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E se um produto natural marinho fosse capaz de transformar as células de um tumor altamente agressivo em sua própria vacina?

Foi essa a pergunta que motivou o trabalho de doutorado da Katharine Florêncio, nossa primeira doutora do lab. Antes do textão… a resposta foi sim, é possível, e nós identificamos!

Nesse estudo, publicado na revista Frontiers in immunology, mostramos que a cromomicina A5 é capaz de matar as células tumorais e induzir a liberação de sinais imunogênicos por elas mesmas. Esse mecanismo é raro, mas já observado em quimioterápicos antitumorais de grande sucesso na clínica. Esses sinais imunogênicos permitem que o sistema imune seja ativado e reconheça o tumor de forma específica, como uma vacina! Esse efeito contribui para uma resposta terapêutica melhor e mais duradoura.

O caminho desta descoberta foi longo, mas contou com a contribuição de muitos cientistas competentes! Colaboradores de longa data na área de prospecção de de produtos naturais marinhos como a Profa. Otília Pessoa e o Dr. Fco das Chagas Pinto do LAFIPLAM da UFC e novos como Prof. João Machado Neto, Dr. Paulo Luiz e Prof. Fernando Cunha da USP foram essenciais para esse trabalho. E, no próprio LaBBMar, as alunas Evelline Edson e Keilla Fernandes também deram show. 

É sobre isso, boa ciência se faz com boas colaborações, mas é também sobre financiamento. Não é possível testar ideais sem recursos. Em tempos de cortes inacreditáveis de verbas para ciência, pudemos contar com o apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Produtos Naturais (INCT Bionat) e do Programa de Pós-Gradução em Farmacologia da UFC (obteve nota máxima no Brasil na última avaliação da CAPES), bem como dispor de toda infraestutura adequada.

Por hora é isso, os resultados indicam que identificamos uma molécula muito promissora, mas história não acabou… já estamos de olho nas próximas etapas para avançar no estudo de desenvolvimento de um possível agente anticancer que veio do litoral do Ceará.
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