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Ultimamente. Fogo de artifício pela vida. Um baile inolvidable. Uma linha de montagem repleta de cacos. A Olga e o Gui. Um casamento full of dreams. Lucrecia Dalt. Beverly Glenn Copeland. Os sapatos com dentes da Mané Pacheco. O Joãozinho. O Museu de Wolf Vostell em Cáceres. Uma perda que gera um presente que traz um encontro com uma prima linda. Os Bravos das Sopa de Pedra. Os sonhos de uma senhora venezuelana num café do Campo Grande. O pátio lindo da Casa com uma foto do Diogo Tomás. Eu digo: “tudo bem”. É um ciclo bonito, atropelado, o tempo passa rápido, há mais presença e menos reação, as injustiças e o barulho doem mais e amontoam-se, mas não se deixa de procurar a beleza, o silêncio e um abraço do tamanho do mundo. É isso isto aqui: um abraço. Do tamanho do mundo. 🫀♾️
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DEIXA PASSAR A VIDA Parte III

Escrevi este texto para a @m__demedeiros . Depois afinamo-lo juntos — eu, ela, o Gui e a Natália — até chegarmos à sua versão final. O texto fala, diz, imagina, posiciona-se. Sabia que ia dividir a sala. Fala a partir de uma sala nos Açores, mas é muito mais do que aquele dia e aquele lugar. Não é meu, é nosso, é vosso, é de muita gente, de uma grande massa. Partilhem-nos se vos falar, especialmente agora. 

Ensaiámo-lo quase sempre de manhã, cedo, com Ponta Delgada debaixo de uma tempestade: entre presença física, chamadas-vídeo, e áudios de WhatsApp. A Mariana é luminosa, corajosa, magnética, eléctrica. Era ela que abria as portas, que abraçava, que nos guiava pela complexidade do presente e a procura do amanhã. Daquelas atrizes que vamos ver muitas vezes, porque ela não tem medo de tomar o espaço e falar, e fala com um sotaque micaelense maravilhoso. 

Imaginei que este texto tivesse a sombra e a luz de Origens, do @rafa_azores . Um tema à viola da terra, a dos dois corações, que, talvez como poucos, sintetiza emocionalmente o que são os Açores: aqui e agora, ontem e amanhã.

Um dos pequenos gestos, quase invisíveis do espectáculo, era a Anabela Almeida a oferecer livros. Oferecia livros de autores e autoras açorianas cujas palavras de liberdade, de amanhã, de justiça e de esperança preenchiam e interrompiam o espaço. Livros da Judite Canha Fernandes, do Leonardo, da Natália Correia, do Urbano Bettencourt, da Alice Moderno, de tanta gente. Uma destas vozes, a de Cristovão Aguiar, ecoou-se repetidamente no espaço: “É preciso. É preciso uma revolução de palavras. É preciso uma revolução de sentir… Poemas novos, punhaladas de estrelas Na terra fecunda de Portugal”. Que as palavras sirvam o cuidado que sabemos precisar a cidade, a ilha, o país, o mundo. Açorianidade também é navegar este tempo de paradoxos, e dizê-lo.

Última partilha. DEIXEMOS PASSAR A VIDA. Até já 🤍

📷 @arquivo_09 + @amargaridacruz
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Passei a maior parte do último mês nos Açores, em S. Miguel, para fazer a sonoplastia e a composição musical do espetáculo de abertura da Capital Portuguesa da Cultura @pontadelgada26, 𝐷𝑒𝑖𝑥𝑎 𝑃𝑎𝑠𝑠𝑎𝑟 𝑎 𝑉𝑖𝑑𝑎

Foi um gosto e um privilégio enorme fazer parte desta equipa de cerca de 80 pessoas com várias práticas, idades, géneros e contextos que se uniram para dar voz a um trabalho que ninguém pode expressar sozinho: o do coletivo. Este trabalho foi dirigido pelo @antoniopedrolopes1981 e o @garridogui, apoiado no poema 𝑂𝑑𝑒 𝑎̀ 𝑃𝑎𝑧 de Natália Correia e celebrou a vida duma forma conjunta e sensorial.

Da minha parte tive várias estreias:
- pude compor para uma instalação multi-canal que se estendeu por vários espaços do @coliseumicaelense1917
- fiz o primeiro espetáculo em formato quadrofónico (que se saiba) nessa mesma sala
- escrevi uma peça para a orquestra de sopros do @conservatorio.pdl com auxílio do maestro @marcocarricotorre, que serviu de apoio ao Mestre Zeca Medeiros ao declamar o poema que deu nome ao espetáculo, no fecho deste mesmo 🥲

Foi incrível, nos tempos que correm, testemunhar a generosidade e esperança coletiva de ver um amanhã melhor. 

Estou muito grato pela oportunidade de ter participado nesta construção comunitária e de ter podido contribuir para esse grande todo.

Nas palavras de Natália Correia:

"Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!"

📸 @arquivo_09 e @amargaridacruz
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DEIXA PASSAR A VIDA Parte II

Um dia ainda em 2025, tropecei na Ode à Paz, de Natália Correia. Um poema-manifesto que termina com uma frase simples e radical: Deixa passar a vida.

Escrito em 1982, o poema nomeia aquilo que importa preservar, salvaguardar, defender. Pôr a vida em primeiro lugar. Num mundo cheio de ameaças e guerra, este verso não é delicado, é um gesto político.

A partir daí, juntei forças e diferenças. Convocámos em conjunto um espaço e um corpo coletivo. “Agora só nos resta tornar no poema”. O Coliseu Micaelense é o poema. As referências açorianas inscritas na sala. O Canto da Maia. O Domingos Rebelo. As palavras insubmissas de liberdade e amanhã de vários autores e autoras açorianas. Convocámos uma ilha para se transformar no poema: 80 atores, atrizes, bailarinos, músicos, profissionais, amadores, mães, filhas, ativistas, pessoas da comunidade. 

Gente real. Corpos presentes. Vozes que não pedem licença. Tanta gente que faz esta ilha. Pessoas tão diferentes. Açorianos e açorianas de muitos mundos e gerações. Das 29 semanas de gestação, passando pelos 4 meses de idade, chegando aos 76 anos de vida vivida. Da ilha verde, da Ucrânia, Terceira, Santa Maria, Cabo Verde, eu sei lá. Humanos e animais. Para contar esta história a partir da sua experiência e do manifesto da Natália. Não como memória, mas como urgência. Trazê-lo a 2026. Torná-lo manifestação.

Porque hoje, manifestar-se é ocupar o espaço com vida. Dizer que a cultura não é ornamento. Que pode ser mais do que o gosto e o não gosto. Que a democracia é corpo a corpo. Que a paz exige posição. Que não aceitamos o medo, nem a divisão.

Agradeço a todas as pessoas que deram generosamente a sua graça e presença. Que estiveram sem medo. Que foram protagonistas daquilo que importa cuidar. Da vida, pois então. Deixa passar a vida. Amor e um abraço 🫶🏼

Obrigado Crédito Agrícola Açores (@creditoagricola ), @pontadelgada26 , @coliseumicaelense1917 @coral_sao_jose 🫀

📷 @arquivo_09 + @amargaridacruz + alguns videos/fotos minhas ✨
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Deixa Passar a Vida  Parte I🤍

Obrigado a quem fez isto connosco dentro e fora do palco e por JUNTAR EM VEZ DE SEPARAR.  Obrigado @katia_guerreiro por insistires, abrires os braços e a casa, e por me teres puxado pela mão. Obrigado @creditoagricola @pontadelgada26 @coliseumicaelense1917 🙏🏼 obrigado @garridogui @seamless_sea por nunca me largarem a mão, e pelo nosso segundo Coliseu juntos. Obrigado por todas as mensagens e abraços de amor que recebi, e às mensagens de ódio que transformei em amor IMEDIATAMENTE. Até já PDL! ❤️‍🔥

Deixa Passar A Vida é o espectáculo de abertura de PDL26 – Capital Portuguesa da Cultura. A partir do poema “Ode à Paz” de Natália Correia, abre-se a porta do Coliseu Micaelense para uma celebração da existência como força criadora. Para um manifesto poético e sensorial. Para uma manifestação pelo que dói e pelo que constrói — pela memória, pela esperança, pela paz, pelo respeito e pela diversidade —, como imperativos da vida e da coexistência. Para um encontro que abraça a arquitetura do espaço, tomando-o como bússola, matéria de jogo e de desorientação. 

A grande arena comunal torna-se o espaço circular do coletivo. Aqui cabe Ponta Delgada e os Açores dentro. Aqui cabem artistas, coletivos, pessoas da ilha, de várias idades e mundos. Em conjunto, dão corpo a um poema invocatório e insubmisso. Fazem uma festa e uma folia da imaginação. Contemplam os paradoxos do aqui e do agora. Exaltam o que nasce e se renova, o que resiste e prospera, em crescendo e em direção ao desconhecido. Apelam à vida como movimento, à escuta como prática, e à arte como caminho de reconstrução do humano. Reclamam a paz como o valor mais importante e transversal a toda a gente, deste e de todos os momentos turbulentos da história. 

Deixa Passar a Vida carrega memória coletiva, um presente de urgência e atenção, e a aspiração de um amanhã com mudança e esperança ativa. Ecoa a terra, a permanência da beleza no meio do caos, o ciclo da vida através das gerações, e  o desejo de um tempo mais justo, possível, humano e terno. Experimenta as artes como um lugar de encontro onde aprendemos a deixar passar — e a cuidar — a vida. 

📷 @amargaridacruz e @arquivo_09
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