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Porque a presença delas importa!
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Paramos todos para assistir à sessão do STF de hoje. Foi dessas experiências que exigem de nós mais do que uma simples leitura jurídica ou política. Em meio ao ruído, ao embate e à espetacularização que infelizmente têm tomado os espaços de poder, a figura da Ministra Cármen Lúcia capturou a atenção não por levantar a voz, mas pelo peso imenso de sua humanidade e franqueza. Um verdadeiro desabafo que nos representa a todos. Ou deveria.
Há uma força muito singular em quem tem a coragem de assumir, publicamente, a dor de ver a liturgia falhar. Quando a ministra pede desculpas e fala sobre a frustração de não conseguir entregar a “tranquilidade” que o país espera da Corte, ela nos lembra de algo essencial: as instituições são pessoas. Por trás de toda a “autoridade de um órgão”, há indivíduos que carregam - ou deveriam carregar - o fardo invisível da nossa estabilidade.
Para nós, que trabalhamos diariamente olhando para a estruturação do que é público e buscando previsibilidade nos projetos de Estado, a ordem é um valor inegociável. É o que sustenta o investimento que muda a vida de cada cidadão. Mas ver uma magistrada despir-se da aura de infalibilidade do cargo para vestir a vulnerabilidade de quem genuinamente se importa com o rumo das coisas, é inspirador. É a prova de que a probidade não anestesia o indivíduo; ao contrário, ela o torna ainda mais sensível à desordem.
Cármen Lúcia foi, hoje, o retrato de uma lucidez dolorosa. Uma mulher que, diante do caos, não abriu mão da própria retidão, mesmo que isso custasse um profundo incômodo pessoal.
Assim como a Min, tenho lido e relido a obra de Clarice, que sempre soube descrever o peso e a coragem de manter-se íntegra quando tudo ao redor parece desmoronar. Clarice, pra traduzir o sentimento de quem precisa sustentar a própria estrutura quando as paredes da sala tremem:
“Terei que ter a coragem de usar o coração desprotegido. (...) A desilusão é a perda de uma ilusão — e a perda de uma ilusão é o encontro com a realidade. A realidade é a minha única salvação, e a realidade é a coisa mais difícil de se suportar.”
Clarice Lispector
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