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desaprendo e tateio mundos
@_evna
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taken in Paraty - Patrimônio Da Humanidade by @talitarubinho
9
a month ago
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produz produz e ama by @talitarubinho
11
2 months ago
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faz algum tempo quero escrever sobre alguns desconfortos nessa terra de ninguém que pode parecer a internet. desconfortos antigos sobre problemáticas que parecem estar passando ainda mais batido. 
estamos vendo a continuidade da usurpação branca descarada na apropriação de narrativas e imagéticas “exóticas” como o novo hype das tendências. pessoas que vendem estéticas e se auto denominam “gypsy” sem nem se quer problematizar o uso dessa palavra pejorativa, quanto mais o fato de que ser cigano é pertencer a uma das entnias ciganas e não uma modinha que você decide. como não se pode se dizer negro sendo branco, você não pode ser cigana sendo gadjon. 
diversas marcas usando conceitos e imagens étnicas pra impulsionar seus produtos. nada de novo. dizem apoiar artistas indianos e de outros lugares quando claramente lucram sobre as narrativas e roubam os símbolos, mais uma vez colonizam fazeres ancestrais a seu benefício. 
e o povo bate palma, acha lindo. 
é só botar um monte de I.A adornada igual mulheres afegãs e dizer que o adorno é sagrado e bla bla bla. se utilizando de simbologia e intelectual criativo de um povo ancestral pra vender e engajar. 
e eles vão falar que pagam os artistas, que pagam os artesãos, que são apenas colecionadores. vão falar que estão apenas incentivando que mais pessoas conheçam a “história do adorno”. que são apenas entusiastas ou que estão divulgando a história de um povo. eles vão distorcer até massificar coisas que são realmente sagradas pq são íntimas de um povo e te convencer que eles descobriram um tesouro pra chegar até você. 
um discurso fantasioso e mentiroso sobre exclusividade quando se fecha remessas a preço de banana pago aos artesãos e se vende uma ideia de que qualquer pessoa pode se imbuir e se apropriar dos significantes de uma cultura. 
um marketing raso de pessoas que só de longe pensam saber o que significa o trabalho artesanal e milenar de uma cultura. 
empreendedores vorazes que não compreendem a mística de produzir algo por horas a fio mas que tem o capital pra se fantasiar e te enganar. 
pre.gui.ça e vergonha 
melhorem. by @talitarubinho
8
2 months ago
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⚔️ brincos em latão e alpaca ⚔️ by @talitarubinho
23
2 months ago
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ainda sobre processos: ver com as mãos. tatear é um jeito de enxergar. na infância somos mais assim. mesmo minha mãe que muito me estimulava ludicamente - inclusive a criar os meus brinquedos - dizia “talita, se olha com os olhos e não com as mãos” quando por vezes eu ficava muito empolgada querendo tocar em todas as coisas. lembro da mais singela vontade de botar as mãos na areia do canteiro, na terra, nas estátuas, nos bibelôs das casas alheias. tinha vontade não só de explorar com elas tudo que existe como de fazer tudo que eu sentisse que poderia vir a existir através delas. criar e modificar o que pudesse porque era assim que me sentia conectada com a materialidade. olhar não bastava. e nunca bastou. é quando eu boto as mãos que a coisa acontece e eu me sinto aqui. tenho mesmo uma espécie de adoração por elas e acho que por isso gosto mais de me chamar artesã do que artista. o artesão precisa, além de doses colossais de obsessão, que suas mãos ao mesmo tempo que desenvolvem cada vez mais destreza, também aceitem a primícia de que é a matéria prima quem dá o tom e a última palavra. fazemos apenas jogar com ela. enxergamos com as mãos o que pode vir a ser - e quer vir a ser - vez após vez, como a cada momento tudo se move diferente.
o ímpeto artesanal é uma paixão furiosa que move. move as mãos à tocar o coração, move o coração à se deixar guiar por elas.
como lindamente descreve Roberto Freire: “acredito que fazer poesias é um ofício de solidão. o que há de poeta em mim revela-se, as vezes, como um exigente, implacável e solitário artesão; que trabalha paciente e longamente sobre a matéria-prima poética, produzida pelo inconsciente coletivo em mim, sobretudo quando o amor torna permeável e transparente a crua beleza do meu lado de dentro. mas isso acontece muito raramente. talvez eu me defenda e fuja do ser poético que posso ser. porque é penoso, porque fragiliza, porque devassa, porque consome, tudo isso demais. porém há momentos em que não resisto ao apelo, ou, o que é mais frequente, sou apanhado de surpresa, escorrego e, de um plano muito inclinado como é o poético e o artesanal, não tem jeito, só se sai quando ele acaba.” e é por aí... by @talitarubinho
14
3 months ago
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imaginar como um fio de metal pode virar uma joia me emociona todos os dias. é um tipo de magia. mas a bruxa há de praticar materialmente inúmeras vezes o intangível. o adorno é uma das artes mais antigas que existem. sempre serviram para expressar significado e foi muito através dessa arte - que desenvolve a inventividade humana pela matéria - que os símbolos puderam atravessar eras. 
o trabalho artesanal é um elo entre essas eras porque é um trabalho contínuo. artistas-artesãos que entregam o bastão para a próxima geração como verdadeiros guardiões daquilo que é descoberto não por teoria, mas por horas a fio trabalhando sobre a possibilidade de materializar a força e a beleza da alma, da imagética simbólica humana. cada erro e acerto de um, desemboca num patrimônio de todos. 
quando trabalhamos o metal até criar um adorno, a verdadeira alquimia acontece. a prima matéria (o conceito alquímico mais enigmático e fundamental) se transforma em algo que expressa total beleza através de horas de transmutação pessoal através do trabalho manual. é arrebatador. 

clube das obcecadas online, bom dia! by @talitarubinho
14
3 months ago
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 by @talitarubinho
22
4 months ago
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das ranhuras rugosas e relevadas, auto reveladas por uma espécie de líquido cálido que goteja constante e ritmadamente, e que - pouco a pouco - pode revelar, mesmo que brevemente, algo que não se via há um dia. as vezes os esforços contínuos se repetem muitas e muitas vezes antes de mostrarem um novo tom aos olhos em um rompante de segundo colorido. por isso a prática é tão bonita. porque acho que não tem como ter epifania que aconteça fora dela. como se a euforia morasse dentro do compasso contínuo de todo dia e só ali pudesse também se mostrar e se esconder. a constância na entrega sustenta a possiblidade do renovo quando a hora chega. 
a gente segue construindo dentro algo que sabemos estar em constante movimento. esse poder metabólico de entender dentro das nossas células que a liberdade é uma rachadura no sistema, por onde só podemos observar por uma pequena e brilhosa fresta. ao mesmo tempo, quando olhamos dentro dela por um tempo suficiente, aprendemos também a perceber que na maior parte das vezes é essa liberdade de dentro que nos dá o norte, ainda que na dura constatação castrante que algo gigantesco precisa se apequenar pra caber no dia a dia. 
outro dia pensei fixamente em teias. e delas ainda em outras muitas teias eu pensei. teias finas e infinitas e também teias grossas, pulsantes, com centros pequenos e angulosos. 
gosto de pensar que essa ânsia libertaria e identitária dentro de mim é um gostinho que vem na boca, sabor de uma rede muito maior de verdade e natureza, de compreensão. de consciência. 
e ela quer falar, e também ser ouvida. todo dia ela quer ser sentida, vivida. por isso a gente inventa e a gente cria. é um jeito de tocar. by @talitarubinho
3
4 months ago
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eu as pessoa que eu amo e o espelho da smartfit by @talitarubinho
16
5 months ago
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compartilhando mais da minha vidinha por aqui. 

os últimos tempos tem sido de muita inspiração e eu tenho muito a agradecer a cada um desses seres das fotos

além de me manter inspirada (comendo de dentro e de fora) também tenho me mantido firme no intento de fortalecer minhas costas (alow artistas manuais, sofres tanto também?). exercitar e fortalecer, embora um pouco afastada da dança nesse momento… 

vamos assim, um pouco disso e um pouco daquilo por vez. tudo é roda e gira. by @talitarubinho
24
5 months ago
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a vida é curta;
a arte, longa; 
a oportunidade, fugaz; 
a experiência, traiçoeira;
o julgamento, difícil by @talitarubinho
5
6 months ago
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muitas pessoas novas chegando e sinto a necessidade de me re-apresentar (o que é sempre maravilhoso pq faz a gente pegar com as mãos uma vez mais nossa trajetória). as boas vindas são do coração, coração esse que bate nas batidas da pesquisa do adorno e do objeto por toda uma vida. a criação de adornos é desde que me lembro por gente, uma espécie de chamado. a linguagem estética que me acompanha é por mim experienciada através da minha ancestralidade - família bessarabica balcã, aprendi a importância e a mística por traz da feitura e da continuidade da pesquisa de adornos que guardam nossa tradição cultural. nunca fiz nenhum tipo de curso e não trabalho com materiais “nobres” como prata e ouro. gosto mermo é dos rolo de cobre e o latão na mochila e da liberdade que eles me dão de poder ter uma bancada viajante sem uma infinidade de aparatos. essa liberdade me levou pra muitos lugares nesse mundão e a desenvolver técnicas que eu nunca estudei, foi sempre na tentativa e no erro solitários, na observação dos materiais e nas horas e horas de criação e destruição. aprendendo de mim, com muito amor e obsessão. esse caos criativo é o que me mantém viva e o que também dá vida às minhas peças. a jornada artística em mesclar minhas influências tradicionais com o trabalho autoral é o que me arrebata e me instiga. acho que essa busca por mim mesma nos processos é o que faz a coisa acontecer há tantos anos. perseguir o autoral, esse lugar bonito e estranho, como não poderia deixar de ser porque a alegoria é assim. traduz tudo o que compõe nosso mundo interno: força, beleza, feiúra e fúria. muito do que hoje apresento como criação é resultado de processos pessoais cavados na tentativa e no erro de algo que vive e se movimenta dentro de mim através das minhas mãos e que nem sempre, penso sobre. se a inspiração vem de dentro, a técnica - nas artes manuais - vem do fazer, do dia a dia a se debruçar sobre a coisa. e a coisa, bem… a coisa vai se coisando até ensinar pra gente que a gente é tudo a mesma coisa. nós e a coisa. essa coisa que vive criando e cria pra poder viver. 

🌹 sejam todas muito bem vindas 🌹 by @talitarubinho
42
6 months ago
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