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é engraçado como os enunciados se invertem, as vezes. 

em 2024, eu comecei a escrever uma história. claro, as semelhanças e os pedaços de mim que eu ia deixando nas páginas permeadas por palavras eram inúmeros. símbolos, gestos, gostos e pequenas semioses iam ganhando voz a partir da minha história. 

no começo de 2026, eu publiquei essa história para o mundo. no entanto, ela já havia deixado de ser minha há muito tempo. ela pertencia a todas as outras pessoas que fossem capazes de produzir sentido a partir dessas infinitas combinações sígnicas que realizei em 174 páginas. 

a anna, o desconhecido, seu horácio, a sra. thompson, londres, tiradentes e tantos outros actantes passaram a enunciar a tantos leitores e leitoras aquilo que eu carreguei dentro de mim durante anos. 

eu escrevi esse livro porque precisava me expressar por meio da arte. eu escrevi esse livro porque estava de luto. eu escrevi esse livro porque precisava me reencantar pelo mundo. eu escrevi esse livro não porque acredito no “final feliz”, muito pelo contrário. escrevi esse livro como uma ode à intensidade. uma ode à entropia do cosmos. uma ode às despedidas. 

mais do que isso, eu escrevi esse livro porque me sentia sozinha. 

dois anos depois, em uma sexta-feira cinza na agitada cidade de são paulo, dentro de uma livraria, eu senti tudo. senti amor. senti gratidão. senti saudade. senti apoio. senti carinho. eu me senti absolutamente tudo. 

menos sozinha. 

e que agradável surpresa foi. 💜
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como eu poderia odiar você, 2025? 

você me tirou tudo… você me testou de formas que ultrapassaram meus limites e com certeza me fez aprender na dor. 

mas você me devolveu a minha primeira e maior paixão: a dança. 

2025 me colocou contra a parede de formas inimagináveis. me marcou com cicatrizes de momentos que vou carregar pelo resto da minha vida, sem dúvidas. a thalia do dia 01/01/2025, completamente inocente e animada como uma criança fica em véspera de ano novo, não fazia ideia de tudo que ela teria que enfrentar esse ano. 

mas ela também não fazia ideia que terminaria o ano de volta ao seu lugar favorito no mundo: o teatro, em cima de um palco.

claro, o corpo não é mais o mesmo de 10 anos atrás. a técnica? claramente defasada com o tempo fora. a tendinite no meu pé esquerdo? ah, essa continua aqui, sempre fiel rs. o eixo balança um pouco, o fôlego deixa a desejar, mas o amor e a paixão? esses apenas cresceram. cresceram junto comigo, já que nunca me abandonaram. estiveram ao meu lado nesses últimos 9 anos longe do ballet clássico. 

é muito difícil colocar em palavras para uma bailarina a sensação que a dança causa em nós. e é por isso mesmo que nós dançamos.
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Dump do dia que eu enchi uma sessão de cinema com pessoas que eu amo ❥✨🍿
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Sou muito ruim de tirar fotos e registrar coisas, então não tenho imagem de tudo nem de todos. Mesmo assim obrigado todo mundo que me fez sentir querido nesse primeiro quarto de século ❤️
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