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Rogério Lima dos Santos, conhecido como Pelado, é bordador e desenhista atuante no universo do Bumba meu boi do Maranhão. Há mais de duas décadas, desenvolve seu trabalho a partir do bordado, criando desenhos, compondo cores e pensando cada elemento que integra suas peças.

Mas seu trabalho não começa com a agulha. “Eu sou o desenhista”, afirma Pelado. Além de bordar, ele cria os desenhos que servem de base para as peças e participa de sua concepção.

Para Pelado, nenhum elemento deve estar presente por acaso: “Eu não gosto de trabalhar uma coisa sem sentido.” Seu fazer envolve pensar, experimentar e construir sentidos por meio das cores, formas e elementos que compõem cada obra.

Pelado borda de tudo um pouco, do chapéu ao couro do boi, passando pelas indumentárias e adereços. Sua prática também busca novas possibilidades dentro da tradição: “A gente pode sair do tradicional. A gente tá dentro do contexto.”

Como ele próprio define sua produção: “É a arte em cima do artesanato”.

Entrevista realizada com o artista no dia 07 de maio de 2026, em seu atelier.
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Tamo aqui na meiuca do Brasil fazendo filme foda. Longe dos amores, mas com outros amores. 
Quebrando tudo(literalmente), conhecendo lugares, pessoas, cores, comendo terra vermelha e dando risadas.
Fazer cinema, sempre uma grande aventura.
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Nossa pesquisa entrevistou Cleanes Castro , bordadeira de 1ª qualidade que atua há quase 30 anos, bordando para o Bumba-meu-boi. Ela integra o grupo SLZ Bordados, juntamente com Pelado e Mariazinha, compondo um time de peso, que produz trabalhos artísticos cheios de brilho e beleza.

Em nossa entrevista, ela compartilhou um dos sonhos do grupo: “A gente tem uma grande vontade. Eu digo a gente, porque é o sonho meu, de Maria e do Pelado. De expandir essa técnica. De expandir esse trabalho. De gerar renda para mais pessoas. De mostrar para mais pessoas que a gente consegue, sim, sobreviver com o artesanato desse bordado em pedraria.

Então, é um sonho nosso de expandir o nosso trabalho para outras pessoas. Para mulheres que estão aí querendo uma profissão. E outras pessoas também, que eu acho bem interessante. Um jovem hoje que se interessa nessa profissão.”

E, em outro momento, definiu de maneira brilhante o que representa o trabalho do bordado no contexto do São João: “Outro dia eu disse para uma repórter, porque ela me perguntou, o São João começa quando? Eu disse para ela que o São João começa comigo. Porque esse trabalho é a fogueira que esquenta o São João. Porque o São João começa com o artesão. E a gente está muito escondido...”

Viva o São João do Maranhão! Viva os bordadores e bordadeiras! Salve Cleanes Castro e o grupo SLZ Bordados!
@cleanescastro
@slzbordados_
Fotos: Marcia de Aquino e Cleanes Castro
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O grupo tem se reunido desde outubro de 2025. Em nossos encontros, estudamos, bordamos e conversamos sobre arte, bordado, pesquisa, culturas populares, Maranhão, Bumba-meu-boi, refletindo sobre modos e formas de realizar esta pesquisa.
Agradecemos ao @casaraolaborarte por nos acolher, sempre com muito carinho e atenção!

Alguns de nossos estudos:
"Transmissão de saberes no barracão", TCC de Wiliam Euller de Sousa Sá, disponível em: https://monografias.ufma.br/jspui/handle/123456789/8168, acessado em maio de 2026;
"Cultura popular: um conceito e várias histórias", artigo de Martha Abreu, disponível em https://museudopontal.org.br/media/2024/01/Artigo-3-CULTURA-POPULAR-UM-CONCEITO-E-VARIAS-HISTORIAS.pdf, acessado em maio de 2026;
"O bordar na formação docente", artigo de Vinícius Souza de Azevedo, disponível em: https://www.academia.edu/167653468/O_BORDAR_NA_FORMA%C3%87%C3%83O_DOCENTE, acessado em maio de 2026
"Festas populares no Brasil", livro de Lélia Gonzales.
"Arte primitiva em centros civilizados", livro de Sally Price.
"Bumba-meu-boi do Maranhão: folclore, tradição e identidade", artigo de Carolina Martins, disponível em: https://www.academia.edu/79379296/Bumba_meu_boi_do_Maranh%C3%A3o_folclore_tradi%C3%A7%C3%A3o_e_identidade, acessado em maio de 2026.
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Este perfil foi criado pelo Projeto de Pesquisa "O bordado no contexto do Bumba-meu-boi do Maranhão: arte e ensino a partir de referenciais das culturas populares", ligado ao Grupo de Pesquisa AVEP (Artes Visuais, Educação e Patrimônio), do Curso de Licenciatura em Artes Visuais da UFMA (Universidade Federal do Maranhão).
Coordenação da pesquisa: Profº Drº Vinícius Souza de Azevedo - @vinizeve 
Membros do projeto de pesquisa:
Marcia Regina Moreira de Aquino @marciadeaquino13 
Maria Mazzillo @mariamazzillo 
Ana Julia Martins da Silva @julye_ha 
Stheffane Liz Gomes Pinheiro @eu.lizs 
Arielli Oscar @arielle_0scar 
Viviane Torres @_vivianetorres_ 
Thaynara Nazareno Borges @_borgesthay 
Fernando Henrique de Lima Silva @nandoilustra 
Juliana Lasak @julianalasak 

Nosso objetivo maior é a divulgação desses artistas fantásticos que produzem os bordados que abrilhantam o São João no Maranhão.
Nesta primeira fase da pesquisa, nos concentraremos nos artistas que atuam na grande ilha, São Luís e arredores.
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Cenário de Urano: Entre a Matéria e a Memória.

​Dizem que o cinema é a arte de fabricar memórias que nunca vivemos, mas, em Nau de Urano, o processo foi o inverso. O trabalho de assistência de arte não foi apenas sobre erguer paredes ou selecionar texturas; foi um exercício de reivindicação. Dois anos após o meu retorno a São Luís, a cidade me entregou um set que mais parecia um espelho. Ali, diante de cada objeto de cena, eu não era apenas um profissional executando tarefas; eu era o artista formado, o pedagogo e o observador, colocando décadas de estudo e resiliência à prova.
​Trabalhar com produção de objetos para este filme foi, para mim, um ato de liberdade. Os diretores não me entregaram apenas um roteiro; eles me entregaram confiança, e um documento biográfico familiar. E a confiança é a ferramenta mais afiada que um criador pode possuir de seus superiores num set. Ao dar forma ao escrito de memória que é este filme, pude revisitar técnicas que a academia me ensinou e que a vida lapidou. Foi um reencontro com quem sou e, principalmente, uma afirmação de quem decidi ser.
​O set de filmagem é um ecossistema peculiar. Nele, a união de amigos da equipe tornou-se o combustível para os dias longos. Entre um ajuste e outro, rimos, criamos laços e celebramos a existência de um elenco estelar que, para além do brilho técnico, deixou uma saudade genuína em nós. Fiz amigos entre as luzes e o caos organizado da produção, pessoas com quem dividi o peso e a leveza de transformar sonhos em frames.
​Claro, nem todo céu é de brigadeiro, mesmo em Urano.
A inteligência emocional é um artigo de luxo, e não uma virtude universal. Há quem domine a técnica, mas naufrague no leme. É uma fraqueza sutil, mas barulhenta, que serve para destacar o valor da temperança e do respeito mútuo. No fim das contas, observar a carência de equilíbrio só fortalece a própria base para não sermos ego puro.
​Encerro este ciclo com a força de quem sabe o terreno que pisa. Olho para os últimos dois anos nesta ilha e vejo uma aventura que não para de se expandir. Nau de Urano agora faz parte do meu acervo pessoal de vitórias. Aos amigos que fiz, ao suor derramado e à arte que agora ganha o mundo.
X.
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