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Há muitas formas de permanecer.

Durante muito tempo, talvez eu tenha associado permanência à presença. Estar era estar nos espaços, nas reuniões, nos projetos, nas ruas, nos encontros, construindo, articulando, falando, fazendo. E eu fiz disso uma parte muito importante da minha vida, com muito amor.

Mas os últimos meses me ensinaram que permanecer também pode exigir silêncio. Pode significar diminuir o passo, escolher algumas ausências, voltar para casa, reorganizar a vida. 

Pode ser também passar horas entre livros, documentos, fotografias e lembranças, tentando encontrar palavras para coisas que, durante muito tempo, eu apenas senti.

Foi nesse movimento que atravessei uma das etapas mais importantes do meu mestrado: a qualificação da pesquisa que tenho desenvolvido sobre o Jurunas.

O Jurunas é o território a partir do qual aprendi a olhar o mundo. É onde a minha história começa, mas também onde comecei a compreender que nossas histórias individuais nunca existem sozinhas.

(continua arrastando pro lado →)

Elas estão misturadas às nossas vivências, às pessoas que vieram antes de nós, às águas que atravessam a cidade, às ausências e às lembranças que alguém decidiu guardar.

Foi também olhando para o Jurunas que comecei a entender a memória como uma forma de permanência. →

Há histórias que continuam existindo porque alguém insistiu em contá-las. →

Fotografias que sobreviveram porque alguém decidiu guardá-las. →

Em territórios como esse, onde tantas vezes a memória foi tratada como algo menor, lembrar também é disputar o direito de dizer quem fomos, quem somos e o que desejamos continuar sendo. →

Talvez por isso minha relação com as discussões sobre clima nunca tenha começado apenas pelo clima. Ela começou pelo território. Pela memória. →

Pela percepção de que as transformações ambientais também ameaçam modos de viver, vínculos, referências e possibilidades de permanecer. E de que defender um território é também defender as histórias que dão sentido à existência dele. →

É desse lugar que eu tenho escolhido falar. →

Quanto mais estudo o meu bairro, percebo que aquilo que tantas vezes foi tratado como margem guarda conhecimentos fundamentais para pens
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Vai pra onde?
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Chique pra gente é ser perifa!
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📸 Otávio Henriques | Projeto Circular
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