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Bordado na contramão | peças de roupas e casa, feitas à mão e com história.
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Paredes pintadas, buracos tampados, pedaços de nós vendidos, doados e chaves entregues. Até hoje cedo eu encontrava uma certa dificuldade em escrever sobre esse fim. Hoje, as palavras me tumultuaram a cabeça à medida que as paredes eram pintadas. Nunca é um processo fácil encerrar ciclos. Precisei metabolizá-lo em forma de matéria, entre quatro paredes e muitos parafusos. Porque para mim isso sempre foi o que o Fio significava: o que havia de mais concreto. Numa das minhas insônias deitei a cabeça no travesseiro e me veio à mente que não fui eu que criei o Fio, o Fio que me criou.
Meu primeiro trabalho fora do universo acadêmico. Era o plano posto em ação. De cara, tudo foi muito natural e familiar. Desde as idas à Tijuquinha, comunidade que eu passava diariamente na volta do colégio, as viagens exaustivas a São Paulo todo mês, até a simples ação de dar contorno a números que eram, sobretudo, sonhos. Como boa geminiana, percebi que minha paixão pelo Fio consistia justamente em conseguir unir minha cabeça analítica e premonitória de perrengues a uma vontade (na época um tanto frustrada) de ver poesia tomando forma. E mais uma vez a forma, a matéria se impõe. Talvez, no final, eu tenha entendido que foi sobre isso. Que linha e agulha podem alimentar famílias, tirar pessoas de buracos, contar histórias, ressignificar dores. Fomos mais de 40 mulheres dando forma a algo muito maior que um Projeto, até porque inúmeras vezes fomos e fizemos sem nem mesmo projetar. E como tudo que não é abstrato, formas também têm sua finitude. Em cálculo chamamos de limite. No Fio, chamamos de arremate. Hoje, arrematamos essa história na sua forma concreta. E como dois corpos não ocupam o mesmo espaço, precisamos abrir pro novo. Não temos mais um espaço físico para chamar de nosso, ficamos com muito pouco. Na verdade, ficamos com muito. Ao empacotar, separar, guardar, e jogar fora cada pedaço de papel, cada tábua de madeira e linha de meada, percebi que o que fica mesmo é a certeza de algo que deu muito certo. À cada mão que fez esse projeto tomar forma e às quarenta mulheres que me ensinaram, que me capacitaram como profissional: Eu não criei nada, vocês quem me criaram.
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Quando soube que o projeto ia acabar, fiquei muito triste, mas entendi. Alguma marca que você gosta muito já fechou? 
Vou guardar e usar as minhas peças com muita alegria! Desejo que todas as criadoras e bordadeiras encontrem novos caminhos para sua arte. 
Quis partilhar porque acho linda a ideia de juntar pessoas, de criar sonhos e materializar essa união! Que outros projetos bonitos você conhece?
Bom dia!
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