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Eu comecei a surfar aos 16 anos.

Desde então, vi o meu corpo mudar, os sonhos mudarem, os caminhos se afastarem e a vida levar cada pessoa para um lado.

Mas existe algo muito particular no surfe: ele faz com que pessoas atravessem décadas dividindo o mesmo mar.

Foi isso que mais me emocionou nessas imagens.

Muitas pessoas entraram no mar para se despedir de Asier Arretxea, surfista basco de 55 anos que morreu após passar mal enquanto surfava.

Homens maduros, muitos de cabelos brancos, abraçados, chorando e celebrando a vida de alguém com quem provavelmente dividiram ondas durante décadas.

O surfe os apresentou.
O mar se tornou o lugar de encontro.
E a amizade atravessou o tempo.

Porque envelhecer não é apenas perceber o tempo passando em nós.

É olhar ao redor e perceber quem atravessou esse tempo conosco.

Talvez uma das maiores riquezas da vida seja chegar mais longe e ainda ter ao lado pessoas que se lembram de quem éramos no começo.

E talvez um dos maiores legados seja viver de uma forma que, na hora da despedida, faça tanta gente entrar no mar apenas para te dizer adeus.

Para quem realmente vive o surfe, ele nunca foi apenas um esporte.

São  vidas inteiras compartilhada.

Não conheci esse homem, mas honro aquilo que nos une: o amor pelo mar e pelo surfe.

Agradeço a Deus sempre por  também ter me escolhido pra viver essa magia 
E que o surfe continue atravessando gerações, unindo histórias e transformando o mar em um lugar de encontro. 

Imagens compartilhadas com autorização.
Créditos: 
@fluidsurfing 
@moonrocksbrand
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Vi um vídeo agora que me fez parar tudo por vinte minutos. E decidi escrever aqui, pra eu não me esquecer, pra que a Cassandra de daqui alguns anos possa olhar, e pra levar outras pessoas à reflexão também.

Surfistas se reunindo no mar para se despedir de um amigo. Mais de 300 pessoas. Cabelos brancos, abraços, gente que envelheceu junto em torno de uma mesma paixão.

Fiquei imaginando a vida bonita que essa pessoa construiu. Não pelo que acumulou, mas pelo que trocou com as pessoas ao longo do caminho. 

E me vi nessa cena. Porque desde criança eu sou assim, tenho um amor genuíno pela vida das pessoas, uma vontade de me conectar, de trazer pra perto, de conhecer de verdade.

E isso nem sempre foi simples. Tinha pessoas que se inspiravam no meu trabalho, e eu, naturalmente, abria espaço, criava vínculos, trazia pra perto. Quando aquele ciclo se encerrou, senti a ausência dessas pessoas de um jeito que me pegou de surpresa…

Demorei um tempo para entender que isso não foi falta das pessoas, foi falta de maturidade minha. Eu confundi conexão com proximidade. E essa confusão me ensinou muito.

Aprendi que as conexões verdadeiras resistem ao tempo, à distância, aos ciclos que se encerram. Não porque a pessoa te deve algo, mas porque o que foi construído vai além de qualquer contexto.

As pessoas que me conheceram antes. As que viram a Cassandra sendo construída — com erro, com acerto, com recomeços.. As que eu não falo há anos, mas quando encontro é aquele abraço que não precisa de explicação.🤍🖤

Essas conexões têm um peso diferente. Porque dizem sobre quem eu sou — sobre o que construí, o que transmiti, mas também sobre o que recebi e o que essas pessoas deixaram em mim.

Hoje eu me pego pensando mais no que estou deixando do que no que estou conquistando.

Que memória eu construo nas pessoas que cruzam o meu caminho? Que abraço vai ficar quando eu não estiver mais?

Porque no fim — acho que é isso que fica.

Vídeo: @fluidsurfing
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#surfing #hossegor #dronevideo #surfingfrance
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