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memórias de pessoas trans, travestis e não-binárias VIVAS 🏳‍⚧
idealizado por @gabz404
ensaios completos / in full essays 🔻
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📍poa | SEXTA (25) tem vernissage da exposição “não será possível sobreviver sem contar a nossa história desde outro mundo” como fotografias do projeto @ser.trans e texto curatorial de @suegoncalvesm ❤️‍🔥

Vai ser na @fundacaoecarta das 19h às 21h, mas quem puder chegar às 17h tem a conversa com artistas

Vim de São Paulo pra montar essa exposição 🫰🏼✨ espero vocês lá!

Na exposição com fotos de @fayolaferreira @venturaprofana @zion.ozz @zaire.naobinarie @pampaperiferica @marcievieira1 @ostefancosta @sophietrava @kimfloresx @masinapinheiro @psicoduda @vicentelara.atelier @euavine @onatebr @morganlemes @boycetaa @ayannakaii @gus_deon @_lukkam @laubldo @laubldo @talesferre @inkmizzle @yuyuyyyyuyuyu ❤️ taken in Fundação Ecarta by @ser.trans
21
2 years ago
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Me identificar enquanto uma travesti me traz essa liberdade de não corresponder às expectativas que as pessoas têm sobre o meu corpo, sobre mim, sobre o meu modo de agir. Eu lembro quando eu já estava em transição e dentro da igreja uma pastora falou assim pra mim “nossa, quer ser mulher, então porque você tá com as pernas abertas?” Eu disse “meu amor, eu sou uma pessoa não-binária, não espere que eu vá corresponder às suas expectativas. Não espere que eu seja a reprodução do que você é na sua vida”.

A transição foi girando uma chavinha de positividade, de aceitação, de entendimento, para além de apenas ser uma travesti, sabe? Também para a questão do meu corpo, enquanto corpo preto, enquanto corpo gordo, enquanto corpo que vem da periferia. E tendo esse corpo nas múltiplas inseguranças e potências que ele tem também, sabe?

Depois da transição eu me senti atraente. E é muito louco estar nesse lugar de atração. E não digo atração só do tipo alguém querer transar comigo. Alguém que quer trocar afeto comigo, alguém que me acha interessante, não só pra transar, mas pra conversar, pra compartilhar outras coisas, sabe? Uma conchinha… Eu amo conchinha.

@ayotupinamba
Ayô Tupinambá, 1992
Travesti, ela/dela
confira o ensaio completo no site, link na bio // gabz404.com

📸por @gabz404

💌 ser trans é produzido de forma autônoma por pessoas trans e todo conteúdo é oferecido de forma gratuita. Se esse projeto te acrescenta, considere fazer um pix: sertransproj@gmail.com 

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#sertrans #projetotrans #transgender #trans #travesti #naobinarie #nonbinary taken in São Paulo, Brazil by @ser.trans
60
2 years ago
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As possibilidades de sonhar, de poder pagar meu aluguel, ter minha casa com as minhas coisinhas, poder receber pessoas, poder se alimentar bem. Acho que enquanto pessoas trans a gente tem esse lugar meio insalubre e inseguro. Às vezes você tem uma casa, mas não tem uma alimentação muito boa. Às vezes você tem uma alimentação boa, mas você passa perrengue em casa com seus pais, com pessoas que não te respeitam. Então poder ter um lugar seguro para me receber e para receber outras pessoas é muito positivo, muito bom. E tudo isso com a arte. A arte tem me possibilitado tudo isso. A arte tem me possibilitado viajar pelo Brasil, sabe? A arte tem me possibilitado trocar com outros artistas. Foi a melhor decisão que tomei até hoje.

Aí eu acho que entra um pouco da espiritualidade pra mim. Falando especificamente da macumba, esse lugar de reconexão ancestral, e nesse processo de transição, que muitas vezes a gente cai num processo de solidão. Porque é isso, relações são quebradas e outras relações vão sendo estabelecidas. E aí ter a espiritualidade nesse lugar de que, tá, às vezes eu tô sozinha fisicamente, mas meus ancestrais estão comigo. 

Acho que a espiritualidade entra nesse lugar também de me sentir potente. Desde quando eu pisei no meu terreiro do qual eu sou filha hoje, eu sempre saio mais potencializada de lá. Eu sempre saio ouvindo o quão potente eu sou, o quanto eu posso, o quão grande eu sou. Que era uma sensação que eu tinha diferente dentro da igreja, sabe? Na igreja eu sempre saía... me sentindo meio acusada. No terreiro eu me sinto potencializada.

@ayotupinamba
Ayô Tupinambá, 1992
Travesti, ela/dela
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#sertrans #projetotrans #transgender #trans #travesti #naobinarie #nonbinary taken in São Paulo by @ser.trans
151
2 years ago
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Eu tenho resgatado um sonho de infância, tratado isso em terapia, que é o sonho de, em algum momento… ó a demora pra falar… 

O sonho de ser mãe, sabe? Eu acho que eu tenho esse desejo. Depois da transição ele ficou meio incubado, do tipo “ah, isso não é possível, não vou fazer a criança passar por uma situação de transfobia sem necessidade”. E acho que também tem essa coisa do afastamento da família e das coisas que eu passei dentro da minha família de eu não querer reproduzir. Mas acho que eu tô admitindo coisas, sabe? Pra mim mesma.

Agora eu tô admitindo pra mim que quero ser mãe. Não sei se vou ser, mas tenho uma vontade. Não pra agora, mas pra daqui uns 8, 10 anos. Como uma boa virginiana, tenho meus métodos e meus processos. Mas não é uma maternidade que eu quero viver de ter alguém pra gestar. E também não quero viver compartilhada com alguém. A ideia é ser mãe solo.

Também tenho admitido pra mim que eu quero viver grandes amores. Essa possibilidade de viver amores. E não tô falando de, tipo, casar e viver com essa pessoa pra sempre, mas que seja bom, positivo e bonito o tempo que for pra durar. E é bom poder separar essas coisas também. Porque parece que pra ser mãe tem que estar casada com alguém. E não necessariamente. 

@ayotupinamba
Ayô Tupinambá, 1992
Travesti, ela/dela
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#sertrans #projetotrans #transgender #trans #travesti #naobinarie #nonbinary taken in São Paulo, Brazil by @ser.trans
83
2 years ago
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São várias questões bem complexas, e uma delas é essa coisa do “nasci trans”. Não tenho certeza disso. Eu não acho que é isso. Sinto que tem um multiverso em que eu poderia ter sido uma mulher cis feliz até o fim da vida. 

E é claro que eu conheço diversos amigos homens trans que não tem essa história, que tem outra. E que realmente sofriam muita disforia desde sempre. São diversas as histórias. 

Foi um grande experimento meu, que começou a ficar muito legal e muito empolgante. 

A criança nasce e provavelmente ela continuaria a vida dela, sem existir a palavra cis ou a palavra trans, mas já que existe, esse é meu lugar um pouco de me dizer homem. Já que existe, então vamos estar participando da maneira mais incisiva e caótica que der pra contribuir pra essa discussão. Vai ter que me chamar de homem, “quer a senhora queira ou não! Pessoas que gestam!”

@flowkountouriotis
Flow Kountouriotis, 1997
homem trans, ele/dele

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Ensaios e entrevistas completas no site, link na bio.
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#sertrans #projetotrans #transgender #trans #homemtrans #transman taken in São Paulo by @ser.trans
30
2 years ago
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Pela primeira vez na minha vida eu sinto que eu quero viver. 

É como se a minha transição física, do corpo, não tivesse acompanhado a minha cabeça. 

Muitas vezes eu me vejo o Caio de 14 anos chorando no quarto, tendo crise de ansiedade, aí tenho que parar e falar “não, eu to fazendo minha segunda faculdade, fazendo estágio, juntando grana pra morar sozinho, eu to fazendo meu corre”. 

A vida tá acontecendo, tá movimentando, mas é como se eu não tivesse na mesma velocidade que as coisas estão acontecendo. É rápido demais. Eu sinto que to sempre sem bateria. Às vezes sinto que tenho que parar e absorver o que tá acontecendo.

@caio_caju
Caio, 2000
Transmasculino, ele/dele

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#sertrans #projetotrans #transgender #trans #transmasculino #transmasculine #homemtrans #naobinarie #ftm #nonbinary #transman taken in São Paulo, Brazil by @ser.trans
15
2 years ago
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Sou trans há 3 anos, desde que eu comecei minha transição em 2021. Acho que comecei tarde, mas não vou ficar chorando sobre o leite derramado, bola pra frente, tamo aí, vamos seguir em frente.

Pra mim tem isso de me descobrir trans. Não acho que fui desde o começo. Tem muitas pessoas que pensam assim “minha vida começou agora”, mas eu acho que minha vida já tinha começado antes, eu só continuei ela de um jeito diferente, mas minha vida já existia. Eu sei que muitas coisas vieram com tudo, tipo disforia. 

Eu achava que eu ia fazer cirurgia e todas as disforias iriam acabar e o mundo seria muito melhor e tudo ia ficar bem. Só que não. As disforias não acabaram. Talvez diminuam um pouco, mas não acabaram. 

@tijolos_
Joana de Fátima, 1996
Mulher trans, 2 anos e meio em hormonização, ela/dela

📸 @gabz404

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#sertrans #projetotrans #transgender #trans #transfemme #mulhertrans #transwoman taken in São Paulo, Brazil by @ser.trans
6
2 years ago
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De certa forma é uma faca de dois gumes, tipo você querer se afirmar, mas você tá se afirmando como uma negação de uma identidade. Talvez você não queira uma identidade, mas é importante se afirmar. Eu sinto que tem muitas vias na não-binariedade, que é o que eu to meio que descobrindo, testando.

@l_ygi_
Lygi, 1999
não-binárie, elu/ele/ela

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#sertrans #projetotrans #transgender #trans #nonbinary #naobinarie taken in São Paulo, Brazil by @ser.trans
8
2 years ago
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Muitos tipos de mortes. Engraçado porque eu fico falando de morte o tempo todo, aí hoje eu acordei meio emotiva em relação aos lutos que eu to vivendo desde o ano passado. 

Eu tinha uma gata chamada Plutão e ela foi muito presente durante a minha transição. Aí ela morreu e é meio que… como continuar ou como estabelecer outras relações com a própria morte? Que não seja tendo uma morte rondando o tempo todo. 

Aí fico sempre nessa “ai minha gata morreu, ah que pena”, mas tem alguma coisa ali que era um pouquinho outra, talvez porque eu sou meio mística mesmo, sabe? (risos) Talvez porque ela é uma gata preta, sei lá. Enfim, muitas dinâmicas, de luto também de familiares, que morreram ano passado. 

E o luto me traz coisas muito fortes de sexualidade. Tipo, morrer e estar perto de pessoas que morreram. E fazer todos esses processos, os rituais da morte, me colocaram no lugar de ter muito tesão também. 

E viver o tesão é uma forma de eu conseguir lidar com o luto por um tempo. Então “nossa, eu preciso só transar, não aguento mais pensar, eu preciso transar, sabe, sentir outras coisas”. 

Uma outra amiga, a mãe dela morreu na mesma época que pessoas queridas morreram pra mim ano passado. Ela também ficou nessa de “sexo é uma coisa muito forte pro meu luto”. 

E é curioso porque outro dia vi no twitter uma pessoa comentando sobre exatamente essa questão e as pessoas acabando com ela. Enfim, twitter é um lugar tenebroso, né. As pessoas são muito moralistas e horrorosas.

@taraperstephonie
Tara, 1998
Travesti, ela/dela

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#sertrans #projetotrans #transgender #trans #travesti #transfemme taken in São Paulo, Brazil by @ser.trans
29
2 years ago
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A principal coisa que sinto de diferente em São Paulo é que o preconceito em Porto Alegre geralmente está vinculado à ideia do provinciano. As pessoas em Porto Alegre tem preconceito em você ser trans ou não-binário - porque as vezes as pessoas não tem preconceito com pessoas trans mas tem com pessoas não-binárias - ou você ser não-monogâmico, ou você gostar de coisas diferentes da maioria das pessoas da sua idade. 

Tirando talvez na questão do racismo, geralmente são preconceitos porque as pessoas não conhecem as coisas, tipo “de onde eu vim só tinha homem ou mulher”, “de onde eu vim as pessoas tentavam ser mais discretas”. É uma coisa que, tipo, depois de alguns anos, depois de a pessoa se habituar, o preconceito diminui. Na minha experiência, pelo menos. Exceto com coisas um pouco mais complexas dada a realidade brasileira. 

Mas aqui literalmente tem de tudo e quando a pessoa tem preconceito com alguma coisa, geralmente ela já viu essa coisa na vida, só que ela não gosta. Ela não gosta e quer que aquilo não exista. Nesse sentido acredito ser uma experiência um pouco diferente. 

Sempre que me perguntam se vejo muita diferença da vida aqui ou na vida lá, eu digo que, honestamente, nem o bairro que eu moro hoje é muito diferente do bairro que eu morava antes. Os estereótipos são literalmente os mesmos.

@snowhitequeer
Daniel, 1993
Transmasculino, em hormonização desde 2020, ele/dele

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#sertrans #projetotrans #transgender #trans #transmasc #transmasculine #nb taken in São Paulo by @ser.trans
6
2 years ago
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Lendas são uma coisa cultural da gente. Belém é construída em cima de uma ilha. E essa ilha foi colonizada pelos portugueses. Eram indígenas e portugueses. E os indígenas já trazem a cultura deles, as lendas deles, que fez a cultura de Belém. 

Todo paraense conhece a lenda do açaí, que foi um menino bonito que morreu e depois nasceu o açaí. Ou a história da igreja que eu te falei, que tem uma cobra lá embaixo, que é interligada a outra igreja quando vem o Círio de Nazaré. Aí quando essa cobra acordar Belém afundará que nem Veneza (risos). É uma grande loucura, mas são lendas culturais daqui mesmo. 

A Amazônia em si, como a Matinta Pereira, o Curupira, que são daqui e são lendas nacionalmente conhecidas. A lenda do Boto todo mundo conhece também, que era um rapaz que se transformava em boto e quando saía da água tava todo de branco. Entre outras. 

É nosso patrimônio cultural. Porque mesmo que você nasça aqui e não tenha muitos traços indígenas, você carrega a cultura daqui. Se você for criado em Belém você é Belenense, então você tem o patrimônio cultural daqui. 

📸 @gabz404

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#sertrans #projetotrans #transgender #trans #homemtrans #transman #ftm taken in Belem Do Pará by @ser.trans
15
2 years ago
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Meu laço com a minha família hoje em dia é muito bom, porque eles quiseram participar da minha vida. Antigamente era muito questionamento, mas hoje em dia a minha mãe quer participar da minha vida e quer ser minha amiga. 

E a partir desse momento que ela quis isso, ela conseguiu se aproximar mais de mim. De dois anos pra cá eu consegui ter uma amizade maravilhosa com ela. Com a minha família, meu pai, minha irmã, todo mundo da minha família já tá ok, mas o começo é foda. 

É tudo uma desconstrução, é tudo um processo, tem que ter calma, segura aí que as coisas vão melhorar. 

@pietrolgph
Pietro, 2000
Homem Trans, ele/dele

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#sertrans #projetotrans #transgender #trans #homemtrans #transman taken in Belem Do Pará by @ser.trans
7
2 years ago
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