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Sobre Saltburn (dir. Emerald Fennell, 2023) 
Obs: contém spoilers by @s0fismos
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2 years ago
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ontem, eu presenciei a morte de uma árvore de certamente mais de 70 anos
o ventaval a arrancou abruptamente, e num estrondo que mais parecia uma explosão, ela caiu no chão 
amanheci com essa imagem na janela e resolvi registrar
refleti sobre tantas coisas no dia de hoje
mas sobretudo, sobre o caminho que nossa humanidade tem tomado
como diria Ailton Krenak, “despersonalizamos o rio, a montanha, a floresta e os animais a fim de torná-los recursos exploráveis”
no dia de hoje, estou de luto
essa árvore, que me acompanhou com sua belíssima copa há mais de um ano, que me rendeu momentos divinos de auto reflexão, que abrigou tanto passarinhos, que nutria vida, se foi
e hoje, em cerca de horas, foi totalmente serrada, picotada, definitivamente morta, a fim de ser descartado no lixo, em um final triste
penso como seria se ela estivesse na mata, que provavelmente viraria morada de outras formas e nutriria o solo sendo adubo
mas nós simplesmente a descartamos, como coisa
eu, como sua companheira de apartamento, sofro
percebo como dias assustadores nos esperam
porém, que possamos todos os dias encontrar motivos pra seguir
e que a paz possa, em algum momento, reinar sobre todos os seres senscientes taken in Porto Alegre - Rio Grande do Sul by @s0fismos
7
3 years ago
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Para Carl jung, a água simboliza fonte de vida e expressão. Nos últimos dias, com as enchentes que vem ocorrendo e arrasando nosso estado, me peguei refletindo sobre isso.
Ao nascermos, saímos de uma bolsa de água para o mundo. Durante toda a vida, nos hidratamos diariamente, já que somos feitos 70% de água. O mar (assim, talvez, como nosso inconsciente), é a parte mais inexplorada do planeta Terra. 
Entretanto, nosso planeta está em sofrimento, e por nossa causa. As mudanças climáticas aumentam a temperatura, e nosso planeta se põe a chorar.
Hoje, apresentei um trabalho para a cadeira de Direção de Arte sobre o filme Blade Runner 2049. Ao pesquisar sobre o filme, percebi como a água é um fio que liga toda a narrativa. Não vou apresentar uma sinopse sobre o filme, mas apenas digo que ela está presente visualmente (está ilustrado no post). Seja na sua ausência, ocasionando um ambiente árido; seja na sua presença, simbolizando o nascimento, aparentemente acolhedora e materna; seja nas cidades úmidas, onde a água acumula no concreto, onde a luz não entra, onde a água não evapora, onde o sistema de escoamento precário faz tudo pingar.
Na minha apresentação, trouxe um exemplo real de uma cidade cyberpunk: Kowloon Walled City. Descobri a história dessa cidade há um tempo e fiquei chocada com o fato de uma cidade assim ter realmente existido. 
A "Cidade das Sombras" surgiu em um terreno abandonado a partir do conflito entre China x Inglaterra. Ela nasceu na divisa com Hong Kong e ficou conhecida como uma favela vertical, onde a população periférica se abrigou. Prédios de até 14 andares, em um ambiente claustrofóbico de 330.000m2, que em 1987 contabilizava com 33.000 habitantes, chegando a maior densidade populacional do nosso planeta: 1.255.000 hab/km2. Ou seja, 40 vezes mais que a densidade de Manhattan e 180 vezes a densidade de Hong Kong e São Paulo. Basicamente, era toda essa galera vivendo em uma cidade menor que o Parque da Redenção.
(Continua nos comentários) by @s0fismos
3
3 years ago
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American Pie

Andando de ônibus, peguei meu celular e coloquei uma música pra tocar. Escolhi uma playlist minha que gosto muito de ouvir em viagens, com várias músicas da década de 70 (minha década favorita artisticamente falando, como vocês já devem ter percebido).

Então, aleatoriamente, começou a tocar American Pie, do Don McLean. Mais pro final da música, especificamente, são ouvidos apenas o piano e a voz do cantor.

Já escutei essa música inúmeras vezes, mas por algum motivo, hoje, a partir desse trecho, me emocionei.

American Pie fala sobre o dia do fim da música. E nesse trecho específico, me peguei refletindo sobre todas as questões sonoras que andam permeando meus dias.

O som é tão presente em nossas vidas que nem o percebemos. Inclusive, lidar com o som é literalmente lidar com o não palpável. 

A música, no cinema, foi e segue sendo muito utilizada para nos conduzir emocionalmente. Isso porque, diferentemente da visão, se somos dotados do sentido da audição é impossível não ouvir. E ao ouvirmos, não conseguimos controlar como aquilo nos afeta.

Fiquei refletindo sobre todas as memórias afetivas que tenho e que são desencadeadas tanto pelo som quanto pela música. Definitivamente sou uma pessoa muito sonora, e fico muito feliz em ter redescoberto isso no meu caminho.

Pra mim, assim como no trecho final de American Pie, se a música acabasse, O Pai, O Filho e O Espírito Santo pegariam um trem e iriam embora. A música tem algo de celestial, sagrado e espiritual. “Há tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar.”

E sim, podemos estudar a teoria musical por trás de tudo isso, mas de qualquer forma o mistério continua. O mistério de lidar com algo que não se vê mas que nos afeta, assim como o Universo, Deus ou como queira chamar. by @s0fismos
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3 years ago
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Daisy Jones & The Six 🎸

“Eu não quero ser a musa.
Eu quero ser o alguém.” by @s0fismos
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3 years ago
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2. BrokeBack Mountain 🏔️ do diretor Ang Lee

Essa semana, reassisti o filme BrokeBack Mountain depois de anos. O motivo? Meu TCC, que vai ser sobre o compositor da trilha musical original do filme: Gustavo Santaolalla.

Fiquei intrigada com a trilha tema do filme. Ela já entra na primeira cena do personagem de Ennis e Jack na montanha, ambiente que vai vir a se tornar o local seguro dos dois para serem o que quiserem sem amarras. 

Entretanto, por mais que a história seja um drama, a trilha me soa esperançosa.

Fiquei me perguntando o porquê disso, e cheguei a seguinte conclusão. 

A história é sobre duas pessoas que não podem viver um amor. Duas pessoas que ficam na possibilidade. Duas pessoas que tem uma expectativa eterna de realizarem algo que nunca se concretiza.

Essa esperança desencadeada pela trilha de Gustavo causa o efeito oposto: reforça a melancolia da narrativa através do contraponto. 

A trilha inicia de forma receosa, como muitas das melodias de Santaolalla. Aos poucos, vai crescendo, desencadeando em um acorde que não finaliza a composição, mas deixa em aberto. 

A linha melódica segue a narrativa. 

Do mesmo modo que Ennis e Jack iniciam sua relação na dúvida, a trilha acompanha essa hesitação inicialmente. Porém, assim como o sentimento entre os personagens cresce e chega no seu ápice o mesmo acontece com a trilha. 

Entretanto, o ápice não é uma finalização. Assim como a relação de ambos, que mesmo após 20 anos nunca construíram algo efetivo juntos, a trilha não nos traz a sensação de “final feliz”, porque esse final feliz simplesmente não existe. 

Não é à toa que Santaolalla ganhou um Oscar pela trilha desse filme. taken in Brokeback Mountain by @s0fismos
6
3 years ago
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1. Apresentação 💓 

Sobre essa jornada que se inicia. by @s0fismos
7
3 years ago
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