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Uma história de mais de 60 anos de fotografia: 

“Aos 14 anos, gostava de corridas de automóvel, feitas nas ruas do Rio de Janeiro, cidade onde nasci e moro há 77. Meu pai tinha uma Leica F com uma (lente) cinquentinha. Pedi para me ensinar a mexer e fazer uns registros das corridas. Assim foi.

Comprava os filmes e levava para revelar numa ótica especializada,  a Lutz Ferrando - acho que era a única que vendia câmeras e filmes naquela época. Quando apanhava as fotos, minha decepção era grande: os carros ficavam bem longe, diferente das fotos que via nos jornais, em que apareciam bem próximos! Meu pai, então, me explicou sobre as telefotos e a diferença para a cinquentinha! Ele também tinha uma Werra com uma 100mm, e lá fui eu. O resultado melhorou, mas ainda não me entusiasmou.

No colégio, dois colegas também gostavam de fotografia. Um deles era o Lauro Escorel, renomado fotógrafo de cinema. O outro foi quem me contou que o irmão fazia um curso na ABAF, um fotoclube, e ampliava suas fotos em casa. Dos papos no recreio, fui ver como fazia seu laboratório num quarto. Logo que voltei pra casa, meu pai, conversando também entusiasmado, me falou que um colega possuía um antigo ampliador que estava parado! Dias depois este ampliador estava no meu quarto!

Também via meu pai, médico radiologista, descarregar os chassis de RX e afundar as chapas nas bacias de revelador e fixador em uma salinha de luz alaranjada, em seu consultório. Mas minha noção de revelar era pequena.

Voltei à ótica. O balconista deu umas dicas: comprei um revelador e fixador universal, um tanque de revelação, duas banheiras e um pacote de folhas 18x24. Li as instruções e me aventurei a fazer minha primeira experiência de ampliar um daqueles negativos revelados: preparei os químicos e, com dois cobertores na janela e uma folha de celofane vermelho no abajur. E qual não foi a minha surpresa? Sem ter qualquer noção de tempo de exposição, nem mesmo um timer, a minha primeira foto surge na banheira, “maravilhosa”! Maior c@g@da, posso afirmar hoje! Mas foi isso que deu a largada e não mais parei.”

Já era hora de trazer o Zé Lobato @zelobato para cá!Amanhã continuamos essa história! 📸💫

Mel @mel.ns
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Hoje o Zé Lobato @zelobato termina de contar um pouco de sua história para nós. E trazemos uma pitada da série “Da Minha Janela”, que atualmente conta com mais de 3500 fotografias (ele mora no apartamento onde faz as fotos há 76 anos). Como sempre, fiz uma seleção especial para o Flana! Ah, caso não tenha visto os dois posts anteriores, vai lá saber do começo e do meio desta conversa!:

“Foi preciso muita experiência, testes e mais testes, filmes puxados, diversos filmes, diversos reveladores, enfim, digo que fotografia é igual a cozinhar: você parte de uma receita e vai modificando, melhorando ou piorando, mas é experimentado que você alcança seu objetivo. 

Minha trajetória como fotógrafo profissional começou em 1968. Nesta época fazia a faculdade de economia, e morava com um grupo de amigos num apartamento em Ipanema, entre eles a Diana Bethlen, que fazia freelas para a revista Querida e me deu a oportunidade com uma matéria sobre as Feras do Saldanha - a preparação para as eliminatórias da copa de 70. (Um parênteses da @mel.ns aqui: perguntei sobre e Zé contou que, na época, teve amigos presos, amigos que entraram para movimento de luta contra a ditadura e que ele mesmo, com colegas, precisou correr da polícia com seus cavalos).

Sempre tive um laboratório ao meu lado, fosse P&B ou cores, negativo ou positivo. É claro que, durante esse percurso, tive de recorrer a laboratórios profissionais pois o tempo era curto e entre uma saída e outra o filme já tinha de ser revelado, mas conhecer o processo foi fundamental para saber o que pedir para eles fazerem.

Esse foi o meu processo analógico, revelado para vocês em muito menos de 1 hora! ;)”

Agradeço demais a participação deste fotógrafo tão experiente e com um ânimo tão admirável para contar histórias. E olha que falta coisa, hein? Zé Lobato trabalhou como assistente de fotografia de cinema, inclusive em um filme inacabado do grande cineasta Leon Hirszman sobre a volta do exílio de Caetano, Gil e Gal. 

Que honra podermos “ouvir” este percurso, não é, minha gente? Inspirador! Valeu demais! ❣️📸

@mel.ns

#streetphotographers #somosaruas
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Zé Lobato @zelobato revelando mais um pouquinho de seus 60 anos de fotografia:

"Ainda tenho um laboratório em casa, anda meio parado. Com o surgimento da fotografia digital, tornou-se quase impossível praticar a foto analógica, com fechamentos de fábricas, a Kodak já não fornecendo mais os insumos, e filmes vencidos custando muito caro. Ultimamente a coisa anda melhorando, filmes estão voltando, já se pode encontrar insumos químicos - mas preços ainda caros. 

Apesar de estar “mais acessível” usar películas, revelar e escanear, sinceramente não sei se vale a pena ampliar em papel de prata, competindo com essa gama de papéis de algodão que existem para impressoras jato de tinta e a qualidade que atingiram. Porém, ao tirar do armário as velhas analógicas carregadas com o bom e velho Tri-X ou HP5 revelados com D-76, com um grão que você jamais vai conseguir com um Photoshop e emuladores de filmes analógicos, vejo que o filme não morreu!

Nesse caminho muita coisa aconteceu na minha vida de fotógrafo amador para profissional. Procurei por pessoas que poderiam me ensinar mais, procurei por livros e vi muita foto em revistas especializadas. Hoje basta uma googlada e você tem acesso a quase tudo.

Flanei muito na rua no começo, tirava foto de quase tudo que via. Cartier Bresson era meu guia, mas Brassai e Bill Brandt, entre alguns, também me incentivaram. Certo dia caiu na minha mão um livro, Cowboy Kate, de Sam Haskins. Fiquei engasgado e curioso com aquele P&B, um grão maravilhoso! “Quero chegar nisso!”. "

Amanhã continua! Temos a parte final da apresentação do trabalho do @zelobato! Flanem com ele à vontade e deixem coraçõezinhos sem miséria, porque merece demais, né, gente? 👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽📸 (E bora fazer subir nesta rede um conteúdo que nos interessa!)

Ahhh, e não percam o Carlos Cachaça na última foto aí em cima! 😊 

Obrigada, Zé! 🎈

@mel.ns
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"Aos 14 anos, gostava de corridas de automóvel, feitas nas ruas do Rio de Janeiro, cidade onde nasci e moro há 77. Meu pai tinha uma Leica F com uma (lente) cinquentinha. Pedi para me ensinar a mexer e fazer uns registros das corridas. Assim foi.

Comprava os filmes e levava para revelar numa ótica especializada,  a Lutz Ferrando - acho que era a única que vendia câmeras e filmes naquela época. Quando apanhava as fotos, minha decepção era grande: os carros ficavam bem longe, diferente das fotos que via nos jornais, em que apareciam bem próximos! Meu pai, então, me explicou sobre as telefotos e a diferença para a cinquentinha! Ele também tinha uma Werra com uma 100mm, e lá fui eu. O resultado melhorou, mas ainda não me entusiasmou.

No colégio, dois colegas também gostavam de fotografia. Um deles era o Lauro Escorel, renomado fotógrafo de cinema. O outro foi quem me contou que o irmão fazia um curso na ABAF, um fotoclube, e ampliava suas fotos em casa. Dos papos no recreio, fui ver como fazia seu laboratório num quarto. Logo que voltei pra casa, meu pai, conversando também entusiasmado, me falou que um colega possuía um antigo ampliador que estava parado! Dias depois este ampliador estava no meu quarto!

Também via meu pai, médico radiologista, descarregar os chassis de RX e afundar as chapas nas bacias de revelador e fixador em uma salinha de luz alaranjada, em seu consultório. Mas minha noção de revelar era pequena.

Voltei à ótica. O balconista deu umas dicas: comprei um revelador e fixador universal, um tanque de revelação, duas banheiras e um pacote de folhas 18x24. Li as instruções e me aventurei a fazer minha primeira experiência de ampliar um daqueles negativos revelados: preparei os químicos e, com dois cobertores na janela e uma folha de celofane vermelho no abajur. E qual não foi a minha surpresa? Sem ter qualquer noção de tempo de exposição, nem mesmo um timer, a minha primeira foto surge na banheira, “maravilhosa"! Maior c@g@da, posso afirmar hoje! Mas foi isso que deu a largada e não mais parei."

😄 Que honra trazer o Zé Lobato @zelobato e sua trajetória de mais de 60 anos de fotografia! Amanhã continuamos com mais fotos e história!
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