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Em alguns momentos, a surpresa vem de onde menos esperamos. Recentemente assisti a Brutal, novo espetáculo de Mario Bortolotto no Cemitério de Automóveis, e encontrei talvez sua montagem mais abertamente política.

A peça acompanha a seita “Legião do Amor”, liderada por Estevão, um homem que afirma estar em contato permanente com Deus por meio das forças da natureza. Ao seu redor, reúne jovens sem perspectivas, marcados pela solidão, pelo desamparo e pela necessidade de pertencimento. O que começa aparentemente de forma inofensiva revela, pouco a pouco, uma estrutura de manipulação e violência.

A força da dramaturgia está justamente em recusar respostas fáceis. Organizada como uma investigação, Brutal expõe as contradições entre aquilo que as personagens acreditam defender e os atos extremos que cometem. Bortolotto constrói, assim, um retrato perturbador dos mecanismos que alimentam discursos extremistas e da vulnerabilidade social que torna indivíduos suscetíveis a eles.

O elenco sustenta essa complexidade com segurança. Bortolotto domina os tempos entre drama e humor; Bruna Martins impressiona pela força vocal e presença cênica; Debora Sttér entrega uma composição delicada e vulnerável; Walter Figueiredo constrói um antagonista distante do maniqueísmo; e Carcarah traz um contraponto mais contemplativo ao conjunto.

A estética noir, conduzida pela iluminação e trilha de Bortolotto, dialoga com a cenografia funcional de Regis Santos e com os figurinos narrativos de Mariana Cypriano, criando uma montagem visualmente coesa.

Mais do que um thriller ou uma leitura unilateral da violência, Brutal funciona como um espelho desconfortável de uma sociedade marcada pela fragilidade dos vínculos, pela ausência de perspectivas e pelo desejo de pertencimento.

A peça não pretende confortar. Pretende incomodar. E é justamente nesse incômodo que encontra sua maior força.

Leia a crítica completa de @gabrielbatista em nosso site (link na bio)!

#Brutal #MarioBortolotto #CemitérioDeAutomóveis #TeatroBrasileiro #TeatroPolítico
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Fechamos mais uma temporada e tivemos ótimos encontros, trocas, reflexões, e a maior parte disso tudo não foi registrada - fica só na memória, honrando a essência do teatro. Alguns instantes, no entanto, estão aqui. A todo mundo que veio, muito, muito obrigada. Aos parceiros de teatro e de vida, agradeço mais ainda. Até a próxima!
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Tem sido uma experiência incrível dividir o palco com esse elenco foda que o @mariobortolotto juntou em “Brutal”. Uma personagem que me desafiou desde o primeiro momento. Um texto que me desafia a cada entrada de cena e a cada volta pra casa. Fazemos teatro para atravessar, provocar, questionar. É preciso coragem para fazer teatro e isso o elenco de “Brutal” tem de sobra. Obrigada, parceiras e parceiros de cena. Sou fã de vocês!

Fotos: @merakifotoart 

Sinopse:

O espetáculo narra a trajetória da seita Legião do Amor, liderada por Estevão, um homem que afirma estar em permanente contato com Deus por meio das forças da natureza, mas que esconde uma identidade sombria de supremacista branco. Ao atrair jovens sem perspectivas de vida em busca de pertencimento e sentido, ele constrói uma estrutura de manipulação, controle e violência que, a princípio, se apresenta como acolhimento.

Inspirada em seitas como a de Charles Manson, a obra utiliza a ficção para investigar os mecanismos do fanatismo, da radicalização e da violência, abordando temas sensíveis como racismo, abuso, violência física e psicológica e discursos de ódio. Esses elementos são retratados com finalidade exclusivamente crítica, propondo uma reflexão sobre as diversas formas de opressão e os perigos da manipulação ideológica.

📌Alerta para conteúdo sensível: esta obra contém representações de racismo, violência física e psicológica, abuso e discursos de ódio, apresentados em contexto de crítica social e artística.

Ficha técnica

Texto e direção: Mário Bortolotto

Elenco: Bruna Martins, Carcarah, Debora Sttér, Gabriela Pimenta, Marina Massaneiro, Mário Bortolotto, Rebecca Leão e Walter Figueiredo

Iluminação e trilha sonora: Mário Bortolotto

Figurino: Mariana Cypriano

Cenário: Regis Santos

Ilustração: Carcarah

Programação visual: Vanessa Deborah Hüdepoh

Operação técnica: Davi Puga e Isabela Bortolotto

Produção executiva: Cemitério de Automóveis

Produção: Isabela Bortolotto

Técnico de iluminação: Pablo Perosa
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