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estreia hoje "O Menor Palco do Mundo", o espaço entre um pai e um filho. Kim é o nome do autor e, como muitos sabem, também do meu filho. no dia em que Luis Felipe Reis me convidou pra fazer a trilha, jantei com meu Quim. contei pra ele sobre o convite e ele logo disse, ainda sem saber sobre o que seria a peça, se eu queria que ele gravasse umas vozes pra essa trilha. achei lindo e logo disse que sim. até fizemos uma sessão de produção juntos, mas as vozes não entraram.

a peça fala sobre paternidade. há pouco tempo, vi Vladimir Brichta emocionado falando sobre o filho mais novo, e me emocionei junto. ele, que já frequentou muito o estúdio, assim como seus outros filhos, Agnes e Felipe, protagoniza essa peça. e cá estamos, nesse novo encontro.

no último dia de ensaio, Quim foi ver um corrido. chorou (choramos), riu (rimos), me abraçou (nos abraçamos). sempre me surpreendo como a criança traz lucidez e ancoramento pra certos espaços. a peça fala sobre a ausência, a distância, a falta. achei lindo e fundamental a presença de Quim nesse último dia. talvez tenha trazido o espírito da criança do qual tanto se fala na peça. o menor palco do mundo é sobre amor.

estaremos no Teatro Vivo em São Paulo. a peça tem produção e idealização de Paula Picarelli e Aura Cunha. e faço um agradecimento especial a Duke Moll, jovem artista que muito frequenta o estúdio, e nos forneceu auxílio luxuoso diretamente de NY, assumindo a assistência de produção musical.
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Nosso filme levou os prêmios de 𝗠𝗲𝗹𝗵𝗼𝗿 𝗧𝗿𝗶𝗹𝗵𝗮 𝗠𝘂𝘀𝗶𝗰𝗮𝗹 e 𝗠𝗲𝗹𝗵𝗼𝗿 𝗔𝘁𝗼𝗿. 

Nesse trabalho assino a Direção de Performance Musical ou, como o mestre @otaviodemoraes prefere chamar, "Direção de Live Performance". E eu gosto dessa definição. Afinal, é o trabalho de reger. Não só a música, mas o gesto, a temperatura e a expressividade do ator e da banda em cena. 

Ver o reconhecimento do trabalho do Otávio e do @joseloreto em sua atuação dá uma sensação foda de dever cumprido. Na noite de estreia, me veio a lembrança do primeiro dia em que pisei no estúdio do Otávio, quando fazíamos o filme da Elis (e isso já faz dez anos), e vi uma placa que dizia WE NOT ME. Em nosso encontro afirmamos a fé nesse pensamento. É junto que se constrói coisas grandes.

Sigamos!

Viva a música e o cinema!
Amando desbravar esses caminhos.

Kikito e @festivaldecinemadegramado 
até o próximo ano!
🎶🎥✨
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Há exatamente um ano pisávamos na sala de ensaio na O2; hoje, no tapete vermelho de Gramado. Feito um cometa ou a máquina que me escapuliu da mão enquanto eu cortava o cabelo antes de ir pra São Paulo na época, nosso filme hoje ganha a tela do festival. Acho que foi no mesmo dia em que o Zé apareceu cabeludo e eu, careca. Já pensamos se não foi a própria mão do Chorão. Vai saber. O fato é que o cabelo cresceu e o filme voou. Fiquei abismado ao me dar conta de que faz apenas um ano que estávamos mergulhados nesse vulcão que foi Chorão. Foi bonito e intenso. Ainda não vi o corte final do filme, mas pelo que fizemos no set, sei, vai ser foda!

ao meus diretores e produtores @hugoprata e @felipenovaeselias e @otaviodemoraes e @fabiozavala agradeço a parceria e confiança sempre. feliz demais de estar nessa história com vocês. 

à nossa trupe, logo abraço todos e cada um, mas não posso deixar de dizer os nomes de nosso CBJ @gaferrara @ronyfrauches @gus.cintra @pedrotirolli e meu irmão amado, @joseloreto e seu sempre fiel @luisfiod 

agora vou que preciso me vestir pro tapete!
Evoé e Axé!
🖤
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suspeitei que cruzar o Rio Tejo para ir ao encontro de um piano valeria a pena. Sérgio, quando me atendeu a primeira vez que falamos, disse que gostava de pessoas que eram indicadas por Bartolo. Bartolo é mesmo um cabra dos bons. e assim lá cheguei. valeu a pena. enquanto esperava um modesto estúdio, encontrei um de ponta. os melhores microfones e todos os tipos de prés e tudo mais. uma coleção de teclados, dos harmônios antigos aos nords modernos. um yamaha de armário com som de calda e um engenheiro de gravação do naipe dos amigos de Bartolo. Portugal tem me trazido bons encontros. vejo pessoas um pouco mais calmas e presentes em si. isso me traz conforto em estar com eles. não todos. mas alguns sim. os espaços de música, especialmente, me trazem essa sensação. dessa vez conheci o Bota, e lá, Tuyo ao vivo. me encantei. pelos dois. Bota, um lugar precioso, onde as pessoas escutam de verdade música de verdade. e Tuyo, um grande lance. som espiritual visceral. uma onda. 

é isso amigos, primeiros dias dessa viagem, e muitas belezas. nem falei do Coala, que habitou o meio dessa história. volto no próximo post, quem sabe. até.
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Joaquim disse assim: eu não quero ir embora daqui nunca mais. e isso depois de dizer que queria dormir na casa do Santo. Santo ainda pintava a moça guia maior. rosa. mas já era fim da minha parte. havíamos combinado assim. Jeziel me aceitava. me fazia caber. aqui, nesse laranja então amarelo, sim. Ela não. com Ela eu fico só. é sagrado em outro plano, ele me disse. e assim fiz. dado o fim, ou quase, de Jeziel, terminei. guardei os instrumentos. fumei o cigarro. aquele exatamente pós. deliciosamente pós. era o fim. fumamos até o chá para já relaxar. foram-se indo os que estavam a performar junto e foram-se chegando pessoas e mais pessoas. como se o museu tivesse aberto logo após nossa performance. e muitas pessoas ficaram a ver Ela surgindo enquanto Santo ouvia faixas de pianos gravados. pensei: poderia ser eu tocando, devia ter trazido o piano. mas abandonei logo essa ideia e fiquei a curtir. quando, por fim, disse: é isso, vamos embora. passei pela tela e disse em voz alta: te amo, irmão. tô indo. bom trabalho. foi aí que Joaquim disse, então, aquilo que inicia esse pensamento texto sentimento: quero ficar aqui pra sempre. recebi. entendi. abri a case do acordeon (ela já havia me olhado várias vezes) e fui pra cena. toquei uma música. Santo e os outros me ouviram surgir. foi bonito sentir. coisa de prazer bom. entrei e me sentei do lado da tela a tocar. uma música apenas. uma música. que findou e logo Santo disse depois de me olhar nos olhos: entendi, irmão. recebo. é isso, termina aqui. agradeceu. tirou suas meias aos pés de Jeziel. e terminou. além e depois disso, apenas as palavras (dele mesmo), me cortando nuca pescoço língua. tirei também minhas meias e cantei: 

cada tanto de cavura funda de tu
todos eles vistos por teu gesto
sabe que tens fundo
então, te faz a força que te move
encanta teu caibro como um condão
sabes teu lugar ao sol do meio dia
contigo, tudo
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improviso numa sexta-feira chuvosa. tocando na tela para gravar o momento presente. pouco antes de buscar os filhos na escola. pouco depois de dizer adeus pra alguém. nem sempre é fácil respirar. respiremos.
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