que eu tinha.
perdi bonito.
há maneiras elegantes de perder:
uma delas é chamar de experiência.
outra é voltar para casa
com o bolso vazio
e uma verdade atravessada na garganta.
nem tudo ficou em Vegas.
trouxe um espelho
que aprendeu a não pedir desculpas,
um cansaço de estimação
e algumas fichas
que não valem mais nada
mas ainda fazem barulho.
trouxe também
um erro dobrado no bolso,
como bilhete de lotação
para um lugar onde nunca cheguei.
a gente erra
como quem deixa uma porta aberta
num prédio em demolição.
não para entrar.
para ver se alguma coisa
ainda tem coragem de sair.
houve alegria, claro.
a alegria também sabe ser clandestina.
dançava entre máquinas,
bebia com desconhecidos,
fumava o último cigarro
de uma noite que não acabava.
mas por baixo da cidade
havia um deserto.
e eu, naturalmente,
fui procurar água
justamente onde ninguém procurava:
no arrependimento,
na ressaca,
na gargalhada depois do desastre.
estranho é o coração.
faz festa
com o que deveria enterrar.
Vegas ficou para trás.
ou ficou na frente.
desde então
acende dentro de mim
como um letreiro defeituoso:
VOCÊ AINDA NÃO TERMINOU.
às vezes penso
que nunca estive lá.
talvez tenha sido só mais uma cidade
inventada pela minha cabeça
para dar endereço ao que doía.
mas existem viagens
que não precisam de aeroporto.
a gente embarca sentado,
perde o documento,
troca de nome
e chega outro.
o problema é a volta.
voltar é descobrir
que o lugar não mudou.
quem mudou
foi a sombra.
e nem tudo fica em Vegas.
algumas coisas
têm a péssima mania
de voltar para casa.

 — 𝒋𝒐𝒇𝒇𝒓𝒆 𝒌

[07/10/25, SJC] taken in Brazil - Sao Jose Dos Campos by @ruidoexistencial
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10 days ago
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𝒂 𝒇𝒆𝒔𝒕𝒂 𝒅𝒐 𝒔𝒊𝒍ê𝒏𝒄𝒊𝒐

há um tempo 
em que o mundo cessa
sua exigência de aplauso,
e enfim, o coração repousa
na casa limpa do próprio passo.

não há quem chame — e é graça.
não há relógio — e é cura.
o olhar se demora na xícara,
na migalha que dança na mesa,
como se tudo dissesse:
“você basta.”

a solidão, quando amadurece,
tem gosto de fruta que caiu
no tempo certo.
não apodrece, nem amarga —
silenciosa, ela ensina.

sim, há dias em que pesa,
como o céu antes da chuva.
mas até o peso, quando próprio,
vira abrigo.

quem já sentou com seus fantasmas
e ofereceu-lhes chá,
sabe que eles perdem os dentes
e ficam bons de conversa.

não há plateia.
só eu, e o sopro antigo
de uma brisa que conhece meu nome,
sem precisar dizê-lo.

e é aqui 
que eu danço por dentro —
não porque há música,
mas porque o chão está limpo
e meu corpo lembrado de si.

 — 𝒋𝒐𝒇𝒇𝒓𝒆 𝒌 taken in Brazil - Sao Jose Dos Campos by @ruidoexistencial
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 by @ruidoexistencial
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13 days ago
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𝒂𝒏𝒅𝒓𝒆𝒂 𝒅𝒐𝒓𝒊𝒂

às vezes a noite
não é noite.

é um navio sem nome
batendo dentro do peito.

nenhum farol.
nenhum aviso.

só o impacto
e aquela velha mania
de continuar respirando
depois que tudo já afundou.

a gente passa anos
desenhando mapas
com caneta bic
sobre a pele.

acha que sabe.

a esquina,
o endereço,
o corpo certo,
a palavra certa
na hora certa.

até que vem o nevoeiro.

e o mundo
vira uma rua sem placa
depois das três da manhã.

há sempre alguma coisa
que range.

um osso.
uma promessa.
uma fotografia
esquecida dentro da gaveta.

há sempre alguém
que vai embora
antes de dizer
que estava indo.

e você fica.

com a boca cheia
de coisas que não disse.

com o nome de alguém
atravessado na garganta
como um prego.

não adianta correr.

há naufrágios
que acontecem em terra firme.

a cidade continua acesa,
os carros continuam passando,
o caixa eletrônico cospe
seus números inúteis,

e você ali,

tentando descobrir
em que momento
virou destroço.

mas alguma coisa boia.

um pedaço de madeira,
um resto de infância,
uma música ruim
tocando num bar qualquer,

uma mão.

às vezes uma mão
sem nome.

às vezes
a própria mão.

acho que é isso
que chamam de força:

não acreditar em nada
e ainda assim
não desaparecer.

boiar.

com os olhos abertos.

nadar
sem saber para onde.

carregar no corpo
o peso de tudo
que não morreu.

porque ninguém sai inteiro
de uma colisão.

a gente chega
do outro lado
como pode:

molhado,
sujo,
com medo,
um pouco filho da puta,
um pouco santo,
e quase sem voz.

mas chega —
atravessa os destroços
sem pedir desculpas ao mar.

depois do choque,
quando ninguém está olhando,
uma pequena luz
acende no escuro.

não é Deus.

não é destino.

é só você,

teimosamente vivo,

feito um cigarro aceso
na boca de quem
já deveria ter ido embora.

 
 — 𝒋𝒐𝒇𝒇𝒓𝒆 𝒌 taken in Brazil - Sao Jose Dos Campos by @ruidoexistencial
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14 days ago
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taken in Brazil - Sao Jose Dos Campos by @ruidoexistencial
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𝒓𝒂𝒈𝒆

estou na esquina da avenida
cassiano ricardo com o nada.

a faixa de pedestre
mastiga meu tênis de EVA
enquanto o progresso
processa a calçada.

sou um animal urbano.
sem dono,
sem aplicativo,
sem vontade de pertencer.

que se foda o satélite.
a fibra ótica.
o clique.

o amor virou vitrine.
a intimidade, conteúdo.
a solidão, algoritmo.

a moral virou bula
de remédio controlado.
todo mundo lê
e ninguém toma.

não me venham
com essa calmaria clínica.

meu peito não foi feito
para caber em protocolo.

o mundo esfriou
enquanto a gente aprendia
a vestir a própria mentira.

todo mundo conectado.
todo mundo disponível.
ninguém realmente aqui.

as ideias passam rápido.
rápido demais.

o pensamento
não tem mais tempo
de criar raízes.

vira opinião.
vira postagem.
vira lixo.

a desconstrução
agora vem embalada
e aceita cartão.

até a rebeldia
ganhou etiqueta.

eu olho para o painel luminoso
e vejo uma multidão
obedecendo voluntariamente.

ninguém mandou.
ninguém precisou mandar.

bastou oferecer
uma tela.

o cabresto ficou invisível.
por isso ninguém se sente preso.

não há teoria
que consiga explicar
essa espécie satisfeita
com a própria anestesia.

o erro deixou de ser exceção.

virou método.

a máquina não precisa mais
nos destruir.

aprendeu a nos convencer
de que estamos escolhendo.

então eu rasgo o verbo.

não para ser ouvido.

para não me acostumar.

cuspo no chip.
desligo a tela.
recuso o convite
para ser mais um.

na vanguarda desse caos
não quero liderança.

quero distância.

quero o direito
de olhar para esse país 
e dizer:

não é progresso
se ninguém sabe
para onde está indo.

minha alma continua presa.

minha cabeça, não.

e se ainda existe
alguma pátria possível,

que seja essa:

a fúria
de não aceitar
o mundo
como ele veio.

 — 𝒋𝒐𝒇𝒇𝒓𝒆 𝒌 taken in Brazil - Sao Jose Dos Campos by @ruidoexistencial
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excerto de 𝒂 𝒑𝒂𝒓𝒕𝒆 𝒆𝒎 𝒒𝒖𝒆 𝒆𝒖 𝒗𝒐𝒖 𝒆𝒎𝒃𝒐𝒓𝒂 taken in Brazil - Sao Jose Dos Campos by @ruidoexistencial
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