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Nelson Moreira nasceu em Lisboa, em 1990. É português. Só aos 27 anos conseguiu o Cartão de Cidadão. Uma espera perfeitamente razoável, se aceitarmos que, em certos casos, nascer em Portugal é apenas uma sugestão e ser português uma espécie de candidatura.
Em 2022, Inês Leote fotografou-o com o cartão na mão. Era uma fotografia sobre cidadania, identidade, pertença. Agora voltou a circular porque um homem negro atropelou 16 pessoas no Algarve.
A lógica é simples e eficiente: o homem do atropelamento é negro; Nelson é negro; logo, Nelson pode ser o homem do atropelamento. Não é exactamente investigação. É mais uma espécie de sudoku racial.
Nelson recebeu mensagens de ódio. Foi insultado e transformado em culpado por um crime que não cometeu. Mas não somos racistas, evidentemente. Somos apenas um povo tão pouco racista que conseguimos olhar para dois homens negros e concluir que, para efeitos de responsabilidade criminal, são praticamente intercambiáveis.
Temos uma longa herança colonial, preconceitos que sobrevivem e uma memória histórica que prefere o silêncio. Mas racismo, não. Isso é nos outros.
Talvez seja apenas racismo com bons modos.
Nelson tinha um nome. A internet deu-lhe uma cor. E, por uns momentos, isso bastou para lhe roubar a identidade.
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"Nelson Moreira (@wine_tkk) já se pronunciou em relação a esta acusação vil: “Sou negro. Sou português. Sou rapper. Tenho orgulho em tudo o que sou e em quem me tornei (…) Questionar a minha nacionalidade, reduzir a minha identidade à minha raça ou usar a minha cor como argumento para me atacar é racismo (…)”.

No entanto, importa lembrar que as centenas de pessoas que partilharam estas publicações provavelmente nunca vão saber que se trata de uma mentira. As publicações nunca vão desaparecer. A imagem de Nelson Moreira estará para sempre associada a um crime que não cometeu.

E as consequências? Onde estão as consequências para as pessoas que, ironicamente, as pediam para Nelson Moreira, por um crime que não cometeu?

As consequências não existem. A proliferação de mentiras normalizou-se. Condena-se brevemente num comentário nas redes sociais ou numa conversa que rapidamente é substituída por outro tema. A falta de consequências proporcionais para alegações falsas, mentiras descaradas e campanhas de desinformação incentiva a sua proliferação. As pessoas deixaram de ter medo de ser apanhadas a mentir porque sabem que, na maioria das vezes, nada lhes vai acontecer. Sentem-se invencíveis.

Não é apenas a mentira. É a facilidade com que acreditamos nela, a rapidez com que a partilhamos e a indiferença com que seguimos em frente quando descobrimos que era falsa. Uma pessoa inocente foi transformada num criminoso porque uma fotografia encaixava numa narrativa racista. E depois todos seguiram a sua vida. A revolta já não existe, mesmo quando a vida e a dignidade de uma pessoa estão em jogo."

👉Crónica de Márcia Mendonça (@marcia.hcm), Gestora de Projetos e Impacto no Polígrafo. Lê o texto completo no nosso site, segue pelo link das stories ou bio.
📸Inês Leote (@inesleote_) / Mensagem de Lisboa (@mensagem.lisboa)
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Dos novos projetos de @kingcizzy1st e @rahizkwazi às colaborações de @sony_berdiano com Bbeba e de @heliobaiano_oficial, @misstchamba_ e @azmo_nawe_official, a nossa seleção musical desta semana atravessa afrobeat, kizomba, konpa, R&B, trap e outras fusões.

Também há novidades de @bellmazofficial , @3nity.official, @mastiksoul e @mastikbeats , @wine_tkk e KARMA, @niikology e @apollogofficial.

🎧 Descobre os lançamentos que entraram no nosso radar esta semana, na BANTUMEN.
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