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Agosto marca um momento muito especial na minha trajetória: a realização da minha primeira exposição individual na Europa.

Em Portugal, na vitrine do Ateliê B12, apresento Entre o conter e o escorrer, uma exposição que reúne instalação, fotografia e performance para tensionar os modos como uma obra, e também um artista, é apresentada, valorada, circula e encontra seu lugar no sistema da arte.

Ocupar a vitrine foi também uma maneira de deslocar sua função. Tradicionalmente associada à exposição, à visibilidade e à venda, ela se torna aqui um espaço de atravessamento e questionamento. As obras permanecem em relação direta com a rua e com quem passa, borrando as fronteiras entre dentro e fora, obra e público, conter e escorrer.

Esta exposição nasce de uma pesquisa que parte do corpo, da pele e da materialidade para pensar as relações entre corpo, mundo e os dispositivos que nos tornam visíveis. Em 99,99, essas questões se aproximam diretamente dos mecanismos de valor, circulação e legitimação presentes no campo da arte.

Nada disso aconteceria sozinho.

Agradeço profundamente ao Ateliê B12 (@b12atelier) pela acolhida e pela possibilidade de ocupar esse espaço; à Clara Sampaio (@clrsampaio), pela curadoria, pela escuta e pela parceria na construção da exposição; à Paula Guerra (@deguerra_maria), pelo texto crítico e pelo olhar generoso sobre o trabalho; e ao Giuliano de Miranda (@giuliano.2803) pela matéria e, sobretudo, por estar sempre atento e disposto a divulgar e acompanhar meu trabalho. ♥️

Agradeço também a todas as pessoas que estiveram presentes na abertura, que atravessaram a exposição, conversaram, olharam, perguntaram e compartilharam comigo esse momento tão importante.

Levar uma produção que nasce no Espírito Santo para outro território é, para mim, também uma maneira de ampliar as possibilidades de encontro. Entre o que se contém e o que escorre, entre o corpo e o mundo, entre o local e o internacional.

Entre o conter e o escorrer
Ateliê B12 — Portugal
Em cartaz durante todo o mês de agosto.
Entrada gratuita.

🤍
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Um mês em Porto. 🇵🇹

Antes de tudo, agradeço a Deus por essa travessia, pela oportunidade de estar aqui, de atravessar territórios, de encontrar pessoas e lugares que me deslocam e me refazem.

Agradeço também à Paula Guerra (@deguerra_maria) pelo acolhimento e pela escuta nesse processo que é, ao mesmo tempo, estudo e vida. E obrigado a todas e todos que estão fazendo parte dessa história! ♥️

Entre livros, escritas e caminhadas, vou entendendo que o Porto não é apenas um lugar, ele se torna um tipo de abrigo.
Um porto seguro.
Ou talvez um corpo seguro.
Um corpo que se ancora para poder se inscrever no espaço.

O processo começa no primeiro passo.
E desde então, tenho visto tanto, pensado tanto, sentido tanto.

As ideias se acumulam como camadas.
E eu quero mais. 🙏✨
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28 MAR 2026, 3 PM (WET)
Encontro Presencial com Clara Sampaio
@ Atelier B12 
Entrada Livre

Iniciativas Independentes de Arte Contemporânea

As iniciativas ditas independentes costumam surgir mundialmente em contextos de escassez financeira ou de descontentamento com a oferta cultural e/ou com a estrutura do sistema da arte local. Em sua raiz, ligados a movimentos de contracultura surgidos durante o regime ditatorial, entre as décadas de 1960 e 1970, são hoje cada vez mais “interdependentes” por meio de múltiplas parcerias, como forma de garantir a sustentabilidade de suas ações. 

Nessa apresentação presencial gratuita no Atelier b12, Sampaio abordará a construção do Arquivo Independente, plataforma construída em 2022 no Brasil com foco em agentes, coletivos e espaços de arte, com destaque para a edição de 2023 intitulada Acervos autobiográficos e contracartografias, em que participaram os arquitetos e pesquisadores Gabriel Ramos e Maria Luiza de Barros, e as artistas Castiel Vitorino Brasileiro, Rosana Paste e Iuri Lopes. 

Junte-se a este debate presencial, no dia 28 de março, às 19h no Atelier B12! 

Clara Sampaio é artista, curadora e pesquisadora de arte. Doutora em Arte Contemporânea pela Universidade de Coimbra, Mestra em Artes pela UFES e Bacharel em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), desenvolve investigações sobre tradução, linguagem e prática artística e curatorial, entrelaçadas a novas institucionalidades e processos colaborativos de criação. É curadora da plataforma online Arquivo Independente, dos programas de residência Outra Margem, Entre Nós e do ciclo 2025-2026 de Residências do Mosteiro Zen Morro da Vargem, no Brasil.
https://clrsampaio.cargo.site/

Atelier B12 é uma associação gerida por artistas que conta com espaço coletivo para produção, investigação e experimentação para artistas residentes, além de um espaço expositivo de arte contemporânea.

Rua José dos Santos Pereira, 12b Benfica - Lisboa. 1500 380. 
b12.pt

Esta atividade faz parte da programação de 2026 do PdBA Lisboa, Infraestruturas Invisíveis, com apoio do Atelier B12, do Arquivo Independente, e da República Portuguesa - Cultura I Direção-Geral das Artes.
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Arquivo vivo: testemunhos do rio Tejo
ação decolonial no Cais das Colunas - Lisboa, PT. 
verão 2025.

no Cais das Colunas, lugar de desembarques nobres e de partidas coloniais da cidade de Lisboa, inscrevi meu corpo como instrumento de uma fenda crítica no coração da monumentalidade. a performance constitui uma contestação aos legados coloniais ainda presentes nas materialidades urbanas. recolher a água do Tejo em recipientes recuperados de usos anteriores transformou objetos cotidianos em arquivos vivos, deslocando-os para o campo da memória e da resistência, e convertidos em guardiões líquidos que resistem à linearidade histórica e expõem as camadas submersas do trauma colonial.

ao enfileirar os recipientes e erguer um vaso vermelho intenso, coloquei meu corpo em confronto à verticalidade de poder e a narrativa de continuidade civilizatória, na intenção de produzir uma ruptura simbólica e política. o gesto dialoga com Ailton Krenak, que propõe reconhecer a Terra como entidade viva e romper com a lógica extrativista que sustenta a colonialidade. a água do rio tornou-se testemunho, corpo vivo capaz de guardar e reativar memórias, reinscrevendo no espaço imponente uma história líquida insurgente e instável.

no ato reconheço a água como voz e memória. o Tejo deixa de ser pano de fundo para se tornar sujeito fluido que devolve ao peso histórico sua fissura.

assim, o Cais das Colunas converte-se em palco de uma reinscrição do passado e presente que colidem; colonialidade e resistência se encontram na fricção entre corpo e rio, entre onda e monumento que recontam uma história de abusos. a cada intervenção tento reinscrever no espaço público um inconsciente coletivo, aquilo que desloca o visível e produz outras narrativas possíveis.

cinegrafista e companheiro de aventura: @poetkov 
styling e mediação: @karolmrrr 
residência @b12atelier 
curadoria @clrsampaio

A residência é apoiada pelo Edital de Seleção de Projetos 01/2025 (circulação e intercâmbio de profissionais do setor cultural do ES, BR) @secult.es
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Sova da Fenda
performance na Praia da Ursa – Sintra, PT. 
verão 2025

na Praia da Ursa, território de microclima singular onde rochas pontiagudas se erguem como sentinelas xamânicas, realizei um ato de inscrição do meu corpo, instrumento, em suas paisagens. entre duas pedras imensas, numa fenda atravessada por uma nascente que descia em direção ao mar, preparei um pão. 

dispus os ingredientes sobre pedra em oferenda ancestral ao ventre da terra.

essa ação se desenvolveu em diálogo com referências do imaginário das mouras encantadas, que atravessam minha pesquisa como elementos simbólicos de presença feminina, fissura e território português. sovar o pão em meio, e sobre, pedras tornou-se uma forma de nutrir a fenda, de habitar o “entre”, o espaço liminar e fecundo, análogo à vagina. no processo da sova a farinha ganhou corpo, nutrindo a abertura, se inscreveu compactuando e tornando-se parte de seu pulsar.

esse espaço liminar revelou-se ao meu estudo como interstício onde opostos se dissolvem: vida e morte, presença e ausência, memória e esquecimento. preparar a massa nesse intervalo foi uma prática de observação e discernimento, habitando aquilo que o inconsciente mantém submerso.

o território se fez corpo participante. em instantes a rocha assumiu o papel de ventre, a nascente pulsava como gozo, o alimento ritualizou a criação com o cuidado de uma expressão que articula o cotidiano, o íntimo, o coletivo, o visível e o invisível. 

pronto, libertei a fenda. também encantei o que permanece cativo, oculto nos subterrâneos da psique.

e posso dizer à vocês que ao final ela me respondeu: o sol atravessou a abertura e iluminou todo o hiato, selando a ação com luz. o pão sobre a pedra, agora banhado pela claridade, brilhava. e meus olhos contemplavam o instante como os de uma enlaçadora de mundos, celebrando a chegada, a capacidade de engendrar realidades, nutrir e consistir na latência do desejo.

cinegrafista e companheiro de aventura: @poetkov 
styling e mediação: @karolmrrr 
residência @b12atelier 
curadoria @clrsampaio

A residência é apoiada pelo Edital de Seleção de Projetos 01/2025 (circulação e intercâmbio de profissionais do setor cultural do ES, BR)
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