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Voltar a Buenos Aires para ver minha irmã, conhecer meu cunhado e, dessa vez, chegar acompanhada de amigos que a vida, de um jeito quase mágico, colocou no meu caminho. 
Uma amiga conterrânea. Um amigo que era amigo da amiga do meu primo e virou meu amigo.E a amiga do meu primo, que era amiga do meu amigo e acabou virando minha amiga. No fim, tudo é sobre conexões, encontros que fazem sentido, gente que vibra na mesma frequência e, sem perceber, vai construindo laços que a gente nem sabia que precisava. E vivemos dias de gargalhadas até doer a barriga,de histórias que pareciam não ter fim, de deboche sem limites, caminhadas, conversas e momentos simples que se tornaram especiais justamente porque estávamos juntos. Gracias, meus amigos. Vocês foram incríveis!
E então veio o abraço mais esperado, da minha manas. Matei um pouquinho da saudade, porque essa, convenhamos, nunca acaba. Toda despedida é sempre a mesma mistura: a felicidade imensa por ter estado perto e aquele aperto no peito que faz os olhos tremerem em lágrimas. Mas dessa vez fui embora um pouco mais tranquila. Porque já não deixo ela sozinha em outro país, agora ela tem o Leonel, um mimoso, companheiro e divertido, que chegou para fazer companhia e deixar Buenos Aires ainda mais casa. 
Voltei trazendo memórias, histórias e um coração quentinho. Em 2027 eu volto! 🇦🇷✨♥️
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Falar uma dor é desnudar-se diante do outro que escuta. À olho nu, a vergonha fala mais alto e emudece nossa língua. Calar uma dor traz uma estranha sensação familiar que tagarela sem parar, dentro de nós. O silêncio diante de uma agressão sofrida transforma o não dito em um agressor interno que vai corroendo a alma aos poucos, tornando-se uma presença inquietante até encontrar saídas. Assim, ao mesmo tempo que desejamos verbalizar o que nos machuca, é como se isso nos colocasse à beira da morte. 

Não dizer ao mesmo tempo que nos protege, protege o outro de nossas angústias e quebrar o silêncio é se colocar em perigo, mas também fazer do outro cúmplice e testemunha desse lugar. E se não atribuíssemos importância ao que o outro vai pensar ou fazer com aquilo que dissermos? Seríamos menos morais se perdêssemos a vergonha? Um sentimento que depende da influência que o outro tem sobre nós, é como uma sentença, cujo tribunal interno é forjado pela culpa de um crime que recalcamos e o olhar do outro é o juiz da consciência. O veredito pelo não-dito instala um detrator íntimo que almeja escapar. 

Quando compartilhamos nossos afetos algo tem a chance de se apaziguar em nós, não por uma absolvição, mas pelo alívio da escuta acolhedora que devolve vida ao que estava mortificado pelo não-dizer. “Dizer é uma falta incofessável”, confessar é entregar-se!

A aposta clínica é transformar o indizível em narrativa compartilhável. Palavras, são pedaços de afeto que carregam consigo algo possível de ser mostrado porque outra coisa permenace não dita. Quando falamos para esconder o que não queremos dizer, deixamos algumas de nossas histórias ficarem na sombra de uma parte dolorida de nossa vida. Quando o não verbalizado torna-se uma cena enigmática a ser decifrada, a linguagem finda como veneno e antídoto ao mesmo tempo -, eis o paradoxo: “dizer fere o segredo, mas não dizer fere o sujeito”.

Narrar o próprio trauma recoloca o corpo em movimento, transforma o indizível em corpo-palavra, a linguagem como remédio. Sair da vergonha que pesa na alma é poder elaborar uma dor, sentir um vínculo seguro, esboçar dizer e viver em que a ambiência é capaz de sustentar o revelado. 

L.O.
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2025 não foi um ano, foi uma experiência com pitadas de improviso. A vida seguiu seu percurso sem me consultar e eu fui junto, às vezes elegante, às vezes aprendendo no susto.
Teve amor com nome e sobrenome. Teve separação, porque nem todo encontro vem para ficar; alguns só bagunçam a sala emocional. Viajei para fora e para dentro. Engordei com carboidratos tentando resolver questões existenciais. Emagreci quando percebi que leveza não se mede só na balança. Chorei em silêncio. Ri sozinha sinal de intimidade comigo mesma.
Caí. Um tombo bobo que virou piada, mas me deu um braço quebrado e um recado: desacelera. Pedi ajuda. Amigos trouxeram humor. Minha família, abrigo seguro, onde posso errar e ainda assim ser amada.
Houve um encontro numa tardezinha qualquer que mexeu comigo no tom certo. Como samba bom: não promete, não pressiona, só convida. Aceitei dançar sem ensaio.
Minha profissão me exige escuta, responsabilidade e ética. Caminho ao lado de pessoas em autoconhecimento e aprendo: ninguém muda sem desconforto. A Essência sustenta o sonho de falar para outras pessoas, transformando vivência em mensagem e sentimento em comunicação.
Sigo com o coração aberto e menos pressa. Quero vínculos possíveis, sonhos realizáveis e gargalhadas honestas. Quero viver tudo o que ainda desejo com presença, ironia e elegância emocional.
Se o próximo ano vier intenso, eu vou.
Se vier leve, eu danço.
E se vier confuso… eu escuto, elaboro e sigo.
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