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Muito tempo da minha vida fui a pessoa que diz: 
“Não gosto de criança!”

Eu as via como estrangeiras: não sabia falar sua língua,
não sabia me relacionar com elas, como se tivesse uma outra cultura,
outra forma de ver o mundo, uma desobediência constante,
uma forma de inventar tudo novo de novo, de bagunçar tudo,
de ser sensível e irresponsável, não sentir dos nas costas e ter uma fome infinita.
de ser ofendido e não saber me defender, só sentir os piores sentimentos que só que sentiu pode conhecer e tentar nomear. 

E eu queria tanto ser adulto! 
Tanto… tanto…
Mas por quê?

O tempo, maior dos mestres que há, sugeriu respostas a essa aversão:

Eu acho que fui uma criança triste.
Eu queria ser adulto para me proteger.

Sempre fui uma criança que queria esconder o que era.
Queria não: precisava.

Enquanto as outras crianças ralavam o joelho ou abriam o dedão do pé chutando o chão ao invés da bola de futebol, eu me preocupava em:
não derramar sorvete;
em ser um leitor exemplar para parecer culto e agradar os adultos com quem gostava mais de conversar;
em secretamente perceber se me veriam vestindo e brincando com o tamanco azul de salto alto da minha mãe e assim vai…

Uns tinham o joelho ralado: eu tinha o coração. (Que sangra até hoje!)

Mais tarde, na grande viagem que é viver, senti saudade das minhas não brincadeiras,
senti saudade de não ter dor nas costas,
de ser irresponsável,
de inventar tudo de novo,
de bagunçar,
de falar e ser estrangeiro,
de ser sensível sem culpa por isso nem pelos 3 pedaços de pizza que hoje eu pago e como pensando na quantidade de calorias ocultas naquele prazer em forma de queijo, tomate, bacon e catchup.

Foi com o tempo e graças ao terreiro de candomblé que muito disso mudou.

As crianças do terreiro, os erês inclusive, me deram um espelho, (além do irmão gêmeo q tenho) e que nele fui me vendo grande, adulto, e enxergando que o tempo está passando: voando, como diz minha mãe, a Vera. 

Hoje é dia das crianças e de Nossa Senhora Aparecida no Brasil

Nosso Afoxé é de religião de matriz africana, e nessa religião sempre aprendemos a celebrar as mães e todas as crianças, maior riqueza que uma nação pode ter.

[Contina nos comentários]
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Salve salve, bora chegar na Exposição da Capulanas lá no Çarê? 

Essa é a última semana e no sábado tem o encerramento com o Afosé Omodé Obá, Umoja, Discotecagem de Maurício Badé e show da brilhante Izzi Gordon.

Só chegar, a partir das 13h!!!
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